PANegírico

O equívoco daqueles que falam em equívoco no resultado do PAN está em pensarem que a fatia principal dos votos veio de pessoas com preocupações ecológicas. Desconhecendo qualquer estudo sociodemográfico e psicográfico sobre os 168.501 eleitores em causa, mas registando que o voto foi maioritariamente urbano, intuo que a motivação pode ser múltipla e convergente:

– Dependência afectiva e relacional de animais de estimação.
– Iliteracia e alienação política.
– Desejo de intervenção cívica.

Neste retrato imaginado não existe qualquer preocupação com a ecologia, muito menos a transformação dessa eventual problemática numa decisão eleitoral informada e analítica. A decisão de ir votar, e de votar no PAN, encontra antes a sua lógica e dinâmica como solução para a dificuldade cognitiva em assimilar as mensagens das restantes forças políticas e para a dificuldade emocional em suportar a retórica hostil, bélica, litigante que preenche obsessivamente os espaços de discussão e propaganda política.

Aposto também que o PAN terá conseguido contribuir para o aumento do número de votantes face às últimas eleições, sendo uma excelente opção para abstencionistas de longa data. A ser verdade, e independentemente da sua imprevista evolução interna e externa como partido com representação parlamentar, o seu papel no sistema partidário e no regime é altamente benéfico pois estará a formar eleitores. Eleitores que poderão mudar o sentido do seu voto numa qualquer outra ida às urnas, ou não, assim cumprindo perfeitamente o ideal democrático.

8 thoughts on “PANegírico”

  1. esses 168 mil pans representam 15.2% dos eleitores do ps e 23% dos eleitores do psd ( os” grandes” da nação) e 51.2% dos eleitores do berloque urbano funcionários públicos que nunca viram um trabalhador na vida ainda que vivendo à custa dele.

    só conheço uma eleitora da pan : é licenciada, artesã, anti touradas ferrenha, vegetariana, casada e vive na aldeia , mas vota na cidade. é um doce de pessoa.

  2. Sim, digamos que concordo, embora não na totalidade.
    “Iliteracia” acho excessivo (presunçoso, até) e “alienação” política é demasiado pretensioso.
    Dificuldade “cognitiva” então, discordo em absoluto: quem vota no PAN, para além de urbano, é decerto medianamente instruído e inteligente. Julgo que, no fundo, será muito mais uma questão de SENSIBILIDADE do que de racionalidade.
    Vota no PAN, parece-me, quem não tem um carácter agressivo, quem não gosta de Futebol e de Tourada, quem não é machista, quem é vegetariano, quem dá mais importância às coisas imediatas da vida e menos àquelas que dá imenso trabalho ter de pensar, planear e decidir.
    É o que eu penso, mas eu não voto no PAN…

  3. Gentr civica e ordeira dá os parabéns ao PAN por mais este degrau ultrapassado. E,sem o sentido que o Tiririca visava,a nossa cena política pior não fica!
    Como prova de boa vontade ,até vou alterar,agora,o meu petit nom…

  4. não digam asneiras presunt-ò-ideológicas.
    existe um nicho de mercado para estas cenas veganoclimatéricas como houve para independentes, moralistas & oportunistas. já esqueceram os 18% que votaram no partido do eanes ou do marinho pinto? há malta que vota nestas porras e há que capitalizar estes votos politicamente, direita ou esquerda? depende de quem os aproveitar. nas próximas eleições aparece mais uma dúzia de partidos verdes e 1/2 dúzia de lgbt.

    https://www.noticiasaominuto.com/fama/1264196/nao-estou-a-brincar-jose-castelo-branco-quer-concorrer-as-legislativas

  5. Isabel Moreira tem toda a razão e faz muito bem em desmistificar a cantilena dos animalistas.

    Sempre se soube que quem trata os animais como pessoas, acaba a tratar as pessoas como animais.

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