Os sinais e o fogo

A 1ª parte, para vingar, tem de fornecer um produto jornalístico de excelência. Trata-se de pequenas sínteses sem contraditório, pelo que estamos dependentes da boa-fé e ousadia das investigações. Se resultar, como no caso da problemática das mortes hospitalares ao fim-de-semana, pode acordar a sociedade e os responsáveis. Pelo menos, será muito estranho que o assunto não tenha desenvolvimentos.

A 2ª parte, se repetir a qualidade desta entrevista com Sócrates, é uma fraude. É inaceitável que o super Miguel Sousa Tavares vá discutir o caso mais importante do momento com o seu principal protagonista político e cometa a calinada de pensar que o Rui Pedro Soares era uma escolha solitária de Sócrates e figura caída do céu, sem qualificações, para a PT. Acresce que o seu tom foi o de promiscuidade desleixada com o entrevistado, quando o que se pede com Sócrates – tanto por ser o Primeiro-Ministro como por ser combativo na discussão – é uma preparação técnica igual ou superior nas matérias onde se quer ir ao fundo dos problemas.

Bons sinais na 1ª parte, entrevistador queimado na 2ª parte.

37 thoughts on “Os sinais e o fogo”

  1. Achei o MST no seu estilo habitual, mas principalmente impreparado para um entrevista com alguém com a excelente preparação técnica, o profundo conhecimento dos dossiers e a combatividade que são conhecidas em José Sócrates. Acintosamente e até com alguma acrimónia, usou e abusou de clichés, de ideias feitas repetindo até à saturação aquilo que estamos fartíssimos de ouvir dos “brilhantes” comentadores e analistas com que todos os dias os “media” nos brindam. Teve pela frente um primeiro-ministro seguro e muito bem preparado que lhe fez frente com delicadeza e sem perder a calma.

  2. De acordo contigo, Val, embora na 1.ª parte o bimbo tenha exibido um mostruário das suas velhas “causas”, por exemplo a sua luta contra o novo aeroporto. Deve morar na Linha, está-se a cagar para os aviões que roçam as cabeças dos lisboetas. Se calhar até lhe dá jeito ir apanhar o avião a Barajas, vá-se lá saber. Na 2.ª parte Sousa Tavares embarcou no rançoso interrogatório pidesco, no branqueamento das escutas ilegais. Perdeu a classe que me lembro que outrora teve. Já não tem imaginação, nem inteligência, nem tomates. Está velho e acabado, tem medo de não ser levado a sério, cedeu à paranóia laranja, ao sufoco da comunicação social, para tentar dar a ideia de que está vivo e é independente. Uma lástima, meteu dó. Quase não se distingue do Mário Crespo.

  3. Pela tarde escrevia isto:
    Hoje, pelas 21.10h, em directo na antena da Sic, vai jogar-se uma cartada significativa no desenrolar dos futuros acontecimentos políticos. Com um jornalista, sério, independente e nada conotado com o poder, seja ele qual fôr, o Primeiro Ministro vai poder explicar ao país um série de dúvidas que teimam em pairar no ar.
    Miguel Sousa Tavares está de parabéns pois conseguiu transformar o seu programa na mais vísivel “Comissão de inquérito” ao caso “Face Oculta”. O Primeiro Ministro aceita sentar-se na cadeira da televisão do militante número um do PSD, o que acarreta um risco elevadíssimo. Sócrates mostrou toda a sua confiança num bom desempenho e ao mesmo tempo inteligência ao aceitar falar fora do canal do Estado.
    Resta saber quem sairá chamuscado desta entrevista, se ele ou os anti-sócrates.

    Agora apetece-me escrever que Sócrates esteve confiante, conciso e afirmativo não se deixando chamuscar, enquanto que MST mostrou-se um quiçá inibido e mal preparado.
    Esperam-se as crónicas dos jornais acreditados pela oposição para se saber os resultados desta entrevista.
    FM

  4. FM disse:

    “Miguel Sousa Tavares está de parabéns pois conseguiu transformar o seu programa na mais vísivel “Comissão de inquérito” ao caso “Face Oculta”. ”

    Eu ví o programa, e, dei por perdido o meu tempo.
    Aliás, devo referir que tempo insignificante foi dedicado a tal questão.
    Como era de esperar, o PM defendeu-se.
    Evitou fazer qualquer julgamento (sabiamente prudente, e, politicamente correcto) quanto aos “amigos” (os que foram escutados em conversas, que nem em privado, se devem ter).
    A coisa ficou mais ou menos nestes termos: é possível que tenha ocorrido algo (como se alguém ainda duvidasse) mas eu nada tenho a ver com isso. Pode ser que tivesso tido como finalidade a minha reeleição, mas sou alheio a tal facto. Não comento conversas alheias nem condeno amigos. Quanto a isso não espere

    Na segunda parte, mais dedicada à economia, deu show, perante a impreparação de MST.
    Tivesse MST

  5. bolas, deu grelo!

    Dizia eu:

    Tivesse MST dado o seu lugar (a cadeira) na segunda parte, a um economista, e a coisa aí seria deferente.

    Mas porque é que será que todos os PM’s e outros governantes apenas se prestam a ser entrevistados por jornalistas que pouco ou mesmo nada (caso da inócua e institucional Judite de Sousa) percebem de economia, e não por verdadeiros conhecedores e especialistas na matéria?

    Quem souber a resposta, que diga …

  6. Sinceramente não sei quem lhes dá a informação de que a Portela não está saturada. Os voos nocturnos (24h00-06h00) só podem acontecer como excepção e só para aviões mais actuais (menos ruído). Um B747 F, por ex.: se, por motivos operacionais, atrasar para depois das 24h00, tem 2 opções: ou espera pelas 06h00, pagando sempre as horas extra de estacionamento, ou decide partir em hora nocturna, quando estão em causa tempos de descanso das tripulações, ficando sujeito a uma multa elevadíssima.
    Em Lisboa continua a ser muito difícil arranjar slots para voos extra e os regulares são negociados minuto a minuto. Por dificuldade de conciliar disponibilidade de aviões com horários de partida/chegada, já aconteceu termos que desviar voos para o Porto. Os custos operacionais aumentam e a competitividade esvai-se.

    MST só tem razão quando diz que as low-costs deveriam operar em aeoroportos secundários. É assim no resto da Europa. (Confesso que as low-costs me fazem urticária)

  7. O Jorge de Sena não merece que evoquem o seu romance e o seu espirito para um programa de autor cheio de cliches , repetições de perguntas e outras perguntas que se adivinham dada a mesquinhez da classe jornalistica a que tem que agradar. De resto uma certa agressividade gratuita e má preparação. Mas tudo isto não interessaria se não utilizasse o nome e o espirito de Jorge de Sena, penso que é de um oportunismo e de uma falta de respeito incrivel .

    A melhor defesa de Socrates foi feita pelo Antonio Hespanha no Prós&Contras, de uma forma simples disse o que tinha que ser dito. Nesta País não interessa a verdade, o que interessa é o que parece que é. Por isso dois ou três jornalistas podem calmamente apear um 1º ministro desde que consistentemente digam mentiras sobre ele, a espaços regulares, minando a percepção pública, se não do caracter da pessoa envolvida, então da propria noção de verdade. Como ele próprio disse que se fazia durante a Inquisição, 8 indícios a 1/8 de prova cada um dá uma prova/verdade. Aterrador.

  8. Vi os Sinais de Fôgo e depois vi o Prós e contras.

    Quanto ao fôgo não posso deixar de concordar que quem saiu queimado foi o MST.
    Quanto ao Prós e Contras: António Hespanha foi surpreendente para quem o não conheça. Trouxe um olhar novo, aqui e ali um pouco confuso mas com um bom discurso. Esteve brilhante quando falou nas 1500 ou 2000 pessoas que mandam, como fazedores de opinião ou gente pública ou privada, que ora está em lugares de topo institucionais ora está no privado, ora está a analisar ou a comentar. Interessante. Quanto mais falava mais as pessoas identificavam um dos participantes como aquele em quem a carapuça enfiava a preceito: Rui Machete, sem sequer ser preciso invocar a sua ligação à SLN, i.e., ao BPN.
    Almeida Santos esteve muito bem, perdendo-se um pouco na mundialização final (mas ele tem razão, tal é a vontade de certas pessoas em branquear a Crise que começou oficialmente com a falência do banco Lehman Brothers em 15 de Setembro de 2008 e da qual Portugal foi dos primeiros países a sair na Europa da recessão técnica, na qual a Espanha ainda se encontra) e, defendendo correctamente que a divulgação de escutas é um crime, não ter acentuado devidamente que isto não é apenas um formalismo jurídico, mas uma questão substancial: não é defensável nem crível que seja o tribunal popular a definir se há ou não interesse público, se há ou não descontextualisação, se há ou não falsificação. Acentuou e bem que pode ser um pequeno passo de grandes pulhas, mas um enorme passo para a sociedade de 1984 (todos querem é apenas defender o bem público. Não se esqueçam que actualmente, no Irão de Amadinedjad, há pelotões de vigilantes da fé que se afadigam com a defesa do bem público). Segundo eles. Isto é a sociedade da bufaria.
    Vicente Jorge Silva, como é costume, rebolou os olhos nas órbitas, fez muitas intervenções e muito pouco disse. Que as escutas existiam e não se podia fechar os olhos a elas. Tudo uma questão de olhos.

    Irene Pimentel esteve bem, foi serena, sensata, explicativa. Na segunda parte não tão bem.

    O engenheiro do CDS: muito velho, muito bafiento, muito mais do mesmo. Que isto está tudo péssimo, pôrra.

    Rui Machete teve o momento alto da noite quando introduziu o conceito de Autoritas, para defender que o assunto das escutas era de natureza política, mesmo que nada se provasse e que a lei ilibasse Sócrates de todas as acusações. Mas caiu no ridículo quando Hespanha mostrou que este último refúgio não podia estar acima de qualquer crítica. E aí cedeu terreno, dizendo que achava que se estava a exagerar nestas acusações a Sócrates, que ele até podia ser culpado, mas que era preciso deixá-lo governar. Bruxo.

    A moderadora: como sempre é muito dinâmica, intervem a torto e a direito, vai tirando umas conclusões sofríveis, é de uma cultura colada com cuspe confrangedora. Um espelho do nosso fraquíssimo jornalismo.

    Já agora: repararam que Luís Figo, ex herói nacional, futebolista exemplar pelo Sporting Club de Portugal, que ganhou o galardão de melhor futebolista do mundo, pela FIFA, em 2001, leader respeitado da selecção nacional, criador de escolas de futebol e de uma Fundação humanitária, grande jogador do Barcelona, do Real Madrid e do Inter de Milão, representante da Selecção Portuguesa de Futebol 127 vezes (recordista de internacionalizações pela Selecção das Quinas)… é transformado por uma comunicação social encardida, medíocre e viciosa, quando a ele se referem, em… ex- jogador do Inter, suspeito de ter dado apoio a Sócrates em troco de um contrato de imagem com a Portugal Telecom (empresa que tem um Presidente que se sentiu “encornado” e é certamente mal pago). E que, pasme-se,(ele Figo) é tão burro e tosco que foi ao pequeno almoço dar apoio ao Sócrates e assinou o contrato na mesma tarde. Abrenúncio. Esta gente (certos políticos, certos jornalistas) pauta os outros pelo que são eles próprios capazes (contumazes e sem tomates) de fazer. Não há pachorra.

  9. “…Mas porque é que será que todos os PM’s e outros governantes apenas se prestam a ser entrevistados por jornalistas que pouco ou mesmo nada (caso da inócua e institucional Judite de Sousa) percebem de economia, e não por verdadeiros conhecedores e especialistas na matéria…”

    Bom, para começar, não me parece que um Primeiro Ministro tenha que ser uma sumidade em economia. Nem em direito, nem em engenharia nem numa qualquer outra especialidade. É claro que se o for, também não faz mal nenhum.

    A um primeiro ministro o que se exige é que seja um bom político, um bom governante e um bom coordenador.

    Depois, em economia, que não é propriamente uma ciência exacta, é possível à priori defender teorias diametralmente opostas relativamente a uma mesma realidade. Logo, se se entendesse colocar um economista a entrevistar Sócrates, que economista seria esse? Da direita, da esquerda ou do centro?

    É claro que isto não invalida que qualquer bom jornalista deva ter uma boa preparação nos temas relativos às questões que vai colocar ao entrevistado.

  10. Lamento, mas não concordo com os comentários relativos ao MST. No que à minha interpretação diz respeito, o entrevistador, esteve uns furos acima do que estamos habituados. Sócrates também esteve bem, quer na 1.ª quer na 2.ª parte da entrevista. Senão vejamos, da entrevista sai uma declaração importante sobre o “face oculta” que mais ninguém tinha conseguido sacar ao PM, de que se alguém falou em nome dele, não foi mandatado para tal. Consequência? Bom, para já, temos alguém que sendo PM, estando debaixo de fogo de uma opinião pré-fabricada para o destruir, mesmo assim, não segue o caminho mais fácil, o caminho de quem não tem coluna vertebral, o caminho de encontar um bode expiatório, o cordeiro sacrificial. De facto, ao mesmo tempo que afastava a sua implicação no caso (nas conversas gravadas e publicadas ilegalmente), deixa à justiça o apuramento do que está ali contido. Isto é de suma importância. Todos sabemos que uma conversa à qual se retira uma pequena parte fica completamente desgarrada.

  11. Há gajos que têm um ódio de estimação por Sócrates. Há gajos que têm um ódio de estimação por MST. Uns e outros juntaram-se neste post e nos respectivos comentários. Assim como numa espécie de conglomerado entre a “direita imbecil e a esquerda ranhosa”.
    A entrevista conduzida por MST foi notável; o desempenho de Sócrates foi o melhor dos últimos meses. Em termos de esclarecimento esta entrevista valeu mais que dez comissões de ética e de inquérito

  12. cidadão presente, o que o Antonio Hespanha disse espera há muito para ser verbalizado, inscrito na narrativa mediática. Foi essa a minha surpresa, a de ter assistido verdadeiramente a um contraditório.Contraditório porque tem uma leitura fora do registo coreográfico em que assenta o debate politico.

  13. No meio de fogo cerrado, Sócrates voltar a dizer, numa entrevista com toda a gente a escutá-lo, o que pensa do “jornalismo” que se praticava naquela coisa da MMGuedes… dá cabo dos nervos das pessoas.

  14. Guida, K e Kjung,

    concordo 100% com os vossos comentários.

    Agora, para mim, a surpresa da noite de ontem esteve em António Espada. Daquelas criaturas que mesmo não concordando com as suas visões da politica e da filosofia, temos por alguém independente e verdadeiro livre pensador. Foi capaz de dizer o que mais custa: o óbvio. O óbvio ululante, como diria o Nelson Rodrigues. Até mesmo quando verbalizou e exemplificou com gestos, o óbvio estado de doença do Cavaco. Foi de apetite.

  15. Cruzada anti-Sócrates v Sócrates

    1.ª mão: goleada de Sócrates/ 4-0

    licenciatura, não provado;
    Projectos de arquitectura, não provado;
    Compra de habitação, não provado;
    Freeport, não provado.

    Cruzada anti-Sócrates v Sócrates

    2.ª mão: Jogo a decorrer mas que aponta para nova goleada de Sócrates.

    A cruzada protagonizou algumas jogadas arriscadas que podem por em causa até mesmo a continuação do jogo. Contudo, sem resultados visiveis a não ser muita poeira levantada.

  16. A minha vizinhança deve ter ouvido o meu enorme suspiro de alívio aquando do fim da entrevista.
    Não. Não é nada disso. Não me refiro ao facto de pensar que José Sócrates é tão convencido que até faz doer a cabeça a uma estátua.
    Refiro-me ao facto de ficar a saber – e pela voz do principal responsável – que Portugal está muito bem, obrigado. É que eu andei nestes últimos meses a ouvir diversos economistas a dizer que Portugal tem uma enorme dívida pública; que a nossa economia não cresce; que o número de desempregados é abismal e não ficará por aqui; que a solução seria a diminuição das despesas (leia-se redução das salários da Função Pública e outras verbas de cariz social) ou o aumento de impostos se de facto quisermos reduzir o défice até 2013. Mas não é nada disso!
    Eis que surge José Sócrates, o Primeiro-ministro de Portugal (gosto da pompa que esta frase revela!), a dizer que não. Que a solução passa pelo investimento público, que gerará empregos e lucros para as empresas. Pegando neste exemplo e porque o PM deu como exemplos as barragens ou o TGV, eu pergunto:
    Que género de emprego gera a construção civil? Qual é a qualificação da mão-de-obra necessária? Ou será que está a pensar nos eventuais empregos de quem vai gerir as barragens, que são comandadas à distância por um operador que gere, ao mesmo tempo, mais10 ou 15?
    Para concluir, digo que justificar este investimento público – num País que não tem dinheiro, note-se! – com a criação de emprego é uma falácia porque este só existe durante a construção das obras.
    Quanto ao TGV, vai ser óptimo trazer os madrilenos para as nossas praias…
    Continuando, disse José Sócrates que Portugal foi o país que melhor resistiu à crise (esquecendo (?) que a negou durante meses a fio…); que foi o 1º a sair (!) dela; que se nós estamos mal, os outros ainda estão pior (mas que grande consolo!) e que reduzirá o défice sem causar danos aos mesmos do costume (os pagadores de impostos, claro!).
    Realmente. Já estou a ver a população em Portugal a aumentar de forma galopante. Como? É fácil. Mal a entrevista seja vista por essa Europa fora, todos vão querer emigrar para a nova Terra Prometida, onde o leite e o mel correm livremente e o maná é distribuído de porta em porta.
    Entretanto, pessoas como João Salgueiro; Medina Carreira; Silva Lopes ou outros que neguem – com factos – esta visão edílica do PM, já estarão internados num qualquer hospício para opositores.
    Nesta entrevista também gostei de ver o PM a dizer que não comentava as escutas (quando lhe convinha) e depois a comentá-las (quando já lhe convinha). Enfim, só se admira quem se quer admirar.
    Gostei muito, também, quando ele negou as próprias escutas, para depois dizer que não comentava conversas alheias ou de amigos dele. Enfim, é mais uma prova da coerência e das convicções de José Sócrates.
    Quanto ao entrevistador, penso que na 2ª parte deveria ter sido substituído por alguém que soubesse de economia. Não é que José Sócrates saiba muito, não. Miguel Sousa Tavares é que não sabe nada e, por isso, é que se lê por aqui que o PM está muito bem preparado e conhece os dossiers.

    Para concluir, reparo que muita gente não resiste a invectivar todos aqueles que, no uso da sua liberdade, se limitam a defender posições discordantes. No caso presente, presumo que sejam simpatizantes do PS. Imagino o que seria se fossem adeptos de Manuela F. Leite ou Paulo Portas.
    Decerto que todos aqueles que criticam o governo ou o partido que o suporta já teriam sido condenados à fogueira. Sim, que candidatos a Torquemada(s) há muitos por aqui.

  17. Essa cena da élite das 2000 pessoas é uma afirmação anacrónica. Então e a Internet? É aliás por isso que o Pacheco Pereira ataca de forma tão sistemática a blogosfera: é nela que se pode encontrar uma via para alargar os que influenciam a doxa.

  18. Gostei da entrevista de Miguel Sousa Tavares, no Sinais de Fogo, a José Sócrates. Há quem não goste de certas perguntas mas, elas têm de ser feitas. O entrevistador está ali a representar o povo Português – as perguntas que gostávamos que fossem feitas.
    Dá jeito a muitos que só se faça perguntas, das quais mais gostamos, se não for assim o entrevistador não presta, está mal preparado, nunca damos valor ao saber da outra parte. Há quem diga que Sócrates e outros políticos não gostam de ser entrevistados por jornalistas economistas. Julgo que pode haver. No que toca a José Sócrates não há muito tempo que foi a uma entrevista à Sic e teve como entrevistadores Ricardo Costa e José Gomes Ferreira. Os comentários seguintes se bem me lembro foram: que não estiveram à altura de José Sócrates. Não querendo fugir ao tema, mas isto faz-me lembrar, aquelas equipas que mesmo perdendo, na boca dos seus apaniguados ganham sempre. Quanto a mim não é uma questão de ganhar mas sim de tentar esclarecer o telespectador. Quando isso acontece ganha o programa, o entrevistador, o entrevistado e o telespectador.
    Se o programa tiver como convidados mais dirigentes políticos, não vejo eles a terem benefícios nas perguntas por parte de Sousa Tavares. Pelo que leio e ouço não é pessoa de fazer fretes. Como todos, tem as suas paixões mas, na sua vida profissional sabe-as distinguir. Assim fosse a maioria dos jornalistas, entrevistadores e opinadores.

  19. Hum!… Curioso este Mário Pinto, escreve tanto e nada de substacial. Fico feliz que tenha suspirado e, pelos vistos, que se tenha peidado tanto durante a entrevista.

    É que, das duas uma: ou suspirou de alívio porque chegou no final e não teve que gramar do que manifestamente não gosta ou, a flatulência é tanta que deve ter ficado sem oxigénio na sala.

    Numa ou noutra situação, não viu a entrevista. Deixe lá, também não a compreenderia.

  20. PG

    Faça-me um favor:
    Não transfira para mim nem os seus defeitos nem as suas qualidades.
    Fique com ambas e limite-se, se for capaz, a desmontar os meus argumentos.
    Mas quero, ainda assim, agradecer-lhe o seu comentário porque o mesmo é a prova cabal de que acertei no alvo.
    À fruta verde não se atiram pedras, pois não, meu caro PG?

  21. Engano, puro engano Mário Pinto, e duas vezes.

    1.º Vexa não apresenta argumentos para desmonta. Aliás, só isso permitiu comentar como fiz – Vá ler umas coisas, e quando o fizer, terá a capacidade de defender melhor a sua dama, i.é, a receita do liberalismo para combater a crise. Porquê? Ainda bem que pergunta. Ora, a receita do Sócrates, tem a vantagem de ter sido defendida pelo mais recente prémio nobel da economia. Eu sei que é pouco mas é alguma coisa.

    2.º Concordo, o Mário Pinto parece mesmo fruta madura.

  22. Val,

    Tu que és entrosado, será que podes informar o jornal “Público” que as provas definitivas contra o Sócrates no Freeport estão com o Mário Pinto. E já agora, de que ele também terá provas cabais do envolvimento do PM nas conversas de “medição de pilas” entre aqueles dois putos que trabalhavam para a PT? O Mário Pinto deve ser procurador. Só pode. Procura e procura e procura. É um procurador.

  23. Tenho para mim que o Miguel sousa Tavares, pessoa que admiro, embora discorde dele em várias vertentes dos seus escritos – político, ou desportivo (e até defendemos as mesmas cores clubísticas…) e tive a sensação que estava bastante tenso para o que lhe é habitual. Não estava em forma. Julgo não se ter preparado convenientemente para se “bater” com o “animal feroz”. Deveria ser pelo facto de ser o primeiro programa e querer “apresentar serviço” (não a qualquer “patrão”, pois do que me parece conhecer dele , não é pessoa para isso).Por certo não contaria que José Sócrates fosse tão calmo e tão assertivo nas respostas. Como MST é, também, obstinado nas suas “lutas” do contra o Aeroporto, TGV e grandes obras (faltou a luta anti-tabágica…)não conseguiu articular as outras questões de uma forma “aberta” – basta ver que a sua voz se embargou algumas vezes, ou pelo menos não foi expressiva, como o tem sido – embarcou, na prática, nas perguntas que qualquer outro “escriva” tem feito e nisso esteve mal, mas não é qualquer um que se pode dar ao luxo de “ganhar” ao “primeiro”.

  24. Ó sr. Cidadão Presente, com um currículo desses (o que o Sr. traçou do Figo) e sendo conhecida a apetência dele por dinheiro (foi bem alcunhado pelos catalães – Pesetero) muito me admira que Sócrates (also known as Zezito), não o tenha convidado para Secretário de Estado do Tesouro.
    E já agora, tendo Sócrates sido Ministro do Desporto (o que em Portugal é o mesmo que dizer, Ministro do Futebol), o que aliás foi o trampolim de lançamento dele (porque quem mexe cordelinhos em Portugal é o Futebol e o Altar, mais nada) também me espanta que não tenha convidado Simão Sabrosa para Ministro dos Negócios Estrangeiros, e Bruno Alves para Ministro do Interior.

    P.s.: para Ministro da Administração Externa (ou Periférica) dava perfeitamente o jovem Pedro Gomes da Telecome, e para Ministro dos Negócios Internos, aquele sujeito lampinho e com cara de porquinho de mealheiro, subalterno do coiso.

  25. o mário pinto é extraordinário. como referência dá-nos o joão salgueiro. oh mário pinto, o que aconteceu ao nosso pobre país quandoo salgueiro passou pelas finanças? lá tivémos que chamara o fmi! um pouco de memória, por favor….
    (quanto à entrevista, não vi)

  26. São muitos os sinais. Terminar um comentário com a palavra “coiso” já seria suficiente. mas não, o nosso escriba persiste em revelar aspectos da sua vida. Sabemos agora, que para lá da queda para dadivoso, no que parece ser compulsivo, também delira com o futebol, e que no fundo, gostaria de ver os seus ídolos (os da bola) no governo. Faz sentido. Eu diria que é tara a mais, mas será suficiente, não. Vai na volta tem os posters no quarto, para sonhar com certas reviengas.

  27. O Sr. PG queria “provas” do género, “actas dos trabalhos preparatórios e das reuniões subsequentes”, devidamente acompanhados dos “Certificados dos actos realizados”, “recibos das verbas recebidas” “Declarações – devidamente reconhecidas notarialmente – dos montantes recebidos em contrapartidas por – tudo devidamente discriminado ao mínimo pormenor”, etc.

    Tudo isso, porventura para depois mais tarde, alegar que, aquilo não pode provar nada porque ninguém acredita que aqueles delinquentes fossem tão tolos, que se enterrassem daquela maneira (para mais, sendo pessoas até com algum pingo de inteligência), argumentação género “Big Lie, uma técnica de propaganda, na qual se parece querer alicerçar Daniel P. Carvalho, ao dizer que alguém acredita que o PM fosse tão estúpido que se fosse meter numa coisa daquelas)

    Olhe, eu acredito.

  28. Vox,

    Nem tudo o que parece é, e tudo pode ser o que verdadeiramente parece. Agora, mau mau, mesmo mau, é a impudicícia com que o amigo vê as coisas. Explico. Não gosta, mas não deixa de olhar, comentar e viver a coisa.

  29. assis

    Porque fala em memória, aplique o mesmo critério a ex-ministros como Mário Lino ou Alberto Costa e diga-me o que andaram eles a fazer no governo.
    Mas eu gostaria que João Salgueiro; Medina Carreira ou Silva Lopes estivessem enganados e sabe por quê? Porque se eles tiverem razão serei eu e todos os que estiverem na mesma situação que eu que vão pagar a factura. Não será José Sócrates nem nenhum dos seus ministros porque esses estarão sempre bem, como decerto saberá (se quiser saber, com certeza).
    Acredite ou não, eu aqui “falo” por mim e tento defender os meus interesses. Os do partido que defendam os deles. Espero ter sido esclarecedor.

  30. Olhe em política, o que parece é!
    E em matéria de falta de honestidade intelectual, falta de decência, de moral, enfim, tudo visto e bem pesado, falta de argumentos, os seus comentários torpes em relação à minha pessoa (desconhecendo V. quem eu sou) inventando as mais mirabolantes calúnias, demonstram que V. é um energúmeno da pior espécie, e um esquizofrénico perigoso, porventura até, um drogado, visto que o seu comportamento dá até para suspeitar de que chuta para a veia.
    Um dos piores bandidos no meio desta autêntica quadrilha que frequenta este blog, praticante de uma coisa que, Pacheco Pereira, muito bem, chama de, selvajaria cibernáutica.
    O que vale é que um número ínfimo de pessoas lê esta merda deste blog.
    PS: Continue a tentar vender-me produtos da PTTelecome. Não vai longe.

    Já agora, com os cumprimentos ao Alberto João, dois discursos que subscrevo:

    http://www.youtube.com/watch?v=9nlyWpJQP-M

    http://www.youtube.com/watch?v=-DMYgDKK6j8

  31. O programa tem um aspecto positivo e um negativo (à primeira vista e sem muito aprofundamento):

    Em primeiro, não tem no seu titulo “Jornal das… “, “Jornal de…” nem “Noticiário” ou Telejornal. Perfeito! É um programa claro de opinião e nada mais (pelo menos a primeira parte).

    Em segundo, o aspecto negativo, não me parece ser compreensível que, reservando-se a 2ª para uma entrevista, o suposto entrevistador despenda de quase tanto tempo no uso da palavra como o entrevistado. Ou é um diálogo ou conversa de opiniões ou é uma entrevista… decidam-se lá.

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