Os pulhas do PS


Ligação

Henrique Manuel Bento Fialho, escritor. O seu livro mais recente saiu em Abril deste ano, A Festa dos Caçadores. Para consumo imediato do seu talento artístico e do seu universo idiossincrático, é visitar a antologia do esquecimento, uma casa com serviço regular de inteligência, humor e amor à liberdade.

O nosso amigo hmbf passeia-se pelo Aspirina B desde os primórdios. Lamento pela sua década+3 perdida, mas aviso já que ainda não chegámos à América pelo que não nos poderá meter em tribunal, apesar da montanha de provas a seu favor para tal. Posso é tentar responder à simpática questão levantada, a qual me permite meter uma cassete que não ponho a tocar faz tempo. Cá vai alho.

Não sou dirigente, militante, simpatizante, sequer votante do PS em eleições legislativas (mas tenho sido votante nas autárquicas). Não votei PS em 2005, 2009 e 2015. Votei em 2011 pela primeira vez, e pela simples razão de estarmos perante uma colossal golpada que afundou o País para meter no poleiro Passos-Relvas e Portas, os carrascos dos fanáticos do FMI à época. As ameaças à democracia eram reais, como se confirmou nos quatro anos seguintes, e a melhor forma de proteger o bem comum seria reforçar o grupo parlamentar socialista, na minha humilde e nada modesta opinião. Não voto PS, por princípio, porque acho que esse partido não tem estado à altura das suas responsabilidades na área da Justiça. Foi exactamente recorrendo a este argumento que justifiquei, em 2009, a recusa a participar na plataforma SIMplex ao ser convidado por um dos responsáveis. É o que continuo a pensar na actualidade, achando inconcebível que o maior partido português, o principal pilar do regime democrático e a organização política que mais confiança oferece ao maior número de cidadãos dado optar invariavelmente por uma governação ao centro, aceite deixar a Justiça sem os recursos necessários para ser o mais eficiente e célere que humana e orçamentalmente seja possível. Fim da fita na cassete biográfica.

– O que tem de socialismo o PS? Mano, de que socialismo estás a falar? Esclarece, se tiveres ideias e pachorra, e a conversa poderá continuar. Mas não irá muito longe, né?

– O que têm de socialistas os pulhas do PS espalhados pelos cargos de decisão nas empresas deste país? Mais uma vez, não ajuda ignorar o que ou a quem te referes. Vou optar pelo argumento probabilístico e admitir que uma percentagem dos administradores e directores das “empresas deste país” estão ligados, seja de que forma for, ao PS, e que, dentro deste grupo, uma percentagem (50%? Mais?) pode ser identificada recorrendo ao epíteto “pulha”. Bom, aqui na minha terra um pulha não tem nada de socialista. Tal como não tem nada de nada a não ser de ruindade. Um pulha é alguém que se serve violentamente da comunidade para obter vantagens que apenas favorecem os seus interesses individuais e particulares. Essa violência pode assumir a forma criminosa ou ficar-se no seu limiar através de uma miríade de acções indecentes e cobardes que exploram deficiências e desigualdades na sociedade sem que estejam a violar a lei. Escuso de te e me maçar com exemplos.

Quanto a ver o hmbf a considerar-me o mais engraçado dos bloggers portugueses, e subjectividades do gosto à parte (ou ironia), o que tal evoca é um sentimento nostálgico acerca do que foi a blogosfera, uma festa de criatividade e aventuras relacionais, e o deserto em que se transformou ao ficar anacrónica perante o aparecimento do Facebook, Twitter e Instagram, para só nomear os gigantes. Dito isto, é inegável que existem oásis onde continua a ser possível encontrar água, fruta e sombra fresquíssimas.

7 thoughts on “Os pulhas do PS”

  1. E para quando um livro com as melhores postagens do Aspirina B sobre o Processo Sócrates? Não seria um contributo menor para a história recente desta democracia.

  2. ó yo não tens para aí uma relação dos pulhas do psd, cds, pcp be e verdes?

    Lês-te o valupi, mas no entanto não o percebeste, nada de novo.

  3. ´ó merdas, para defender uma sociedade mais justa o ps não precisa de ser socialista.a história diz-nos que tenho razaõ na minha afirmação. basta ser um partido sério e solidário com os mais desfavorecidos. quando ouço falar em socialismo, fico logo nervoso,por causa da merda que nos queriam impingir no pós 25 de abril! se hoje somos um pais livre devemos a mario soares e ao ps pela sua luta contra o totalitarismo!

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