Os para quês da política

O caso Augusto Santos Silva-TVI parece estar agora definitivamente encerrado, após se ter acrescentado à rescisão do contrato a antecipação do fim das presenças do comentador no espaço “Os Porquês da Política” na TVI24 – as previstas edições até ao fim de Julho já não terão lugar. Ocasião favorável a um balanço como mero espectador, nada mais sabendo para além daquilo que é público.

Aparentemente, o que causou a decisão para terminar com a ligação de 3 anos estará relacionado com as seguintes palavras, saídas do seu teclado a 18 de Junho:

Ora bem, o horário dos meus 'Porquês da política' na TVI24 deixou de estar condicionado apenas pelo futebol. Ontem andou em bolandas e na semana passada foi interrompido abruptamente a meio por razões que manifestamente nada têm a ver com essa distinta atividade humana. É, pois, tempo, antes que se faça tarde, para aplicar os ensinamentos de Popper e avançar umas tantas conjeturas, à espera de refutação. Assim, as frequentes mudanças de horário, muitas delas clandestinas, ocorrem:
1. Porque sim.
2. Porque esse é mesmo o verdadeiro poder da bola: condicionar tudo o resto mesmo quando não existe.
3. Porque a TVI já estará farta de comentadores inscritos em partidos políticos e, como já lá tem fartura que chegue de inscritos no PSD, não precisa de um inscrito no PS.
4. Porque eu digo disparates e ninguém me vê e todas as informações em contrário que recebo da própria TVI24 são mentiras piedosas que, como tudo na vida, também um dia terão de ter o seu fim.
5. Porque a minha voz se está a tornar muito incómoda neste clima de sufoco que vivemos.

Esta não foi a primeira vez que se queixou em voz alta das alterações de horário, mesmo interrupção do seu espaço, por causa do futebol. Mas como se lê nas palavras citadas, o actual desabafo indica que outros conteúdos para além do futebol estiveram na origem de mais perturbações que o prejudicaram mediaticamente. Daí a virulência do seu protesto, presume-se sem esforço, construído com a intenção de politizar as ocorrências disfuncionais através de uma suspeição: a TVI estaria a afastar comentadores do PS para favorecer os do PSD neste preciso contexto eleitoral. Convenhamos, é uma acusação de arrebimbomalho para quem está a ser remunerado por aqueles cuja deontologia, até a honra, acaba de ser posta em causa.

Qual poderia ter sido a resposta da TVI? Uma qualquer. Aquilo é deles. Optaram por despedir sem nada explicar, secos e frios. Isto despertou em Santos Silva uma reacção furiosa, onde se declarou vítima de censura e carimbou como cobardes os responsáveis da estação, embora não tenha nomeado a quem se dirigia. Ao mesmo tempo, apelou abertamente a que terceiros assumissem as suas dores, tentando amplificar e espalhar a sua indignação. Reptos esses entremeados com alusões desafiadoras a alguns aspectos da correspondência entre ele e alguém da TVI responsável pelo processo. Chegou ao ponto de contar ter recebido vários convites de uma outra estação, os quais teria então recusado dado pretender cumprir o contrato com a TVI. Em suma, deu parte de fraco. E fracassou na intenção de angariar aliados que lhe dessem o gosto de uma vitória moral.

Ver Santos Silva a fraquejar tem tanto de raro como de espectacular. Só encontro um exemplo parecido, mutatis mutandis, quando lhe deu para se justificar a propósito da expressão “malhar na direita”, verbalizada em 2009; a qual ganhou notoriedade por ser inspiradora, por um lado, e por se constituir como munição que essa mesma direita não iria desperdiçar, por outro. Apenas recordando um episódio desse tempo, na própria RTP se fez grosseira manipulação com ela – colocando a gravação da sua expressão captada numa reunião partidária sobre imagens suas captadas na Assembleia da República – num registo sistemático de apelo ao ódio contra os governantes socialistas e o PS que nem uma maioria no Parlamento conseguiu evitar numa estação pública. Pois Santos Silva, por mais de uma vez ao longo dos anos, sentiu necessidade de se desculpar, recorrendo a uma explicação do foro semântico tão pueril e tão falha de convicção que acaba a despertar compaixão. Azar o nosso, dado que estamos perante uma das figuras mais acutilantes e sugestivas do socialismo democrático em Portugal.

Nosso o azar ao constatarmos que o legado do seu saber e experiência, tanto como académico como político, a que se junta uma paixão pelo debate, não esteja a servir da melhor maneira a melhor das causas. Ter a sua tribuna numa TV será agradável para a sua natural vaidade, e útil à comunidade, vai sem discussão. Mas é também poucochinho, convencional e preguiçoso. É-o porque estamos a falar de Augusto Santos Silva, um dos mais próximos de Sócrates ao longo de toda a governação anterior. O seu papel nesta fase da política nacional poderia ser outro que apenas esse de ficar satisfeito por dizer umas coisas para militante socialista concordar. Poderia, outrossim, ser o da peleja directa, olhos nos olhos, contra os populistas, os demagogos, os hipócritas e os cínicos. Ou poderia ser o de Platão do regime, teorizando a prisão de Sócrates e o seu processo por corrupção da religião vigente e da juventude. Tudo actividades que requerem outro cenário alheio ao conforto de um estúdio de televisão e seu jornalista simpático. Aliás, é para mim um absurdo – ou talvez faça todo o sentido – ter-se Jorge Coelho a debitar vacuidades na “Quadratura do Círculo” quando só Santos Silva ou Pedro Silva Pereira mereceriam lá estar para, finalmente, se atingir algum equilíbrio naquele histórico triângulo do comentarismo político.

Santos Silva sentiu-se ultrajado pelo tratamento despótico, ou desprezativo, recebido na TVI. Respondeu a partir do orgulho com que concebe o seu estatuto, procurando fazer da rejeição algo que não conseguiu demonstrar. Creio que nessa tempestade emocional se esqueceu dos para quês da política. A política é para a comunidade. E a comunidade, mesmo que não o saiba, precisa que o brilhantismo e coragem deste augusto cidadão venha em nosso socorro.

75 thoughts on “Os para quês da política”

  1. curiosamente, anteontém o palhaço carreira queixou-se do mesmo em directo, tinha sido avisado e tinha combinado detalhes com o judite de serviço, mas armou-se em lorpa e arreou bronca fingindo não saber de nada. tou pra ver se o despedem tamém.
    a manicure de sintra diz ter emborcado um frasco de pílulas da silva porque a tvi passou imagens do filho no dia do aniversário da morte. ainda vai aparecer careca ao lado do ceará.

  2. Talvez me engane, mas não creio que Santos Silva reaja ao seu malicioso e arrevesado comentário, mesmo que dê por ele. E talvez merecesse!

  3. às tantas, a avaliar pelas cuspidelas, já andava a cuspir no prato onde comia antes de ser despedido. e foi despedido. pronto. agora é ver se a tal outra estação o contrata para nos dar prazer. :-)

  4. “… já andava a cuspir no prato onde comia antes de ser despedido…”

    invertebrada do caralho. não fazes puta de ideia do que seja dignidade e não perdes oportunidade para demonstrações de ignorância militante.

  5. Val,
    até podes ter razão. O Santos Silva até pode ser vaidoso e auto-avaliar-se tendenciosamente. Pode até, no limite, ter sido exagerado na publicidade dada ao seu ponto de vista. Achas estranho que se tenha sentido irado? Mas não tenhas dúvidas, a TVI aplicou a lei da rolha, a lei do mais forte, a lei do quero, posso e mando. E quando uma estação se pretende reclamar de isenta e informativa aberta aos diversos pontos de vista, mesmo que pague, obriga-se a ter de ouvir coisas de que não gosta.
    Que o futebol serve como desculpa para muita patifaria, para muitas audiências, para entreter inteligentes e trogloditas irmanados na religião da bola nem tenho dúvidas, mas a dança horária do programa dele começava a aborrecer e desconfiava-se que havia por ali a tendência para o lápis azul.
    Afinal confirmou-se.
    Ver-te a tentar justificar a opção da TVI não estava, para já, nos meus horizontes mas é apenas mais uma desagradável surpresa.
    A substituição do Costa pelo pastelão do Jorge Coelho já tinha dado o mote. Querem comentadores do lado do PS, mas dos meiguinhos, dos bem educados, dos ordeiros, dos que nunca se revoltarão perante as ordinarices, aldrabices, traulitadas, grosserias e insinuações, sempre em nome da democracia de punhos de renda.
    Pagaremos caro este tipo de atitude, quem te avisa teu amigo é.

  6. ignatz, reparei que fizeste uma pergunta mas tudo o que escarrapachaste até chegares ao ponto de interrogação não percebo em que língua está escrito, pelo que passo.
    __

    Manojas, não creio que te enganes. Até porque mereces.
    __

    Tatas, não estou a par de quais sejam os teus horizontes. Fico é curioso: por que razão, se calha estar a analisar um caso que envolve a TVI, me haveria de inibir no pensamento? Se conseguires explicar, continuaremos a partir daí.

  7. Acabo de ver a entrevista a Rui Rio na RTP inf. Foi o primeiro político, depois de Mário Soares e Marinho Pinto, a quem ouvi afirmar peremptoriamente ser inadmissível a detenção de um ex-primeiro ministro em funções durante 9 meses sem a produção de uma acusação. Sem as salamequices do à justiça o que é da justiça e à política o que é da política, declarou preto no branco que neste processo tanto está em julgamento José Sócrates como a própria justiça portuguesa. Pareceu-me vê-lo emocionar-se ao invocar, aludindo aos seus momentos de introspecção mais profunda, a possibilidade de estarmos perante uma manobra de manipulação monstruosa. É uma tragédia contar pelos dedos da mão o número de figuras públicas com responsabilidades que têm um pronunciamento decente perante, pelo menos na dúvida, a maior humilhação das instituições da democracia portuguesa após o 25 de Abril.

  8. “Creio que nessa tempestade emocional se esqueceu dos para quês da política. A política é para a comunidade.”

    Tem graça tal raciocínio de Val que contradiz paradoxalmente o que, cada vez mais acentuadamente, defende grosso quando se refere às subtilezas políticas de A. Costa a que chama “molezas”, “falta de coragem” e outros mimos que já o levaram à tempestade emocional de lhe desejar “boa sorte”.
    O grande Valupi, o topa a todos pelos olhos da pureza política absoluta do idealismo vem, agora candidamente lembrar-nos “dos para quês da política”; ou seja, do asolutismo rígido e irrevogável passa, por artes de raciocínios intelectuais de conveniência, ao relativismo mais protágoriano de que é a comunidade a medida de todas as coisas.
    Valupi, já aprendeu na pragmática política, que os valores absolutos só são possíveis no interior do pensamento e que, fora de nosso intelecto, Protágoras tem toda razão.
    tesrígido ismo pol , guindaram

  9. … Agora sempre podem adormecer mais depressa e rezar o terço, com o avé pai nosso soares em ritmo de mantra, a ouvir as vacuosas nhanhas entediantes do Delfineto do Tony Chamuça ! Bons sonhos camaradas …

  10. É uma boa notícia, a do comentador Lucas Galuxo. A democracia não pode ser apoucada pelo juristocracia que alguns ambicionam.

  11. o inesperado foi a reação de santos silva,pois este filme já tem barbas!quanto à quadratura do circulo concordo com o comentario sobre jorge coelho,nada de novo na sua pobre argumentação.num partido como o ps,as pessoas não podem ser pescadas à linha,sem passar por autorizaçao do partido.concordo com a sugestão de silva pereira para o lugar mal ocupado por jorge coelho,por varias razoes politicas e não politicas.

  12. Val,
    os meus horizontes são iguais aos de toda a gente, por mais que se corra em direcção a eles nunca se alcançam. Ver-te a defender a opção do direito à censura nunca me teria passado pela cabeça, ou será que quando referes que o comentador era pago, pretendias que fosse do tipo papagaio?
    Para este assunto tanto se me dá que seja a TVI, a RTP, a SIC ou o Tal Canal. Censura é censura, ponto final.
    A não ser que a deontologia honrada de quem paga se sobreponha a explicações. Paga tem o direito de… sem necessidade de justificação! Para canal de televisão que se reclama de independente e intransigente no que respeita à liberdade de expressão é um triste exemplo. Ou será que a TVI tem razão ao afastar um prestador de serviços que criticou publicamente critérios editoriais, só depois de o ter feito nos locais próprios e não obter resposta?

  13. Tatas, ignoras propositadamente os termos em que o protesto de Santos Silva foi feito. Isso leva-te para uma visão sectária do episódio. Ora, no sectarismo os horizontes são muito curtos. Demasiado.

  14. Val,
    os públicos conheço-os, os privados não. E nos públicos vi apenas cinco hipóteses consideradas por quem via um seu trabalho mudar de horário sem sequer anúncio prévio atendendo que a distância a percorrer ainda é grande, pois o país não se encontra todo em Lisboa e arredores.
    Não gostaram dos termos? Entre gente civilizada, conversa-se, utiliza-se a oralidade. Que eu saiba o Santos Silva tentou essa via e ninguém lhe quis responder.
    Escreveram-lhe uma carta desistindo do contrato!
    Estranha forma de diálogo! Mas pelos vistos o sectário sou eu! Sabes o que quer dizer sectário, não sabes?
    Aceito o epíteto se o relacionares com a liberdade de expressão. Aí sou-o! De facto!
    Talvez saibas mais do que eu sobre este assunto mas, se for esse o caso, esclarece-nos por favor. Pode ser que tenhas razão é que o Santos Silva afinal tenha apenas sido afastado porque sim!

  15. o tema do texto relaciona-se com a finalidade, no caso, da política, e a atitude do(um) interventor, na oportunidade, um comentador.

    Explica a diferença entre o PORQUÊ e o PARA QUÊ, e esclarece que o para quê é o que é o importante e deve prevalecer, pelo caminho, utiliza o PORQUE, no caso, a vaidade, o egoismo, para explicar o falhanço e a perda de uma bela oportunidade.

    A resposta está lá no último parágrafo do texto.

    É esta a minha opinião.

  16. Como se não soubessemos todos porque é que o Santos Silva foi afastado. Ora, porque o Santos Silva andava a roubar tempo de antena ao futebol, e o país, Portugal, não pode perder tempo com trivialidades.

  17. “ignatz, reparei que fizeste uma pergunta mas tudo o que escarrapachaste até chegares ao ponto de interrogação não percebo em que língua está escrito, pelo que passo.”

    está escrito em língua de quem tem dignidade, procura a palavra dignidade no diccionário e talvez entendas.

  18. Não há necessidade de uma no cravo outra na ferradura.
    Augusto Santos Silva é Homem maior.
    Um político frontal e inteligente.
    Não é domável.
    Não fala com rodeios. Diz ao que vem e di-lo em palavras e com os olhos.
    O sarcasmo ácido e o humor são próprios de seres de pensamento rápido e inteligente.
    Afinal os porquês da política porque estão um fase de política sem dúvidas não podem ter Augusto Santos Silva.
    Estou indignada com a tvi onde a 24 parecia menos caseira.

  19. Sobre Rui Rio :
    Naturalmente um homem que parece vir a candidatar-se à Presidência da República tem que desde logo mostrar que procuradores e juízes não podem continuar neste regabofe da mãnha.

    O caso José Sócrates vai definir ainda muita coisa na política.
    O futuro do fazer política está marcado por ele, pela sua obra e por esta vergonha de condenação sem factos de base estável conhecidos.
    Como disse e bem Pedro Lopes Marques andam a ver se lhes sai branco.
    Agora sai o Lula.
    É preciso desenterrar Hugo Chaves para o quadro das relações de esquerda Latina satisfazerem bem a direita.
    Rui Rui é inteligente.
    O País precisa de cérebros sem medo.
    Começou bem.

  20. primaveraverão,
    será que o Rio se candidata ou continuará na sua fase de ‘agarrem-me se não eu vou concorrer’?!
    Já o fez quando fez constar querer ser PM, de se ir candidatar à liderança do partido, agora é à presidência da república. Como é muito honesto e não tem dinheiro, coitado, anda a contar os tostões para ver se pode com os custos da campanha. Ou seja, em vez de angariar ou tentar angariar apoios e dinheiro, espera que lhe caia no colo. Já assim foi quando ganhou a CMP na primeira vez.
    Quanto ao Sócrates e à sua opinião fiquei esclarecido. Ele acha que o Sócrates é culpado, só que ainda não descobriu as razões do seu ‘achamento’ estando em dúvida se foi por intuição divina ou por emprenhamento via quebras do sigilo praticadas pela comunicação social! Factos… Nenhuns!
    Lá veio à baila, ao de leve, a ‘culpa’ da corte, deu uma canelada na judicatura justicialista tentando sacudir as pedras dos telhados de vidro, avisando que com ele levam que contar. Talvez fosse mesmo bom que concorresse pois era uma boa pedrada no charco nauseabundo em que os políticos medíocres e maus vão tomando conta de tudo a bem dos rebanhos.

  21. Tatas, pelo que entendi, a forma como Rui Rio diz que JS é culpado serve mais para expressar a sua suspeição sobre a seriedade do processo mediatico-judicial do que para afirmar a sua convicção sobre alguma culpabilidade. Não é um posicionamento vulgar neste mar de cobardolas.

  22. o rio tem tudo menos parvo, sabe que precisa de votos para ser eleito e os que dispõe não lhe chegam para uma 2ª. volta, portanto há que pescar nos 35,8% da sondagem do expresso, jornal que apoia a sua candidatura, que diz o homem foi preso por motivos políticos. entretanto tentará seduzir outros socialistas com umas lérias de aproximação a costa e umas tretas de demarcação do governo, tem consciência que a coligação não ganhará as legislativas e ele terá hipótese controlar o prejuízo à direita ganhando as presidenciais. agora façam-lhe a vontade e depois venham dizer que ele já tinha tudo combinado com o costa quando este avançou para director geral do partido socialista.

  23. viraram loucos ou quê, se por hipótese o Rio fosse eleito, a primeira coisa que fazia era mandar entaipar a cultura, para ele isso é corrida de carros e La Féria, – este só na estreia e com convite VIP de borla

  24. Tatas, continuas agarrado à tua visão sectária e, com isso, deixaste de te preocupar com os factos. O facto é este: perante mais uma alteração, entre várias desde que ele a começou há 3 anos, à sua rubrica na TVI24, Santos Silva publica um comentário onde insinua que tal se deve ao facto de a TVI (leia-se, os responsáveis máximos da estação, da direcção de informação à administração e acabando nos accionistas) estar a persegui-lo por ser do PS, pretendendo com isso dar ainda mais peso aos comentadores do PSD.

    Estas declarações não configuram um protesto igual a tantos outros que já tinham sido feitos por ele, e cada vez com mais intensidade ao longo dos últimos meses, onde o alvo era o futebol, tomado como força sociológica a condicionar as opções editoriais. Aqui, deu o salto para a calúnia. E com isso criou uma situação de ruptura. A leitura que faço da atitude da TVI é a mesma que faria de alguém que tivesse sido ofendido por uma visita da sua casa.

    Repara que ninguém obrigou o Santos Silva a ser um sujeito que aceitava dinheiro da TVI a troco de um conjunto de serviços como comentador. E a TVI a qualquer momento podia não querer renovar esse contrato, com a mesma legitimidade com que o quis efectuar. É de má-fé estar a gritar “censura” quando há um contexto de ofensas na base do conflito.

    De resto, podemo-nos perguntar por que razão Santos Silva não aceitou o convite de uma outra estação, tal como contou, e preferiu ficar na TVI24 onde sabia que estava sujeito a perturbações de acordo com o calendário futebolístico. E também nos podemos perguntar por que razão Santos Silva não tentou chegar à fala com os responsáveis antes de desabafar daquela forma. E ainda nos podemos perguntar se ele realmente achava que podia continuar na TVI depois de ter escrito o que escreveu. Como também viemos a saber pela imprensa, Sérgio Figueiredo considerou inaceitáveis aquelas palavras e pediu a Santos Silva para se demitir, coisa que ele não quis fazer. Pelo que a TVI rescindiu unilateralmente.

    Finalmente, a TVI fez questão de desmontar a acusação de perseguição política anunciando que iria substituir um socialista por outro socialista, Fernando Medina. Não é possível ver nisto qualquer censura do foro político, sendo que essa bandeira para continuar içada terá de passar para a esfera da censura pessoal. E aí a questão regressa ao princípio.

  25. O que mais me espanta a mim é que ninguém se insurja contra a completa e integral futebolização da sociedade portuguesa. Em matéria de controle totalitário o sistema estalinista teria imenso a aprender com o seu émulo português em matéria de letargização de uma sociedade inteira. E não estou a brincar! Isto de controlar, e de controlar pela droga, não implica necessariamente violência; implica simplesmente a paralização induzida e progressiva das capacidades críticas, a ponto, por exemplo, de já ninguém achar estranha a extrarodinária situação dos nossos meios de comunicação, inteiramente às ordens do monstro que criaram, situação única no mundo.

  26. ignatz
    23 DE JULHO DE 2015 ÀS 9:24
    “ignatz, reparei que fizeste uma pergunta mas tudo o que escarrapachaste até chegares ao ponto de interrogação não percebo em que língua está escrito, pelo que passo.”

    está escrito em língua de quem tem dignidade, procura a palavra dignidade no diccionário e talvez entendas.

    LOL. Ó IMPOTENTATZ, eu fui ao dicionário e vi a seguinte definição de IGNATZ, a saber: é por natureza ignaro, Muito mal criado e mal educado. Parido na peixaria do bairro, enquanto a progenitora natural escamava chicharro. É um grande tagarela, de basófia ordinária. Também pode significar cobarde, pois chama nomes a «este e aquele», mas não tem coragem de escrever aos visados, após lhe terem sido dados os endereços dos mesmos. É «muito pouquinho» e não gosta da Olinda, porque tem trauma com mulheres e ofende-as desbragadamente, tal qual um porco que chafurda na lama da trampa que faz.
    Mas há mais significados, PORÉM, não há nenhum que ligue IGNATZ a DIGNIDADE.

    Por todos – um MARRECO COMUNA desviado, armado em Xuxa paralítico, com enfeites de viúva socratina.

  27. fico à espera que o sérgio figueiredo demita o palhaço carreira que encenou uma vitimização em directo na passada 2ª. feira. já, sei vais dizer que a tvi é privada e só despede quem quer e quem lhe apetece ou saneamentos políticos só na era sócras com a guedes. agora acabou a asfixia democrática e as televisões são independentes e verdadeiramente livres ao ponte de fazerem aquilo que o governo lhes pede e não dar satisfações a ninguém. é o liberalismo neoconeiro a funcionar e se tiveres dúvidas consulta o centro de castings bilhim.

  28. IGNARALHO, pá, fala com o bruce jenner pá, ouvi dizer que o tipo agora veste à mulher e se prepara para descolar o pirilau. Ouve, em vez de aquilo ir para o lixo, call him, e tenta comprar-lho, pá, agora, diz-se que já se fazem transplantes de pauzinhos e tu sempre quiseste um, num é? Vais ver que te passa logo a agressividade com a Olinda, Ó ORDINÁRIO.

  29. Valupi,: «Finalmente, a TVI fez questão de desmontar a acusação de perseguição política anunciando que iria substituir um socialista por outro socialista, Fernando Medina. Não é possível ver nisto qualquer censura do foro político

    Pois sim, Valupi, o melhor para perceberes a ideia, seria da próxima vez que fosses ao picadeiro [*] deparares com a notícia que dispensaram os cavalos e passaram a usar burricos. Sem desprimor para os simpáticos burricos, óptimos para muitas coisas, mas não exactamente para actividades equestres…
    __________________________________

    [*] Não conhecendo eu o Valupi de lado nenhum, nem sabendo nada sobre a sua identidade, presto no entanto atenção ao que escreve e tiro, de vez em quando, algumas ilações.

  30. ora pois cada um colhe o que semeia. e, igualmente, cada um dá o que tem – e o que é também. e a imagem da visita maldicente e a fazer fora do penico em nossa casa está excelente. boa! :-)

  31. Lembrança ao Valupi, a propósito da assiduidade deste nulo que, não tendo nada para dizer, nem a arte de ter piada não dizendo nada, nem o bom senso de não chatear só por chatear, nem aparentemente qualquer espécie de auto-estima ou respeito pelos outros, a si próprio se intitula Numbejonada: a interdição da casa de cada um a quem muito bem lhe apetece não é censura nenhuma, nem caso para ficar com complexos de «exercício de autoridade».

  32. Mas…mas..ó MAISRELES, e tu comentas o NADA e o NULO? Hum? Pois que faz isso de ti? Eu te respondo: uma mão cheia de dor de cotovelo investindo tempo em alegadamente NADA. Moi, na parte que me concerne numbejonada em ti, PÁ. Logo, atuo em conformidade.

  33. Acabo de ouvir o tal Rui Rio na TV a dizer, por entre vários floreados acompanhantes para disfarçar a simultânea gravidade e ligeireza do pronunciamento, que na sua opinião o Sócrates é culpado. Lamentavelmente esqueceu-se de dizer de quê. A este ponto chegou a futebolização das almas, até das que se esperariam mais conscientes desse processo mediático.

  34. “estar a persegui-lo por ser do PS, pretendendo com isso dar ainda mais peso aos comentadores do PSD.” “Aqui, deu o salto para a calúnia.”
    Calúnia? Há algo mais evidente no actual espectro de comentário político, das televisões em geral e da TVI em particular, do que o predomínio da influência PSD? Para não ir mais longe, o espaço semanal de Marcelo Rebelo de Sousa, na hora nobre, sem qualquer contraditório, sem assumir frontalmente a sua natureza partidária mas insinuando com astúcia as suas posições mais covenientes, não anda longe da lavagem cerebral de massas. Também tu armado em virgem vestal, Valupi?

  35. oh gugu, o filão do rio é esse, à direita abana a culpa do sócras e à esquerda com a injustiça da justiça, depois pede o voto a todos para garantir que a condenação do sócras seja agilizada.

  36. Val,
    passando ao lado do sectarismo de que, pelos vistos, desconheces o significado, entendes que o Santos Silva insultou/desonrou os “… responsáveis máximos da estação, da direcção da informação à administração e acabando nos accionistas…”, ficando pelo meio, pelos vistos, todas as chefias que reportam directamente ao orgão de cúpula. Curiosa essa tua posição, pois significará grosso modo que quando me queixo de ser maltratado pelas Finanças estou a ser crítico do ministro à empregada de limpeza, é isto que quererás dizer não é?! Interessante! Nunca vi as coisas sobre esse ponto de vista, até porque tive ocasião de o ouvir dizer publicamente, em canal aberto, que se tinha dirigido a pedir satisfações oralmente, via telefone, e nada lhe responderam. Tu pelos vistos não sabes ainda, pois acabaste de afirmar que ele partiu para a crítica sem falar com ninguém não é (… não tentou chegar à fala com os responsáveis antes de desabafar daquela forma…). Pois foi. Como então não lhe passaram cartão ele fez a crítica no Facebook, e aí sentiram-se melindrados, aqueles todos e se calhar até o porteiro… Vai daí, em vez de rescindirem o contrato queriam que ele se demitisse!
    A propósito de quê? Por ser tratado como um boneco? Parece que há miúdos que quando se sentam nas cadeiras feitas para homens julgam que passam a sê-lo só por isso. As recentes mudanças na TVI assim o estão a fazer parecer.
    Quanto ao convite para outra estação que vem ele fazer no meio desta converseta? O Santos Silva referiu-a para dizer apenas que se já existia intenção de o arrumar poderiam tê-lo feito mais cedo, a tempo e a horas. É assim que se deve jogar neste campeonato.
    Quanto à substituição de um socialista por outro socialista é argumento para eu me rir, ou estás a brincar comigo?
    O Medina que me perdoe, mas pertence, para já, a outro campeonato.
    Já agora, o Sérgio e a TVI não desmontaram nada, não justificaram nada, limitaram-se a exercer o poder até ao máximo que lhes foi possível.
    O Sérgio que se cuide, pois entradas de leão geralmente terminam em saídas de sendeiro.
    Veremos como se porta o Medina, mas a TVI vai ficar a perder.

  37. luxas galuxo,rui rio sabe muito! e por isso falou de socrates.vamos ter a candidato um autarca que soube aproveitar a obra deixada a meio por fernando gomes e que para nosso azar é economista.deus nos livre se ele se candidatar e for eleito.é um grande bluff.

  38. Talvez não, Ignatz. Acho que dizer que seguir o caminho por onde o cabresto mediático-judicial tem levado o povo conduz à culpa de Sócrates mas que, a cada dia que passa, acumulam-se os sinais de, neste caso, não se pretender fazer justiça é uma atitude corajosa e digna. Fazer questão de o afirmar em pré-campanha presidencial é uma excelente bofetada no actual titular do cargo.

  39. “… não se pretender fazer justiça é uma atitude corajosa e digna.”

    e de bom senso, mas se fizesse qualquer coisa por isso, o que não vai ser o caso. o gajo quer é votos para ser eleito e depois de eleito presidente continua o beija-mão dos magistrôncios ao presidôncio porque extravasa os poderes do gajo e presidôncio que é presidôncio respeita a separação de poderes e não pode interferir com a justiça quando se condenam xuxas por indícios & fézadas.

  40. Tatas: «O Medina que me perdoe, mas pertence, para já, a outro campeonato».

    É verdade mas apenas no sentido ideológico. No outro sentido jogam ambos na mesma divisão (acho que «liga» é como agora se diz) justamente a divisão que a federação televisiva procura — e está a conseguir– cancelar. E a imagem — como a própria perda nacional progressiva da capacidade de pensamento e expressão fora das imagens e terminologias da novilíngua futebolística — não está aqui por acaso.

  41. Nada tenho contra o Fernando Medina que me parece um tipo inteligente, honesto e uma boa escolha para o cargo que ocupa. Mas não é disso que estamos a falar; é de um peso-pesado e de um peso-pluma televisivo. Não é, nem se pode esperar, o mesmo tipo de combate.

  42. “o gajo quer é votos para ser eleito e depois de eleito presidente continua o beija-mão ”
    Talvez, Ignatz. Mas tem o mérito de, entre os que querem votos, ter sido o primeiro a manifestar-se nesse tema sem rodeios. Acaba também por entalar os de quem se esperaria semelhante atitude. Não podemos permanentemente ficar agarrados a processos de intenção. Se não fala é porque não fala. Se fala quer é agradar… Não pode ser assim.

  43. As teorias do PORCARIA e do MAISRELES, tocam-se pela sua estreiteza de vistas. Algo de assinalável: que não se pronuncie, porque se desconhece o porquê, e que se inocente sem qualquer medida dos indícios. A não ser assim, temos a «futebolização das almas», porque a « futebolização dos corruptos e a da riqueza caída do céu» é admissível e moralmente legal.

    Hum – por falar em nulidade ou anulabilidade! A primeira sem dúvida, que não é sanável…
    E diz-se o MAISRELES cheio de substância. Vedes porque numbejonada nestes gajos? LOL.

  44. “… ter sido o primeiro a manifestar-se nesse tema sem rodeios…”
    quando foi eleito presidente da câmara do porto tamém teve um discurso de afrontamento com os poderes locais, escolheu o fcp como alvo, depois de eleito foi o que se viu ou melhor, tirando prepotência, não se viu nada.

  45. ignatz, suspeito que voltaste a mandar-me um comentário, mas como continua em estrangeiro não faço ideia do que lá dizes. Tenta em português.
    __

    Gungunhana Meirelles, Santos Silva até poderá ser considerado insubstituível, desse ponto de vista em que os seus talentos formam um conjunto único, mas o Fernando Medina é igualmente brilhante do ponto de vista intelectual. E nunca teve medo de defender o legado de Sócrates, igualmente.

    Parecem-me, pois, dois cavalos de raça.
    __

    Lucas Galuxo, as emoções toldam o raciocínio, né? Estares a dizer-me, que ando há anos e anos a denunciar o favorecimento dado aos comentadores de direita, especialmente ao Marcelo, que estou armado em não sei o quê seria para rir se não fosse alarmante. Recomendo-te copos de água e respiração funda a olhares para um jardim.

    Santos Silva faz uma calúnia nesse sentido técnico em que atribui uma intenção maligna de cariz político a uma decisão que poderia ter na sua origem outras causas. Não decorre de ele ver o seu espaço de comentário alterado sucessivas vezes, ou tão-só naquelas duas vezes em causa nas suas palavras ofensivas, que tal configure necessariamente uma perseguição política, como se reconhece pelo senso comum e pelo bom senso. Aliás, posto que a TVI não tem qualquer obrigação de dar um segundo de antena ao homem caso não o queira, a questão fica absurda por estarmos perante o facto de a TVI ter pretendido manter Santos Silva como comentador regular. Por essa razão o seu contrato tinha sido sucessivamente renovado e estava agora estabelecido que terminaria no final de Dezembro, bem para lá da campanha e das eleições.

    __

    Tatas, poderei não saber qual é o sentido que lhe dás, mas sei qual é o sentido que lhe dou. Sectário é aquele que não é capaz de sair do seu mundo tribal. Por isso deturpa a realidade de forma a que ela consiga caber nesse espaço minúsculo.

    Dizes que Santos Silva tentou falar com alguém da TVI e não conseguiu. Sabes qual a data em que isso aconteceu? Ou seja, sabes se foi antes ou depois de ele ter escrito o que inicia o caso? E quantas foram as tentativas? E se todas as possibilidades foram esgotadas para falar com não sei quem? Venham daí as tuas informações, pois do que sei a história até mete o Sérgio Figueiredo a ter tomado a iniciativa de falar com Santos Silva, mas aí o caldo já estava entornado por iniciativa deste.

    A TVI é um projecto comercial que não está obrigado a escolher os seus colaboradores por qualquer critério que agrade ao público ou a parte do público. A isso chama-se liberdade.

  46. Mais acima, confusão de medinas…

    Disse o Tatas: «O Medina que me perdoe, mas pertence, para já, a outro campeonato». E disse eu: «É verdade mas apenas no sentido ideológico. No outro sentido jogam ambos na mesma divisão (acho que «liga» é como agora se diz) justamente a divisão que a federação televisiva procura — e está a conseguir– cancelar. E a imagem — como a própria perda nacional progressiva da capacidade de pensamento e expressão fora das imagens e terminologias da novilíngua futebolística — não está aqui por acaso».

    Accontece que ele se referia ao Fernando Medina, substituto do Santos Silva, e eu ao Medina Carreira a que já se tinha feito referência a propósito do curioso encolhimento previsto do «Olhos nos Olhos» a bem do futebol e outras comodidades essenciais ao plano do Grande Irmão televisivo…

  47. Que confusão que para aqui vai.
    Artur Santos Silva tem uma personalidade vincadíssima e faz falta ouvir gente como ele.
    Fernando Medida é um jovem e brilhante político que com estilo suave não perdoa e também diz claro e muito bem ao que vem.
    Sobre o legado da governação de José Sócrates só os que o escondem andam mal.
    E andam muito mal porque apesar da destruição de muito Serviço Público o sistema responde com a capacidade que o entretanto mutilado Simplex oferece.
    Sem falar nas renováveis e nas obras que, dizendo que não são as dele se vão preparando para concluir e recomeçar.
    Fernando Medina é sim senhor um inteligente e bem contido político.
    Augusto Santos Silva faz falta.
    Foram dois altos responsáveis nos Governos do Primeiro Ministro José Sócrates.
    Um Primeiro Ministro que não tinha medo de rodear-se de gente à sua altura e para lá dela.
    Só os muito bons se atrevem a rodear-se dos melhores.

  48. E o Fernando Medina vai aceitar ser uma alternativa ao futebol? Ou seja, quando não houver bola, o Sérgio Figueiredo faz avançar Fernando Medina. E este que se cuide porque se protestar, se se insurgir, a não ser com muita delicadeza, é despedido e tem o Valupi à perna.

  49. o que espanta é o fernando medina aceitar substituir o santos silva e colaborar no pluralismo da tvi quando poderia usar melhor o tempo a gerir o município que herdou.

  50. Julgo que não se sabe, indubitavelmente, se Fernando Medina aceitou e se aceitou em que condições. Seja como for, no momento actual, é importante que alguém do PS substitua o Santos Silva naquele lugar, mesmo engolindo algum sapo. E não me parece curial nem correcta a insinuação sobre gerência do município.

  51. Val,
    o meu mundo tribal deve ser bem mais alargado do que o teu, muito embora já me tenhas tentado classificar durante esta troca de galhardetes em dois mundos, o dos sectários primeiro e o de transformista (das realidades, como se a realidade fosse uma coisa igual para todos – como te enganas…).
    Creio que chegamos a um beco sem saída. Eu escrevo segundo o que ouço ou leio, tu, pelos vistos, tens acesso à história contada por outras fontes ( ao que sabes foi o Sérgio a tomar a iniciativa, coisa que não decorre de nenhuma notícia mas de zunzuns, e desses francamente já estou farto. O Sérgio pode publicamente dizer o que entende, se optou pelo silêncio lá terá as suas razões.
    Claro que a TVI tem o direito de escolher os seus colaboradores, mas se quer exibir o rótulo de imparcial não pode fazer o que entende, é que a liberdade tem regras, e não está ao mando de um qualquer projecto comercial. A TVI quando faz calar arbitrariamente uma voz incómoda e não se dá ao cuidado de o explicar muito bem expõe-se a que se conclua que a lei da rolha foi activada. Pode ser que o Sérgio se tenha envolvido apenas por acaso, pode ser que o Santos Silva esteja apenas a ser vaidoso, pode ser até que deva ser o futebol a ditar o interesse da estação, agora que eu deva concordar que o Santos Silva é que tem a culpa de ser incómodo, tem santa paciência, nem a tua proverbial teimosia me convence.
    De resto como não me movo nos terrenos da informação, não tenho acesso aos seus tradicionais ‘mentideros’ e acredita, é mais fácil encontrar um jornaleiro mentiroso do que camelos a passar pelos buracos de agulhas, por isso é tão difícil encontrar jornalismo de qualidade.
    Felizmente ainda existem uns quantos, poucos, mas por este andar ou os encontramos a escrever na água, ou nas filas do desemprego.

  52. “Santos Silva faz uma calúnia nesse sentido técnico em que atribui uma intenção maligna de cariz político a uma decisão que poderia ter na sua origem outras causas”.
    Val, os responsáveis da TVI dispõem de tempo de antena contínuo para fazer o contraditório racional à opinião de Augusto Santos Silva. Se não o fazem não podem ficar à espera que quem os observa acredita que têm uma explicação linear e benigna para dar.

  53. Pardieiro, ”paredenarium” na raiz etimológica, eram as paredes sobrantes das ruínas antigas, que podiam ser ”amanhadas” com palha e adobe para improvisar uns anexos onde os senhorios encafuavam os seus servos.
    Quando já não havia servos para meter em tantos pardieiros, começaram a meter lá as galinhas.
    Etcetera, coisa e tal, até aparecer o cegueta.
    A partir de então os pardieiros transformaram-se em condomínio fechados e deu-se início à crise de especulação imobiliária.

  54. O que eu escrevi em cima não quer dizer nada, É um arrazoado de disparates.Mas eu só queria ver coo o cegueta vai entender.
    Vai aparecer aqui e vociferar: ”COVARDES! Prunes!Ignaralhos! Ceguetas! Leiam o código penal!”

  55. Manojas: «E o Fernando Medina vai aceitar ser uma alternativa ao futebol?»

    Provavelmente vai, como já aceitou ser uma alternativa ao Santos Silva. Uma das lições a aprender é a de quem manda em Portugal. E é se não aceitar uma colunazita no vazadouro público número um e escola de não-jornalismo que dá pelo nome de Correio da Manha, para trilhar os passos não só do especialista em segurança (própria) Rui Pereira como de tantos outros dos seus mais distintos correligionários que, por pudor, me dispenso de nomear…

  56. O teste número um, para se perceber o estado deste país, é o seguinte: ligue-se o televisor ou o rádio a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer canal ou posto português e não se mude durante meia-hora.

    Se não se ouviu falar de futebol através de debates e transmissões, de jogos e treinos e deslocações e prepareações, de jogadores, de treinadores, de dirigentes, de agentes, de empresários, de transferências, de namoradas de jogadores, de negócios e crimes de dirigentes, de juízes julgadores de pleitos futebolísticos de emblema ao peito, de estádios, de novos programas, sub-programas, sobre-programas, de discussões, mesas redondas, quadradas e bicudas, nascimentos, enterros e panteões, tragédias, comédias e farsas, e grandes trágicos, comediantes e farsantes do comentário futebolístico, aponte-se «dia sim» numa agenda.

    De contrário aponte-se «dia não». E ao fim do ano compare-se para se começar a perceber, se a mente ainda resistir ao embotamento.

  57. E árbitros! Pois então não! E árbitros! Ou não fosse a conversa da e sobre a arbitragem a grande educadora do proletariado mediatizado português em matéria de justiça e limpeza moral…

  58. Para os maus entendedores, apresso-me a explicar que não é de desporto que estou a falar. É de futebol. O desporto não tem culpa nenhuma da vampirização da sociedade pelo futebol que lhe suga as entranhas criativas e a transforma num gigantesco viveiro — passe a expressão — de mortos-vivos.

  59. E para se ponderar um pouco o estado de coisas a que se chegou, imagine-se a probabilidade de alguma vez, algures, pela acção de algum punhado de patriotas heróicos, eclodir algum movimento capaz de invadir os estúdios do futebol e defenestrar os seus responsáveis, na tradição do movimento de 1640. Probabilidade? Praticamente zero, e fica tudo dito.

  60. «Holocausto» e «Futebol»: as duas mamas de hárpia de que se alimenta o espírito da nação portuguesa neste dealbar do século XXI.

    A primeira, apesar da resistência monstruosa da farsa transnacional, está a mirrar e a ceder o passo à História, graças à acção heróica do punhado de heróis estrangeiros que lhe tolheram o passo.

    A segunda, infelizmente, só depende de nós e vai ser a nossa perdição colectiva.

  61. Tatas, os sectários são transformistas, para usar as tuas palavras. Se tu queres discutir este assunto apagando os factos, obviamente não estás no meu mundo. Nem no mundo onde aconteceu aquilo sobre o qual insistes em ter uma visão parcelar.

    A informação acerca do Sérgio Figueiredo ter ido propor ao Santos Silva, fosse por que meio fosse, a sua rescisão voluntária está publicada. Eis mais um facto que te está a escapar.

    A questão não existe nos termos em que a estás a verbalizar apenas para consumo nesta discussão. Não se discute se Santos Silva era ou não um incómodo porque não o era. A TVI pagava-lhe porque o queria ao seu serviço. O contrato ia até final de Dezembro, e quiçá voltasse a ser renovado. O que o interrompeu tem história e é uma história diferente daquela que contas.
    __

    Lucas Galuxo, neste caso, Santos Silva acabou por explicar tudo o que se passou, tendo a TVI sido transparente através dos seus actos: despediu quem deixou de merecer a sua confiança. Isso só aconteceu porque existe uma declaração pública de Santos Silva que o justifica. É também por isto que falhou a tentativa de exploração do caso como censura. Quase ninguém se juntou a ele na defesa dessa versão.

  62. Val,
    vamos então aos factos:
    1. O programa tinha frequentes variações de horário sem justificação nenhuma;
    2. Essas variações levavam a que nunca se soubesse ao certo se o comentário era transmitido nessa semana em horário diferente ou pura e simplesmente eliminado;
    3. Reclamações feitas à TVI tinham sempre como resposta que tinham sido, ou critérios editoriais ou motivos alheios à sua vontade (!) nunca os enunciando quando o podia fazer;
    4. A TVI face à polémica suscitada nada fez para clarificar ou explicar a decisão;
    5. A TVI, aliás como é hábito no panorama audiovisual nacional, exibe um desprezo olímpico pelos seus consumidores, o que não é de estranhar face à falta de organização de uma sociedade que se encontra ainda a aprender os rudimentos da democracia, e na falta de oferta de diferente linha de orientação política ;
    6. Não li, nem vi publicado, embora admita que exista, uma intervenção, declaração, comunicado ou seja lá o que for por parte da direcção de informação controlada pelo Sérgio Figueiredo.
    Estes alguns dos factos. Se no teu mundo eles desapareceram terás de os procurar, pois no meu, eles estão por todo o lado e uma simples busca na ‘net’ permite encontrá-los com facilidade.

  63. Tatas, esses teus factos não alteram em nada a questão. A TVI não tem qualquer obrigação de respeitar horários ou o gosto seja de quem for que não o dos seus accionistas e administração. Pensa: só vê a TVI quem quer; quem não gosta ou se sente maltratado, vai gastar o seu tempo noutro lado.

    Este raciocínio aplica-se ao Santos Silva. Se ele estava, como é natural e inevitável que estivesse, muito aborrecido com o tratamento que estava a receber na estação, pois talvez pudesse ter pedido para lhe mudarem o dia da emissão, de forma a escapar ao futebol, ou, caso tal lhe fosse negado, podia ter-se ido embora. O que não dava para fazer, e esta é uma evidência, era lançar uma acusação que atinge a deontologia, quiçá a honra, dos responsáveis pela TVI e pretender continuar por lá. Ainda mais alucinado da sua parte, pois, seria estar à espera que depois da sua ofensa a TVI fosse a correr, envergonhada, fazer-lhe a vontade e nunca mais o perturbar.

    É esta confusão, onde o Santos Silva pretende ser o proprietário daquele espaço que a TVI lhe concedeu livremente, que revela a sua fragilidade emocional na ocorrência.

  64. já se sabe porque foi despedido.

    “Sim, é verdade: Augusto Santos Silva não voltou à TVI24. Mas por ser malcriado, não porque a sua voz é incómoda”. Sérgio Figueiredo,diretor de informação da TVI, Diário de Notícias

    Malcriadão!!!!

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