Organizem-se

Será possível o casal Moniz garantir existirem provas na TVI relativas a um qualquer processo judicial, ou investigação policial, e o Ministério Público não tratar logo de os chamar para prestarem declarações e dar-se andamento à denúncia? Será que temos de telefonar para o pessoal de Aveiro, muito mais expedito e criativo nestas coisas de entalar o engenheiro? Terá de ser a coitada da Moura Guedes a abandonar a frenética actividade que a baixa lhe permite gozar e meter uma manhã de trabalho para lá ir sacar os esquecidos papéis? Ou ainda veremos o Pacheco invadir as instalações e virar aquilo tudo de pernas para o ar?

38 thoughts on “Organizem-se”

  1. Organizados andam o pgr , a gaja da PJ e o pstj.
    Aquilo só se lhes derem com as provas na tromba,em papel azul timbrado de 25 linhas, em publico , filmado e com aviso de recepção. E estaremos a falar de uma pena de 2eurios de multa.

  2. Quais provas, Helder. ??? As da «carta anónima» ??? As do «caso Freeport» ??? O seu mundo onde é que fica???

  3. Boas perguntas, caro Val.
    Realmente ao ouvir o Moniz dizer que na TVI há documentos que explicam ” a pirâmide de pagamentos ” do caso Freeport, estava à espera que hoje a PJ já tivesse selado a TVI e recolhido os documentos.
    Um abraço

  4. Ó Hélder, você parece mesmo que acredita nessas tretas. Sendo assim, porque é que não frequenta antes os vários antros blogosféricos amigos que por aí abundam, onde encontra alimento reciclado fácil para a sua crendice?

  5. jcfrancisco,
    infelizmente, o meu mundo não é esse país das maravilhas de que falas o socras.

    Mais não fosse, aquilo que li das escutas são provas mais que suficientes, claro que só tive acesso a elas pq alguem furou os “organizados”.

  6. Conta-se que no tempo do Casal Moniz a TVI foi um tribunal de menores, que estavam sob a tutela do Paes do Amaral.
    Infelizmente, sendo um caso desesperado, passou para o foro da psiquiatria..

  7. Não vês, Valupi, que o Pinto Monteiro anda cheio de medo? Ele sabe do que a casa gasta. Os seus colegas magistrados pegam em tudo o que é comunicação social e membros da oposição e num instante arrastam pela lama quem muito bem entenderem. Moniz pede a demissão do PM e um qualquer deputado PSD pede a demissão do PGR e do Presidente do Supremo. Quem manda agora são donos de jornais e TVs aliados a magistrados sindicalizados. Só se investiga o que se denuncia em carta anónima, que é para poder vasculhar à vontade a vida de quem se entender. E já vai tarde para o PGR dar um murro na mesa. E o presidente do Supremo foi ricularizado por uma jornalista de “referencia”. O máximo que conseguiu foi um ligeiro empertigamento perante uma senhorita que lhe chamou menino de fretes.

  8. Essas perguntas são muito fáceis. As polícias estão todas assoberbadíssimas de trabalho com os preparativos da viagem dos inspectores a Londres e o casal Moniz pode muito bem esperar que isso esteja resolvido. Depois, toda a gente sabe que os cães-pisteiros ainda estão todos xexés por causa da mudança de fuso desde que regressaram do Haiti.

  9. que pobreza meu deus. os ditos asfixiados não conseguem concretizar nenhuma das malfeitorias do sócrates. ficam-se pelo “estou convicto”. factos? nenhuns. provas? nenhumas. e os únicos factos são relatados pelo granadeiro, que volta novamente a chamuscar o ppd com a história da lusomundo e a tentativa de condicionamento político que resultou na sua demissão. quanto aos papéis que ainda restam na tvi devem ser do calibre daquela (2ª!) carta anónima que passou na tvi nas vésperas da campanha eleitoral.

  10. A especialidade do Moniz é mesmo novelas. Termos que ser algo compreensivos porque, naturalmente, a estratégia dos enredos já lhe enferrujou a mecânica mental. Estava mesmo capaz de apostar que já deve ter vários finais da estória na manga para serem escrutinados pelo evoluir dos acontecimentos. Mas esta “rabanetes de canela” vai ficar para a ongoing. O Paes do Amaral, pelo sim pelo não, já veio dizer que não contassem com ele para os castings porque não está a fim de sujar o nome com elencos e argumentos tão manhosos.

    Entretanto, também ontem ficou a saber-se que o Mogais Sagmento nunca telefonou à Gainha de Inglatega para saber se os gatos já tinham caído todos nas gatoeiras. Quer dizer… subentende-se. Certo, certo, é que só conhece o Henguique Ganadeigo das tougadas do paguetido.

  11. Caro Helder, vejo que se candidata a ser o próximo a ocupar o cargo de PGR ou mesmo de PSTJ.

    Gosto de ver toda essa convicção apenas com base em excertos (obtidos de forma criminosa, diga-se) que leu num jornal de credibilidade duvidosa (opinião pessoal).
    A não ser que tenha tido acesso aos tais documentos que o casal Moniz “crê” existirem. Se assim foi, então peço-lhe que denuncie a situação (não aqui, nem nos jornais, mas sim nas entidades policiais)

    Se há uma coisa que eu não acredito é no altruísmo e moralidade superior dos Moniz.
    E este Sr. vem dar razão a muita gente que, publicamente, já se havia manifestado contra o pseudo “rigor deontológico” e “imparcialidade” deste casalinho:

    “No tempo em que fui presidente da Media Capital houve sempre uma grande tentação e propensão para instrumentalização da TVI em favor de causas e motivos políticos e pessoais, tanto por parte do casal Moniz, como de outras personalidades da estação”

    http://dn.sapo.pt/inicio/tv/interior.aspx?content_id=1514882&seccao=Media

    Estou curioso para ver onde este rol de acusações vai acabar… gostava de ver tudo isto provado… cronologicamente já chegámos ao governo de Durão Barroso… está a ser engraçado.

    O que acho triste é o facto de ter sido preciso o H. Granadeiro ter falado duma situação que “rapidamente” se esqueceu no seio da Comunicação Social (e ainda falta explicar a alegada tentativa de extinguir a AACS, também por Morais Sarmento).

    Provavelmente é resultado daquilo que alguns da classe jornalista têm vindo a reclamar: a perda de memória nas redacções…

  12. Hoje o Zeinal Bava disse o obvio, que todo este caso configura mais uma operação de espionagem empresarial do que qualquer inacreditavel caso de controle seja do que for.
    Por momentos a mesquinhez politica de alguns deputados deve tê-los feito sentir muito pequeninos parecendo pessoas que da vida só conhecem o funcionamento do comitê deliberativo do partido ignorando totalmente o que é a vida empresarial e as decisões inerentes num mercado altamente competitivo no inicio do sec21.
    Aliás todo este caso se poderá resumir a uma tremenda falha cultural tanto da parte de quem o “coseu” mas ainda pior da parte de quem o comprou que inclui a maior parte da risivel intelligentzia portuguesa, a começar pelo PR que com obvios intuitos eleitorais interveio num negocio entre empresas privadas. É impossivel a uma empresa como a PT ser o cavalo de troia de qualquer plano mirabolante ( só saido da mente de um desequilibrado)sem que qualquer dos seus accionistas tenha conhecimento. Toda a gente no mercado abrangente da comunicação sabe que é estrategicamente vital à PT ter parcerias com as televisões, muita gente sabia que a PT estabeleceu parcerias com a SIC já depois do negocio Media Capital.O que é que deu para que tantas pessoas perdessem o mais elementar sentido critico de analise de cenarios? Simples é o PSD que está em causa patrocinado pelo PR. Isto basta para que todo o vento mediatico dê enfoque à justificação da narrativa do plano de controle.
    Quanto ao negocio propriamente dito Zeinal Bava disse que tudo começou com uma fuga de informação e por exclusão de partes pode-se facilmente deduzir que ela veio da parte de alguem que posteriormente lucraria com isso. Quem será Ecce Homo?

  13. E por falar em memória nas redacções, nem a propósito, o artigo de Ferreira Fernandes (no DN) pode deixar os mais distraídos com a “pulga atrás da orelha”:

    [é assim que termina o texto]
    «The Machine podia, por exemplo, escrever sobre a ida de José Eduardo Moniz à comissão parlamentar e contar a luta dele pela independência, contra a pressão dos políticos. Podia? Podia. E isso não vai acabar com os jornalistas? Não, The Machine seria incapaz de fazer o que um jornalista de carne, osso e memória faria: dar uma sonora gargalhada.»

    Mas leiam (vale a pena) o texto todo aqui: http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1515211&seccao=Ferreira Fernandes&tag=Opini

  14. desisto… :( fica sempre cortado por causa das percentagens que o link tem…
    Mas indo ao separador Opinião no site do DN está lá. Chama-se “The Machinee J. E. Moniz”

    (desculpem lá…)

  15. Matos, tens uma visão de lince (ou de vitor constancio).

    P.S. Toma lá uma anedota sobre Alentejanos para te animares e rires á fartazana.

    A ministra da Educação, Isabel Alçada, foi ontem surpreendida durante a visita à Escola D. Manuel I, em Beja, com uma situação inesperada: o pavilhão polivalente coberto, acabado de construir – ao abrigo do projecto de requalificação do edifício escolar -, deixa entrar água a ponto de interditar o espaço às aulas de Educação Física. A governante, que disse ter sido informada da situação ontem de manhã, não escondeu o incómodo quando os jornalistas a confrontaram com o problema. E argumentou com uma insólita explicação. “Foi-me dito que o miniclima de Beja está relativamente diferente, graças ao Alqueva, que refrescou a cidade, e que tornou um pouco mais húmida esta zona.”

  16. Helder, Helder…
    Está a “levar” não tarda nada.
    Olhe que esta gente não brinca em serviço e eriça-se toda quando dizem “mal” do Chefe Maior.
    Permita-me um conselho e junte-se à multidão.
    Faça só que lhe mandam e nem pense em pensar.
    Nunca se queixe de nada.
    Diga sempre que sim a tudo.
    Tente ser sempre o 1º a aplaudir, mesmo as maiores enormidades.
    Não esqueça nunca que o Chefe defende-se. Não se discute!
    A bem da Nação!

  17. Helder, vou-lhe explicar duas coisas simples:
    a 1ª, se o Helder fizer obras em sua casa e o telhado ficar a meter água a culpa é sua, não é de quem fez as obra, certo?
    (se a ministra tb não percebe isto, já não sei)
    ok, pronto, a culpa é do Sócrates e não se fala mais nisso.
    2ª coisa
    Jose Eduardo Moniz (JEM) saiu da TVI para a administração da Ongoing com uma indemenização e um contrato milionário, a Ongoing comprou a parte da TVI que a PT queria comprar. Explique-me lá, a mim que sou lento de compreensão, porque é que se a PT comprasse a tal parcela da TVI conseguia calar tanta coisa, mas a Ongoing, de que JEM é administrador não consegue que a TVI mostre uma prova tão provada da culpa tão culpada do engenheiro numa coisa de que nunca apareceram povas que provassem mais do que o diz que disse?

  18. Comentador Acidental ,
    o que para mim merece destaque é o “nivel” da resposta da sra. ministra.
    O culpado é o “miniclima” ?? esta sra. terá a quarta classe? ou acha que nós não temos?
    Quanto ao negocio, usaram o plano b, acabaram com o jornal de 6ª e tiraram a boca guedes de lá conforme pretendiam. (apenas tiveram que gastar mais dinheiro para afastar o moniz, algo que segundo as escutas já estaria “equacionado”).
    Ou não deste por isso?

  19. Ora lá está…o que é que aconteceu?

    USARAM ( quem, como, porquê, para quê?) o plano b (pressupõe a existência de um plano a, pelo que o b seria o alternativo), ACABARAM (quem, como, porquê, para quê?) e tiraram (quem, como, porquê, para quê? ; dou de barato esta mentira, porque ninguém a tirou da TVI) a boca Guedes.
    TIVERAM que gastar mais dinheiro (quem, como, porquê, para quê?).

    Já agora, quando se critica alguém por ter a 4ª classe e em simultâneo escreve nivel quando o correcto é nível e negocio em vez de negócio, é o tal caso flagrante de quando Pedro fala de Paulo, ficamos a saber mais sobre Pedro.

  20. rrc,

    não percebo essa embirração…só tu é que ainda não percebeste que o Helder tem um nível intelectual e uma articulação de raciocínio acima da média…

  21. Ó comentador, seu fizer obras em casa e o telhado meter água a responsabilidade (não a culpa, isso é outra coisa) é minha, q que permiti a obra não cumprisse a regras, está a ver?

    Aqui a responsabilidade é do dono da obra seje ele quem for, a ministra a unica coisa que tem que fazer é tirar conclusões, alguém dormiu na forma. Está a ver?

  22. Ó Ibn, se a responsabilidade fosse tua não existiam períodos de garantia para a obra, nem era necessário pagares seguros ou honorários a técnicos.
    O dono da obra tem o direito de apurar responsabilidades e, sendo o Estado o dono da obra, esse direito deve, de forma mais veemente, ser encarado como dever.
    No entanto, numa situação de infiltrações na cobertura ou de outros aspectos técnicos de construção não estou a ver como é que se poderão imputar responsabilidades ao dono da obra. Isto porque para além da responsabilidade dos autores dos projectos, existe um técnico responsável pela execução da obra, a responsabilidade da empresa de construção e a responsabilidade das entidades de fiscalização da obra.
    E a culpa pode até ser só do fornecedor de um material com defeito ou de um subempreiteiro responsável por uma incorrecta aplicação.

  23. Oh Ibn, costumas ser menos bronco, aconteceu-te alguma coisa?
    Helder, a ministra é uma coisa, a Moura Guedes e as provas são outras. Mas eu não me quero meter nisso, ela é que dormia com o patrão. Podia dizer e fazer o que lhe apetecia, o plano dela não era a nem b nem c, era F.
    A minha vida não é isto, até daqui a 15 dias.

  24. Uns têm que largar o vinho
    Outros têm que largar a vodka
    Sempre ouvi dizer que quem fala em barco quer embarcar
    Por isso, beba mais um copo.
    Assim como assim, ninguém notará a diferença…

  25. Fica comprovado. Excesso de sol pode afectar as meninges!
    Agora, a solução é muitos líquidos. Pode ser que a oportunidade do telhado alentejano seja uma boa alternativa…
    Os argumentos esquizofrénicos têm sempre um lado de tragédia risível!

  26. Ainda ninguém disse o óbvio: obrigado, PMatos! Obrigado também, Ferreira Fernandes, obrigado, Valupi e, por que não, obrigado também Ibn Erriq, Mário Pinto e Helder (mas não Carlos Vidal, que não faz cá falta nenhuma): sem a vossa aspereza de calhaus, não se poderia apreciar a macieza da erva fresca…

  27. Um dia fui escalado pelo chefe de guardas, para fazer uma diligência, ao Centro de Saúde Mental, na Rua do Bonjardim no Porto, com um recluso.
    Na recepção tratei da papelada, de seguida dirigi-me para um local de fraco acesso, só com uma porta. Encontrava-se lá uma senhora, disse ao recluso para se encostar a um canto, ficando eu de frente da porta. Passado uns minutos e para meu espanto está um sujeito de boné, com uma pistola apontada a mim, tendo essa pessoa dito. Domingos, vamos.
    Mais tarde foi apanhado pela Policia Judiciária. Fui chamado a fazer um reconhecimento e de entre várias pessoas reconheci-o.
    No julgamento, o juiz perguntou-me se afiançava com toda a certeza se era ele. Respondi que tudo foi numa fracção de segundos, que há muitos sósias e por esse motivo não podia dizer com toda a certeza que era ele mas, que as semelhanças eram as mesmas. Julgo que não foi condenado.
    Faço este intróito para chamar à atenção o significado de se prestar declarações em comissões de inquérito e outras comparadas. Nos sítios onde se tem de jurar por sua honra torna-se mais difíceis essas declarações.
    Assisti a quase todas as audições na Comissão de Ética e fiquei estupefacto com o à vontade com que os declarantes respondiam às perguntas dos deputados. A maioria nunca dizia, eu sei, eu tenho documentos, nomeio a pessoa que me disse para ser chamado e poder comprovar. Quase todos iam com ideias pré-concebidas. O que os movia era denegrir a imagem de Sócrates, fosse da maneira que fosse, desse para o que desse. Quando apareceram declarantes como Leite Pereira, António Costa, Rui Pedro Soares, Paulo Penedos, Henrique Granadeiro, Zeinal Baba e Ângelo Paupério, os deputados da oposição, viram-se contrariados com o que tinha sido dito.
    Henrique Granadeiro foi mais longe e entrou como se usa dizer. “Enfrentou o touro de frente” e quando assim é, o touro sabe com o que está a lidar.
    Quando o juiz pergunta a um ladrão: já deixou de ser ladrão e se ele disser que sim. Admite que já o foi. Se não responder admite que o continua a ser. É como se costuma dizer: preso por ter cão e por não ter. Se venho aqui e contradisser as vossas perguntas estou a colaborar com o governo. Se disser o contrário não fico de bem com a minha consciência. Por isso aqui me encontro para responder a verdade e só a verdade e sobre juramento da minha honra, dito aqui ou em qualquer parte a que seja chamado.
    De homens assim está o País carenciado.
    Quando se é frontal, não se usa subterfúgios, os interlocutores ficam desarmados e as perguntas até são melhores esplanadas. Senão está-se na iminência de se ouvir: Não perguntes o que não deves, senão ouves o que não queres. Gosto de pessoas frontais e sérias nos seus depoimentos e é como referia acima.
    Quando se jura por sua honra e esta frase vinda de uma pessoa de meia-idade, acredito na sua honorabilidade, porque vem de uma pessoa que como eu, há longos anos, a palavra valia tanto como uma assinatura.
    Quero ver se um dia vier a acontecer, os Crespos, Moniz, Moura Guedes e outros mais, serem chamados a um tribunal e o juiz os confrontar que estão sobre o juramento de honra, as declarações que vão prestar. Porque ali não se usam os verbos, ouvi, julgo, consta-se. Tem de ser a verdade e só a verdade e há pessoas que não sabem o que é isso. Vivem e governam-se da calúnia.

  28. gosto de ouvir relatos do teu mundo Manuel,

    quero crer que a palavra honra ainda faça sentido para alguns, mas não sei se muitos. Às vezes volto a ter esperança. Até amanhã camarada.

  29. &:
    “gosto de ouvir relatos do teu mundo Manuel” pode crer e julgo que não é só no meu mundo. Ainda acredito que haja muitas pessoas para quem a palavra está acima de tudo. Gosto de falar na primeira pessoa e dar exemplos porque são eles que me motivam a ter esperanças que este Mundo não é só de Crespos e companhia.
    Na minha terra ainda valorizamos as pessoas vindas do povo e há quem lhes dedique versos em sinal de reconhecimento. Podem não ter nomes de rua mas são lembrados constantemente como agradecimento. A maioria era iletrada, alguns pegavam num jornal e se o mesmo não tivesse figuras, corriam o risco de a página estar de pernas para o ar. Uma letra para eles era um museu, admiravam-no, mas não percebiam nada da sua arquitectura.
    Dizem que dos fracos não reza a história, mas é dos humildes que a minha terra se torna rica.
    Rodela possui unicamente a quarta classe, faz versos mas, para os pontuar pede a um amigo. Se Portugal em tempos idos fosse justo de certeza que Rodela tinha ido longe e deixava de ser um porteiro da fábrica onde laborava. Foi para porteiro derivado à sua deficiência física (tem uma perna mais pequena que outra. Mas nem por isso deixa de brincar com a sua deficiência:
    Cada trambolhão que eu dei, / a valer só dez tostões, / ao certo, ao certo, não sei, / mas já teria uns milhões!…
    É tanta, tanta a medalha / nas canelas, a brilhar, / que o meu filho se baralha / quando as procura contar!
    Esta minha perna manca, / quando lhe dá lá na panca / falha… e a boa é que paga!
    Anda minha cara feia, / pagas assim a boleia / a quem com mimo te estraga?!

    Ou nestes versos dedicados ao Toninho Nogueira, já falecido, regente da banda de Freamunde mais de quarenta anos.

    Quando o Toninho Nogueira / fazia o rosto corar, / nenhuma Banda p’la beira / batia a nossa, a tocar!
    Este filho cá da gente, / nesta sua Banda amada / foi desde aluno a regente, / sempre de cara lavada.
    Ainda hoje a chorar / a gente ouve perguntar / onde a Banda se desloca
    Pelo Toninho Nogueira / e há quem jure, ali à beira! / “Está no que a Banda toca”.

    Para mencionar todos os que são retratados nos livros de poesia do Rodela tornava-se enfadonho, por vezes, menciono um ou outro verso mas, são todos de pessoas singulares a quem como disse em cima, Freamunde muito deve.
    É disto que procuro falar e dar a conhecer. São os bons motivos que nos tornam mais fortes. De azar já basta as calamidades que este século nos tem presenteado.

    http://www.eb1-rua-comercio-n2.rcts.pt/anossaterra/anossaterra.htm

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