Operação Joe com 1º sucesso retumbante

Armando Vara voltou a ser condenado a prisão efectiva por um crime inexistente. E em cima desse vazio os juízes colocaram um pelourinho moralista para justificar o injustificável. Isto acontece com a cumplicidade de toda a gente – nuns casos, rejubilando calada; noutros, quase nenhuns, apercebendo-se do monstro, o monstro da utilização da Justiça para as vinganças políticas, para as chantagens, para as perseguições, para espalhar o medo de ser apanhado por quem é capaz disto: “Juízes quiseram fazer do caso de Armando Vara um exemplo para a sociedade

O exemplo para a sociedade, então, foi escolhido porque 25 mil euros + 535 mil euros. No primeiro caso, tráfico de influência sem provas, sem dinheiro encontrado nem dano, apenas na forma tentada. No segundo caso, branqueamento de capitais sem crime de corrupção conhecido, o que implica não haver branqueamento. Compare-se o valor material que está aqui em causa, e a tipologia das decisões judiciais e inauditas penas, com uma qualquer grande história do tráfico de influência e do crime económico em Portugal dos últimos 20 anos, do BPN ao BES, passando pelos submarinos e pelo testemunho de Helena Roseta sobre Miguel Relvas. Vara é exemplo do quê? A ser de alguma coisa, é de inépcia e modéstia criminal. Não parece ter aprendido a encher-se à moda de Puerto Rico nem a obter o favor de ter magistrados preocupados com o Direito a julgarem os seus processos.

A Operação Joe foi lançada há duas semanas precisamente para garantir este desfecho, tendo contado com a algazarra do editorialismo e do comentariado que juntaram lenha para o auto-de-fé. Não é só o gozo do linchamento de Vara que está em causa, o tabuleiro estratégico é muito maior e remete sempre para o troféu supremo: Sócrates. Importa conseguir condenações como esta em tudo o que tenha relação com a Operação Marquês no pressuposto de que a coragem de Ivo Rosa é a excepção e não a regra. Começando com esta sentença, e independentemente do que venha a acontecer nos recursos em avaliação na Relação de Lisboa, a bitola fica estabelecida e começa a produzir efeitos nos restantes juízes. Há aqui um fenómeno de ancoragem penal, e também de intertextualidade penal, onde a candeia que vai à frente alumia duas vezes o argumentário usado para a continuação dos arbítrios e da violência.

Quando a Justiça se concebe como instituição da moral em vez do Direito (questão diferente de se reconhecer uma moral ao Direito), entramos num estado de excepção. Só nesse estado se aceita que os juízes façam de algum cidadão um exemplo pois a Constituição deixou de estar em vigor – ou seja, esse cidadão deixou de ter todos os direitos constitucionais, passa a ser possível dispor do seu nome, da sua liberdade, até da sua vida, para dar exemplos. Os exemplos que apeteçam aos que concretamente exercem um poder despótico, absoluto. Foi contra isto, essencialmente, que se fizeram as revoluções liberais – nascidas do sonho, e do sangue, dos melhores de nós.

15 thoughts on “Operação Joe com 1º sucesso retumbante”

  1. segunda vaga de vacinação contra a impunidade e atingirmos a imunidade de grupo a tempo dos fundos europeus. é ouvir o coro da santa joana reclamar fundos públicos para financiar actividades privadas. por outro lado dá jeito para contornar o revés ivo rosa e relançar confiança o processo sócras.

  2. !Armando Vara voltou a ser condenado a prisão efectiva por um crime inexistente.” , claro , porque o dinheiro que o homem tinha em off shores era dinheiro do monopoly , tudo ele dinheiro de brincar. que raio de juízes mais tolos , não sabem distinguir dinheiro a sério de dinheiro de brincar.

  3. as revoluções fazem-se para substituir um poder por outro , nomeadamente , nesse caso das liberais, para substituir o poder herdado por via sangue , por um poder herdado via compadrio jobs for the boys de esquerda/direita/centro. pelo menos é o resultado a que chegamos analisando a história das revoluções a frio , pondo os lirismos e hipocrisia de lado -:)

  4. É impossível haver condenações sem provas ! Este desfecho mais no caso de Vara não é uma condenação! É a vergonha absoluta de quem a assina e da ralé que lhe bate palmas !

  5. Uma vergonha igual à exposta pelo dr. Magalhães e Silva à TVI,segunda-feira à noite. Quando a seriedade se apresenta , a mentira e o oportunismo logo rastejam para a escuridão.
    Também o Vieira é atacado por todos,piores os da própria família benfiquista, os falhados julgam chegada uma nova oportunidade : quem chegou e com todo o estardalhaço, foi a demonstração da vileza que se lhes reconhecia

  6. “Armando Vara voltou a ser condenado a prisão efectiva por um crime inexistente” – O Sr Valupi pelos vistos agora é juiz. Este blog é cada vez mais o melhor blog de humor em Portugal, espero que não se estrague

    José Marques

  7. Será que o Ex.mo sr.de. Juiz Carlos Alexandre ordenou estas duas detenções para, mui dignamente, comemorar os 60 (sessenta) anos do infame bloqueio dos USA a Cuba ?
    Há sempre uma Baía dos Porcos à espera de quem está errado.

  8. Porrrrra!!

    Com o desgraçado do Armando Vara é que tudo se prepara para o gajo apodrecer na cadeia de Évora, vê lá isto: está a meio dos cinco anos com que foi preso por causa dos robalos, agora o Ivo Rosa mandou-o julgar rapidamente por mais um crime a partir de 7 de Junho, ou Julho?, e se tudo correr como previsto serão mais uns anos adicionados ao cadastro prisional, então o Ministério Público recorrerá para o Tribunal da Relação de Lisboa e, enquanto o gajo vai continuar à sombra, lá vem mais uma decisão dos desembargadores que o mandará sentar-se outra vez no banco dos réus com a pandilha do José Sócrates, por mais um par de crimes; no fim juntar-se-á à pena de prisão mais uns anos na grelha com o azar de, permanecendo em Évora, um eventual recurso não impedir que continue preso e assim continuadamente…

    Foda-se, é de um gajo pirar!

  9. Dias Loureiro, sossegadinho na toca onde se meteu, ouviu a notícia da condenação do Vara e exclamou:
    — Vai trabalhar, malandro, faz como eu fiz!
    Paulo Portas, ouvindo a notícia, desabafou:
    — Grande amador! Fazer-se apanhar por uns míseros robalos… Merece cadeia por tanta inépcia!
    E Cavaco:
    — É o que fazem as más companhias. Eu escolhi o Oliveira e Costa e não me saí nada mal…

  10. “Há aqui um fenómeno de ancoragem penal, e também de intertextualidade penal”, dizes, mas há também um fenómeno de cobardia, já que a coragem de Ivo Rosa é a excepção e não a regra.

  11. Jair Bolsonaro vai ser operado de urgência, afectado por ataques de soluços. Já encharquei uma carrada de lenços, de tanto soluçar a rir com a original manifestação da comprovada virilidade de sua excelência. Vai-se a ver, a rir será a minha original maneira de dar o peido final. Adeus, mundo cruel!

  12. gostei em especial do argumentário do magalhoes com relação às medidas do juiz .
    disse ele que pecaram por excesso porque não havia perigo de fuga e a prova disso é que se limitou a “decretar a detenção dimiciliária” sem pulseira electrónica e sem polícia à porta, e sem sequer obrigação de entrega imediata do passaporte, acrescentando que, nessas circunstâncias, e tendo o carro na garagem do prédio, em duas horas estava em espanha .
    em que ficamos ?
    deveria então ter decretado, e já nem vou mais longe, detenção domiciliária, com a perna agrilhoada à perna da cama ou coisa do género?
    aí, viria argumentalhar, que pecara por excesso e tinha por motivo humilhar o cliente .
    pelo meio fez confidências meio alcoviteiras ( só me disse : fizeram-me isso ? e ficou muito abatido ) e baboseira futebolística ( não sou do benfica e isto só demonstra que há um são desportivismo ) tudo matéria com um interesse do caraças para o processo .
    também invocou a idade, a constituição de família, e respectiva linhagem, como motivo impeditivo de fuga . era só mais uma nota divertida, desconhece o precedente do caso que dá origem ao nick do autor deste comentário.

  13. Ainda bem que estes julgamentos e detenções e condenações se fazem num pós-passismos e em pleno costismo,, caso contrário…!

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