Obrigado, Vidal

Carlos Vidal sugeriu aos proletários de todo o Mundo a leitura de um texto do doente Valupi. Ora, vou usar a ocasião para agradecer ao Vidal o que tenho aprendido com ele, e com alguns dos seus colegas no 5 Dias. É que nunca tinha tido directo contacto, como aquele que os textos informais num blogue permitem ter, com esse ramo do comunismo que abomina a democracia e não descansará enquanto a não substituir por uma qualquer tirania. Sabia disso à distância, posto que era um miúdo no 25 de Abril e nada entendi do PREC nem do que era a União Soviética. Muito mais tarde, com estudos cada vez mais interessados pela política, o desenho da besta começou a formar-se. Mas foi só com o Vidal, em 2009, que despertei para a existência ainda activa de uma corrente mística do comunismo, essa pulsão niilista que atrai os tiranetes de todas as marcas e feitios. Aquilo que começou por me surpreender nas campanhas eleitorais deste ano, ver comunas e reaças a fazerem elogios uns aos outros, abraçando-se num frentismo anti-PS alimentado pelo ódio a Sócrates – para maior repulsa, ambas as facções exibindo um gostinho indisfarçável pelo memorial do Estado Novo, Salazar, Hitler e nazismo – ganhou contornos de fenómeno inevitável, atracção irresistível. E lá fiz as pazes com a evidência: eles reconhecem-se, identificam-se, são as duas metades do mesmo totem.

O 5 Dias começou por ser um projecto de mérito indiscutível, uma referência na blogosfera de esquerda. Depois, muita água correu. Com a feliz cisão que deu origem ao Jugular, e com a entrada deste Vidal que faz da logomaquia um hino à generosidade do Criador, temos ali uma secção do PC que nem no Avante mostra o dente.

Por tudo isto, Vidal, e o muito mais que não há pachorra para anotar, obrigado. Continua a educar o povo.

14 thoughts on “Obrigado, Vidal”

  1. Enquanto isto vai acontecendo, as atenções vão sendo desviadas noutros sentidos. E os juizes sabem disso.

    Eu pertenço a uma geração pós 25 de Abril que pouca memórias guarda desse tempo. Também fiz os meus estudos nessa matéria e uma coisa é certa, os partidos viviam com etica -todos- pese embora as posições ideológicas mais ou menos divergentes que pudessem ter.

    A ética, agora, é uma palavra sem significado. Confesso que tenho muita dificuldade em enteder como podemos sair deste pantano.
    Homens com o posicionamento “duro” de José Socrates não devem existir muitos, mas não sei se só isso vai ser suficiente.

  2. Fazes a convergência de criticas de duas segmentações datadas e previsiveis e das-lhes conteudo.
    És um blackberry que alto lá, Val.:))

  3. Só quem não assistiu aos principios da nossa democracia é que não sabe o que foram aqueles primeiros 2 ou 3 anos,porque os textos e as notícias da altura, não chegam para dar uma ideia fiel e completa da barafunda e confusão ,mas tambem da alegria, da energia que se sentia em tudo o que ocorria em Portugal.Nasci em 1942 no meio da ditadura,e fui para a tropa em plena guerra de Àfrica.Desde o principio ganhei consciencia da falta de liberdade e de justiça, apesar de vir de uma família do regime:fui a chamada ovelha negra.A seguir ao 25 de Abril tudo o que era contra o regime anterior explodiu e veio para a rua.Mas a acompanhar os desejosos de liberdade,vieram tambem os que tinham outras intenções ,escondidas,com programas secretos, e foi o que se viu: Maioria Silenciosa, revolta dos Paraquedistas ,25 de Novembro, bloqueios da cintura industrial de Lisboa, etc.etc.etc..Lá no meio estavam escondidos os adoradores do Sol da terra, que queriam levar-nos para a satelização á roda da URSS.Ainda há saudosos desses tempos e se não fosse a resistencia de algumas unidades militares, e de alguns partidos com o PS á cabeça e a ir para a cabeça do touro, não sei onde estaria-mos agora.Não vamos deixar que voltem.

  4. Eu só estou a escrever para que o meu nome apareça no cantinho azul ali ao lado, à direita.

    Esse Carlos Vidal colabora, berk, com poetisas a cheirar a mofo, com sonetos certíssimos e com sabor zalazaro-católico. Que horror!

  5. Não vale a pena perder tempo com ruins defuntos. O homem é um obcecado. Ainda troquei com ele algumas palavras, mas já há muito que o esqueci

  6. Aqui há tempos comentei uma garotice que o dito cujo fez numa caixa de comentários do jugular, e apanhei com uma jura de morte (qualquer coisa a ver com ver-se-nos os dentes na primeira curva, tipo “cá estaremos no dia da revolução para vos tratar do pêlo”) ou algo assim. Ainda estou para ver o que te vai acontecer, ó Valupi…

  7. Caro antonio manso:e quando nâo controlavam ia a porrada«democratica»e quando não tinham jagunços que chegassem entrava a policia militar como aconteceu no pavilhão dos desportos«carlos lopes» em lisboa.

  8. Quando há trinta e quatro anos (perfazem-se amanhã)estava iminente uma guerra civil sem eira nem beira, eu próprio era um activista de uma certa esquerda utópica e de certa forma inconsciente (que brigava – é o termo menos mau que se me ocorre – com o PC),que “apanhado” no fragor e no fulgor do movimento, também se queria manifestar, conseguia distinguir a “amálgama” que o sovietismo e o controleirismo queria impor, desde uma simples comissão de moradores, até a uma qualquer realização popular, passando pelas autarquias, acabando nos quatéis e no Conselho da Revolução. Uma loucura. Na altura o “meu combate” era para lhes tentar tirar o tapete, sem que houvesse uma noção clara do que era aquilo que se dizia ser a “democracia burguesa”, afinal a democriacia parlamentar que eles contestaram com o cerco à Assembleia Constituinte.
    Houve factos medonhos passados. Claro que a direita reaccionário e golpista que havia nas Forças Armadas também contribuiu – e de que maneira -para esse caos. No “Público” de Domingo passado vem um descritivo do que foram aqueles dias, quem não leu que o faça, para ficar com uma ideia. ´
    É para esses “saudosos” como esse “camarada” que a História é boa. Não oculta factos.

  9. Tentei ir ao 5dias.net e apanhei com um “voltaremos muito em breve…”.
    Terão ido à caça ao valupi? Terão fechado o estaminé? Será uma ameaça?

  10. Olha… tiraram-lhe o pio. Fecharam-lhe o púlpito temporariamente só para o irritar.

    Se acaso restassem dúvidas, este post acabou por ficar ainda mais elucidativo.

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