O que fez Sócrates?

Rui Tavares foi a banhos deixando um texto que, na aparência, se destina a qualquer um – O que faria Aristóteles? Está construído para ser pedagógico, ou propedêutico, e nem os salpicos de erudição criam qualquer obstáculo ao leitor comum. O seu resumo, ao meu gosto, podia ser este: os fanáticos e os sectários são imbecis. A sua imbecilidade consiste em reduzirem a complexidade do mundo a dualismos antagónicos e, portanto, redutores, grosseiros e nefastos. Quem é que poderá discordar deste argumento? Só um retinto imbecil.

O artifício do Rui passou por ir buscar Aristóteles e discorrer como se estivesse perante uma turma do 10º de escolaridade. Nada mais adequado ao país e ao tempo que são os nossos. Mas surge a inevitável pergunta: a quem é que essa carinhosa, e caridosa, lição se destina mesmo, ou primeiro, ou principalmente? Aposto os 10 euros que tenho no bolso como o Garcia a quem a carta gostaria de chegar se imagina como “a esquerda pura e verdadeira”; ou seja, PCP, BE e satélites ou cópias. Isto porque o PS não carece de lições acerca da complexidade do real nem é estranho à cultura da negociação e do convívio com a alteridade. Daí o texto finalizar pondo em raciocínios igualmente básicos, quase infantis, a noção de que para diferentes forças políticas se unirem não precisam, concomitantemente, de perder a sua identidade e o seu projecto. Pelo contrário, são essas respectivas diferenças que, no contexto de um acordo, estarão a dinamizar e a enriquecer o labor político que daí nasça. Sim, estamos perante um registo ingénuo; só que de uma ingenuidade intencional, por isso potente e criativa.

Ninguém faz ideia do que vai acontecer ao projecto político que Rui Tavares encabeça nas eleições de Outubro. Ninguém sabe se a eleição de eventuais deputados possibilitará qualquer influência na futura governação. Ninguém sabe se, calhando não elegerem ninguém, voltam à carga em eleições futuras ou se desagregam. O que sei é que não parece haver grande vantagem em ter como espaço de crescimento o eleitorado do PS. Crescer através do enfraquecimento do PS não resolve o bloqueio do sistema à esquerda, prolonga-o. Para o LIVRE/Tempo de Avançar ser essa pedrada no charco infecto dos sectarismos esquerdistas e esquerdolas será preciso ir buscar votos ao PCP e ao BE, ou à abstenção, ou a ambos os campos. A primeira via não parece viável, pois não se vê qualquer estratégia, sequer táctica, nesse sentido. A segunda via também não tem sido trabalhada em termos de propaganda, embora haja sementes inerentes ao projecto que permitam esse florescimento como agregador de votos outrora perdidos para a desilusão e o cansaço. E a terceira via seria a mais lógica, posto que são dois alvos complementares para quem se anuncia capaz de fazer alianças com o PS para governar à esquerda, dependendo da prévia existência de qualquer uma das opções anteriores para ser percorrida. Neste quadro, o simpático e estival texto que nos levou até Aristóteles pode significar qualquer coisa, incluindo não significar nada para além do cumprimento do dever editorial de preencher o espaço com um número mínimo de caracteres. Esperemos pelos fogachos da campanha eleitoral e aí tudo ficará esclarecido.

Há uma ironia, se não for uma vocação, na remissão para Aristóteles, todavia. É que se o confronto entre a democracia ateniense e a democracia contemporânea não pode ser realizado para efeitos de avaliação comparativa, tão diferentes os sistemas, os regimes e as sociedades em causa, podemos sem embaraço reconhecer em Aristóteles um defensor de soluções governativas ao centro das ideologias e forças políticas em disputa pelo poder – de resto, tal como exige a tradição sapiencial grega e seu culto do equilíbrio. Não só, podemos até ver na teoria política aristotélica uma concepção onde uma classe média burguesa – tomada aqui na sua acepção de pequenos proprietários de terra e de unidades produtivas ou prestadoras de serviços – representa a perfeição da vida comunitária. O centrão, pois, seria o espaço natural para Aristóteles caso viesse parar às nossas democracias, precisamente por ser ao centro que a complexidade é maior, implicando um inevitável poder negocial para atender ao conjunto dos problemas assumidos na governação. Por contraposição, uma qualquer visão extremista pressupõe a destruição, ou abandono, de partes da comunidade de forma a anular aquelas diferenças que não se admitem na violência e alucinação sectária. Esta é a história de todos os despotismos, antigos e modernos. Para quem já anunciou que se pretende colocar no meio da esquerda, fica a dúvida acerca da relatividade e transitividade desse ponto central, o terceiro aristotélico. É que, vai na volta, só com Aristóteles não nos safamos.

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Michael Sandel é professor de Filosofia em Harvard. Nestes 20 minutos, que passam a correr, também pede ajuda a Aristóteles para nos dar uma lição acerca do que é, ou pode vir a ser, a democracia. Se alguém pensa que a neurose do desgosto por causa da qualidade dos políticos e do mau ambiente da política é um mal português, então é porque nunca saiu à rua. Desde há séculos e séculos, a começar nos gregos, e intensamente a partir da Revolução Francesa, que os sentimentos de frustração e indignação acompanham o desenvolvimento histórico das democracias onde quer que elas se estabeleçam.

Como nos tenta explicar Sandel, esse problema não se resolve fugindo da vida política e cívica. É ao contrário. Porque, e disso sabia muito bem o mestre do mestre de Aristóteles, se calha sermos seres com inteligência, então se calhar o que o Universo inteiro quer que façamos com ela é usá-la. Cada vez melhor.

32 thoughts on “O que fez Sócrates?”

  1. É com manifesto pesar que cumpro o doloroso encargo de comunicar a morte do meu querido irmão, Orlando Modesto.
    Faço-o, com enorme emoção, e só de pensar nele, vêm-me os olhos às lágrimas.

    Antes de partir deste Mundo – o do ASPIRINA – confessou-me o seu enorme desgosto a sua desilução.
    Confidenciou-me a sua enorme tristeza, nos seguintes termos : ” Eu no ASPIRINA, não aprendo nada “.

    E é uma pena, pois que ninguém aparenta saber os mínimos exigíveis, seja em matéria de direito, seja em matéria de economia.
    Depois, disse-me ele, que não se queixem de serem enrolados pelos delegados e pelos juízes.
    Também assistiu, com perplexidade, ao discorrer de um certo comentador, sobre o economicamente correcto.
    Tal raciocínio, concluiu ele, inevitavelmente conduzirá a que, mais tarde ou mais cedo, tal alegado especialista económico, venha a defender que, do ponto de vista da macro economia, digo, das despesas públicas e do equilíbrio das contas orçamentais, é melhor, porque menos custoso para o Estado, deixar morrer as pessoas na via pública.
    Enfim, heresias básicas.
    E depois, morrendo pobres e na miséria, com o salário justo, correcto e ideal, de 100 euros por mês, definido pelo defunto ANTÓNIO BORGES, o que nem para o orçamento do funeral dá, inexoravelmente levará à falência e ao encerramento das agências funerárias.
    Mas isto já é micro-economia. Não se pode saber de tudo.

    Com o reputado e multifacetado Castro Nunes, manteve o Orlando, animada e séria troca de opiniões.
    Este último, um hermeneuta, nada detectou quanto à linhagem.

    Mas o que fez transbordar a gota de água, para o Orlando Modesto, foi o assistir à apresentação do programa da coligação Prá Frente Portugal.
    Quando ouviu dizer, que o direito a ter tempo livre para tomar conta dos netinhos, iria destarte ser extensível aos reformados e aos aposentados, abriu a boca de espanto, e exclamou,
    PÔRRA, TAMBÉM VÃO DAR O DIREITO À GREVE, PARA OS REFORMADOS E PENSIONISTAS !

    Depois, ainda tentou mudar o nome para Colapso Cardíaco da Silva.

    Já não teve tempo.

    Antes de esticar o pernil, ainda balbucionou :

    LETS GO DAQUI.

    Não deixa descendência.
    O irmão gémeo, Pimpaumpum, deixa alguma descendência.
    Mas já não se recorda do nome da filharada.

    Orlando, partiu livre a aliviado.
    Rest in peace.

    Excelsa do Menino Jesus

  2. hum, atentando no título, direi que o Antigo nunca conseguiu eliminar os sofistas e que estes continuam, ainda, a infestar a pólis.

    O Novo nada fez de saudavelmente relevante. Porém, embaraçou os pobrezinhos porque não dividiu com eles o «seu», se bem que tenha apresentado ao mundo o maior xuxialista de todos os tempos – o amigo que lhe deu e dá todo o que é dele. Hum.

  3. Obrigado Val. Não conhecia este professor de “filosofia do nosso tempo”….E é de uma limpidez e simplicidade que quase fere… Vou ficar com o site para ter acesso a mais!

  4. li e reli, se não foram 500 vezes foram 501. a complexidade do teu raciocínio arrepia-me de alegria. aqui vai a minha interpretação, fruto do quilo ao artigo do Rui Tavares e das tuas reflexões: e se o texto nos quiser apenas dizer, por imagens, ou estarão estas últimas apenas na minha cabeça?, como se estudássemos no 10º ano e estivéssemos em formação da personalidade, que à natureza escrava (actual e inegável) – que Aristóteles reconhece como essencial – se aplica também o direito, por tempo, à cultura da alma para que o sectarismo que também há na principal oposição se desvaneça porquanto é essencial reconhecer na democracia, tantas vezes espelho de frustração e indignação, a capacidade de nos fazer desejar mais e melhor para o bem comum?

  5. O curso histórico diz-nos que o “grande centro”, isto é, o tal “centro e esquerda democrática”, que politicamente constitui invariavelmente a maioria em Democracia, é que é a grande auto-estrada da vida e os caminhos laterais, apertados e incertos de sentido, é que são alternativas duvidosas de alto risco.
    Os povos vivem, por motivos de sua própria natureza e existência, necessariamente, dentro do “grande centro” e, quanto mais alargado for o centro (centrão como os alternativos dos extremos esquerda-direita gozam dizê-lo) mais faixas largas de caminhos e percursos são possíveis trilhar sem sair do sentido geral em direcção do objectivo com sentido conforme à trajectória histórica.
    Como se viu pela experiência do “socialismo real” e se vê agora no exacto momento de “capitalismo selvagem” ambos despoticamente, um pela política repressiva ditaturial de classe assumida e outro pela política repressiva do capital organizado em plutocracia, atacam ferozmente a classe média para destruir a formação da tal auto-estrada de multiplas faixas largas que é o local onde os povos querem e lutam por viver em paz e segurança até por necessidades de preservação da espécie e do progresso.
    O problema são sempre os charlatões que nos indicam e apregoam caminhos de faixa única e estreita, sem escapatórias, directos a paraísos falsos por onde não cabem todos mas por onde obrigam todos a passar e, consequentemente, imediata e infalivelmente uns passam por cima dos outros; é o desastre e a catástrofe para nada porque, passados anos e brutais sacrifícios de sangue, os povos, por necessidades de defesa de sua própria natureza e dignidade regressam, inevitavelmente, ao querer viver no seu lugar natural, o meio termo onde está a existência.
    A esse local de meio-termo onde fica a vida de viver Aristóteles chamou-lhe a virtude. E o mestre do mestre deste mestre, o trio de grandes mestres da humanidade, depois de dezenas de anos de pensamento e reflexão profunda, todos concluíram que a localização mais racional para viver a nossa vida de viver mais natural estava na moderação ou meio-termo.

  6. Fiquei sem dúvida consternado com o falecimento do Caríssimo Orlando Modesto. Não fiquei com a ideia de que fosse propriamente modesto, pareceu-me sobretudo sábio na sua relação com a modestidade. Sábio ou astuto.
    Mas mal tive tempo para o conhecer, malogradamente.
    Sou aqui, nesta vida, do aspirina, neófito. Todos os residentes esta vida de aspirina já cá andavam há muito. Já todos sabiam muito sobre todos. Eu não conheço ninguém. Na verdade, eu não sou ninguém, sou o Manuel de Castro Nunes, não posso ser mais alguém. Estou aqui refém de mim próprio.
    Por isso, ao ler o elogio e lamento fúnebre de sua irmã, Excelsa Teresinha, parece-me alegórico, uma inteligente metáfora e assim o espero.
    Como todos sabem, vim aqui parar pela mão do cegueta, vulgo Toino das Gamelas. Trazia o propósito de expor a sua identidade e consegui-o, não com hermenêutica mas com umas rasteiras bem pregadas. Ele ainda não desmentiu. Se o cegueta não for o Gamelas dá no mesmo. Porque mais do que o focinho eu queria expor-lhe o carácter.
    Interessei-me depois pelo Pimpampolas, irmão gémeo, diz a Excelsa Teresa, do Caríssimo Orlando Modesto. E parece ”acusar-me” de, com a hermenêutica, não ter descoberto a linhagem. Mas, na verdade, não andava aqui em busca de linhagens.
    Que poderia significar, hermeneuticamente falando, que o Caríssimo Orlando Modesto seja irmão gémeo do Pimpanolas. Do ponto de vista do que aqui me trouxe, muito pouco. Irmãos, mais ou menos gémeos, somos todos em Jesus Cristo Nosso Senhor. E nunca estendi vícios ou virtudes de alguém aos seus irmãos.
    Alegórico ou não, consterna-me o falecimento do Caríssimo Orlando Modesto.
    Mas, sem dúvida, este post é de resposta imperativa. Vim aqui de passagem e voltarei logo para comentar.
    Mas, nesta passagem de raspão, deixo apenas uma nota de perplexidade.
    Rui Tavares parte para a sua reflexão de uma subtil ambiguidade.
    ”Há dois géneros de pessoas: as que dividem o mundo em dois géneros de coisas e Aristóteles, que tinha hábito de dividi-lo em três.”
    Um inesperado jogo algébrico-aritmético de contradição dialéctica entre o dois e o três.
    Bem, eu acho que existem ainda pessoas que dividem as coisas (coisas? coisas como a coragem e a temeridade?) em quatro, em cinco, em seis e em infinitas.
    É imperativo reflectir sobre isto. Não vá acontecer que estejamos a restringir a tabuada, as coisas e as pessoas, para caberem apenas em três soluções.

  7. Nota:
    Congratulo-me sobretudo com a escrita do senhor Valupi. Felizmente há ainda quem escreva bem.
    Gostei muito mais de ler o senhor Valupi do que o Rui Tavares. De resto, ao ler o senhor Valupi, consegui ler o que o Rui Tavares não escreveu.
    E também gostei de ler o José Neves, ainda que não concorde.

  8. Aparentemente Rui Tavares refere-se à chamada “teoria do ponto médio” de Aristóteles. De tudo o que já foi dito sobre ela, (e foi muito…), recordo com nostalgia o que a propósito afirmou Bertrand Russell :
    “Ela, (essa teoria), destina-se a ser seguida por cavalheiros com vidas confortáveis e convicções moderadas.”
    Serão assim os militantes do “Livre”?

  9. Eu, sobre Aristóteles e sobre Bertrand Russel, pouco sei, quase nada.
    Quem está, no aqui e agora, a dividir as pessoas em dois géneros, sendo um Aristóteles, e as coisas em três é o Rui Tavares.
    Obviamente, podemos alegar que Rui Tavares também dividiu as pessoas em três géneros, porque temos que pressupor o género do sujeito enunciante.
    É deplorável quando os políticos começam a atalhar por Aristóteles para propor coisas tão simples como esta: entre o vermelho e o branco, deves votar em mim que sou rosa, nem uma coisa nem outra.
    Mas mais deplorável ainda é que os políticos aberrantemente fidelizados a um pragmaticismo já quase nihhilista, em negação ou diluição das ideologias, comecem a enveredar pela filosofia.
    No que respeita aos três de Aristóteles (honni soit qui mal y pense) talvez recordasse a tríade dialéctica de Marx, que propõe também três termos, não exclui as pessoas do ”fado” das coisas e propõe o movimento para a frente e não à rectaguarda.
    Notaria ainda apenas que Rui Tavares manifesta uma virtude. A de poder vir a ganhar umas eleições discorrendo sobre Aristóteles e evitando o ”busílis”: Quem vai pagar a dívida? Somos nós ou é ele?
    É que atirar com o eleitor para o centro, entre a direita e a esquerda, como plataforma conciliatória e ”negocial”, significa, nem mais nem menos, que vai ser o eleitor quem vai pagar a dívida.

  10. E se em lugar de flautas estivéssemos a falar de dinheiro? Será que o dinheiro apenas deve ir para quem melhor o saiba utilizar para depois distribuir os bens essenciais a cada um segundo as suas necessidades?

  11. :-)
    (marcha de s. sócrates)

    chinelinhas de cores garridas
    marcam passo na nossa fé
    s. sócrates é quem mais convida
    ao tratado de lisboa em pé
    ramalhetes e alecrim
    marcha lenta e sem verdete
    ele espera por ti por mim
    da ota para alcochete
    emoldura o nosso altar
    dá-nos oportunidades novas
    e mais tempo para abortar
    (a ver se mais te consolas)

    chinelinhas de cores garridas
    isto é tudo simplex
    faz-te alegria na rua
    livra-te dos balões latex
    aprecia o professorado
    que quer ir para casa arder
    cortar no magalhães
    e fazer o freeport crescer
    s. sócrates meu santo
    do plano tecnológico
    fazes obras d’encanto
    milagreiro analógico

    chinelinhas de cores garridas
    s. sócrates é bom marchante
    e joga bem do baralho
    mexe no código a granel
    e o manda-o todo p’ró trabalho

  12. e se Sagrado é o Pilar
    é pró inocente não lerpar
    não é pra ninguém se aproveitar
    pra melhor poder pilhar

  13. não é pra ninguem se esconder
    pra melhor poder pilhar
    acabou-se-te o contrato
    lá vais ter que trabalhar

  14. Todos os dias as noticias dão conta de “pequenas” coisas que deviam inquietar a cidadania e levá-a a questionar a justiça. Ontem uma mãe passou a noite detida porque …. não se percebe bem porquê ! Fala-se em ter saido do hospital com a filha recém-nascida, mas não se percebe qual o crime. Percebe-se que a senhora seria toxicodependente. Mas as toxicodependentes estão proibidas de ser mães e de cuidar dos filhos? Já escutei quem dissesse que não estão mas deviam estar. E amanhã, proibem-se se procriar? Sujeitam-se elas a remoção de ovários e eles a castração quimica?
    Também ontem vimos imagens de vários streat racers filmados pela “autoridade” em alta velocidade. Filmados por um carro da “autoridade”, tb ela em alta velocidade. E como só os ingénuos podem admitir que a “autoridade” passava por ali por acaso com um carro capaz daquela performance e sem que os restantes competidores dessem por isso, a questão que se segue é legitima, mas ninguém a coloca: seria esta “autoridade” um streat racer infiltrado ? Se era, e sabia o que se ia passar,pois de outro modo não se entende como lá mais à frente já estava montado o bloqueio da auto-estrada, há outra questão legitima: com que legitimidade é que a autoridade coloca intencionalmente em risco os utentes da via publica para apanhar potenciais delinquentes em flagrante delito ?

  15. “É deplorável quando os políticos começam a atalhar por Aristóteles para propor coisas tão simples como esta: entre o vermelho e o branco, deves votar em mim que sou rosa, nem uma coisa nem outra.”

  16. O Rodrigues, ao menos devias tentar saber como se escreve Street. E que se as tuas ideias são estapafúrdias, graças aos erros básicos ortograficos, mais convencido fico que não passas dum gajo com a quarta classe mal feita, mas com a mania que é esperto.

  17. o burro do caralho aprendeu inglês na 4ª. classe graças ao sócras. o crato fodeu os vieram a seguir, querem falar inglês? vão para o privado e paguem do vosso bolso. era o que faltava, o estado a pagar cursos de inglês para mandarem piropos às bifas e armarem ao cosmopolita nas caixas de comentários, bem basta os fly emigrates.

  18. … agora com substratos de centrismo.
    votem em mim, eu é que sou o verdadeiro presidente da junta.

  19. “Além disso, tem algum contributo para a questão ?”

    liguei agora a forja, se tiveres aí alguma estatística para eu martelar, manda.
    a máquina de cozer mentiras e bordar aldrabices vai de seguida.

  20. Bem… para mim a questão é a de saber quem são as pessoas e de que género que atribuem género às coisas.
    Existe uma adivinha parábola sobre a anterioridade do ovo e da galinha. Transpondo para o caso, haveria que questionar acerca da anterioridade do género das coisas ou do género das pessoas que atribuem género às coisas.
    A questão, por si, não tem solução e eternizar-se-ia em lugares comuns. Sobretudo tendo em vista que as coisas a que as pessoas querem atribuir género são virtudes das pessoas, coragem, covardia, verdade, mentira. No mínimo tratar-se-ia de coisificar as pessoas para as arregimentar nos géneros das coisas.
    Há dias, a propósito de um lapso de linguagem e circunstância do Passos Coelho dizia eu que a oposição não é um anseio, uma categoria constitucional nem um arquétipo. É um facto consumado, com múltiplos géneros.
    A virtude de Rui Tavares foi a de deixar, antes de ir de férias, toda a gente a dizer asneiras e a discutir os géneros das coisas e das pessoas.
    Poderíamos ainda derivar para os géneros sintácticos e morfológicos. Como por exemplo o de saber porque razão, na língua portuguesa, o sol é de género masculino e a lua de género feminino. O mar, que em latim era de género neutro, conciliador entre a lua e o sol, é em português de género masculino porque em português as coisas e as pessoas têm dois géneros.
    E há mais. Quando um subordinado se dirige a um general, refere ”meu General”. Quando um General se dirige a um subordinado refere ”nosso subordinado”. Quando um subordinado se dirige a outro subordinado para referir o general, refere ”nosso General.
    O género das coisas quanto das pessoas é demasiado circunstancial.
    Mas, afinal, porque foi o Rui Tavares buscar o Aristóteles em seu socorro?
    Eu acho que foi porque quer arranjar uma ”coisa” onde possa caber o nosso General.
    Quanto ao resto, a posição centrista ora do centrão de Rui Tavares é autosustentável e não precisa de Aristóteles para nada.
    O centrão do centro está sempre justificado sempre que se torne imperativo ”mamar” na República.
    É por isso que os fachos vão votando no centrão, enquanto a ”coisa” não estiver conforme.
    Não é verdade, meu General?

    E, então que fez o Sócrates? Foi temerário, covarde ou corajoso?
    Em que género poderíamos encaixar o que fez Sócrates?
    Eu penso saber o que Sócrates fez. A dificuldade está em saber o que vão fazer com ele.

  21. Quando se estuda fósseis de pulgas e se embalsamam outras, é natural que se saiba o passado. E, assim sendo, sabe-se o futuro. Logo, só um animal não pensante pode fazer afirmações como as que supra vão.

    Ora como o animal não pensante e seus derivativos já escarraram várias teses, PAREXERES, e se baseiam em fontes fidedignas – as deles próprias, soi disant, a sua interpretação derivada de uma hermenêutica dita natural -, é, também, natural que os não pensantes continuando no que lhes é inato antevejam o futuro do Santo Sócrates.

  22. Tu não “antevês” nada porque és cegueta.
    Quem não vê nada muito menos antevê.
    Sabes lá tu a coça que os teus amigos cu-ligados vão levar na véspera da implantação da república ? sabes lá tu se o Cavaco fica agoniado e nem discursa no dia seguinte ? sabes lá tu quando a terra de Lisboa volta a tremer ? afinal que sabes tu ?

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