O programa das 21:40

Ontem, tive um dia pouco banal mesmo. Entrei de serviço às 16h. Tinha feito travessas para os pequenos-almoços do dia seguinte, tinha posto as mesas e estava a iniciar o tratamento das facturas para companhias de seguro, quando me telefonam de uma rádio para eu participar no concurso das 21:40.
O concurso consistia em duas etapas. Na primeira, punham-me uma música e eu tinha de dizer quem a fez. Na segunda etapa, colocar-me-iam uma pergunta e eu teria de responder. A primeira valia 1000 Eur.; a segunda, 500 Eur.
Concordei. Meteram a música. Comecei-me a rir e respondi: “Tudo o que sei é que é a banda sonora do desenho animado A Pantera Cor-de-Rosa.”
– Cláudia, diga só quatro palavras! Já as disse! Diga, diga!!!
– Quatro palavras? Pantera Cor-de-Rosa.
– É isso!!! Ganhou, Cláudia! Os 1000 Eur. são seus!!! Quer então responder à pergunta dos 500 Eur.?
(Eu ainda estive para lhe perguntar se me arriscava a perder tudo caso eu não acertasse na resposta, mas aquiescei.)
– Cláudia, a que horas o João foi a casa da Juliana?
Não me recordo muito bem, mas a pergunta apresentava-se nesses termos. Ocorreu-me que poderia ser algo ligado ao programa da rádio ou uma novela qualquer e respondi:
– Ai, isso já não sei.
– Diga, diga, diga, Cláudia!
– Sei lá, meio-dia?
– Nãããão, mais.
– 14h?
– Mais.
– 19h?
– Ai, menos!
De repente, ribombou um alarme.
– Ai, Cláudia, passou o tempo! Não ganhou estes 500 Eur. Mas os 1000 Eur. são seus!!!
Ouvi-os a arrumarem tudo.
– E agora? Tenho que ir a algum sítio levantar o dinheiro?
– Sim, claro. Quer receber em notas ou em cheque?
– Sei lá, pode ser em notas. Onde é que tenho de ir?
– Tem que ir à Caixa Geral de Depósitos e diga que é do programa das 21:40. Para receber, vai ter que dar uma senha. Tem aí onde apontar? É que a senha não é comum.
Peguei muito apressadamente no primeiro rascunho à minha frente, ajeitei a caneta.
– Diga, eu já tenho onde apontar.
Então, muito pausadamente, a apresentadora soletrou palavra a palavra:
“O Rex dela abriu às 8 mas o João no sobe e desce foi de 4.”
Agradeci. Desliguei. Passados 5 minutos, é que entendi a dimensão de eu ir a uma CGD dizer a um empregado: “O Rex dela abriu às 8 mas o João no sobe e desce foi de 4.”

Disseram-me que daqui a uma semana me voltavam a contactar para outro concurso.

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Oferta da nossa amiga claudia.

16 thoughts on “O programa das 21:40”

  1. Olha ela a tentar ser colaboradora permanente do aspirina (e eles)! Mas vamos a factos. A menina não queria perder os 1000 euros, certo? Por isso nem queria responder à segunda pergunta. Todavia, respondeu. Então qual é o moral da história? Vigarice? Como é que sabe se não foi intrujisse, se não foi, segundo parece, à CGD? Onde é que está a graça do escrito? Era fácil chegar ao balcão da Caixa e dizer: “Meus senhores, fui contactada, etc. e etc. por estes senhores assim assim, como é? É verdade ou mentira? É conto do vigário ou não?” E pronto, ficava logo a saber! Se tivesse que dizer a senha, logo se via. A Cláudia se já não era boa nos comentos, pior me saiu nos posts!»LOL. Genial», diz o outro. Bem se vê que os amigos quando é preciso sabem mentir tão bem! Melhor disse o outro «cláudia, vai mas é coser meias»!

  2. Dina! Assim não! Porque foste tão acintosa? Há aqui uma verdade insofismável, o juiz mais implacável de uma mulher é outra mulher! Os homens podem dizer todas as parvoíces que lhes apetecerem que as mulheres à sua roda são só sorrisos, feitas umas atrasadas mentais! São vastas as vezes que me tem sido dado observar isso mesmo, chego, até, a sentir vergonha! Ao menos disfarcem! Por outro lado se uma mulher tenta levantar a cabeça para dizer uma graça ou outra coisa, leva logo um olhar de soslaio! :D

  3. Nem eu mesma sei! Em linguagem corrente chamamos-lhe dor de corno, no entanto o problema é muito complexo e ancestral! De uma coisa tenho a certeza, nós mulheres, não precisamos dos homens para nos darem cabo da vida, porque para isso, temo-nos umas às outras!

  4. Dina, onde já se viu um empregado de balcão dar 1000 Eur. assim de mão beijada? Vai tirar da conta dele, se calhar? Vai tu, se quiseres, mas se te derem os 1000 Eur., não te esqueças de que foram ganhos à minha custa e oferece-me, ao menos, um cafezinho. É o mínimo dos mínimos.

  5. Milu, também não sei a razão de tanto acinte entre as mulheres, mas deve ter a ver com o seu número ser superior ao dos homens e a luta pela preservação da espécie nos regimes monogamicos.

  6. Teofilo
    Talvez seja! Mas então como se explica que este sentimento de rivalidade, que no fundo é isso mesmo, já se verifique em tão tenra idade, como por exemplo, na idade escolar, quando as miúdas se pelam para fazer os chamados grupinhos, que mais não são, do que um estratagema, para se tornarem mais fortes e prevalecerem sobre quem as incomoda? Não creio que exista aí qualquer preocupação em relação ao número de homens disponíveis. Seja o que for, tem a ver com a psicologia feminina, melhor dizendo, como se estivesse entranhado na massa do sangue! Tão crianças e já têm uma forma tão incisiva de se perscrutarem mutuamente na ânsia de encontrarem eventuais defeitos!

  7. Milu, aqui trata-se de coerência e não de rivalidades femininas. Concordo contigo. Não há pior inimigo das mulheres do que uma mulher. Mas neste caso trata-se de dizer a verdade e a verdade às vezes custa, só isso. A Cláudia não tem graça e mostra pouca inteligência nos comentários que faz aqui e nos postes é o que se vê. Que mal tem dizer o que todos nós conhecemos e só não dizemos porque não gostamos de conflitos? O meu ponto de vista em relação à Cláudia é que o texto dela é uma confusão pegada. Nem graça nem senso. Que mal tem dizer isto? Se fosse um homem diria o mesmo. Mas os homens do aspirina parecem ter mais inteligência. Textos assim destoam dos textos do Valupi e da qualidade que o blogue tem ou já teve. Se achas que fui acintosa é problema teu. Fui sincera e continuo a afirmar o mesmo. A pequena – que nem sei se é – parece-me imatura e com pouco jeito para a escrita no que se refere a alguma coisa que valha a pena ler.
    Já agora, que raio de emprego é esse onde entra às 4 da tarde e apronta logo as travessas (?) para o pequeno almoço do dia seguinte? Não será um pequeno almoço requentado? Também já tinha posto as mesas e depois fala em facturas. É hotelaria? Tem um restaurante por conta própria? Pergunto só por curiosidade. Achei estranha a introdução e terá cozinhado alguma coisa?

  8. Dina
    Tudo bem! Penso, no entanto, que assiste à Cláudia o direito de intervir, não só procedendo a um simples comentário como em postar, ainda que não o faça de uma forma considerada brilhante! Tenho visto bem pior! Pelo menos expressa ali as ideias dela! Há quem o não consiga fazer, escrevem, escrevem e não dizem nada! Concordo contigo no que diz respeito à qualidade dos textos do Valupi não só no nível da escrita como das ideias, logo no conteúdo da mensagem que se pretende transmitir! O mesmo poderei dizer da maior parte dos intervenientes deste blog, onde se aprende alguma coisa com os comentários expressos, já que na sua grande maioria, são emitidos por pessoas, que aparentam estar esclarecidas sobre os temas que vão surgindo. Por fim tenho que dizer que me fizeste rir quando dei pela tua curiosidade fervilhante, quando investes de rompante, a querer indagar algo mais, sobre tão misteriosa actividade que dá azo a preparar travessas para o pequeno almoço às 16.00 horas e, logo de seguida pôr as mesas! Quanto aos seguros não entendi! Pois bem depreendo que a preparação das travessas do pequeno almoço da manhã seguinte faz parte de um estratagema para aproveitar períodos mortos muito comuns na indústria hoteleira. Quanto a pôr as mesas, depreendo que seria para a próxima refeição! O jantar! Mais, não é proprietária porque entrou ao serviço às 16.00 horas! Nenhum patrão, neste caso patroa, inicia o seu dia de trabalho a meio da tarde, a bem dizer! Este é um horário que faz parte de um turno, que terminará, eventualmente, por volta da meia-noite ou 1.00 hora da madrugada. Chama-se a isto dissecar sobre a vida alheia! Aliás não é, porque foi a própria Cláudia que tornou públicos estes factos! :D

  9. Dina, não foi a primeira vez que a claudia teve a amabilidade de nos oferecer um texto. E espero que não seja a última, pois é um gosto lê-la. Aliás, aposto que também gostaste, tanto que até entraste em diálogo com quem passa. Só que em ti a experiência do gosto deixou-te um qualquer amargo de boca. Isso é a prova de que os gostos são variados – e que se discutem!

    Viva a diferença. Já agora, não queres enviar um contributo teu para te ficarmos a conhecer melhor e desfrutarmos do teu talento? Será um prazer e uma honra publicá-lo.

  10. Milu na idade que referes somos ainda iguais, rapazes e raparigas.

    Os rapazes detestam as raparigas e as raparigas detestam os rapazes. Claro que isto é genérico e passageiro.

    Os grupinhos servem para estabelecer territórios, criar defesas, preparar as lutas que se seguirão, determinar chefes. Tanto se criam no universo masculino como no feminino, o que até é saudável.

    Pena é quando descambam em organizações mais elaboradas e ameaçadoras.

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