O perfeito morcão

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Rui Rio esperou que o partido tivesse batido no fundo para avançar com uma candidatura à presidência do PSD. Fez campanha com declarações que prometiam uma refundação a partir da matriz de Sá Carneiro e que surpreenderam pela coragem ao criticar os crimes e disfunções no Ministério Público. Na declaração de vitória, 13 de Janeiro de 2018, garantiu solenemente o seguinte:

«A partir de Fevereiro, começaremos a construção de uma alternativa de Governo à actual frente de esquerda que se formou no Parlamento. Uma alternativa capaz de dar a Portugal uma governação mais firme e mais corajosa, capaz de enfrentar os grandes problemas estruturais com que há muito o país se confronta. Uma alternativa capaz de reforçar a nossa aposta em Portugal e de nos restituir a vontade, a alma e a esperança.

O actual Governo terá na nova liderança do PSD uma oposição firme e atenta, mas nunca demagógica ou populista, porque nunca contra o interesse nacional.

Os portugueses terão em nós um partido com a vontade inabalável de servir Portugal e de procurar contribuir para dar a todos a oportunidade de um futuro melhor. Um futuro melhor, só o conseguiremos se formos capazes de construir uma sociedade mais justa, mais solidária e mais capaz de ajudar na construção na felicidade de todos e de cada um de nós.»

Tratou-se de um juramento que se pintava com aparato histórico. E durante alguns meses parecia que ia ser cumprido. A escória passista estava furibunda com a ameaça de limpeza no partido e o fogo de barragem sobre Rio não teve um dia de descanso. Contudo, no primeiro teste a valer para se conhecer o quilate do seu carácter guerreiro – o tumulto e campanha decadente à volta da substituição de Joana Marques Vidal, episódio onde um ex-primeiro-ministro e um ex-Presidente da República sugeriram com as letras todas que os actuais representantes eleitos nos órgãos de soberania são cúmplices de criminosos e agem com dolo criminoso em representação do Estado – vimos o presidente do PSD a meter os pés pelas mãos e a exibir-se como o líder paupérrimo que é. Tal desoladora e vexante descoberta confirmou-se e agravou-se ao alimentar suspeições caluniosas na campanha para as Europeias e a propósito da CGD.

A comunicação política na campanha do PSD para as legislativas foi confrangedora, com erros estratégicos, descontrolo da marca do líder e amadorismo inacreditável nas peças tácticas. Quem disse que Rio venceu os debates com Costa teve sempre o cuidado de não fazer referência a qualquer mensagem objectiva saída da boca do líder da oposição que tivesse interesse fosse para o que fosse ou para quem fosse. Porque não existiu nada citável, óbvio, sendo que ainda se viu obrigado a concordar com Costa nos pontos mais importantes em discussão. O argumento da claque foi por outro caminho, o da subjectividade de quem proclamava derrotados e vitoriosos. Rio vencia porque alguém optava por dizer que ele era o vencedor. Vencia porque não tinha saído do debate numa ambulância. A subida nas sondagens dava razão a esta retórica feirante. E depois veio Tancos.

Após saírem os resultados das eleições legislativas de 2019, no seu discurso de derrota, apareceu-nos à frente um Rui Rio eufórico. Estava muito satisfeito consigo mesmo porque o PSD não tinha desaparecido do mapa. E chegava-lhe. Pelo que, anunciava soberbo de auto-estima, tinha valido a pena transformar as duas semanas de campanha eleitoral num chiqueiro demagógico onde usou a Justiça para boicotar qualquer tentativa de oferecer ao eleitorado um mapa, uma pista, um sinal esotérico que fosse, sobre a sua capacidade para “restituir a vontade, a alma e esperança” às gerações, sobre o modo como um Governo do PSD iria “construir uma sociedade mais justa, mais solidária e mais capaz de ajudar na construção na felicidade de todos e de cada um de nós“. Essas questões menores, em boa hora, foram substituídas pela dilacerante dúvida que deixava a comunidade em transe: “Afinal, aquilo do Azeredo, que raio é que o homem, hã?” Era esta a mais fiel exemplificação do que Rio considerava uma temática de superior “interesse nacional” para ir a votos montado na ajudinha dum Ministério Público subitamente digno dos seus elogios.

Talvez a mais importante revelação acerca desta personagem circense, que o próprio se encarregou de publicitar na noite eleitoral, seja a sua crença de ter graça quando faz gracinhas. E, de facto, o seu canal no Twitter exibe múltiplos exemplos hilariantes. Temos todos de concordar, o prometido “futuro melhor” será muito mais fácil de alcançar para o País quando Rio abandonar a política e se dedicar à comédia.

Aqui fica um cheirinho do seu potencial:
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15 thoughts on “O perfeito morcão”

  1. Pois vai haver mais acordos à direita com Rio do que à esquerda com os parceiros da ex-Geringonça. Mas a direita é de sua natureza insaciável, acabará por deixar de apoiar o PS, aproveitará uma boa ocasião e votará com a esquerda para o derrubar. Qual será a obrigação da esquerda? Trair a sua linha política e votar de forma a salvar o PS. Em resumo, desígnio do PS: governar; desígnio da Esquerda: salvar o País da direita permitindo que o PS governe.

  2. Dado que este blog serve para fazermos análises mais ou menos parvas, cá vai a minha.

    Eu no lugar do próximo líder do PSD, dedicava-me a queimar a imagem de Pedro Nuno Santos de todas as formas possíveis.

    Já se percebeu que Costa já deitou a toalha ao chão.

  3. Até já existem alguns tópicos do conhecimento do público:

    – Pernas dos alemães,
    – Carros
    – Contratos com o estado
    – Ligação ao bloco

    E mais deve haver apesar de se ter resguardo nos últimos tempos.

  4. Estou marimbando-me para os bancos alemães que nos emprestaram dinheiro nas condições em que nos emprestaram. Estou marimbando-me que nos chamem irresponsáveis. Nós temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e dos franceses. Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos a dívida” e se o fizermos “as pernas dos banqueiros alemães até tremem”.
    p.nuno santos

    ganda piupiu

  5. o rato sem tinto ou seja chanfana de mickey à ratatouille mais parece o joão ratão em ebulição no caldeirão in love with yo peidando e esperneando que nem uma doida, tão ao jeito da púdica yo que pensa que desabrochar é tirar da boca.

  6. Júlio, depois de muito meditar, cheguei à conclusão que errei. Evocar resgates é uma consequência, não o fim. A verdadeira vocação do PS é servir-se do poder e do erário público. Basta ver o progresso do país nas mãos do PS.

  7. “Basta ver o progresso do país nas mãos do PS.”

    yah meu, que sódades do gang do cavaco e das falências bpn+bcp+banif+bes, era pugresso à canzana. para não falar daquela coisa em belém tipo tutancamões do cavaco, das derrapagens que triplicavam os orçamentos iniciais e dos orçamentos rectificativos marca gaspar/marilú, à média de 3x/ano. isso sim é kera pugresso e contas certas, aquela marca que os liberais internacionalizaram e tanto sucesso teve no atraso da recuperação do rating da república. até havia um iluminado chamado moedas que disse quando os mercados souberem que somos governo o rating sobe no dia seguinte, viu-se.

  8. Rui Rio, the best !!!o resto é paisagem… Montenegro a querer liderar o partido nas eleições autárquicas !!!?? vai pedir ajuda a Passos Coelho ?

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