O palco é um mundo

A morte de Nicolau Breyner comove-nos mais por a sentirmos injusta, cruel perante o que imaginamos que o Nicolau ainda tinha para viver e pela familiaridade da sua presença no nosso olhar. Nesse sentido, é como se tivesse morrido jovem. Um jovem de 75 anos que nos acompanhou e divertiu a todos, grande parte de nós desde que somos gente.

Por coincidência, ligo o seu fim à pujança de um outro actor, Tim Robbins, que está a fazer esta maravilha:

Actor’s Gang: How Tim Robbins has cut reoffending rates

Não sei se o Nico era homem para se meter em tais aventuras, mas de certo que sentiria orgulho por ter um colega assim.

21 thoughts on “O palco é um mundo”

  1. actor, forcado, boémio, estivador, político, chulo, empresário, católico. um polivalentão das dúzias a rebentar de autoestiva e parvoeira marialva que dava alicerces para 10 conventos de mafra. menos um a fazer sombra ao presidente marcelo.

  2. Acho que uma das coisas que mais me fizeram chorar ao longo desta vida é a memória do olhar de João Godunha. Português, simples, a contemplar o fim.

  3. Muito bom, Val.

    Ontem, na SIC N, um dos testemunhos foi do João Soares a evocar os tempos da campanha de 1969 e de como Nicolau Breyner protegeu a/s sede/s das candidatura/s oposicionistas em Lisboa.

    Acho que essa é uma das memórias revelada algures por um divertido Mário Soares, ou seja: a de um encorpado Nicolau Breyner com os seus dois (?) bulldogs a fazer segurança às sedes de campanha nas noites da capital e a impor respeito aos cães do antigo regime.

    Primeiro um baque, depois lágrimas e sorrisos (para lá das parvoíces do Ignatz), assim de toda a gente, mas não tenho a certeza de que a SIC tenha apresentado um obituário à altura da sua morte. Com patine bastante, na riqueza dos seus 50 anos de vida pública.

  4. valupi, ainda n falaste das escutas do teu Sócrates: a câncio e a casa no bairro alto, a condessa que chega a londres, se já fizeste aquilo, e aquilo, e aquilo – e os gritos com toda a gente, filho incluido, e as lágrimas do Santos Silva. Ai valupi, valupi

  5. Nicolau, o verdadeiro artista, como as nossas televisões gostam. Fantástico. Inigualável. O maior. Dizem tantos, e devem ter razão. E se o ministro da cultura se curva perante o homem que ajudou a construir o futuro de Portugal, quem sou eu para discordar da grandeza da obra intemporal do “Show Nico”?

  6. Maria Abril:
    esse retrato simplista de Nicolau Breyner não é aquele de quem sendo crescidinho tem memória ou que, tendo estado ausente ou andado distraído durante um longo tempo, revela na actualidade um corpo e mente “ginasticados”. Memória das eleições de 1969 não se pedirá aos leitores do Aspirina B mas, vá lá, sempre dará que pensar o que é que tinha de especial a sua vida consensual perante as amizades e que era, ao mesmo tempo e se quiseres, singularmente heterodoxa (na religião, nas mulheres e nos casamentos, na política, na boémia entre as/os amigas/os, nas artes de palco, no cinema, na estória de vida sobre a sua alentejanice, etc.). Em suma, uma vida cheia que, se te esforçares, consegues ver quando se olha para trás agora ou para os seus últimos anos. Para lá das novelas portuguesas e dos talk shows, quando Portugal nesses campos era uma terra árida.

  7. Deves ter razão, Eric. Eu devia apreciar como toda agente aprecia, ver o que toda a gente viu, amar em Nicolau o que toda a gente amou. Confesso que só gostei dele de vez em quando. nem sempre lhe achei piada. Serei injusta quanto ao muito que fez pela nossa cultura. Tão popular, tão talentoso, tão consensual, que só alguém, pobre de espíirito não enxergou a grandeza do Nico.

  8. ” Memória das eleições de 1969 não se pedirá aos leitores do Aspirina B…”

    … e muito menos 1995, candidato à câmara de serpa, pelo cds/pp ou em 2013 à assembleia municipal de sintra como independente do pnd.

  9. Maria Abril e Ignatz, confesso que não sei o que vos dizer ou que julgo saber mas não me quero alongar demasiado. Ainda não o li, mas há um perfil no DN de hoje assinado pela Sarah Adamopoulos que.

    1969, hoje. Talvez daqui a pouco consiga copiar a reacção do Ferro Rodrigues, na Basílica da Estrela, em que recorda exactamente a “coragem física” (palavras do próprio) de Nicolau Breyner na protecção da sede oposicionista do Campo Grande durante as eleições de 1969. As imagens são da SIC N, eu vi.

    Ignatz, Serpa e? Sabes que o actual presidente da CM de Beja, que foi o seu adversário pelo PCP na altura, se tornou num dos seus grandes amigos? E que dizer de Sintra, wow! O que é que não percebeste quando eu utilizei a palavra heterodoxia (na política, nomeadamente)?

    Maria Abril, não sendo eu ambicioso de modo a tornar-me num teólogo tardio valeria a pena compreender qual o significado de “pobre de espírito”. Um pequenino serviço público, e assim de repente, recomenda uma boa entrada no blogue A ARTE DAS ARTES. É googlar, pois.

  10. “… a “coragem física” (palavras do próprio) de Nicolau Breyner na protecção da sede oposicionista do Campo Grande durante as eleições de 1969.”

    yeah meu! tou a ver o forcado nicolau a pegar a pide pelos cornos. dass… tenham noção do ridículo, só faltava agora o supernico a defender a ceud da pide e da polícia de choque. saía mais barato em uísque pôr lá um pastor alemão e dava melhor resultado.

  11. yeah meu! a malta dos afectos e do manhã é assim, começamos a afectar logo pela matina (12:39).

  12. “… a “coragem física” (palavras do próprio) de Nicolau Breyner na protecção da sede oposicionista do Campo Grande durante as eleições de 1969.”

    oh afectado! explica lá o acto corajoso do nicolau. dass esta merda foi invadida por mentecaptos, só falta referendar a monarquia e depois instituir o partido único.

  13. Ó Ignatz, inspirado em Matheus versículo 1 l:
    se 12h39 é antes de almoço, já 16h52 é depois de uma boa sesta
    (de que falamos, e porquê?)

  14. eu gozo com os fans do nicolau e tu papagueias umas cenas da maltósia dos afectos. na realidade não há grande coisa a discutir com fanáticos da cultura da imbecilidade, mas podias responder ao que te perguntei sobre o acto corajoso do xôunico.

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