O nosso homem Gillette

Não há forma de fazer consolidação orçamental sem afectar salários e pensões. Para Pedro Passos Coelho, esta afirmação é uma evidência e, numa entrevista publicada nesta terça-feira no Jornal de Negócios, defendeu que “não é possível diminuir de forma sustentada a despesa do Estado sem mexer em salários e pensões”. Contudo, o primeiro-ministro salienta que a descida dos ordenados, que o Fundo Monetário Internacional tem vindo a defender, já foi “muito forte” entre 2011 e 2012 — cerca de 11% de queda, de acordo com dados do Banco de Portugal — e a hora é de investimento.

Passos Coelho diz que não é possível diminuir a despesa do Estado sem mexer em pensões e salários

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Passos tem absoluta razão. Consolidações orçamentais para economias como a portuguesa consistem nalguma forma de reordenamento dos valores e dinâmicas de crescimento dos salários e das pensões, a que se podem e devem acrescentar outras dimensões dos gastos públicos, evidentemente. O registo da notícia, contudo, não se fica pela evidência da evidência, igualmente se sugere que Passos não quer ir mais além, mas que o terrível FMI continua a insistir no castigo. Para Passos, neste Outono-Inverno de secura extrema, é tempo da chegada das nuvens, ou nevoeiro, do investimento – isto é, “há limites para os sacrifícios” – tal como, de resto, já tinha sido anunciado pelo genial Vítor Gaspar algures no princípio do ano, assim se provando que o Executivo é coerente e tem um plano bem montado para os discursos dos seus ministros. É por isso que Governo, PSD, CDS e Presidente da República farão uma enorme festa quando os troikanos se forem embora para nunca mais voltarem. O pesadelo terá acabado.

Esta entrevista gerou menos reacções na sociedade do que aquelas que o movimento do alcatrão na mais longa experiência do mundo gera nas moléculas de ar circundantes. Todos estarão a concordar, até por ser assim para o aborrecido discordar do óbvio, ou já ninguém liga ao homem. Seja como for, ele vai estar esta noite a ser entrevistado por dois dos nossos mais consagrados jornalistas políticos, Judite&Paulo. O que também pode ser um sinal de que a recuperação está mesmo aí, posto que estamos perante sósias ideológicos que têm manifestado sem vacilar o seu apoio ao Pedro e fica como um luxo estar a duplicar as caixas de ressonância. Apesar de mais esta evidência, vou aqui deixar uma pergunta, só uma, que fatalmente não irá ser posta pelo tandem perguntador. E que reza assim:

Tendo em conta que o Governo de Sócrates começou a adoptar medidas de austeridade logo em 2005, com excelentes resultados económicos e sociais até às crises, e que Passos chumbou a continuação dessa política alegando que a culpa dos problemas mundiais e europeus era exclusivamente do PS, por um lado, e que era preciso parar com a sangria fiscal e cortar nas gorduras de Estado e não na economia, pelo outro, chegando ao ponto de rotular como “disparate” a previsão de que cortaria nos subsídios caso fosse escolhido para primeiro-ministro, e tendo em conta que o Governo que dirige é o responsável pelo maior aumento de impostos na História da democracia, a que se acrescenta a redução drástica e sistemática de apoios sociais e o falhanço em todas metas a que se propôs ao assinar o Memorando, com que cara é que faz a barba de manhã?

9 thoughts on “O nosso homem Gillette”

  1. oh monga-bonga! tu é que encravas o scroll dos comentários com nonsense broeiro. cada vez que vou para comentar um poste e tropeço nesse poster sexy à curral de moinas, na pepineira dos dixotes, nas risotas foleiras e nos hieroglifos de suburbano teledependente, só me apetece ser mal educado. foda-se, desampara.

  2. Não sei se o Passos Coelho tem ou não razão, nem me interessa para o caso.

    O que sei é que, se o garoto tem razão, DEVIA ERA TER FALADO LOGO ASSIM ANTES DAS LEGISLATIVAS!

    Porque ele ganhou-as a dizer o oposto, ou sej, OU NOS MENTIU DESCARADAMENTE – e portanto deveria imediatamente demitir-se! -, OU PROVA QUE NÃO FAZIA A MÍNIMA IDEIA DO QUE TERIA DE FAZER CASO FOSSE ELEITO – e por isso deveria ser demitido por quem controla o funcionamento normal das instituições democráticas!

    Caso contrário, nas próximas Legislativas vai haver quem diga que vai fazer e acontecer tudo e mais alguma coisa e NÃO HAVERÁ NINGUÉM QUE POSSA DIZER QUE ISSO É BATOTA!!!

    Estás a perceber, Palhaço?

  3. Não, Odisseu. Estou-me a cagar para ti e para os portugueses em geral. Sabes, não sabes, seu minorca?

    E agora vou voltar para a minha soneca…

  4. eu estou preocupado, é com o tio do jeronimo de sousa,se por acaso este chega ao poder.aquela merda na coreia do norte é uma especie socialismo de” faca e alguidar”.deve ter sido a pedido do pcp que a rtp vai transmitir um programa sobre aquele paraiso!

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