O juiz Rui Rangel merece uma estátua

Segunda-feira, 2 de Dezembro de 2019. Marcelo interrompe o quotidiano da Judiciária para dizer na cara dos inspectores algo que os terá deixado chocados, instantes antes de ficarem aterrorizados. Pois parece, garantiu o Chefe do Estado com cara de nenhuns amigos, que a Judiciária tem como missão combater o crime. E que o crime se combate respeitando a Lei e as leis. Conta quem viu que alguns inspectores, apanhados de surpresa pelas novidades, chegaram a levar a mão à pistola numa reflexo automático de defesa da vida mas terão sido de imediato dissuadidos pelos colegas ainda com algum sangue-frio de reserva.

Esta ideia de ir para a Judiciária dizer à rapaziada&raparigada que não dá para apanhar uns malandros avulsos e dar abébias a outros, que existe um calhamaço chamado Constituição algures num sótão ou cave da República e que se combate o crime para protecção e benefício da comunidade é o equivalente a ir para uma cerimónia na Ordem dos Médicos explicar aos clínicos que os remédios servem para tratar os doentes e o termómetro para ver da febre ou ir para um congresso de padeiros apelar a que se meta a massa no forno pois caso contrário o papo-seco não sabe tão bem. Excluindo a hipótese de terem chegado ao Palácio de Belém informações das secretas provando que na Judiciária anda tudo a gamar, é discurso demasiado imbecil para se esgotar o seu sentido na denotação. Temos de olhar para a paisagem. Ora, nesse mesmo dia havia festa uns metros ao lado da marcelista sessão de esclarecimento, com Mário Lino a prestar declarações como testemunha na “Operação Marquês”. E no dia seguinte seria ainda melhor, muito melhor, oh tão mais melhor: Maria de Lurdes Rodrigues, António Mendonça e Vilaça Moura interrogados à pala de Sócrates, Rui Rangel expulso com fanfarra da função de juiz e, supremo encanto da merenda, Azeredo Lopes e António Costa levados em cima de um Tancos até às favolas antixuxas do superjuiz. Era isto que estava em causa no número revisteiro, portanto, tendo como finalidade gerar este espectáculo de sessões contínuas:

Marcelo alerta para “impaciência cívica” e defende justiça “implacável”RTP

Marcelo pede que PJ seja implacável no combate à criminalidadeSIC

Marcelo na PJ. “Ninguém está acima da Constituição e da lei”Rádio Renascença

Marcelo alerta para “impaciência cívica” e defende justiça “implacável”TVI

Marcelo alerta para “impaciência cívica” e pede à justiça que seja “implacável”TSF

Em suma, a estratégia do “fim da impunidade” está bem e recomenda-se, agora sem hiperCavaco, ultraPassos, Madre Paula e Santa Joana mas com o Rex Marcelo a comandar a orquestra. No seu endógeno cinismo gozão, o homem não resistiu a rir-se para dentro à gargalhada ao declarar que estava ali apenas e só por ter sido convidado pelo director, Luís Neves. Poderia este senhor ter convidado o Presidente para outra data? Poderia o Presidente ter recusado esta para evitar a colagem aos casos da Justiça na berlinda política e sugerir outra? Poder podia, foda-se caralho, só que, lá está, não seria a mesma coisa.

Entretanto, avanço com 10 euros para uma estátua de homenagem ao juiz Rui Rangel. Consta que receberia subornos para influenciar processos judiciais que nem eram seus e depois não mexia uma palha para os influenciar nem mexia outra para devolver o carcanhol ao frustrado aprendiz de corruptor. A ser verdade, este estratagema tem uma beleza que é merecedora da mais rasgada admiração: não só se evitaram vários potenciais crimes, dado Rangel ter funcionado como uma barreira de protecção ao iludir o corruptor com uma promessa que ficaria por cumprir, como os fulanos que queriam perverter a Justiça terão aprendido uma amarga e caríssima lição. Estar agora a expulsar o mágico juiz, se for só por isto, fica como exibição da inveterada vaidade e inveja dos seus pares.

10 thoughts on “O juiz Rui Rangel merece uma estátua”

  1. Merece mais que isso, se eu eu fosse o “ lobista chinês “ ou seja, Costa, nomeava-o para o DCIAP ( Direção Centralizadora de Incentivo à Apropriação de pasta ) já quanto à ex, iria para PRG ( Procuradora Geral de Graveto ) .

  2. consta é que o juiz e a mulher facilitaram uma fraude fiscal envolvendo o jogador joão pinto. e um processo disciplinar por comportamentos próprios de um vigarista não merecem estátua. já sei que por aqui consideram que cidadãos impróprios para consumo, que não cumprem deveres básicos , como pagar impostos , podem ser primeiros ministros de partidos que baseiam o paleio em solidariedade e redistribuição, mas nem todos pensam assim.

  3. e o bla bla bla do estado de direito não se aplica aos amiguetes do zézito , pelos vistos. estes podem usar os mesmos estratagemas dos bandidos , os outros teriam de denunciar que estavam a ser alvo de tentativas de corrupção e seguir o book inteiro , se não caia o carmo e o aspirina aos berros aiiaiaaaa o estado de direito -:)
    a duplicidade de critérios fica bem patente aqui no post.

  4. ò vaca de merda! mas afinal de que é que o rangel está acusado? parece que nem o conselho superior da magistratura sabe ou quer arriscar dizer antes cozinharem a caldeirada ilibatória dos pares alinhados com a corporação. mais uma vez pescaram uma petinga e um carapau para proteger o cardume de piranhas judicialistas. a duplicidade de critérios é o alex estar enterrado até aos cornos em esquemas com o figueira e não passa nada, tudo boa gente que torce pela santa, caga-sentenças morais e vota cavaco. vou-me fartar de rir quando o processo de tancos afectar o afectivista de belém quando o objectivo é o costa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.