79 thoughts on “O imperador e o moleiro”

  1. Verdadeiramente assustador saber que um é desembargador e o outro jurista. Que demagogia e arrogância. Temo pelo Estado de Direito em Portugal.

  2. O Ricardo Cardoso é um caso raro de debilidade mental. Até se baba. Suponho que usa fraldas.

    E aquele laço que a mardinha lhe deu na primeira excomunhão?

    O Pinto de Albuquerque é o típico parlapatão da escola laranja, menino da mamã e aluno preferido do Rebelo de Soisa. Gente fina, todos muito independentes e isentos.

    Não valem um caralho.

  3. Que vómito ouvir aqueles 2 neofascitas que pretendem a divulgação de escutas obtidas ilícitamente e já definidas como não contendo criminalidade de género nenhum.
    Que asco saber que na Democracia Portuguesa, tantos anos após o fascismo salazarista, haver ainda gente que promove a devassa das conversas privadas com a finalidade estampada naqueles rostos de obter ganhos políticos.
    Que cambada de FILHOS DA PUTA gente como Ricardo Cardoso e Paulo Pinto de Albuquerque.
    Passaram um atestado de menoridade às entidades competentes para as apreciar e fugiram deliberadamente à LEGALIDADE DEMOCRÁTICA ao insistir na revelação de conversas privadas, conversas destinadas ao caixote do lixo, conversas sancionadas POR QUEM DE DIREITO, ou seja, o PGR e o STJ, como não contendo indícios probatórios de atentados contra o Estado de Direito.
    O único atentado contra o Estado de Direito que descortinei até agora foram a prostituição e a concubinagem entre agentes da Justiça e Comunicação Social que traficam fugas ao Segredo de Justiça e que espiam ILÍCITAMENTE um 1º Ministro de Portugal.
    Para mim, o Ppd-Psd é quem está por trás disto tudo e acho que todas as conversas privadas de Ferreira Leite, de Cavaco Silva e outros senhores da pandilha laranja devería ser tornadas públicas a bem da Verdade Social.
    A partir de agora, basta arranjar um capo de esquadra de Cascos de Rolha ou Quilhoadas de Cima que escute um destes fulanos laranjas e, ao arrepio da Lei, escutá-los bem escutados e proferir uma indiciação qualquer. Manda-se a coisa para um jornal amigo e depois é que se envia para o PGR e o Supremo as Certidões e os despachos incriminatórios ou indiciadores.

    Que tal? Será que também colará?

    Se não colar ao menos o PPD-PSD que exija a todos os portugueses, a bem da sua ‘Verdade’ que todo o cidadão divulgue as suas conversas privadas, pois todos somos suspeitos de atentar contra qualquer coisa.

  4. Foi bonito ver o Ricardo Cardoso ameaçar que abandonava a sala caso fosse interrompido. Uma manifestação suprema de todo o seu sublime sentido democrático.

    Já o Pinto de Albuquerque preferiu demonstrar toda a sua indignação para com os que falam em espionagem política (quando é mesmo isso que está em causa pouco importando para essa discussão, se as escutas vêm da justiça ou de outro lado qualquer), para, no final e em piruetas (diz que é o interesse social da matéria), só desejar que essas mesmas escutas sejam tornadas públicas de forma a serem utilizadas, claro e exclusivamente como arma política, uma vez que as suspeitas criminais já estão completamente fora de causa.

    De facto, um espectáculo deprimente pela contradição e pela falta de argumentação destes dois senhores. Muito fraco mesmo, como representação de um poder independente num programa com este nível de audiência.

  5. A justiça está suja porque as mulheres a dias, em vez de a limpar, a violam, quando apanham os juízes nos foruns sindicais, a tratar do direito de reserva.
    Com mulhers a dias assim não há justiça que nos valha. Não sei se ouvi bem, mas pareceu-me que foi isto que um Albuquerque e um Cardoso disseram, um até disse que se lhe cortassem a palavra fazia como o Santana Lopes, abandonava o estúdio, para os portuguese verem que um desembargador, não se deixa embargar po uma qualquer contrariedade. Levanta-se sacode o fraque ajeita o laço e, ala que se faz tarde.

  6. Cada vez mais me convenço que não é isto que está em causa,

    mas sim destruirem a credibilidade da democracia

    e por em causa resultados eleitorais e vitoria de Socrates.

    Consequentemente seu programa de obras publicas,

    que tentarão eles faze-lo, se o conseguirem deitar abaixo

    salvando então a Patria, os desempregados, etc.

    Vede os metodos eos resultados…

    onde está o fogo na “face oculta”? tal como no “freeport”????

    como não hão-de esses senhores estar de “cabeça perdida”

    e mais outros,

    preocupados com eles estarem de cabeça perdida

    por falta de competitividade e endividamento externo a lixarem o JS???

    Parabens aos 4 anos de Aspirina!!!

    abraço Val

    luta continua!!!

  7. Parabéns pelos 4 anos.
    Nos prós e contras, Pinto de Albuquerque completou a acção iniciada nas jornadas parlamentares do PSD, descredibilizar o Procurador Geral e o Presidente do STJ. Como é possível um “reputado” professor de direito afirmar que decisões de um procurador de um tribunal de 1ª instância e não confirmadas pelo superior hierárquico, o procurador Geral, que de acordo com a lei é que tem competência para a decisão final, são mais justas e as que devem ser tidas em conta. Então cada vez que um tribunal da relação ou o supremo decide ao contrário do tribunal de primeira instância teríamos o mesmo problema. Isto não seria a subversão da justiça.
    Claro a ânsia de queimar Sócrates tira o discernimento a tal iminência. Como é possível defender que uma escuta ilegal e que a autoridade competente declara sem relevância criminal deva ser tornada pública. O frete do professor aos políticos que perdem eleições, mas querem inverter o sentido do voto através da destruição do carácter dos eleitos ficou evidente naquele programa. A sua intervenção foi sempre política, que ele devia assumir e não cobrir-se cobardemente com o manto de professor de direito.

  8. Parbéns Val.
    Melhor. Deixo uma pergunta: Como é que se saúda alguém pela luta pela democracia, os valores da honra, em dia de P&C com juizes e profs de direito? Daqueles?
    Mais que a saudação fica o estímulo pela luta que nos oferecem.
    MFerrer

  9. Só vi a segunda parte, e, sinceramente, até me custou a adormecer, tal era o estado de “raiva” que aquele esganiçado – substituto do Rangel – me provocou, porque o homem tinha (tem?) a obessessão estampada na cara e destilava até à exaustão o veneno com que queria envenenar o seu adversário político, porque de política se tratava como, bem, disse o Bastonário e o outro Professor de Direito que lá estva (e de que não me recordo, agora, o nome). Quanto ao Sr. Juiz Desembargador – embarga a dor só pela adrelanina ruim que instila – com o seu ar senhorial e autocrático – estilo “eu é que sei! Eu sou o Imperador (como na fábula que contou…)- e não disse nada de significativo, refugiando-se nesse cadáver que é o “segredo da justiça”.
    Se é com actores como esses que a nossa Justiça se tem de fazer representar, por certo o espectáculo vai dar em circo rasca, ou fantoches de feira. O mais alto magistrado da nação tem de pôr cobro a isto, ou então será conivente (no que tenho sinceras dúvidas, tendo em conta recentes antecedentes…).

  10. E ficou claríssimo, para quem tivesse dúvidas, onde se inicia a fuga ao segredo de justiça. Deplorável foi também quando o juiz desembargador insinuou que a fuga de informação dos processos pode ser desencadeada pelos funcionários de justiça…Foi tão mau!!!!

    O grande problema é que esta gente sem ética e numa amoralidade total faz aplicar a lei.

    Registei ainda um outro aspecto. O prof. Germano, numa das sua intervenções criou um apontamento importante para reflexão. Falava-se da lei em causa (escutas)quando Ele fez notar que a lei enquanto projecto é correctamente concebida e quando chega à assembleia é, palavras do prof. Germano, “estragada”. Este aspecto sugere-me duas ideias: Ou é “estragada” por ignorância/deficiência de quem lida com a matéria, ou propositadamente para servir interesse específicos.

  11. Veja-se se o tempo de antena que este cavalheiro não tem desfrutado, quer nos canais publicos da RTP, quer nas demais televisões, rádios e jornais – A militância laranja não perde oportunidade para fazer a sua instrumentalização pública – Paulo Pinto de Albuquerque – que já foi Assessor da Secretaria de Estado da Administração Interna, nos governos do PSD (anos 1989-1990) – é um cavaquista assumido – Veja este naco de um artigo, recentemente publicado no DN – a defender a honra de Cavaco

    A honra dos políticos
    por Paulo Pinto de Albuquerque05 Junho 2009 7 comentários
    Em 17 de Novembro de 2003, o doutor Cavaco Silva procedeu à venda de umas acções da SLN de que era titular. O valor da venda foi o praticado em muitas outras transacções de acções da SLN naquela data. O negócio foi realizado cerca de dois anos e meio antes de o doutor Cavaco Silva ter assumido funções como Presidente da República. Isto é, trata-se de um negócio perfeitamente lícito realizado num momento em que o doutor Cavaco Silva não exercia quaisquer funções políticas. Por isso, é absolutamente ilegítima a sombra que se quer lançar sobre a honorabilidade do Presidente da República.
    É certo que o poder político tem permitido o enriquecimento ilícito de alguns. É também certo que a imprensa tem um papel fundamental na denúncia dessas actividades ilícitas. É ainda certo que os cidadãos têm o direito a serem livremente informados de toda a verdade, doa ela a quem doer. (excerto do DN)

  12. Ao contrário de algumas pessoas que afirmam que com a mediatização destes casos aprendem muito sobre estas matérias, eu estou cada vez mais confusa. Terei ouvido bem quando o juiz desembargador disse que neste caso não houve violação do segredo de justiça? Portanto, o que a comunicação social tem dito acerca do conteúdo das escutas, e que os partidos da oposição têm repetido, é tudo mentira, tudo inventado. Ou será legal terem tido acesso às escutas? Lá está, estou confusa.

  13. Sou sincero: Ontem não assisti ao espectáculo dos Pròs e Contras, e tenho pena.Vi o vídeo da 2ªParte ,e assisti às intervensões do Dr Germano Marques da Silva e do Dr. Marinho Pinto;gostei do que vi e apoio todas as tareias (verbais) que queiram dar a Paulo Pinto Albuquerque e Ricardo Cardoso . A desonestidade destes dois senhores é bem visivel e, particularmente ,o sr. Pinto de Albuquerque ,PSDista ferrenho- e já tendo pertencido a governos do Prof.Cavaco, devia era estar caladinho, porque os governos a que pertenceu teem rabos de palha.Não assisti ao programa todo mas fiquei com uma ideia do que foi-um nojo.

  14. Para além do lodo interno que estas noticas geram, parece que estas criaturas se esquecem das repercussões externas destas noticias difamatorias. Uns verdadeiros detratores

  15. Murphy,

    O José António Saraiva é conhecido por contar 10 mentiras em cada 9 frases.

    Por isso, é mais um cão a ladrar enquanto a caravana passa.

    Ai, às vezes apetecia-me que estes meninos do PS não fossem tão bem comportados e pusessem já a boca no trombone quanto às infiltrações do psd na justiça e na comunicação social…eu sei, há que estar acima desse lixo, mas pronto foi o meu diabinho a falar.

  16. Pois eu penso que os PSD’s assim estão a sofrer mais. Os do PS vão continuando (se calhar só eles sabem com que espirito, nomeadamente, Socrates)enquanto os outros, de tanto veneno que destilam, aindam acabam sufocados.

    Agora, o que se lamenta é que os restantes partidos de esquerda não mexam um cabelo, como se não vivessem neste país. E anda para aí o Alegre, alegremente a largar postas…

  17. Carmen Maria, para esses quanto pior melhor, ou não? Não é preciso ler os seus programas, basta ouvi-los falar, ou por outra, “destilar o seu ódio pelo PS…

  18. Ao que parece para os frequentadores deste blog é crime de lesa majestade ter opiniões diferentes das suas!

    Oh pazinhos vós tratai-vos!

    Do pouco que vi do programa pouco se aproveitou, a começar cassete gasta do marinho pinto de bater nos magistrados e juízes, segundo ele responsáveis por todos os males do mundo, até pelo buraco do ozono!

    Acho que se salvou o Dr Germano Marques da Silva.

    Hey Jim Morrison, a estas horas andará o verdadeiro às voltas no “Pere de lachaise” a questionar-se como alguém tem o petulância de usar o seu nome para dizer tenta barbaridade!

  19. Felicitações pelo aniversário.
    Apenas um esclarecimento: nem o Pinto é um grande professor de direito nem o Ricardo é um esclarecido magistrado judicial.
    O resto não vale a pena comentar.

  20. É pena que neste pais toda a gente sabe que alguns dos nossos políticos estão enterrados até ao pescoço em corrupções e outros crimes do género e que nunca vão pagar aquilo que fizeram. O que é pior é que aos olhos de toda a gente parecem os maiores, e são-no mesmo pois são intocáveis.
    E isso, todos nós o sabemos. Não faço distinção de direita ou esquerda porque estes crimes não têm partido, apenas caras conhecidas.
    Se fosse um cidadão comum, já estava lá dentro por muito menos.

  21. Nem vale a pena responder aos tais que se riem cheios de LOL, ou seja, bestas quadradas que vêm aqui apenas para mostrarem que são ignorantes e incapazes de interpretar seja o que for… vsf!

  22. Esbarrei por acaso nesta aspirina S(ocratinica) … um verdadeiro covil de lambe-botas acefalóides, que devem masturbar-se sofregamente cada vez que o chefe debita uma das suas pérolas de modernice tecnobufa. Que fedor ver tanta gente junta a tecer a manta do servilismo. Curai-vos gentinha deprimente …

  23. Parabéns
    Tinha referido que só voltava aqui ao Aspirina B daqui a quinze dias. Arranjei quem me emprestasse um computador e aqui me apresento. O vício era algum e como soube que o Aspirina B estava de parabéns, aproveito para lhe desejar muitos anos de vida, apesar das contrariedades e invejas.
    Ontem assisti aos Prós e Contras na RTP 1 e de tudo o que foi discutido lamento, que o penalista Paulo Pinto de Albuquerque e o juiz desembargador Ricardo Cardoso nos tenham dado um triste espectáculo perante as câmaras da RTP. Notou-se a defesa da sua (deles) dama e quanto a argumentos foi de uma pobreza franciscana, tendo o juiz desembargador à falta de argumentação, ameaçado abandonar o auditório com isto demonstrando o sentido de democracia a que está sujeito. E depois vem contar a rábula do Moleiro e o Imperador. Com essa atitude ficou demonstrado que quem era o Imperador era ele e o moleiro era Marinho Pinto, e se este o interrompesse lhe tirava (o moinho) que não está habituado a ser interrompido, tentando dizer que Marinho Pinto é um agitador profissional. Quando lhe foi perguntado porque nunca é guardado o segredo de justiça, disse que são várias as pessoas envolvidas e que é difícil se saber quem o revelou, chegando ao cúmulo de se falar na mulher da limpeza. A estas figuras não lhes interessam acabar com o segredo de justiça porque assim anda alguém a viver à custa desse segredo. Se houvesse interesse quando são casos mediáticos como este só tinha acesso a estes processos o mínimo de pessoas, e quando prevalecesse a fuga de informação, era levantado um processo de averiguações para descobrir o delator. Assim nunca se vem a saber porque não há interesse das partes.
    Vou contar um caso verídico que se passou quando estava ao serviço. Numa cadeia qualquer sempre que se programava uma revista geral às celas dos reclusos, quando esta era executada os reclusos já sabiam do dia e da hora da sua sua realização. Foi descoberto o seu informante e foi proibido de entrar no sector prisional, só lhe era facultado o acesso na portaria da cadeia. Era uma vergonha para ele e como se sentia diminuído com esta situação, um dia entrou em contacto comigo, prestava serviço noutra cadeia, para fazer uma permuta com ele, acedi e passados quinze dias deu-se a permuta. Um dia quando se planeava uma revista e todos os guardas foram avisados na formatura da manhã que nesse dia se ia fazer uma revista geral, no fim da formatura fui estar com o chefe de guardas e disse-lhe que da maneira como as revistas eram planeadas não era de estranhar que à noite os reclusos não fossem sabedores. Demonstrei-lhe o meu ponto de vista, dizendo-lhe que numa situação destas quanto menos soubessem da sua realização melhor era, que só seria sabedor, ele, o Director e um ou dois subchefes de guardas para a planear. Que aos restantes elementos só lhes era dado conhecimento depois de todos os reclusos fechados. Assim se fez, actuou-se de surpresa e apareceram resultados e não houve nenhum recluso a dizer que já tinha conhecimento.
    É certo que uma parte da corporação ficou aborrecida por não se lhes ter dado conhecimento, diziam que era uma maneira de demonstrar que não se fazia confiança neles. É evidente que em situações destas tem de se tomar estas posições porque se não for assim anda-se a brincar às revistas. Hoje já não se processa assim e ainda bem, a DGSP tomou a atitude de quando se fizer revistas gerais, os guardas das cadeias próximas serem estes a fazerem essa revista, ajudados naturalmente pelos guardas dados a essas cadeias. É evidente que mesmo assim não se detecta todo o mal, mas vai ajudando. Porque nos outros serviços não se tomam assim medidas? Só há uma resposta gostam de lidar com a anarquia.

  24. Jim Morrison disse:

    “Que cambada de FILHOS DA PUTA gente como Ricardo Cardoso e Paulo Pinto de Albuquerque”

    Aí valente! Porteiro de discoteca!

    Quero ver se te vais juntar ao piquete, quando as sedes do teu partido começarem a arder!

    Com essa cobardia – de se ocultar atrás de um anonimato para utilizar palavras altamente injuriosas – tenho a certeza de que, quando ouvires o primeiro morteiro a rebentar para aí a uns 500 metros, vais tremer tanto, que as bochechas do teu cú, com a tremideira, até parecem que estão a bater palmas!

  25. Lolita, isto aqui não é nada. Muita gente junta foi no dia 27 de Setembro. Foi dia de eleições, lembras-te? Parece que a maioria, mesmo sem nunca ter posto os pés neste e noutros covis que para aí há, votou no Engenheiro. Pensa nisso. :)

  26. Ai Lolita, Lolita…
    Quantas “Renies” já deves ter engolido!
    O ácido esofágico deve ter transtornado os neurónios…
    Há cura…
    A “guida” já deu uma receita. As outras advém da inteligência, mas como os neurónios já estão infestados de azedume, jamais se podem converter em algo com interesse. Porque quem só pensa em que os outros estão a “masturbar-se sofregamente”, terá de vir a engolir os fluídos que daí emanam para lhe poder vir a fazer bem aos neurónios e à sua acidez. Trate-se. Atrás de um dia mau, virá sempre um outro dia melhor…

  27. Caro &

    Tenho a convicção de que Salazer não era corrupto.
    Tinha alguns, ou até muitos defeitos, mas esse epíteto, julgo que não será de lhe aplicar.
    Se tivesse sido corrupto, quando Champalimaud (com o apoio de alguns entusiastas e alcoviteiros ministros de então) engendrou um “projecto de negócio” que passava por importar carvão de Angola, que seria transportado para um porto a construir em Sines, carvão esse que seria para alimentar as fornalhas da Siderurgia, para produzir aço que seria transportado por via férrea (a construir) para Bragança, onde seria construída uma fábrica de automóveis (chamar-se-ia o carro “O Lusitano?) mas como não tinha a certeza de que existisse mercado para o carro em Portugal (onde tinham os portugueses dinheiro nesse tempo para o comprar?) pedia o aval do Estado para tão arriscado projecto, Salazer teria dado o aval, e, como corrupto, teria recebido a contrapartida.
    Que fez Salazar? Prontamente pôs cobro à “agitação” dos entusiastas e alcoviteiros ministros, chamou a sí o processo, e exarou do seu punho, um curto e incisivo despacho, dizendo, essencialmente, isto “O Estado não existe para cobrir riscos de privados”. E ponto final.
    E quando foi da construção da Ponte sobre o Tejo, ao constatar o também “entusiasmo” de um grupo de banqueiros e homens de negócios de então, que reuniam também os seus apoios na área ministerial, e que se propunham enriquecer à custa do projecto, porque se propunham construir a ponte, em condições vantajosas para eles, mas desvantajosas para a Nação, entenda-se, a um preço que a longo prazo ficaria mais caro para os Cofres do Estado, chamou a sí a decisão do processo, e entregou a construção aos Americanos. Pagou de pronto, e a ponte ficou construída dentro de curto prazo, até antes do prazo estipulado (naqueles tempos não havia derrapagens de 70% nos custos :)

    Corrupto o Salazar?
    Poderia haver, e decerto que haveria ministros corruptos mas a esses, Salazar, logo que conhecedor da situação, despedia com um simples cartão de vista, em que secamente dizia ” A Nação não necessita mais dos seus serviços. Agradeço a sua colaboração. Passar bem. ”

    Corrupto, um homem que quando morreu, em 1970, tudo o que tinha, era uma promissória num banco (para os nascidos em anos mais recentes, um depósito a prazo) no valor de 400 mil escudos, uma ninharia para a época?

    Salazar, em termos de honestidade, comparado com alguns políticos e autarcas actuais, era um santo e um menino do coro!

    Passar bem.

  28. Caro &

    E mais (tinha-me esquecido de referir isto):

    Conservo algures, um recorte de um jornal, já pós-25 de Abril e publicado na década de 90, recorte esse que reproduz um comunicado (na altura chamava-se Nota Oficiosa) redigido do punho dele, do Salazar, em que entre outros considerandos (quando ele chegou ao Poder, a situação económico-financeira do país era caótica, a ponto de já faltar esporadicamente dinheiro para pagar atempadamente a funcionários públicos, militares incluídos) para explicar o corte que teve que fazer nos vencimentos dos funcionários do Estado em geral, concluía assim “e para que não se diga que a ditadura me ficou barata, reduzo o meu vencimento em 40% “.

    Chama-se a isto, dar o exemplo a partir de cima.

    Que diferença em comparação com o vitalício Governador do Banco de Portugal de agora, que periodicamente vai metendo o nariz em foice alheia, e veementemente defendendo aumentos salariais reduzidíssimos para os funcionários públicos, enquanto que para ele, decerto para “dar o exemplo”, vai abichando muito substanciais aumentos salariais, e, decerto também para dar o exemplo de “contenção de despesas”, renovando anualmente a frota automóvel do Banco de Portugal.

    Passar bem.

  29. Caro Vox, acredito sinceramente que Salazar não fosse corrupto por dinheiro, é o que está no meu comentário de cima – a inteligência dele não o faria envolver-se nessa porcaria menor, ainda para mais sem filhos. Não, o que eu dizia é que há uma forma superior de corrupção que é pelo próprio poder. Afinal o dinheiro é uma forma de energia e um instrumento de poder, mas não é o poder.

    Se quer saber até acho que compreendo o homem, deve ser difícil conseguir-se abandonar o sentimento de pai da pátria imprescindível, no entanto os indivíduos superiores, seja o Carlos V ou o Mandela, souberam fazê-lo.

    Muitas vezes os ditadores não abandonam o poder apenas porque têm medo, e com isso estragam tanta coisa.

  30. Bendita Democracia que dá a “Vox” a quem defende os ideais de quem não queria que tivesse a dita. Desde o “orgulhosamente sós”, passando pelo cerceamento das liberdades, pelo falso puritanismo que inculcava na sociedade (vide caso “Balet Rose e quejandos)e acabando nisso da Economia, só ao serviço dos grandes monopólios (que tinham um arroubo de caridadezinha, como sabemos…) e tantas e tantas vicissitudes por que passava o povo, não é defensável que possa servir de exemplo qualquer acto de “poupar farelo, para desperdiçar farinha…” por mais pio, ou cândido que ele possa parecer. Felizmente que estamos noutro tempo.
    Claro que sou dos que convictamente, QUER QUE A CORRUPÇÃO TERMINE! Para tanto é preciso que os cidadãos, TODOS, queiram colaborar.Mudar a mentalidade também começa por nós e é preciso que tenhamos a consciência que os políticos e os Juízes e todos os altos dignitários da nossa sociedade, SÃO FEITOS DA MESMA MASSA e, por isso,têm de ser moldados a nosso gosto…

  31. Então e o ourozinho dos (dentes) dos judeus mortos que o Salazar aceitou dos nazis para lhes dar volfrâmio para a sua guerra de conquista do mundo? Tá bem, podia não ser para ele, mas era concerteza um bom trunfo de manutenção do poder. Junta-te ao mais forte, pois então.
    Um tipo pode não ser rico e ser corrupto na mesma…

  32. Caro &

    Obrigado pelo esclarecimento e O.K., estamos de acordo.

    Permita-me que transcreva aqui, um extracto dum discurso, por achar pertinente em relação ao tema:

    Discurso de saudação e agradecimento ao Porto, em, em 7 de Janeiro de 1949.

    «Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia a que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente. Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção. Se lhes defendo tenazmente os interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre. Jamais empreguei o insulto ou a agressão de modo que homens dignos se considerassem impossibilitados de colaborar. No exame dos tristes períodos que nos antecederam esforcei-me sempre por demonstrar como de pouco valiam as qualidades dos homens contra a força implacável dos erros que se viam obrigados a servir. E não é minha culpa se, passados vinte anos de uma experiência luminosa, eles próprios continuam a apresentar-se como inteiramente responsáveis do anterior descalabro, visto teimarem em proclamar a bondade dos princípios e a sua correcta aplicação à Nação Portuguesa. Fui humano».

    Poder-se-á objectar que nem tudo foi feito em relação aos mais humildes (o operariado, por exemplo).

    Mas se o homem dizia que o pão não aumentava, o pão não aumentava mesmo!
    E por aí adiante.

    Logo a seguir ao 25 de Abril deu-se (pela mão do então ministro Magalhães qualquer coisa, desulpe-me mas esquece-me de momento o nome completo, era do PPD, foi um dos 3 fundadores do partido já faleceu, paz à sua alma) dizia eu, deu-se a liberalização dos preços.

    Resultados: comerciantes enriquecem em 2, 3, 4 anos. Depois deixam de trabalhar e os empregados vão para a rua cantar o Hino do Biafra, i.e. “Queremos Pudim Alsa, mamã!”

    O que dantes era um modo de vida que dava para ter uma existência folgada, – i.e., uma actividade comercial que dava para viver bem ao longo de toda a vida e manter a economia viva dando empregos, – mas não para enriquecer rapidamente, passou a ser roubalheira legalizada, com enriquecimento rápido garantido.

    Um simples exemplo: aquando da mudança da moeda para o Euro, em 2001, um café passou a custar 60 cêntimos (no mínimo). O preço mantém-se desde essa data.
    Estava caro, ou agora é que está barato?
    Outrossim, será o preço actual o justo, ou ainda estará caro?

    Cordiais cumprimentos.

  33. Ai que saudades da casinha portuguesa, concerteza, pão e vinho sobre a mesa!

    O que vale é que pelo menos o Salazar era um homem livre!

  34. Caro Margarido,

    Não entendí lá muito bem o seu comentário mas enfim.

    Se antes estávamos orgulhosamente sós, agora não estaremos vergonhosamente mal acompanhados?
    Verbo Gratias: Berlusconi e Chirac a contas com a Justiça, escândalos políticos e de corrupção um pouco por toda a parte dentro da C.E.E.?

    Cerceamento de Liberdades?
    E agora? Que liberdades reais temos nós, para além de protestarmos, e os nossos protestos não serem ouvidos e levados em conta? O senhor considera isso liberdades?
    Num país em que, mais que um primeiro-ministro, já afirmou que “se o Povo protesta é sinal que estamos no bom caminho” o senhor considera que há liberdades?
    Será caso para dizer: então, quando o Povo aplaude, é sinal que estão no mau caminho! Não será esta a consequência lógica?

    Economia ao serviço dos grandes monopólios:
    E quantos monopólios novos, se construiram ao abrigo da restaurada “Democracia”?
    Não preciso de citar nomes, pois não?
    E quantos dos monopólios antigos, dos que vinham do tempo a que o senhor se refere, não só substiram, como se reforçaram, com um vigor até, que não seria possível no anterior regime.
    Quer exemplos?
    Decerto sabe que há gente que foi indemnizada e mais que bem indemnizada (por mais que um governo).
    E não ignora também, quem foram os autores dessas indemnizações, pois não?

    Ballet Rose e escândalos: não se pode contestar que isso sucedeu, mas pese embora as coisas tivessem sido abafadas, tenho a percepção de que os autores não escaparam à censura, e muitos deles tiveram as carreiras e as vidas arruinadas.

    Acho que se compararmos os escândalos de então com os de hoje, o saldo é francamente desfavorável ao actual regime.

    Sabe, eu não sou a favor da existência de partidos políticos em Portugal.
    O partidarismo (e o Parlamentarismo) foram a desgraça da 1ª República, fundada em 1910.
    E já antes disso, causava danos a Portugal.
    Leia, por exemplo, Pátria, de Guerra Junqueiro, datado de 1896.
    Serão a desgraça deste regime actual da 2ª República.

    Frases emblemáticas sobre partidos políticos, daquele de quem o senhor não gosta:

    «É natural que alguns homens educados para a luta puramente política, as especulações demagógicas, as exaltações emocionais das massas populares, e por esse motivo propensos a reduzir a vida da Nação à agitação própria e das forças partidárias que lhes restam, não tenham revelado compreensão nem dado mostras de adaptar-se. Mas a Nação que faz livremente a vida que quer, a Nação viva e real, essa, comparando passado e presente, olha com certa desconfiança o zelo destes apóstolos da liberdade».

    «Obedecem a este esquema e são expressão destas limitações os chamados partidos políticos, mas estes, por definição e exigências da sua vida própria, não representam nem podem servir a unidade nacional senão precisa e precariamente, quando se unem, ou seja quando se negam».

    Pátria, de Guerra Junqueiro, 1896.

    « Balanço patriótico:

    Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúsio, fatalista e
    sonâmbulo, burro de carga, bêsta de nora, agùentando pauladas, sacos de
    vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a
    energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as
    moscas; um povo em catalépsia ambulante, não se lembrando nem donde vem,
    nem onde está, nem para onde vai; um povo, emfim, que eu adoro, porque
    sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um
    lampejo misterioso da alma nacional,–reflexo de astro em silêncio
    escuro de lagoa morta;

    Um clero português, desmoralizado e materialista, liberal e ateu, cujo
    vaticano é o ministério do reino, e cujos bispos e abades não são mais
    que a tradução em eclesiástico do fura-vidas que governa o distrito ou
    do fura-urnas que administra o concelho[1]; e, ao pé dêste clero
    indígena, um clero jesuítico, estrangeiro ou estrangeirado, exército de
    sombras, minando, enredando, absorvendo,–pelo púlpito, pela escola,
    pela oficina, pelo asilo, pelo convento e pelo confissionário,–fôrça
    superior, cosmopolita, invencível, adaptando-se com elasticidade
    inteligente a todos os meios e condições, desde a aldeola ínfima, onde
    berra pela bôca epiléptica do fradalhão milagreiro, até à rica sociedade
    elegante da capital, onde o jesuìtismo é um dandismo de sacristia, um
    beatério chic, Virgem do tom, Jesus de high-life, prédicas untuosas
    (monólogos ao divino por Coquelins de fralda) e em certos dias, na
    igreja da moda, a bonita missa encantadora,–luz discreta, flores de
    luxo, paramentos raros, cadeiras cómodas, latim primoroso, e hóstia
    glacée, com pistache, da melhor confeitaria de Paris;

    Uma burguesia, cívica e políticamente corrupta até à medula, não
    discriminando já o bem do mal, sem palavra, sem vergonha, sem carácter,
    havendo homens que, honrados (?) na vida íntima, descambam na vida
    pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda
    a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde
    provêm que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral,
    escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro[2];

    Um exército que importa em 6.000 contos, não valendo 60 réis, como
    elemento de defesa e garantia autonómica;

    Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; êste criado de
    quarto do moderador; e êste, finalmente, tornado absoluto pela abdicação
    unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai
    dum ventre,–como da roda duma lotaria;

    A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara a ponto de fazer
    dela um saca-rôlhas;

    Dois partidos monárquicos, sem ideias, sem planos, sem convicções,
    incapazes, na hora do desastre, de sacrificar à monarquia ou meia libra
    ou uma gota de sangue, vivendo ambos do mesmo utilitarismo scéptico e
    pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao
    outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgamando e fundindo,
    apesar disso, pela razão que alguêm deu no parlamento,–de não caberem
    todos duma vez na mesma sala de jantar;

    Um partido republicano, quási circunscrito a Lisboa, avolumando ou
    diminuindo segundo os erros da monarquia, hoje aparentemente forte e
    numeroso, àmanhã exaurido e letárgico,–água de pôça inerte,
    transbordando se há chuva, tumultuando se há vento, furiosa um instante,
    imóvel em seguida, e evaporada logo, em lhe batendo dois dias a fio o
    sol ardente; um partido composto sobretudo de pequenos burgueses da
    capital, adstritos ao sedentarismo crónico do metro e da balança, gente
    de balcão, não de barricada, com um estado maior pacífico e desconexo de
    vélhos doutrinários, moços positivistas, românticos, jacobinos e
    declamadores, homens de boa-fé, alguns de valia mas nenhum _a valer_; um
    partido, emfim, de índole estreita, acanhadamente político-eleitoral,
    mais negativo que afirmativo, mais de demolição que de reconstrução,
    faltando-lhe um chefe de autoridade abrupta, uma dessas cabeças firmes e
    superiores, olhos para alumiar e bôca para mandar,–um dêsses homens
    predestinados, que são em crises históricas o ponto de intercepção de
    milhões de almas e vontades, acumuladores eléctricos da vitalidade duma
    raça, cérebros omnímodos, compreendendo tudo, adivinhando tudo,–livro
    de cifras, livro de arte, livro de história, simultaneamente humanos e
    patriotas, do globo e da rua, do tempo e do minuto, fôrças supremas,
    fôrças invencíveis, que levam um povo de abalada, como quem leva ao colo
    uma criança;

    Instrução miserável, marinha mercante nula, indústria infantil,
    agricultura rudimentar;

    (…) »

  35. Caro Vox, não sou sectário, isto é à partida admito que possa existir gente de boa vontade nos mais variados matizes. No entanto não posso juntar-me a si no elogio de Salazar. Compreendo muita coisa, compreendo o descalabro das finanças públicas portuguesas a seguir à I Guerra Mundial, e quem foi a culpada foi a gulosa Inglaterra que arrastou a jovem e inocente Republica Portuguesa para um sangramento total. O esterlino recuperou o padrão-ouro à custa das reservas de Portugal. O Portuguese Diamond, antes conhecido por outro nome lá está no Smithsonian Institute a atestar simbolicamente a maior perversão que se fez a este país em nome do Tratado de Windsor. Compreendo o gesto de Alves Reis e a carta perdida de Inocêncio Camacho que conseguiram inundar Portugal de Vascos da Gama triplicados e levar a emissora inglesa à falência.

    Compreendo a obsessão de Salazar pela estabilidade do Escudo elevada a religião de Estado.

    Mas não posso compreender que depois de arrumada a casa, digamos 10, 15 anos, não tivesse sabido retirar-se em eleições democráticas. Melhor seria que tivesse amealhado mais contos para si e andasse de camisas de seda como o Mandela a rir-se entre mulheres. Assim o efeito perverso da pobreza honrada foi a permanência obstinado no poder que só o desmancho de uma cadeira por obra da ninfa da ribeira de Bicesse (1 bicessis=20 asses) veio terminar.

    Portugal ficou um país pobre no mundo real, cheio de ouro nazi nos cofres é certo, subdesenvolvido, com muita fome e emigração, uma guerra colonial a ceifar a juventude e os valores, e uma mentalidade de dissimulação, hipocrisia e perfídia a tutelar os destinos de décadas. Ainda hoje.

    Mas tudo isso é História. Importa-me mais o agora e o futuro.

    Esse homem era o Magalhães Mota, tinha cara de boa pessoa, mas eu na altura era puto. Nunca percebi por que ele se afastou. Era da geração do Sérvulo Correia, creio; dir-se-ia, vidé submarinos, que depois se dedicaram aos negócios.

    Ora o que me importa é que os herdeiros desse legado estão aí, chamam-se Cavaco Silva, Ferreira Leite e Rebelo de Sousa, e, ao contrário do mentor, nem pobres são nem querem ser, mas o Deus, Pátria e Família continuam a ser valores por eles invocados para suspender a democracia, se assim o pudessem fazer.

  36. Caro Margarido,

    Em continuação do meu comentário anterior:

    Uma justa crítica que se fazia ao anterior regime, abolido em 1975, era a de que, proliferavam os “tachos”, e os ex-governantes, logo que cessavam funções, transitavam para Conselhos de Administração de empresas privadas.

    Dizia-se até, que um certo ministro, ao ser congratulado na tomada de posse, retorquiu a um amigo: “não me cumprimentes agora, cumprimenta-me quando eu deixar de ser ministro”

    E agora, o que sucede?

    Como se sabe, actualmente, existe um escrupuloso respeito pela “ética”, e, paralelamente, um “código de honra”, e nenhum político (ex-governante) transitou alguma vez que fosse, para cargos de topo em empresas privadas.

    Está-se bem, está-se melhor!

    Outro motivo de crítica, era que o anterior regime, se resumia a 3 F: Fado, Futebol e Fátima.

    O que temos actualmente?

    Futebol, Fátima, e Fado. Por esta ordem.

    Também está bem. Ocorreram mudanças.

    Estou a ironizar, claro.

    Cordiais cumprimentos.

  37. Caro Edie,

    Essa questão do ouro dos nazis (não se sabe a quantidade de dentes de ouro que foi extraída nem eu vou entrar nessa contabilidade macabra, o Sr. sabe, tem elementos?) foi sanada por uma Comissão, a que presidiu o “Patriarca” Mário Soares e que, ao que sei, incluía personagens internacionais, alguns judeus até.

    Nada foi provado contra Portugal.

    Que pretende? A inversão do ónus da prova?

    De ciência certa (se não me engano, quem mais estudou o assunto e até publicou algo, foi o Francisco Louçã) sabe-se que o ouro confiscado proveio do Banco da Bélgica, do Banco da Holanda, e também moedas de prata confiscadas ao Banco da Holanda, que foram derretidas e utilizadas nos pagamentos.

    Se quiser saber como foi amealhado o ouro da Bélgica, leia algo sobre O Rei Leopoldo, e da brutal e desumana colonização e exploração belga, levada a cabo no Congo Belga (depois, Zaire).

    A Holanda, deve andar mais ou menos, pelo mesmo caminho, embora, penso numa versão mais light.

    E, ao fim e ao cabo, se não fosse esse ouro amealhado, logo depois alegremente desbaratado, estaríamos mais rapidamente na bancarrota (vide empréstimos que foi necessário contrair por Hernãni Lopes, ministro das Finanças do governo de Mário Soares).

  38. ó guiducha e margariducho eu quero lá saber do vosso “fake enginheiro”. Respeito os votos e a democracia. Temos de viver com essa “coisa”, bem como com outras merdas que por ai pululam: varas, penedos, fátimas, valentins, isaltinos, melancias, coelhones, pretos, loureiros e todo o resto da enorme corja de vigaristas, pantomineiros e parasitas, que também são eleitos pelos votos da tal maioria a que vocês alegremente e cheios de púbere entusiasmo declaram pertencer.

    Eu apenas manifestei o desagrado pelo fedor que exalam, o que é normal para alguém com o órgão do olfacto razoavelmente funcional e habituado a apertar o nariz quando em confronto com atmosferas de monolitismo pútrido.

    Sou livre de não gostar da pestilência da fragrância que emanam, oh criaturas labregas de cinzenta e gelatinosa curvatura encefálica. Besuntai-vos quanto forem capazes com essa “doce e peganhenta viscosidade servil” … é vossa a escolha. Quero lá saber do esterco por onde pousam, inspiram e se banham! Pelo menos divirtam-se e, quem sabe, depois dessa merducha viscosa, decerto virá outra melhor. Menos diarreica, talvez …

  39. Cara Lolita,

    « Temos de viver com essa “coisa”, bem como com outras merdas que por ai pululam: […]e todo o resto da enorme corja de vigaristas, pantomineiros e parasitas, que também são eleitos pelos votos »

    Mas são eleitos pelo Povo!
    E em democracia!
    Logo, são legítimos!

    Legítimos quê?
    São legítimos:
    a) – vigaristas ;
    b) – pantomineiros ;
    c) – parasitas ;
    d) – E, acrescento eu, por aí adiante (outros epítetos que seria fastidioso estar aqui a enumerar).

    Mas, pergunto eu, alguém com 2 dedos de testa e um mínimo de sentido de decência, terá dificuldade em compreender, e aceitar, que esse tipo de gente, acima elencada, não tem legitimidade alguma?

    E agora, para colocar a cereja no topo do bolo, parece inferir-se (pelas declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados e do advogado Daniel Proença de Carvalho, que colocam em causa a “legitimidade de origem” dos juízes, vidé debate em que o Bastonário questionou o Juiz acerca de quem lhe deu o poder, e Daniel Proença de Carvalho escreveu, ” E a pergunta fatal: qual a raiz do seu poder soberano? Com que legitimidade o exercem? “) parece inferir-se, dizia eu, que deverão ser instituídas eleições, por voto universal e directo, para a eleição dos cargos de magistrados.

    Até parece que já estou a ver: “Votem em mim, que comigo no Tribunal, ninguém vai preso!”
    Isso, claro, dito por outras palavras (o delicioso jogo de leque, que os juristas gostam de construir com as palavras).

    Na conjectura actual, de gravíssima crise, e de lei da selva, ganhava aí, por … 200 % !

    Haja Deus!

  40. Se não for pedir muito, não se esqueçam das pides, dos tarrafais, dos tribunais plenários, dos lápis azuis, das guerras coloniais, da sardinha para três, da miséria e muita fominha que fez dezenas, centenas de milhares de portugueses saírem para o estrangeiro ou para as colónias para tentarem alimentar os seus filhos, do analfabetismo profundo do país….

    Enfim… uma mãozita cheia de coisas que muitos ainda têm como memória viva e de consequências para as quais ainda todos trabalhamos para tentar ultrapassar.

  41. Lolita, se este país não fosse o que é, o teu apurado faro não andava aqui a desperdiçar-se pela blogosfera. E não é só o faro, a tua imaginação… ocorrem-te coisas muito divertidas para fazer com a porcaria. Porcaria não, ‘merducha’. ‘Merducha’ é fofinho. :)

  42. Sr, VOX:
    Se não entendeu o meu comentário… problema seu. Quando se é sectário(nome simpático, heim…), uma vez… é-se sempre.
    As citações há-as aos milhares e para todos os gostos, mas eu estou no meu tempo. Não estou no (seu) passado, que o recuso terminantemente.
    Passe bem.

  43. É sempre nestas alturas de crise das instituições e do regime que estes zombies do passado aparecem todos arremelgados a dizer que não é preciso partidos, basta um salazar ou dois e dantes é que era bom…

    Faz-me lembrar as aves necrófilas… mas atenção, a nossa democracia é jovem, tá doentinha, mas vai vingar. É melhor irem cheirar vermes para outro lado.

    P.S. Vox, o holocausto existiu e não me venha agora com o argumento de que é preciso o ónus da prova (outra vez e outra vez e outra vez) do saque do ouro dos judeus.

  44. Caro &

    Exactamente, Magalhães Mota.
    Creio que ele e Sérvulo Correia abandonaram o PPD, e fundaram a ASDI.

    Quanto à sua frase: ” Mas não posso compreender que depois de arrumada a casa, digamos 10, 15 anos, não tivesse sabido retirar-se em eleições democráticas. “:
    Eu penso que somente nos anos sessenta e parte de setenta, a casa estava mais ou menos arrumado (excepto, claro, o problema da guerra em África).
    E as eleições antecipadas, mesmo até a eleição de Humberto Delgado em fins de 50, a meu ver, apenas apressariam, a perda dos territórios africanos.

    Quanto à questão das camisas de seda:

    Isso, – e os charutos cubanos -, ficou a cargo do Mário Soares.

    Salazar, não nos esqueçamos, nunca teve ao dispôr os meios monetários que tiveram Cavaco, Soares e Guterres.

    E mesmo que os tivesse tido, penso que não os deixaria malbaratar, irresponsável e alegremente, como os três acima citados deixaram.

    Não podemos comparar o montante do “ouro nazi” com os descomunais fundos comunitários.

    Portugal foi sempre, e ainda o é hoje, um país pobre.

    A ninfa de Bicesse morreu virgem.
    Aliás nem creio que valesses 20 CUS.
    1 CU (plural de CUS) significa, currency unit. Mirabolante e divertida conclusão a que se chega, pela tradução para português do plural da palavra inglesa ass (asses), retradução para inglês, e nova tradução para português (que pérfido círculo vicioso!).

    Retomando o tópico inicial deste quadro de Comentários:

    Afinal, parece que na história, o Moleiro acabou mal.

    Não havia Juízes em Berlim.

    Ou melhor, havia, mas eram da confiança do Imperador, dito por outras palavras, a Corte e o Sistema, de que o Imperador era apenas um parte, é que os tinham lá colocado.

    Tanto quanto se sabe, concluíram que isso de escutar as palavras do Imperador, é coisa que não pode estar ao alcance de qualquer um. O Imperador negou que tivesse mencionado seja o que fosse acerca do moinho, aliás, ele nem sequer era da área da engenharia hidráulica, nem tampouco da engenharia mecânica (este aspecto das habilitações estava já envolvido em polémica) embora, tivesse, isso sim, simpatia pela eólica e energias renováveis (daí, que até tinha, em princípio, simpatia pelo moinho).

    E então, o malfadado moinho, – que era a prova, – foi mandado destruir.

    Afinal, não havia sequer, moinho algum!

    Os magistrados locais, da área do moinho, também acabaram mal.

    Quem se safou, foi o assessor do Presidente, que foi promovido, isso, depois de ter sido despromovido na sequência de um caso de suspeita de espionagem, em ele se que se tinha estatelado a todo o comprimento numa casca de banana, que, segundo se suspeita, quiçã os espiões do Imperador, que já teriam conhecimento prévio, lhe tinham colocado no caminho.

    Quanto ao Bengaleiro, digo, Bastonário da Ordem dos Advogados, esse saiu pronta e alegremente em direcção ao tasco mais próximo, onde, em redor de uma mesa de mármore e de uns couratos, local mais que perfeitamente adequado ao seu peculiar estilo, continuou a sua cruzada pessoal em relação aos juízes, debitando: cambada de patifes, bandidos, escroques, são todos uns filhos da pu…

    Nunca se chegou a saber de nada sobre a conversa entre o Imperador e o administrador do banco (que no currículo apenas tinha como habilitações uma licenciatura da área do Cardeal Mazzarino coisa que à partida causava perplexidade e estranheza como factor determinante na nomeação). Mas também isso do currículo, acabou também por ser interpretado, como nada mais que uma excentricidade, acontecimento em que aliás, o banco era já fértil, pois que um ex-administrador havia exigido um corpo de segurança pessoal em número de elementos nunca inferior ao número de seguranças de um líder de um cartel de Merdellin, e bem, assim, um helicóptero.

    Cordiais cumprimentos.

  45. Sr. Margarido:

    Eu não sou sectário, apenas constato que o sr. não demonstrou que a chamada democracia que temos (que eu considero uma pseudo-democracia) não incorreu e continua a incorrer nos mesmos erros e vícios que criticava ao regime anterior, deposto em 25 de Abril.

    Sr. Eddie:

    O senhor não consegue quantificar quanto ouro foi roubado aos judeus nem tampouco quanto desse ouro foi utilizado para pagar a Portugal, por conseguinte, estamos conversados. Ponto final.

    Sr. Traquinas:

    O Sr. fala da fome e da miséria do passado, e actualmente, as filas à porta do Banco Alimentar contra a Fome, da Caritas e organizações congéneres, dos Centros de Desemprego, são sinais de quê?
    De fartura?

  46. Caro Vox,

    Sei reconhecer um adversário à altura. Gosto, aprende-se sempre.

    Consigo perceber a sua admiração por Salazar mas não a posso subscrever, pelas razões que disse acima; existe uma grande dificuldade na Vida que se chama dialéctica e já Glaucon dizia a Socrates na Republica que era a ária que teríamos de aprender.

    Nela, e ao contrário da lógica linear aristotélica, as coisas viram ao contrário, basta dar-lhes tempo suficiente. É assim que um providencial pai da pátria que não saiba sair a tempo transforma-se num padrasto ditador e vingativo, para não usar outros termos. Aplica-se a qualquer um denominado de esquerda ou direita.

    Quanto à guerra colonial e à perda dos territórios africanos como lhes chama, era inevitável, a bem ou a mal. Houvera esse horizonte e talvez se tivesse conseguido evitar a guerra colonial ou minorar os seus efeitos.

    Portugal era no contexto dos anos sessenta e setenta um país invulgarmente atrasado em todos os critérios quantitativos de desenvolvimento excepto no volume das resrrvas de ouro do Banco de Portugal, aliás entidade privada até eo 25 de Abril. Em minha opinião a grande riqueza de um país é, para além da Língua e da História, as suas gentes, e o nível de civilidade de uma nação mede-se antes do mais por como as trata.

    Sim, a democracia que temos é muito imperfeita mas o simples facto de podermos aqui trocar idéias por escrito, é um bem, que não seria possível nos tempos de Salazar, não falo da internet, falo da censura. A liberdade é uma força inelutável como uma correnteza torrencial, assim caem regimes e muros. Outros sucedem-se na espiral dialéctica e assim vamos, façamos votos de que para melhor.

    Embora haja aí um 2012 a espreitar.

  47. Caro &

    Obrigado pelas suas gentis palavras, e a minha satisfação, e o meu sincero agradecimento, por ter encontrado uma pessoa educada, e que utiliza a Internet como meio civilizado, de comunicação.

    Deparei-me com este Blog por acaso. Não tenciono permanecer como leitor assíduo deste nem tampouco de outros Blogs, pois que considero que, na sua esmagadora maioria, exigem uma tremenda, e infelizmente, muitíssimas, vezes, inútil perda de tempo.

    Impõe-se uma clarificação quanto à minha alegada admiração por Salazar.

    Não é tanto a obra do homem.

    Restringe-se apenas e tão só, àquilo que considero algumas qualidades, essencialmente, rigor e sentido de responsabilidade de Homem de Estado, aquilo que os americanos caracterizam como, statesman.

    Chego a essa conclusão, por comparação: eu vivi 16 anos sob Salazar, 6 anos sob Marcelo Caetano, e 34 em Democracia.

    Assim sendo, poderá pois, em bom rigor, dizer-se que, resulta, em grande parte, já nem tanto da admiração em sí, mas por um termo de comparação, da decepção, em face da actuação (ou falta dela) dos homens políticos do pós 25 de Abril.

    Um dia far-se-á a história (já muitos de nós estamos em condições de fazer um balanço e o nosso próprio julgamento) e ver-se-á quem foi quem, e quem falhou, e onde.

    Como bem disse o juiz que participou no debate que serviu de tema ao comentário inicial que encabeça este quadro de comentários: “as Instituições não falham, são os homens que falham”.

    Certo: sem honestidade, não há regime político, por mais perfeito que ele pretenda ser, que resista.

    Talvez, também por causa desse problema da honestidade (melhor dito, da falta dela) um diplomata venezuelano, disse: “não há pior regime do uma democracia laxista sem um poder judicial forte”.

    Quanto ao futuro, não estou assim muito optimista.

    O país defronta uma grave crise e sinceramente não vejo saída.

    Sinceramente, não sei que recursos temos e em que áreas nos poderemos especializar para tentar sobreviver, como nação independente, e próspera.

    A questão essencial suscitada com o caso que deu origem a este quadro, envolve a questão da confiança, e simultaneamente, a falta dela, a desconfiança.

    Sabemos que a pessoa em causa, não é igual na lei (goza de prerrogativas especiais quanto ao regime de escutas) mas é igual perante a lei (em caso de prevaricação).

    Historicamente, e não obstante 34 anos de democracia, os portugueses sabem, que, de um modo quase geral, não existe igualdade perante a lei, e, falando prosaicamente, os ricos e os poderosos, vão-se safando sempre.

    Costuma dizer (o Povo) : as prisões não foram feitas para os ricos.

    O Povo tem, pois, uma profunda, e justificada, desconfiança em relação à questão da igualdade perante a lei, e grassa nas massas, a sensação da impunidade.

    Isso tem o efeito preverso de arrastar mais prevaricadores, e deu já até, lugar a um perverso juízo de valor, uma aceitação e admiração em relações aos prevaricadores, um “Princípio” que reza mais ou menos assim “fez ele muito bem, o Mundo é para os chico-espertos”.

    Nada de bom, pois, para o futuro …

    Trata-se, de uma questão de confiança.
    Confiança em relação a dois Magistrados de topo da hierarquia do Estado.

    Um (o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, que não sei se terá chegado sequer a escutar o teor das conversas). Outro, o Procurador-Geral da República, que penso terá escutado, e que em tempos disse – em relação ao caso Freeport – que se tratava de um processo como outro qualquer.

    O antecessor no cargo, Souto Moura, posteriormente, disse mais ou menos isto: não, não é um processo como outro qualquer.

    Penso que recolocou bem a questão.

    Afirmou o Bastonário da Ordem dos Advogados, no debate em causa: O Direito é o alicerce que cimenta as muralhas da República (não é uma transcrição verbatim, ele disse algo do género).

    E se as escutas em causa tiverem o potencial de causarem um escândalo tal, que tem ele mesmo o poder de pulverizar as muralhas da República (entenda-se, do regime)?

    Nessa hipotética eventualidade, não será legítimo a todos nós, interrogar-mo-nos, se o(s) envolvido(s) não terão, antes de proferirem a decisão, ponderado e depois decidido, limitados por esse terrível potencial de destruição?

    Daí que, fica sempre uma dúvida insuportável a pairar no ar …

    Uma coisa é certa: cada um de nós, sabe aquilo que somos. E na maioria das vezes, sabemos o que nos rodeia.

    Foi um prazer.
    Cordiais saudações.

  48. Vox, para mim escusas de atirar areia aos olhos porque eu, nestas circunstâncias, tenho sempre aqui ao jeito os óculos de protecção. Se me falas das filas para apoios sociais quando atravessamos uma das maiores crises internacionais das últimas décadas que afecta sobremaneira o emprego, tenho que te lembrar que o salazarismo até ao racionamento de alimentos e medicamentos teve que recorrer.

    Em relação aos restantes itens do meu anterior comentário anoto que preferiste fazer vista grossa pelo que me considero desde já esclarecido.

    Como certamente saberás a pobreza ultrapassa em muito a questão da alimentação, incluindo aspectos como o acesso à habitação, ao ensino, à justiça, condições e segurança no emprego, infra-estruturas e serviços básicos… em suma, tem a ver com qualidade de vida: anseios humanos e condições para a sua concretização. Encontrar semelhanças entre o 24 de Abril e a situação que temos hoje é como, desculpa-me a expressão, comparar o cu com a Expo 98.

    É do conhecimento público que não é ainda famosa a nossa actual posição nos rankings europeus relativos à pobreza e exclusão social. Nem tão pouco nos relativos ao fosso entre ricos e pobres e às desigualdades na distribuição do rendimento. Contudo, as estatísticas não mentem e em qualquer desses itens estamos muito melhor hoje do que nos tempos da ditadura.

    O estado novo sempre teve pânico da modernidade e do desenvolvimento por recear que pudessem pôr em causa os seus pilares básicos de raiz moralista religiosa e pseudo histórica de que resultou, como herança, um país feudal afastado a milhas em desenvolvimento do resto da Europa e em que só um certo conceito de ruralidade boçal era visto com bons olhos. Não! Obrigado.

  49. Caro Vox,

    Olhe que frequentar um blog bom faz bem, aumenta-nos a literacia, a mim pelo menos foi assim, estimula-nos os neurónios, obriga-nos a repensar coisas …. Claro que há o problema do tempo, mas isto é facultativo a menos das nossas imposições de consciência, não o esqueçamos. Isto é liberdade.

    A história far-se-á, devo ter sido dos pouquíssimos tipos de esquerda que não tomou posição pública contra o museu de Santa Comba, não porque admire o homem, mas porque também sou contra a diabolização e obliteração do passado. Tudo tem a sua razão de ser e escamoteá-lo é não aprender com o passado. E há sempre coisas interessantes a aprender.

    Salazar não abandonou o poder porque tinha medo(s). Não acho bom conselheiro. Vivia em palácios, tinha comida e tudo tratado, vivia como um príncipe, não tinha filhos, andava sempre a pensar nos dinheiros do Estado não precisava de pensar nos seus, excepto não perder o emprego. Agarrou-se-lhe que nem uma lapa. a ninfa da ribeira é que às tantas achou que tinha de intervir, não por acaso no forte de Santo António da Barra.

    A democracia terá sido muito, mas muito, mais integrativa do que o Estado Novo, basta ver o fluxo de migrações. Comporta, associada, a democratização da corrupção, que é uma chatice, tem que ir sendo domada. Mas é um problema muito antigo, desde o Império Romano por demais conhecido.

    Quanto ao problema das escutas ao José Socrates cá. Não tenho qualquer dúvida de que foi montada como manobra política para atingi-lo, não ver isso é não querer vê-lo. No entanto não vejo televisão, atenho-me a notícias escritas pelo que não conheço a toada, excepto de vez em quando quando apanho um naco num restaurante.

    Devemos todos impôr-nos reserva moral para comentar o que o homem terá dito em conversas privadas, porque afinal até ninguém sabe bem, inventam-se notícias como sabe, acrescentam-se pontos e contos. Que eu saiba não foi dito nada que nenhum de nós não dissesse em conversa imaginária genérica.

    Lembro-me bem de José Socrates durante o consulado do Burroso naqueles debates com o Santana Lopes na SIC a propósito das escutas do Casa Pia ter afirmado alto e bom som que queria falar ao telefone com toda a liberdade. Acho muito bem, dentro do resguardo dele.

    Recuso-me a entrar na devassa doentia das conversas privadas.

    Além disso os casos contra o PS têm logo efeitos imediatos. Caiu a ponte de Entre os Rios e o Coelho demitiu-se logo com aquela famosa e lúcida frase: a culpa não morre solteira. Falou-se da sisa do Vitorino e o ministro da Defesa foi-se. Contra o PSD é que é o elas, nunca se demitem, arrastam-se agarrados ao casco até à última,

    enfim os meus votos são de que se saia disto por cima,

    vem aí a Restauração.

  50. “Contra o PSD é que é o elas, nunca se demitem, arrastam-se agarrados ao casco até à última”. A esta palavras de & apenas acrescento: Tal como o Salazar

  51. &
    Estou consigo a cem por cento. Só quer saber da vida alheia quem tem rabos-de-palha. E o provérbio de: Chama-lhes antes que chamem a ti, cada vez tem mais valor.

  52. Bom dia amig@s. Eu também gostei de falar com o Vox, tem lá coisas que é bom não esquecer, outras não esquecer de lembrar. E escreve bem.

  53. Of all tyrannies, a tyranny exercised for the good of its victims may be the most oppressive. It may be better to live under robber barons than under omnipotent moral busybodies. The robber baron’s cruelty may sometimes sleep, his cupidity may at some point be satiated; but those who torment us for our own good will torment us without end, for they do so with the approval of their own conscience.

    C.S.Lewis

    Vox, um grande ponto final para si também.

  54. Sr. Eddie,

    Epá, isso não se faz, que deslealdade!
    Eu tinha dito que não tencionava voltar mais aqui mas depois, por uma questão de curiosidade e para ver quem é que tinha tido a última palavra em relação à minha modesta pessoa (lembrei-me de Ambrose Bierce e da definição que ele dá de falta de senso e de última palavra), cá estou eu, correndo o risco calculado e assumido de ser eu a ter a última palavra, e como tal, o idiota :) Mas enfim …

    E para mais, que eu nem sequer anunciei que saia desiludido e amargurado, caso em que o Sr., justificadamente, poderia ter escrito algo como isto,
    Até parece que vai de saída para Morador (you know, C.S. Lewis, Tolkien, O Senhor dos Anéis) atirar o anel para o fogo e todos estão a dizer adeus porque podem nunca mais o ver outra vez, mas se o virem regressar, será visto como um herói, porque salvou metade da Terra …

    Olhe só quem o Sr. foi chamar à colação!
    C.S. Lewis.

    Se me permite, aconselho-o, a, da próxima vez, ser mais cuidadoso na selecção das suas fontes para citação, pois que o texto que o Sr. escolheu, está a ser aproveitado a bel-prazer, para todos os gostos. :)

    Aqui, por exemplo,

    http://www.independent.org/blog/?p=1089

    está a ser utilizado para fins de oposição ao sistema de Segurança Social que o Presidente Obama quer implementar nos Estados Unidos.

    Veja por favor as ligações “We’re All Sick and Government Must Heal Us” e “Health Insurance before the Welfare State: The Destruction of Self-Help by State Intervention,”.

    Leia o comentário de RickC, que transcrevo em português:

    ” Eu já tinha parte desta citação no meu livro de notas de citações favoritas. Obrigado pela citação completa. Lewis tinha muitas mais coisas interessantes a dizer acerca do … oops … socialismo … ” :)

    Veja também esta (Segurança Social aumenta a pobreza):

    http://www.independent.org/newsroom/article.asp?id=2302

    Caro amigo, – creio que já posso falar assim, – &

    Restauração?
    Epá, tudo menos isso!
    Monarquia não!
    É que o pretendente ao trono (como se essa coisa de trono existisse em Portugal) já afirmou que, quando não está em Sintra, está Nelas. :D

    E depois, isso da monarquia, era coisa que ficar-nos-ia caríssimo (bem sei, bem sei, temos 1 PR no activo e 3 na reforma, a auferirem o mesmo vencimento do activo, e mais algumas mordomias, coisa de pequena monta) mas que diabo, uma monarquia que se preze requer títulos de nobreza e damas de honor e pajens e o diabo a quatro, nem pensar!

    Melhor reflectindo: o que temos no activo, cumpre já uma regra, – não escrita – é a chamada hermenêutica jurídica, no seu grau de maior profundidade :D que diz que ex-Primeiro-Ministro, tende para terminar a carreira como Presidente da República, de preferência, cumprindo dois mandatos seguidos – porque não há mais – e se isto não é aproximação à perpetuação no Poder – pérfido defeito da monarquia – já é algo parecido :)

    Saudações.

  55. Vox,

    não tenha problemas com a idiotice, que não é por se ser o último a falar que se adquire essa qualidade.

    Mas toda a gente sabe que Salazar era um grande socialista! O senhor não?
    As tiranias são todas parecidas e o aproveitamento que se faz de um pensamento não corresponde ao pensamento.

    Os nacionais socialistas sabiam-no muito bem…

  56. (caro Vox, salva-o o duplo d porque se fosse só um o Edie é a; não sou de forma alguma monárquico, enjôo só de pensar, gosto de trepidações republicanas cada 5 anos e,mbora tenha em mãos um estudo dos jardins das Necessidades e da Ajuda; a Restauração foi da independência embora paradoxalmente a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, apesar do bonito nome, poder contrariar isso mesmo, veremos. )

  57. Será possível conceber um sistema mais desonesto e corrupto do que os que não permitem a expressão de opinião dos seus cidadãos? Haverá melhor forma de promover a mãozinha pelas costas e o compadrio do que a que Salazar utilizou?

    Mas alguma vez, alguma ditadura se estabeleceu ou conseguiu sobreviver sem recorrer ao estabelecimento e promoção de um sistema de elites e castas, sejam políticas, religiosas, económicas, militares ou outras? Não há nada nestas questões em que o Salazar tenha falhado.

    Pelo contrário, muito do que a nossa sociedade ainda tem para pagar em termos de corrupção remete-nos para a ditadura do Salazar mas o que não falta neste país são pessoas que não apreciam nem partidos nem monarcas. Gostam é de rédea curta e vá de esporas nos quadris. Está bem, senhores… são a seguir.

    Dizem… mas ele mal ganhou para umas meias. Faz lembrar-me a história do chefe da quadrilha que ficava sempre na rua a ver se vinha alguém. Quando os bandidos foram apanhados ele não era bandido nem tão pouco cúmplice provado. Neste tipo de situações de pouco serve a já longa história do imperador e do moleiro.

  58. &, não vez problema com o museu do salazar porquê? O que é que há de bom para enaltecer no salazar? Estás preocupado com a História? Mas isso não está já feito nos museus da resistência? Para o resto não existem já a Torre do Tombo e um sem número de arquivos nacionais insuspeitos?

    Por essa ordem de ideias a Europa toda devia fazer museus ao hitler. Qual é a distinção? A grandeza da barbárie, ou a quantidade de pares de peúgas pessoais?

  59. mas traquinas, o tal museu até pode contar isso tudo que estás a dizer, e outras coisas. Também acho que muita coisa que o Vox diz é relevante. Tenho para mim por absolutamente adquirido que a verdade vem sempre ao de cima, mesmo que demore tempo. Esse museu aliás devia ser um espaço de discussão aberto. Agora os museus também vão ser online, não sei como vai ser isto. Tenho ali uns jardins maravilhosos para estudar mas é só depois, agora é deixar programado que vou estudar,

  60. Como é que um blog pela Democracia, é tao a “voz do dono” dos poderes instalados? Alguns de voces sabem muito, mas ainda ha muita gente, a quem é dificil dar a palha… ou isso, ou deviam provar do que dao a comer… Cumprimentos :)

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