O Expresso e a filthy season

«O mês de Agosto potenciou o silêncio à esquerda. Do PS não se ouviu nem leu uma palavra, nem boa nem má, sobre as declarações da ministra do Trabalho e Segurança Social e da esquerda também ainda ninguém tinha vindo a terreiro falar do tema que tem aquecido o espaço público, desde a entrevista de Ana Mendes Godinho ao Expresso. Ainda antes de os intervenientes principais nesta trama terem falado (primeiro a própria ministra e depois o primeiro-ministro), Catarina Martins criticava, mas não ia mais além do que isso. [...]»

Lares. Catarina Martins: “As afirmações foram infelizes. As tragédias não se relativizam”

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Liliana Valente é uma jornalista especializada em política nacional que começou no i, de lá passou para o Observador, daí saltou para o Público e está há uns meses no Expresso. Este trajecto não é cadastro mas o seu currículo é perfil. Esses quatro jornais são siameses na promoção de uma agenda de direita e na defesa dos seus interesses económicos e sociais. Por essa razão, os sucessivos patrões desta jornalista terão gostado exactamente do mesmo a seu respeito: o binómio “qualidade profissional” + “cumplicidade ideológica”.

No trecho citado acima, o qual abre uma notícia neste momento totalmente esquecida até dos pouquíssimos que a tenham lido, as duas qualidades podem ser apreciadas com detalhe. Logo desde a primeira frase estamos perante o pretexto do texto e seu subtexto, a intenção de chafurdar na exploração hipócrita, sensacionalista e demagógica de uma entrevista dada ao mesmo jornal onde a Liliana ganha aquilo com que se compram os melões. Na segunda frase, ficamos com a informação (com a notícia? o furo?) de que a famigerada entrevista e seus destaques, da responsabilidade deontológica de colegas da jornalista Valente, consistia no “tema que tem aquecido o espaço público“. E a terceira frase chega ao ponto de criticar Catarina Martins por não ir além da crítica, assim sugerindo que a esquerda à esquerda do PS não estava a querer aproveitar o servicinho do Expresso para brincar às guilhotinas. Isto é jornalismo? É opinião? É jornalismo de opinião? Ninguém quer saber – à excepção dos directores e editores do Grupo Impresa, que a sabem toda pois passam os dias a virar destes frangos há décadas.

O “tema que tem aquecido o espaço público” foi uma invenção do Expresso, o que se dá a ver pela forma cínica como descontextualizaram as respostas de Ana Mendes Godinho e geraram um resumo cuja intencionalidade não é a de informar os leitores ou contribuir para o esclarecimento de qualquer assunto com interesse para a comunidade – o propósito é exclusivamente o de manipular a percepção da audiência de modo a suscitar uma inevitável onda de indignação pelos profissionais da mesma, pelos fanáticos e pelos broncos. Criou-se um “facto político” a partir da deturpação de declarações banais e bondosas. Pode-se alegar que tal prática é universal, que sempre houve, e sempre haverá, queixas contra as opções editoriais da imprensa ao destacarem o que os visados consideram irrelevante ou enganador. E mais se pode dizer que um órgão de comunicação social privado tem direito a procurar receitas através do sensacionalismo, não estando obrigado a respeitar qualquer noção de “serviço público” ou mera “decência”. Sendo tal verdade, não menos verdadeira é a constatação de que o director ou directores (sei lá) do Expresso quiseram pegar fogo ao Governo e apanharam uma ministra que se pôs a jeito na sua boa-fé.

A entrevista de Costa ao Expresso surge como uma vitória para os autores do assédio, de novo colocando o jornal no centro do circo mediático. Vale a pena deturpar as declarações de um governante pois o prémio é vir o chefe a correr encher mais umas páginas do pasquim para ajudar a passar o Verão, conclui-se. Nesse sentido, ter partido do Expresso a iniciativa de gravar secretamente Costa a falar sem pudor e com emoção, e depois alguém do Expresso ter mandado o trecho para o mundo imundo, garantindo-se que tal vídeo para sempre acompanhe o futuro político de Costa, é de uma supina coerência com tudo o que foi feito antes e que obedecia à mesmíssima lógica. Não importa se foi planeado ou apenas um acidente cheio de coincidências tão oportunas. Importa é registar que no Expresso a silly season foi trocada pela filthy season.

8 thoughts on “O Expresso e a filthy season

  1. Porreiro, pá!

    Os gajinhos do PS sempre que são apanhados estão sempre de cinto despertado e com as calças na mão, é só merda naquelas cabeças.

    Mas abaixo o Expresso, as vozes da TVI que incomodam com umas perguntas de merda, a Sandra Felgueiras na RTP à caça das Gambices aprendidas no grupo da Lagosta, o CM, a Sábado, sacanas, morra o Ministério Público, que se acabe com os mirones do Tribunal de Contas, com a PIDE, deixem-nos mas é roubar à vontade que nós somos do PS sua cambada de otários.

    E dá aí uns rudimentos de gramHática ao pessoal que aja o que ouver o Fartinho está carente.

  2. Vá lá, eripombinha, dois HH também para ti, pázinho, erudito da caca.
    jpferra, a ave de arribação não tem nada de otário, atenção.
    O gajo é mesmo um direitolas facho, daqueles mais venenosos e não é de agora nem só neste blog.
    Mas sim, como diz o Winchester, daquele bico só sai porcaria.
    É deixá-lo poisar, ou pousar, que o bicho é esquisito com a ortografia……, dos outros.

  3. Mais um calino ainda por cima com nome de arma de renome .
    Não são as pombas que são os ratos do ar, são sim, as gaivotas, em especial essa merda que infesta as cidades, a gaivota grande de bico amarelo e pata branca, existem vários tipos de gaivotas, por exemplo, o guincho que é mais pequena, e não se instala na cidade, etc.
    Mas a Babiana diz que matar gaivotas não, isso é que não, as gaivotas essas podem espalhar doenças e até matar humanos que isso é próprio do estado de direito na concessão do partido dos animais e da natureza ( por esta ordem ).
    Quem diz que a gaivota amarela, que se adaptou à cidade e ao aterro sanitário, vulgo lixeira, é o rato do ar, é o maior especialista do mundo na matéria, um britânico .

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