O estranho caso de um partido emocionalmente desvairado

O PS tem passado por episódios de suicídio mediático que espantam dado o perfil e experiência dos envolvidos. Nos casos de Ricardo Rodrigues e o gravador fanado a jornalistas, do Manuel Pinho e dos corninhos na Assembleia da República, e agora do João Soares e o que se lembrou de teclar no Facebook às 6 da matina, estamos no reino da parvoeira e do absurdo. Só a sempre imprevisível, e para sempre misteriosa, natureza humana consegue explicar a estupidez dessas ocorrências. Também Costa está metido neste grupo, sendo ainda mais grave o que já mostrou de si na relação com os jornalistas. Mais grave por se ter repetido em diferentes situações e por causa das suas tão maiores responsabilidades como candidato a primeiro-ministro. E ainda Sócrates terá de ser incluído pois, e das duas uma, ou se provará que cometeu crimes ou se provará que arriscou à maluca poder vir a gerar a tempestade mediática que os seus inimigos iriam lançar na primeira oportunidade; a qual muito influenciou os resultados eleitorais de 2015, para já.

Só que esses episódios, com diferentes contextualizações políticas conforme as figuras e circunstâncias, são do domínio psicológico na sua origem e dinâmica, não do político. Também podem, nalguns casos devem, gerar considerações de índole ética, deontológica e moral. Mas não política no sentido ideológico, partidário ou governativo – apenas no sentido cívico. Quem extravasar para fazer o seu aproveitamento no “combate político” está somente a chafurdar na chicana. Impulso a que só os bravos resistem, escusado será lembrar.

Quero, contudo, assinalar que o texto do João Soares onde oferece bofetadas configura, para mim, uma real ameaça à integridade física dos visados. Ameaça que poderá ter sido efémera, rapidamente substituída por um consolo catártico após ter sido verbalizada e publicada. E ameaça que pode ter um quadro psicológico de perturbação e sofrimento na sua génese, mas ameaça. É esse o sentido do texto, onde até justifica para a audiência por que razão ainda não consumou o intento. Pelo que não estamos no domínio metafórico, como alguns figurões da nossa opinião profissional têm vindo a dizer. Infelizmente, o João Soares precisou de se imaginar a agredir alguém ao estalo para ir buscar um pouco, muito pouco, de amor-próprio.

20 thoughts on “O estranho caso de um partido emocionalmente desvairado”

  1. É só um partido dividido. A direita conseguiu o Sonho: dividir o PS. É por isso que hoje rapidamente perdi as ilusões e tive um balde água fria que me trouxe a razão: este governo começou a cir hoje e afinal não vai mesmo durar 4 anos. Isso é para duros, e Costa não é um duro, não segura ninguém. Sócrates começou a perder o poder assim, quando deixou de resistir a pressões e começou a despedir ministros.
    Soares agiu bem ao colocar o cargo á disposição após as declarações de Costa ontem à noite. Costa agiu muito mal ao aceitar a demissão. Ficou escrito o argumentário para detonar ministros deste governo.
    Afinal trata-se mesmo de uma geringonça. A ruptura não virá do Bloco ou do PCP, virá de dentro do PS, onde a noite das facas longas para eliminar os seguristas ainda não acabou. Por mim, já estava decidido e agora está consolidado: nas próximas eleições, voto Bloco de Esquerda. Coisa que havia jurado nunca fazer.

  2. vai uma ganda distância entre prometer umas chapadas no facecoize e assentar uma canelada num jornalista, em directo e a cores, mas aí nem o primeiro se demitiu e os que agora fazem alarido desta cena infantilóide do mongolóide ficaram caladinhos para não prejudicar a carreira do merdomo mendonça . antes do mongo se despedir ainda pensei coisa parecida com o poste, agora tenho a certeza que o costa encostou o gajo à parede e calou o projecto de oposição.

  3. A coisa explica-se com um suponhamos:
    – Suponhamos que quando o Renato Sanches mandou uma pantufada na perna de um gajo, salvo erro do Belenenses, e os sportinguista começaram todos a berrar que ele era uma caceteiro e que devia ter sido expulso, …bem suponhamos que o treinador do Benfica (ou o Presidente) tinham vindo a público dizer que “os jogadores do Benfica sabem muito bem que não podem tocar nos adversários nem com uma flor, nem imaginar fazer isso quando estão à conversa uns com os outros no balneário” … e que por isso … “peço desculpa ao jogador ofendido (e aos cães raivosos nossos adversários) e prometo que isso não se volta a repetir, bla,bla,bla”.
    Acham que se o Rui Vitória tivesse feito isso (ou o Luis Filipe Vieira) agora o Benfica era líder do campeonato e estava a disputar os quartos de final da Champions League ?
    Não, pois não ?
    Então mirem-se naquilo que fez o Rui Vitória e naquilo que fez toda a “estrutura” do Benfica e ficam a saber o que deveria ter feito o IMBECIL do António Costa.

    António Costa já tinha mostrado mostrado que NÃO É LÍDER quando deixou que apedrejassem na praça pública durante meses a fio um Ex-Primeiro Ministro do PS, completamente à margem das Leis e do Direito e até hoje não mexeu uma palha para exigir que o Estado de Direito seja respeitado.
    Depois deixa que Marcelo Rebelo de Sousa lhe tome o pulso e GOVERNE em vez dele.
    E agora isto.
    Vai ter um fim triste, e quando cair não terá ninguém, absolutamente ninguém por ele …mesmo que nunca vá preso.

  4. Esta palermice do João Soares resolvia-se assim:
    1. Ou demitia imediatamente o Ministro (ou obrigava-o a isso em privado) … PIOR HIPÓTESE (depois deste quem virá a seguir ? o Augusto Santos Silva ? para tanto bastará que alguém o insulte num pasquim e ele não tenha estômago para se calar.
    2. Ou vinha pura e simplesmente dizer que o caso apenas lhe merecia uma citação do Papa Francisco. “Quem insulta alguém deve ficar preparado para receber um murro”.
    Depois em privado podia desancar no João Soares o quanto quisesse mas em PÚBLICO jamais podia humilhar o seu Minstro, humilhar-se a si próprio enquanto PM , e consequentemente todo o governo que lidera. E Jamais podia vir pedir desculpa a dois badamecos, dois badalhocos que insultaram por escrito “um dos seus” ministros !
    Porra, é assim tão difícil de perceber ?
    Que vá aprender com um treinador de futebol que ele ensina-lhe, c… !

  5. Não havia nenhuma forma simples de se resolver a situação, e por simples quero no fundo dizer racional, eficaz, sem grandes crises, porque o que o João Soares fez é tão fora do guião que não lembra a ninguém.

    Uma pessoa quando lê uma palermice daqueles fica sempre um bocado espantada, digo eu. Nem sei o que é que é mais incrível, se o comentário das chapadas, se o aquela do “peço desculpa se os assustei.” É grotesco, um horror de pessoa, um nojo de político.

    O pouco que fez enquanto foi ministro foi uma merda, uma anedota pegada. Bastou um artigo com pés e cabeça (e o do JMF há tempos no Observador também era interessante – só por isto aliás já dá para ver a dimensão da alarvidade que foi o ministério da cultura do soares), para a má consciência da palhaçada que tem vindo a fazer dar cabo do resto.

    De resto, acho que vão longe com as vossas analogias entre o futebol e a política.

  6. “E ainda Sócrates terá de ser incluído pois, e das duas uma, ou se provará que cometeu crimes ou se provará que arriscou à maluca poder vir a gerar a tempestade mediática que os seus inimigos iriam lançar na primeira oportunidade;”

    O Valupi está ficando parecido com o “pachecal” figurão; tem de meter sempre, ou quase, pelo meio de suas opiniões, acerca de qualquer caso, a personagem Sócrates. Desta vez não fica por menos e é assim: ou se provará que é corrupto e criminoso ou então fica provado que é maluco.
    Afinal Valupi já foi levado à interiorização da situação; o inocente posto na situação de acusado, parece culpado. Esta é, precisamente, a lógica pensada premeditadamente pelos batidos magistrados vingadores e que Sócrates costuma colocar como sendo parte do julgamento popular: “se foi preso, é porque alguma coisa fez”. E para Valupi, tal como para as clarinhas e os rapes, vale o falacioso e preconceituoso argumento de moral duvidosa do “pôs-se a jeito”.
    E, cabronice de escribas avençados, como refere o ignatz os mesmos que desculparam o zeca escudeiro do passos com salamaleques quando rasteirou um colega são agora os assanhados impolutos a pedir a demissão de Soares, não por um acto cometido mas por uma declaração mais literária que intencional.
    Ainda não percebi bem porquê Costa tem sido directo a responder à bruxeleente Europa e tão titubeante cá dentro. Neste caso ter-se-á apercebido do modo pouco pragmático de Soares tratar os assuntos e viu a oportunidade de matar o mal desde já?

  7. Estes casos não estranham se pensarmos que quase todos eles são protagonizados com a Imprensa. A pressão psicologica, e não só, a que os socialistas estão expostos resulta de uma contradição fundamental (como diz o Grande Chefe Jerónimo), a “obrigação” de agir com os média como se fossem um meio neutro e a impossibilidade de lhes ficar indiferente pessoalmente. A esta duplicidade de Janus acresce a noção de que a separação de poderes significa a submissão aos outros poderes. O exercicip de funçoes politicas para um socialista é quase um sacerdócio com um escrutínio insuportável. Enquanto a definição e explicação do papel dos media for tabu dentro e fora do partido mais difícil será resistir a esta negação.

  8. Faz-se na minha opinião uma tempestade num copinho dágua. Costa não achou conveniente continuar a bancar para raio das trovoadas entre Soares e a midia que desde o início deste governo elegeu o alvo da Cultura. Soares por sua vez percebeu que desde logo tudo que viesse ou não a fazer continuaria como alvo e isso desmancharia o pouco que já há em sua imagem pública de administrador. Denotar um racha nas colinas socialistas é precipitado e supervaloriza o irrelevante. O PS já fez sua opção interna por aclamada maioria, o espaço disponibilizado para quem se opõe internamente tem se demonstrado de potência irrelevante, portanto não há fissura alguma no PS, o que há são insatisfações naturais e minoritárias. Quanto a capacidade de fragilização que isso pode provocar seria muito imaginativo extrapolar, a coligação de governo tem mais o que fazer e no que pensar. Costa que é gênio político sabe donque e quando pode ou deve abrir mão de recursos , seus compromissos não estão em questão, são para serem cumpridos. Suegue o jogo e a tentativa da oposição de enfraquecer o governo como é do seu programa, utiliza-se de seus quadros na comunicação social, mas o facto é que não produz mais do que intrigas cotidianas envolvendo o que é irrelevante.

  9. Este blogue desiludiu-me.
    Já não sabem apreciar um belo pedaço de escrita queroziana (ainda por cima no descontraído FB) e uma hilariante ameaça que lembra as saudosas bengaladas dum tempo em que os homens eram Senhores e também livres para adequadas figuras de estilo .

    Não li o texto que mereceria os estalos, não sei quem é o autor, não lhe conheço a escrita mas atrevo-me, por instinto, pensar que os estalos vinham a calhar.

    Anda tudo muito formal e o Dr. Costa igual a si próprio com medo da sombra.
    É pena pois parece saber negociar.
    Mas, se calhar, O Outro tinha razão:
    – presidente de câmara vá que não vá mas PM ???
    Talvez pm a abrir já para o lado direito do consenso e das coisas compostinhas.

    Já que falaram do EX. PM José Sócrates lembrem-se que se arrependeu de deixar cair o seu Ministro da Saúde.
    Também fiquei com essa pedra no sapato.
    Parabéns Dr. João Soares por se livrar dum cargo-faz-de-conta.
    Isso de ser Ministro da Cultura num país de impunidade para caluniadores e difamação feia e assassina não é trabalho decente para quem tem a coragem de prometer reprimendas à altura.

    Já agora gostava de ler aqui o tal texto que…só ao estalo ou, se seria mesmo de bengaladas, arroxadas ou até mesmo duns murros no focinho.

  10. Duas bofetadas no Facebook … Ui que terrível ameaça á integridade física! Deviam mete lo já em Évora para satisfazer o Valupi.

  11. Ministros que durante meses deixam portugueses a abandonados a morrer nas urgências? Ministros que empancam a justiça durante meio a ano? ministros que burlam a segurança social? Demissão ? Nada. O PS é muito sensível à moral de gente que a única moral que conhece é os limites do código penal.

  12. voyeur 22.58
    Obrigada.
    Biltre mesmo com cara de estalo.
    Natural que homem filho de boa gente se sinta indignado com o palavreado insultuoso de arrogância saloia.
    Dr. Costa vais pagar caro o apoio a gentalha desta.

  13. Moralismos de meia-tigela. Por um lado, defendem, por exemplo, que o abate de seres humanos, no início e no ocaso da vida, tenha a mesma aceitação social do que o beber de um copo de água. Por outro, gritam forca aos que reagem a insultos com duas palavras ou um gesto espontâneo, ou a quem vê a sua vida privada devassada por gente ignóbil. Vão pentear macacos!

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