O ano em que o mundo acabou

Sou um sortudo porque tenho o privilégio de escrever ao lado dos aspirinas, da guida, da Isabel Moreira, do Júlio, da Penélope e do Vega9000. Sendo o caso da Isabel especial, por estar na política activa e pertencer a um órgão de soberania, é justo reconhecer que a Penélope sobressaiu em 2012 pela qualidade, quantidade e pregnância dos textos que generosamente partilhou connosco.

Este foi o ano em que acabaram as ilusões acerca dos actuais PSD e CDS para os que ainda tinham ilusões. Foi o ano em que acabou o sentido mesmo da existência de um Presidente da República. O ano em que acabou a paciência para aturar o disfuncionalismo e cumplicidades do PS com os fulanos que nos querem manter na rudeza duma austera, apagada e vil tristeza. Este foi o ano em que até o Sporting acabou, e não estou a falar da equipa de futebol e seus cómicos espectáculos.

A Internet permite tomar conhecimento com dezenas, centenas e milhares de pessoas sem sair da mesma cadeira, assim haja tempo e gosto. O que a Internet nos mostra dos indivíduos que constituem os tecidos sociológicos e intelectuais da direita e da esquerda portuguesas oscila entre o soporífero e o assustador. Mas há excepções. Há muitas excepções admiráveis, gratificantes, que são fontes de confiança e esperança. E há muitas mais destas excepções do que há pachorra para perder calorias com quem não seja excepcionalmente relevante para o que nos interessa.

O que nos interessa é recriar o mundo a partir dos escombros do que ruiu e com aqueles que aparecem. É sempre assim.

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Podes vir, 2013.

18 thoughts on “O ano em que o mundo acabou”

  1. Também me sinto bastante sortuda. É uma grande sorte saber que, aconteça o que acontecer neste novo ano, o prazer de vos ler a todos está garantido.

    Um excelente ano para ti, Valupi, e para todos os que por aqui passam. :)

  2. Para quando a RESSUREIÇÃO do Partido Socialista, a vassourada naquele intragável Seguro e o aparecimento dum lider que, à frente de todo um Povo que vive desesperado, acene com um novo rumo para a grande caminhada que nos leve à libertação deste horrivel pesadelo?

  3. Não acabou o mundo, mas parece ter acabado, definitivamente, um ciclo, o ciclo da nossa breve democracia de Abril. O povo simples e muito mal informado podia ignorar o que se preparava, quando o presidente Cavaco e o poder económico encabeçado pelos banqueiros encostaram Sócrates à parede para destruir o seu governo e o ciclo da democracia de Abril. Mas a esquerda PCP e BE sabia exactamente ao que esses senhores “vinham”. Pois não hesitaram um segundo em dar a estocada final no último governo do “ciclo de Abril”.
    Louçã já percebeu a hediondez do seu gesto e fugiu. Jerónimo, por seu lado, sente que recuperou a vocação do PCP em ditadura. Agora, sim, a existência do PCP justifica-se!

  4. Meu caro José, um morto não ressuscita, por mais que afirmem isso, desde há dois mil anos. Não sei se ao PS basta uma vassourada. Não será tarde demais? Repara como os militantes elegeram, sem pestanejar, o anti-socialista por seis longos anos, o Seguro.

  5. Muito obrigada, Valupi! Cá estaremos. Empenho e intervenção é o que desejo a todos os colegas de blogue, amigos, leitores e comentadores que aqui nos acompanham.

  6. Boa malha. Já pensei este um lugar muito mal frequentado, sem ponta de interesse. Ainda é, às vezes. Mas nele já encontrei, sobretudo neste ano, muito material para dar esperança a quem não acredita que a mentira e o oportunismo são a única forma de vingar em política. Feliz Ano Novo.

  7. Pois é! Que jeito não teria dado a tantos que o mundo tivesse mesmo acabado para que outros tantos não tivessem chegado a perceber a miséria de todo o potencial que nos governa.

    Mas a vida é vaca, tanto dá leite como sacode moscas.

    Bom 2013 para todos.

  8. O senhor Joaquim:
    Caminhava cabisbaixo e com passo lento. Avistei-o ao longe e a minha estranheza foi satisfeita quando nos cruzamos. Então senhor Joaquim o que se passa consigo? Onde está a força anímica que sempre tinha para os outros! Sabe menino – Hernâni – respondi e já não sou nenhum menino nem saudades de o ser derivado ao mundo em que vivemos. Eu sei que se chama Hernâni – respondeu-me – quando a infelicidade nos bate à porta é que compreendemos como são vãs as palavras que pretendemos dar aos outros. Mas o que se passa para esse abatimento moral e físico! – Perguntei. O que acontece -continuou o senhor Joaquim – é que hoje não se pode confiar em ninguém. Há poucas pessoas íntegras. Olhe! Convivi com o senhor seu pai e ainda recordo os conselhos que me dava. Que o dinheiro não era tudo. E por vezes a abundância tudo estraga. Tornamos-mos egoístas e o egoísmo leva-nos aos disparates. Sábias palavras. Agora não podemos fazer previsões a longo prazo porque logo a seguir a conta sai-nos furada – não o interrompi – deixei-o falar porque sabia que era um bom comunicador e que precisava desabafar. A minha raiva – continuou – deve-se a que tudo o que me foi pedido pela Pátria e aqui sublinho “Pátria”, porque País, o significado é diferente, contribuí com tudo. Durante a segunda guerra mundial comi pão que o diabo amassou. Ia para escola descalço e cheio de fome e Salazar enviava géneros alimentícios para auxiliar outros povos e nós cheios de fome. Em casa dos meus pais o caldo era de saramagos. Não havia dinheiro para cultivar os campos e quintais por isso o recorrer a outros tubérculos bravios que cresciam com abundância. Esse caldo não tinha sabor porque não havia azeite e sal para o temperar. Tempos muito difíceis menino. Senhor Joaquim trate-me por Hernâni, não é que me sinta ofendido, aliás, até lisonjeado, mas sabe esse tratamento é para quem é filho de pais ricos – disse-lhe eu – e os meus sabe a dificuldade porque passaram. Se não sei! – Voltou à conversa. Ainda me lembro da senhora sua mãe ser criada de servir numa casa abastada e quando ia para escola passava à beira dessa casa e a sua mãe dar-me um pedaço de broa. Que tempos! E olhe Hernâni que estamos a voltar a eles. E é isso que me indispõe. Trabalhei como um mouro para contribuir para a riqueza da minha querida Pátria. Dei o corpo ao manifesto para defender o que diziam que nos pertencia e agora o que nos fazem esta cambada de imberbes. Parecem invertebrados. Não têm sabedoria nem moral para governar e cumprir com o que prometeram ao povo. Não estão lá com o meu contributo. Se assim fosse o meu abatimento físico e moral era ainda maior. Assim posso-lhes chamar ladrões com quantas letras têm a palavra. Roubarem-me na reforma, nos subsídios, encarecerem o nível de vida para pagar as asneiras que fizeram! E agora que estamos próximo do Natal nem dinheiro tenho para as batatas e bacalhau. Não falando nas guloseimas que se usam nesta época. Acho que fazem isto para não nos engasgar com as espinhas e assim não recorrermos às urgências dos hospitais – acrescentei eu. Quais urgências e hospitais – continuou o senhor Joaquim. Quem pode lá chegar! Já reparou que fica tão caro ali uma consulta como nos hospitais privados! Querem destruir o que custou muitos anos e esforço a construir. Não temos quem nos defenda. Até esta espécie de Presidente da República que temos não serve para nada. Promulgar um Orçamento de Estado que vai onerar mais os pobres! É de quem é desprovido de sentimentos. Nunca confiei neste gajo. E sabe Hernâni que sou bastante educado e não gosto de usar adjectivos. Mas este merece assim como quem nos governa. E não é só isso senhor Joaquim – interrompi – não é que denunciou o sogro na Pide por viver em segundas núpcias com outra mulher. De pessoas destas o que se pode esperar! – Sabe Hernâni foi bom cruzar consigo. Não sabe o bem que me fez esta conversa. Andava com fracas ideias mas a vida é um bem que nos deram e que devemos preservá-la. Mais a mais nesta época que comemoramos o nascimento. Por isso desejo-lhe um santo Natal e se não nos voltarmos a encontrar um melhor Ano Novo que o prevejo ainda pior que este que está a terminar. – Não tem de agradecer, aliás, quem agradece sou eu por este momento de sã comunicação. Não é todos os dias que nos cruzamos com tão eloquência. Um bom Natal para o senhor e se nesse dia não tiver com quem privar apareça lá por casa que é bem recebido e caso não o faça desde já um bom Ano Novo. – Olhe Hernâni, esse convite que me faz, lembra-me os bocados de broa que a senhora sua mãe que Deus tenha em bom lugar, me dava para matar a fome. É como diz o ditado. “Quem sai aos seus não degenera”.

  9. pois , dizes bem , mas não é com o ps que a fenix irá ressuscitar …topas? e acho que a Pê é um alter ego que arranjaste para encher chouriços europeus , enfim . diga-se que uns 90% dos chouriços até são bons.

  10. Aqui também se luta. Este ano vai ser um ano de muitas batalhas. Cá estaremos para, mesmo modestamente, fazer os possíveis para a queda da bandidagem (des)governativa.

  11. Um bom ano para todos, antes de mais.

    O PS está á espera das eleições na Alemanha. Assim que frau Merkl se sentir aliviada, com uma confortavel coligação para mais uns anitos, a europa abre o porta moedas, finalmente.

    Nessa altura surgirá por fim o balão de oxigénio para os paises enrrascados e Seguro surgirá a fazer oposição a plenos pulmões. Até ao fim do ano arranjará a maioria necessária para o PS governar sozinho.
    A questão é o quanto este calculismo politico nos irá custar a nós : o estado social vai ao ar por completo, o PSD pode faze-lo em dois meses apenas, sem espinhas.
    Um partido que corre este risco e deixa esta merda de governo continuar á solta , em roda livre, apenas por calculo politico não merece o meu voto.
    Infelizmente, se for isto que esse aparatchik do PS chamado Seguro têm na cabeça, com o meu voto nunca mais contará.

  12. é verdade não é com o ps que a fenix irá ressuscitar,mas com o pcp do jeronimo e o bloco do casal semedo.apresentem medidas para apoiar a economia e o serviço publico ,mas não se esqueçam de apresentar as politicas que vão suportar esses serviços e a economia. uma alternativa consistente,que queira viver com a europa de um mercado regulado,e eu estou nessa.Termos uma especie de cuba ou coreia dentro da europa nem para burros dá.oferecer na oposiçao o melhor dos mundos é facil.não é por acaso que a extrema esquerda e a extrema direita na grecia subiram muito,mas quando foram chamados a colaborar,está bem está.de De marie lepens de direita e de esquerda, está o inferno cheio.

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