Não são os números, são as imagens, estúpido

A sexta carta de Costa aos indecisos – EMPREGO, A CAUSA DAS CAUSAS – é melhor do que as anteriores. Abre com um registo personalizado, em vez dos registos genéricos e abstractizantes, e expressa uma emotividade que, por estar inserida na voz própria, se aceita genuína. O tema também ajuda, pois nada há para justificar, só para prometer. Ocasião para referir outra pecha transversal ao conjunto das cartas.

Ironicamente, é Costa quem assina a frase “Há que saber ler os números, sobretudo os bons indicadores, de modo a evitar ilusões que nos afastem das prioridades certas“. De facto, o senhor está coberto de razão. Primeiro, porque são poucos os que sabem ler os números – sejam esses números quais forem, quanto mais os da economia. Depois, porque serão ainda menos os que conseguirão ler os bons indicadores de modo a evitar ilusões que nos afastem das prioridades certas – tarefa do camandro, homérica, a qual será inevitavelmente combatida por interpretações concorrentes. Quando se misturam indecisos nesta betoneira, o que sai é uma conclusão rudemente concreta: alguém terá de ajudar a malta a ler os números.

Espanta que estas peças não recorram a nenhum tipo de infografia, optando antes por deixar para um texto denso a despesa da assimilação de ideias com graus de complexidade sempre acima das capacidades do leitor médio. Tal leva a que apenas jornalistas, para fins de citação e resumo, consigam aproveitar a informação publicada. Os pobres coitados dos indecisos ficam obrigados ao estudo aturado das cartas apenas com os seus recursos de literacia à disposição. Ora, a infografia, enquanto disciplina de comunicação, tem como vocação criar acessos à complexidade da forma mais económica, tanto de esforço cognitivo como de tempo. Estar em 2015, a liderar a oposição, com elevadas probabilidades de vencer as eleições, e comunicar como se o ano fosse 1815 e nada existisse à disposição dos políticos senão papeis carregados de palavras é mais do que uma curiosidade. É assunto que merecia estudo.

Será que a este PS já chegou a boa-nova da invenção da Internet?

9 thoughts on “Não são os números, são as imagens, estúpido”

  1. val desculpe a deriva para escrever o que li no livro do prof antonio josé morais ,sobre varios assuntos,sendo um deles a licenciatura de socrates.começa por dizer que o bacharelato de engenharia concluido por socrates em coimbra tinha mais um ano (4) de frequencia do que bacharelato em engenharia de lisboa (3) para a licenciatura socrates e outros alunos teriam que fazer 4 disciplinas,sendo duas delas anuais. o ingles tecnico não constava.e o exame ao domingo foi a maior mentira que a comunicaçao social inventou.o celebre exame de inglês tecnico,foi uma “encomenda”do prof.eurico calado,homem do psd.mas estranhamente só socrates fazia este exame.o reitor luis arouca diz que não estava em condiçoes de se opor ao grupo do psd no independente.arouca fala com socrates e este mesmo nestas condiçoes estranhissimas aceitou fazer um exame (ingles tecnico) que não constava no seu e colegas plano do curso. a imprensa silenciou o pormenor de que foi socrates quem decidiu realizar o exame de ingles tecnico.porque será que silenciou este facto? amánhã há mais,mas antes escrevo um sonoro puta que os pariu.

  2. :-) sim, melhorzinha apesar das reticências. depois dos emigrados, por exemplo, pode ler-se emigração. e depois da desigualdade entre homens e mulheres lê-se desigualdade – grandes acrescentos de retórica, portanto.

    e sim, ler números é complicadíssimo – nem o senhor Feduncio do tasco sabe ler números. números… que risota! :-)

  3. Como dizia lá atrás a um comentador, não me parece avisado fazer a exegese das cartas de Sócrates sem saber, previamente, a que indecisos se dirige.
    Se aos indecisos do PSD, se aos do CDS ou aos do PCP.
    Todos sabemos que, na actual circunstância política e social global, em plena crise, é impossível criar emprego e ”cortar” no desemprego e simultaneamente atrair investimento, porque a retórica que comanda a estratégia de competitividade dos investidores passa pela exigência de redução drástica dos custos de produção, que, na sua óptica, não havendo mais onde cortar, exige o reordenamento do mercado de trabalho à custa da aniquilação de todos os direitos alcançados nas quatro últimas décadas do Século XX, nomeadamente os vínculos de efectividade. Foi, de resto, para isso que serviu, no fundamental, a crise.
    Que pode, objectivamente, Costa fazer para colocar em consenso os interesses antagónicos dos investidores e dos desempregados ou empregados precários. A quais deles se dirige Costa?
    Porque me parece que os investidores já fizeram as suas opções eleitorais pela austeridade.
    Ser socialista pode ser um dilema terrível. E António Costa parece não ter ainda entendido isso.

  4. hum, concluo que prefiro um LADRÃO HONESTO com provas dadas, do que um político inocentezinho. Sócrates está fora de questão, que se deixou apanhar, mas Isaltino,o Isaltino, era capar de governar a horta dos Zés, os gajos ficavam contentes se lhes pagassem a sementeira e o Isaltino também, por lhes comer metade dos frutos com inteligência, sem os Zés saberem…e ainda dava umas abébias à mafia alemã…

  5. O «Touni» não quer convencer ninguém, pás. O gajo quer é continuar a puxar lustro com o rabo à cadeira do parlamento e CRITICAR, vozear aqueles textos longos, aplaudidos com «bravo» da sua bancada, com uns sorrisos pelo meio, em jeito do que leu do tempo dos deputados que ocupavam as «Cortes».
    Ganhará o suor dos camelos que votarem no partido dele, e durante um bom par de anos, não tem de telefonar a ninguém, tão a ber? Hum?

  6. Ó fifi, o homem precisa mas é de melhorar o INGLÊS CORRENTE, Lol .
    Nem inglês corrente sabe, a expressão ” I am double proud ” não se usa, quanto mais inglês técnico … Lol

    During a ceremony at the Polish-German border, celebrating the expansion of the Schengen passport-free travel zone, Portuguese PM José Sócrates, doesn’t miss the chance to brag about the Portuguese technology which “made it possible for the opening of borders to happen”, a statement that made Germany’s Federal Chancellor Angela Merkel and the rest of the group laugh their heads off.

    https://m.youtube.com/watch?v=frw4KMrynD0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.