Não é só ao povo americano

Everett Briggs, ex-embaixador dos Estados Unidos em Portugal, afirmou que o atual ministro dos Negócios Estrangeiros Rui Machete gastou muito dinheiro na compra de arte francesa quando presidia à Fundação Luso-Americana (FLAD).

Em entrevista ao jornal «i», Everett Briggs, cujas relações com Machete eram pouco pacíficas àquela data, criticou as opções do agora governante, por considerar que enveredou por outros caminhos em vez de promover a diplomacia com os Estados Unidos.

«No meu tempo, a FLAD, cujo objetivo essencial passa por promover laços entre os dois países, gastou fortunas comprando por exemplo arte francesa e publicando um elegantíssimo catálogo da sua flamante coleção… francesa. Não americana», afirmou o antigo embaixador, justificando o facto de as relações com Machete não terem sido sempre cordiais.

«(…) sem diplomacia, admito que era escandaloso. Encontrei-me numa situação em que tive de manifestar o meu desagrado, até porque o próprio governo norte-americano começou a demonstrar apreensão com a reviravolta na gestão das contas da Fundação Luso-Americana», explicou Briggs, afirmando, no entanto, que tudo isso são «águas passadas».

Enquanto ministro, Rui Machete «é uma excelente escolha, uma vez que conhece muito bem os Estados Unidos e tem contactos privilegiados que são importantes nas funções que agora desempenha», defendeu Briggs, que disse que as relações com os EUA não sairão afetadas com Machete como chefe da diplomacia portuguesa: «ao povo americano falta, geneticamente, memória.»

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4 thoughts on “Não é só ao povo americano”

  1. “Ao povo americano falta, geneticamente, memória”. Só aos americanos?
    Que dizer então dos portugueses?

  2. o povo americano, nem sabe onde fica portugal,quanto mais ter conhecimento do que se passa numa associação luso americana.rui machete devia demitir-se,pois não tem condiçoes politicas internas e externas para exercer o cargo.

  3. É cada vez mais evidente que o dinheiro com que o governo americano encheu os bolsos da FLAD nos anos 80 foi uma compensação pelo papel de Portugal na exportação ilegal de armas para o Irão, que rendeu muitos milhares de milhões de dólares aos amigos de Reagan, Kissinger e Bush pai e que contribuiu, como se sabe, para a eleição de Reagan em 1980.

    A operação, como se sabe, também implicou a “remoção” de dois obstáculos portugueses ao negócio conspirativo: Amaro da Costa e Sá Carneiro, assassinados por jagunços americanos e portugueses ao serviço da CIA. O dinheiro da FLAD foi a paga por tudo isso e serviu também para adoçar a imagem dos EUA em Portugal e para comprar “amigos” entre a gente influente. Tudo por 111 milhões de dólares, até saiu barato! Mais 2 ou 3 milhões, se contarmos o dinheiro que os americanos gastaram com a operação Camarate.

    Rui Chancerelle de Machete gastou o dinheirinho da fundação como lhe apeteceu. Dinheiro que não custa a ganhar é sempre mal gasto… Mas o doutor também encheu bem os bolsos nos vinte anos em que presidiu à FLAD. Veja-se o palácio que já neste século comprou na Rua do Poço dos Negros, na esquina com o Beco do Carrasco, e que, com as pomposas obras de remodelação, lhe deve ter custado pelo menos 1 milhão de euros. Os 38 mil euros que o doutor ganhou com as acções da SLN devem ter ajudado a mobilar o salão, não deram para mais.

    De noite, o palácio costuma ser invadido pelos fantasmas de Sá Carneiro e Amaro da Costa, mas o dono da casa toma pílulas para dormir.

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