Não é calúnia, é magia

A mecânica destes blogues está longe de ser a discussão política, mas uma regra típica dos aprendizes de feiticeiro: a destruição dos adversários a golpes de insultos e calúnias, já que não se pode prende-los, nem censurá-los.

Pacheco

*

Quem o diz já passou há muito o tirocínio para feiticeiro, é agora o mais poderoso mago da política-espectáculo, se contarmos o tempo de exposição e a amplitude dos meios de que dispõe. E fala do que sabe, a estratégia do PSD desde Setembro de 2008 não foi outra: destruição do adversário a golpes de insultos e calúnias.

Acontece que um insulto é bicharoco bem diferente de uma calúnia. O insulto expressa um valor subjectivo que radica no emissor. É relativo a um estado de alma, e, sem ajuda do destinatário, desaparece como uma bola de sabão. Já a calúnia propõe uma suspeita que radicará no alvo da mesma, atingindo a sua honra ou imagem pública. O efeito é tóxico, viral, venenoso, pois alicia a assistência, ou a comunidade, a perverter a relação com a vítima da calúnia. Daí a gravidade de todo e qualquer acto calunioso.

Ora, o Pacheco não apresenta um único exemplo de calúnias publicadas nos blogues que nomeou. E isso, se ficar sem materialização, constitui-se como um acto calunioso. Da minha parte, o interesse não pode ser maior em me retractar por qualquer calúnia que tenha verbalizado, pelo que agradeceria penhorado o exercício. Mas também teria muito a aprender caso o Pacheco apresentasse citações de calúnias que o Câmara Corporativa e o Jugular tenham produzido. Os exemplos devem ser abundantes, a fazer fé nas suas palavras, pelo que não deve ser difícil arrebanhar umas quantas para aferirmos dos critérios que estão a ser usados. Certamente que um intelectual da craveira do Pacheco, e farol da Política de Verdade, compreende quais são as vantagens de fazer avançar o debate nessa direcção, concretizando as acusações de modo a que possa haver resposta dos visados.

É que caso se consiga obter do Pacheco a definição do que é uma calúnia, de imediato ela poderá ser usada contra o que escreve e fala, e também contra todos os outros caluniadores que a direita ranhosa espalha às pazadas. Não admira, então, estarmos com dificuldades para identificar as tais calúnias que afiança existirem nos blogues dos empregados. O mago não quer revelar os seus segredos.

26 thoughts on “Não é calúnia, é magia”

  1. Este Pacheco já enjoa !! Ultrapassa-me completamente o tempo de exposição que lhe dão, parece um ayatolah do regime.

  2. “O insulto expressa um valor subjectivo que radica no emissor. É relativo a um estado de alma, e, sem ajuda do destinatário, desaparece como uma bola de sabão. Já a calúnia propõe uma suspeita que radicará no alvo da mesma, atingindo a sua honra ou imagem pública. O efeito é tóxico, viral, venenoso, pois alicia a assistência, ou a comunidade, a perverter a relação com a vítima da calúnia. Daí a gravidade de todo e qualquer acto calunioso.”

    Nem mais, Valupi

  3. Não apresenta citações porque isso dá trabalho e é mais fácil gritar «aqui del-rey» tou a ser caluniado!!! Safa!

  4. Eu, não na qualidade de assessor embuçado nesta sala mas na de alegado militante feroz do PS (como qualquer defensor do Valupi, esse porta-voz undercover do Governo), sinto-me incomodado com o facto de o nosso estimado amigo Pacheco não recorrer ao insulto pois movo-me mais à vontade nesse domínio e é mais fácil chamar trombeiro a alguém que me insulta do que dar cabo da mona a descobrir formas requintadas de insinuar que tanto uso da língua implicará decerto uma disfunção eréctil daquelas que dão cabo do bom humor e do discernimento a uma pessoa.

  5. Não gosto de Pacheco Pereira, mas gosto ainda menos de assessores e simpatizantes deste primeiro-ministro, que está a deixar o país na bancarrota e ingovernável.

    E se fizesse um post sobre o desemprego galopante que continua entre nós, para ficar, em vez das guerras de capelinha? Ou sobre a saúde e a justiça, que vão de mal a pior?

    Não convêm, não é?

    Não dá jeito. Nem é para isso que escreve, claro.

  6. Os trabalhos de casa dos “parasitas”do Poder esta a ser bem feito. Grão a Grão, pensam que enchem o papo. Já foi tempo que esta “infiltração” e massificação de informação “falsa e mentirosa” deu frutos. Talvez na década de 70. Enganem-se os pseudónimos e os heterónimos, assumam-se como homens livres; ninguém vos come “ou não, com esta do Socrates é bem capaz…” . O zê povinho está farto desta plebe de tachos e retachos do poder Socialista.

  7. O que é impressionante é a quantidade de “espiritos” que o PP ainda consegue condicionar, desde bloggers a jornalistas. Deve gozar que nem um perdido ao ver os seus cruzados baterem-se heroicamente a cada baboseira proferida. É uma espécie de Marco Paulo, já não convence ninguem mas tem um publico fiel que lhe permite ir assiduamente às Tardes da Júlia. De resto isto explica tudo:

    No País dos Sacanas

    Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
    Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
    e todos estão contentes de se saberem sacanas.
    Não há mesmo melhor do que uma sacanice
    para poder funcionar fraternalmente
    a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
    para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
    em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

    Dizer-se que é de heróis e santos o país,
    a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
    Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
    ingénuos e sacaneados é que foram disso?

    Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
    Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
    porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
    que a nobreza, a dignidade, a independência, a
    justiça, a bondade, etc., etc., sejam
    outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
    a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

    No país dos sacanas, ser sacana e meio?
    Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
    Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
    Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
    Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

  8. SHARK,

    Conseguiste matar dois coelhos com um unico golpe de requinte sem teres dado cabo da mona. Agora so te falta accionar as outras maquinetas medidoras e estabeleceres aqui, neste relativamente publico blogue, que percentagem de gajos no nosso pais passam horas e horas de imoral desespero defronte dum espelho a pensarem no primeiro ministro e na manela sem desfazerem uma unica ruga. Se a percentagem for alta, nao te incomodes, e sinal dos tempos.

  9. Pacheco que diga se é calúnia ele ter apelado à queima de livros numa crítica que fez, quando era fascista vermelho, a um livro de António José Saraiva, “Maio e a Crise da Civilização Burguesa”. O título da crítica era: “Um livro para queimar”. Ele que diga se é calúnia ter pertencido a uma organização de fascistas vermelhos por ele fundada no Porto, chamada PCP (M-L), por não ter conseguido entrar para o PCP, segundo testemunho de Zita Seabra, através da qual ele pretendeu aderir. Ele que diga se é calúnia ter mentido à Maria João Avilez quando lhe declarou numa entrevista que nunca quis entrar para o PCP. Ele que diga se é calúnia ter recebido o 25 de Abril com grande desconfiança e ter mesmo permanecido na clandestinidade (!!!???) durante quase um ano, até Março de 1975.

    Esta é que é a escola de Pacheco. Esta é que foi a sua formação. Este é que é o seu carácter.

    Hoje anda a soldo de Belmiro, Balsemão e outros para ajudar a deitar abaixo Sócrates. É presença permanente nos écrans de TV, nas colunas de jornais e revistas. Temos que aturar este filho da mãe? Não. A solução, a bem da sanidade mental do povo português, não se chama queima de livros, chama-se ZAPPING. Mas acho bem que alguém lhe responda taco a taco, pois um filho da mãe omnipresente na comunicação social não deve ficar impune.

  10. Olha para o que digo e não o que faço:
    Pacheco Pereira, e aqui sublinho Pereira, porque Pacheco também o sou e que orgulho em o ser, julga-se o rei da sapiência e que o que pensa vale pela maioria da população portuguesa. Acresce-me dizer, não compreendo a atitude de Cavaco Silva não o ter escolhido para seu assessor. Se ele o fosse a situação portuguesa tinha melhorado e de que maneira. Era na relação com o governo; com a oposição, com os sindicatos, com o patronato, um sem fim. Este iluminado foi gerado e criado para promover o consenso.
    Faz-me lembrar um treinador que conheci e que primava pela correcção, pela disciplina, pelo apego aos treinos e jogos, o que era o contrário do que ele praticava quando jogador. Em conversa com ele referi-lhe isso, ao que me respondeu: sou assim porque conheço toda a podridão, estive envolvido nela e agora não vejo ninguém mais capaz de lhe dar luta se não eu.
    Querem melhor exemplo que Pacheco Pereira

  11. DIXIT:

    Imoral desespero é mesmo a expressão adequada para definir a imagem de alguém que olhe para o espelho a pensar nessas duas criaturas.
    Nesse contexto, de expressão só mesmo as rugas…

    :)

  12. PPD/PSD = bandidos oficiais a tentarem roubar o erário e outros “tesouros” privados (BPN e etc.; só na actual Assembleia são 49 assessores para 81 deputados – são apenas 2 simples exemplos concretos de entre um sem fim…), fazendo-se passar, sempre, contudo, por patriotas impolutos, mesmo nunca pondo em causa a herança salazarenta dessa gente. Boa Nik, mas não é preciso saber tanto da besta quadrada para não lhe poder ver o focinho nem ouvir a sua voz deturpada por tanta mentira !!!

  13. Escreveu o Valupi “Quanto é que sacas por mês, ó Pacheco?”. Eis um exemplo de insulto e calúnia de que fala JPP. Mas há mais.

  14. PAulo S,

    está distraído ou é mesmo assim? Não percebeu que essa frase é um decalque do que o Pacheco diz no post dele sobre o valupi e os outros?

  15. Chega aqui o NIK, poe um dedo real na ferida em meia duzia de linhas, e e como se o resto dos comentarios sobre esta eterna querela das palavras amargas e das frases imaginativas melhor estaria no fundo do cesto para reciclagem e transformacao em algo mais produtivo.

    So gostaria de completar o seu pensamento com a declaracao de que, em minha opiniao abalizadissima e inalteravel, todos os deslizes e transferencias de politicos do PC de Portugal para partidos a sua direita foram protagonizados por pulhas, oportunistas e arrivistas. Quanto ao trafego da direita para a esquerda, esse movimentou-se de maneira inversa e em numerosos casos a coberto de bilhete de ida e volta.

    Obrigado, NIK, por teres envergado o fato factual.

  16. Sabem por que é que PP é tão lépido a denunciar anonimatos (que o não são porque, como ele próprio diz, conhecem-se pelo estilo)? É porque a sua vontade seria
    «já que não se pode prende-los, nem censurá-los». Obrigado anonimato, sem caluniar sinto-me mais confortável em liberdade do que ‘lá dentro’.

  17. “…um dia em que alguém, farto da impunidade, do insulto e da calúnia, processe meia dúzia dos habituais cultores do género, fica rico com as indemnizações”.

    Mesmo difusa que seja percebe-se a insinuação; uma ameaça mesquinha e insidiosa nasce, parida de uma mente emprenhada numa noite de valquírias.

  18. Quando chamei fascista vermelho a Pacheco Pereira, estava a citá-lo, ou quase. Disse ele numa entrevista a M J Avilez:

    “Na minha geração, havia também muita gente que era da extrema-direita, e eu sempre disse que não havia nada de mais parecido do que esses jovens extremistas da extrema-direita e da extrema-esquerda. No comportamento, na relação psicológica, eram estruturalmente parecidos.”

    Aqui fica mais esta “calúnia”…

  19. Desculpa, Valupi, mas estás a ser ingénuo. Pacheco é um Octávio Machado. Mas com um curso, afogado em leituras, cercado de livros e raros documentos por todos os lados. Por isso, dele terás como resposta “não insistam se não eu digo, eu denuncio”, na certeza de que nunca passará aos actos. Porque era exigir-lhe coragem a mais.
    Pacheco, dos que não conhece ou tem por anónimos, dirá sempre o pior e apenas por essa qualidade – de não conhecer ou serem anónimos. A substância do que escrevem nunca interessará a Pacheco que prefere que se dê a cara – espero que apenas a cara – para se deleitar com as denúncias, para eventualmente poder pôr em causa a substância, conhecendo os autores. Porque Pacheco assenta tudo em preconceitos e para estes interessa saber quem escreve, não o que se escreve.
    Já agora, o retorno de Pacheco à activa vida partidária deu no que deu, de derrota em derrota. Nas legislativas, nas distritais de Lisboa. Onde nunca assumirá responsabilidades, porque apenas ele sabe o que é certo, o que é a verdade. Por isso, apenas uma explicação existe para o seu insucesso: a acção destes malandros da blogosfera. Que não consegue doutrinar, que estão longe de serem por ele domesticados. E isso apesar da sua nova cátedra, onde é ponto e contra-ponto, de onde faz questão de afastar qualquer contraditório, ele que tanto o exige aos outros.
    Do Octávio ainda temos o leite das vacas que cria. Pacheco é Pacheco. Dele nada se pode esperar, a não ser o que já deu, constantemente requentado.
    E nós, tolos, vamos promovendo aquela figura. Contribuindo para que engrosse a sua conta bancária.

  20. Visto daqui de fora é hilariante, vocês parecem putos. Espero que tenham a noção que só a vocês, pachecos, valupis e sei lá mais quem, é que os vossos blogs e as vossas turras interessam. Tem, não tem ?

  21. Afonso, sim, temos essa noção (sou um dos “sei lá mais quem”), o Afonso tb parece interessado, não é?
    Claro, a publicidade que PP faz a estes blogs “socretinos” atrai muita gente, por dois motivos, ou concordam ou discordam de PP.
    O que começa a ser demasiado asfixiante é a tentativa de passar para a opinião pública a ideia que quem não discorda de tudo o que o governo faz é um vendido, um assalariado do poder, um ser desprezivel.
    A direita e os seus comentadores tenta hoje fazer o que os demagogos auto intitulados de esquerda sempre tentaram fazer, negar aos outros o direito de ter opinião.
    Quem hoje cria os goulags do pensamento são os PP e equivalentes. Lendo essa gente arrepio-me. Se eles fossem poder, a liberdade de expressão de Valupi, de Miguel Abrantes, dos Jugulares, de muitos de nós, seria sériamente ameaçada. E não me venham com as merdas do Charrua que chamou filho da puta ao PM e foi alandroado a heroi da liberdade, nem desse pilar do jornalismo e da ética chamada Manuel M. Guedes que chegou onde chegou dormindo com o patrão.
    E sim, na minha opinião Socrates é um optimo PM. E não, não me pagam para dizer isto.
    E agora vou tratar das oliveiras que precisam de ser podadas. É que sou um simples agricultor, vê-se pelo modo como ando.

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