Na sombra do Pacheco

Com o lançamento do Na Sombra da Presidência, Fernando Lima permite-nos, e finalmente, saber do que o Pacheco Pereira estava a falar ao escrever isto:

Quando um dia se conhecer melhor o modo como a partir dos gabinetes ministeriais, e em particular o do primeiro-ministro, se conduzem operações de informação, contra-informação e desinformação, usando técnicas dos serviços secretos, alguém terá que pedir contas por tal abuso democrático. Do mesmo modo que veio a saber-se das operações para controlar a TVI, os seus protagonistas e os seus métodos, o país perceberá com que tipo de pessoas tem estado a lidar e o modo como se pratica todos os dias um abuso do poder, no limite da lei senão para além da lei.

Um exemplo é o blogue anónimo Câmara Corporativa, o blogue profissionalizado feito dentro do Governo, com meios públicos, por assalariados com dinheiro dos impostos dos portugueses, e que é uma típica operação de informações, muito provavelmente ilegal, ao usar meios e recursos pagos pelos contribuintes.

Outubro 2010

O Primeiro-ministro José Sócrates, ele próprio, suscita na blogosfera um apoio muito especial, sem equivalente no mundo exterior fora da Rede. Não sei se por desespero,- as coisas não tem corrido bem à persona tutelar, - se por simpatia, no sentido preciso do termo, se por imitação, os blogues socráticos desenvolveram um estilo agressivo de insulto e calúnia pessoalizada, que não tem paralelo com qualquer outra área política (se exceptuarmos algumas personagens passo-coelhistas como Nogueira Leite, conhecido por insultar tudo e todos no conforto do Twitter e do Facebook). Esses blogues, como o Câmara Corporativa, o Aspirina B, o Jugular, escritos muitas vezes sob o anonimato e onde pululam empregados do governo, e às vezes mais acima - o anonimato serve para ocultar os autores, mas o estilo denuncia-os –, representam um mundo aparte na blogosfera que revela as fontes do radicalismo que emana nos dias de hoje do centro do poder socialista à volta de Sócrates. Quem se mete com José Sócrates leva de imediato uma caterva de insultos, que inclui todos os clássicos e é sujeito a uma campanha ad hominem grosseira e, zanguem-se agora a sério, muito miguelista mas sem as qualidades de José Agostinho de Macedo.

A mecânica destes blogues está longe de ser a discussão política, mas uma regra típica dos aprendizes de feiticeiro: a destruição dos adversários a golpes de insultos e calúnias, já que não se pode prende-los, nem censurá-los. Os seus executores são gente mais à esquerda do que o PS, com pretensões intelectuais, mas com a pior das tentações intelectuais, a que vem da desenvoltura e do sentido de impunidade de quem acha que está no poder e tudo lhe é permitido.

Janeiro 2010

É preciso saber mais sobre as "questões de segurança" que refere o Presidente? É. E é preciso saber muito mais sobre a "operação Diário de Notícias". Muito do que é a "asfixia democrática" está presente na "operação Diário de Notícias", em que um jornal para obter um efeito político deliberado, enfraquecer o Presidente, cometeu vários crimes e violou todas as regras do jornalismo. Para quem a preparou valeu certamente os custos, que até agora têm sido poucos, porque há muita desatenção, muita leviandade e muita má-fé, ou seja vale tudo.

Sempre quero ver se esta nota é citada.

Setembro 2009

O Presidente da República tem certamente coisas graves para dizer ao país e entendeu que se as dissesse interferia no acto eleitoral. Muito bem, compreende-se que o faça, embora também se interfira na campanha por omissão. Mas o Presidente rompeu o seu próprio silêncio e "falou" através da demissão do seu assessor de imprensa e, sendo assim, interferiu de facto na campanha eleitoral. Mais valia agora que dissesse tudo para não acordarmos no dia 28 sabendo coisas que mais valia que fossem conhecidas já. Para contarem para a decisão de voto dos portugueses, com cujo resultado final ele já está inevitavelmente comprometido.

Setembro 2009

Pacheco Pereira disse aos militantes que o foram ouvir à "Pizzaria Camões", em Malpique, não ter "qualquer dúvida" de que está em curso uma campanha contra o Presidente da República "que vem em grande parte do PS".

Essa campanha, disse, visa "enfraquecer" Cavaco Silva, "não só para que aquilo que venha a dizer possa parecer mais frágil, como para as decisões que possa vir a tomar sejam não de um presidente forte e respeitado por todos os portugueses mas de um presidente alvo de uma campanha política".

Pacheco Pereira disse à Lusa que esta "campanha" visa "desbastar o terreno não só em relação ao que o senhor Presidente da República certamente dirá sobre as circunstâncias deste 'caso'", mas também sobre o "assalto" que já se deu ao Jornal Nacional da TVI e "se está a dar" ao jornal Público, os dois "alvos" apontados pelo primeiro-ministro, José Sócrates, no Congresso do PS.

Setembro 2009

Fernando Lima e Pacheco Pereira – leia-se, a Presidência da República e a presidente/Direcção do PSD, pois estes dois passarões eram os seus principais influenciadores ao tempo – olhavam para três ou quatro blogues e entravam num estado de excitação cujo diagnóstico vou ensaiar. Há uma primeira resposta, a mais fácil: pura hipocrisia. Eles sabiam que o argumento era ridículo, porém contavam com a ignorância e iliteracia digital generalizada da população para agitarem um tigre de papel. Há uma segunda resposta, cultural: tanto Fernando Lima como Pacheco Pereira, apesar da vasta experiência blogosférica deste último, não compreendiam o universo digital e, com a adrenalina e testosterona à solta, julgavam que o meio poderia ter uma importância hipertrofiada no combate político. Há uma terceira resposta, psicológica: ambos eram, e são, seres egóicos, narcísicos e arrogantes, pelo que iam à procura dos blogues para lerem algo a seu próprio respeito, e a respeito daqueles a quem estavam ligados politicamente. O que encontravam na comunicação social profissional não lhes chegava, eram dois agarrados ao vício de ler perigosos “anónimos” e demais facínoras. Daí a imaginarem que essas opiniões eram da autoria dos que viam como inimigos, e que esses se disfarçavam para lhes mandarem bocas, e logo depois passarem a explorar essa fantasia como suspeita política despejada junto das capelinhas e na praça pública, bastava meio passo. Há uma quarta resposta, clínica: o combate político, em todos os tempos e lugares, cria condições para disfunções mentais do foro paranóide, sendo que a liberdade e frequência de escrita na blogosfera política oferecia vasto material para se construírem teorias da conspiração, das mais banais às mais desvairadas. E há uma quinta resposta, antropológica e política: a blogosfera era o que resistia à verdadeira asfixia mediática, a aldeia gaulesa no cu do império da direita. Então, havia que tentar acabar com esse foco de liberdade através da antiquíssima receita da oligarquia palaciana, a calúnia.

De facto – e factualmente, de facto – quando num país existe o poder e agenda do Correio da Manhã, Sol, Público do Zé Manel, Expresso do Monteiro, TVI do casal Moniz, SIC do Balsemão, do Crespo, do José Gomes Ferreira, do mano Costa, RTP da Judite de Sousa e do José Rodrigues dos Santos, DN do Marcelino e saco de passistas na redacção, TSF do Baldaia e seus editoriais, jornal i do Martim Avillez, onde se faziam capas a devassar a privacidade de cidadãos só porque escreviam em blogues com pseudónimo e surgiam como defensores das políticas do Governo ou como simpatizantes do PS, Diário Económico do António Costa, Sábado, e ainda a Rádio Renascença e o Marcelo com o seu super-tempo de antena dominical, e deixando de parte a legião de auxiliares que estes meios cooptaram para “fazer opinião”, podemos dizer que mais de 90% (99%?) do espaço mediático politizado não estava apenas na mão da direita, antes era um dos principais instrumentos ideológicos e eleitorais da direita. Em contraposição, o PS não tinha nem títulos, nem canais, nem jornalistas talibãs, nem exército nas trincheiras da baixa política. Esta paisagem dos órgãos de comunicação social em 2009, a que se junta o PCP e BE no berreiro de alvo único, não levou Lima e Pacheco para um estado de segurança, descontracção, ataraxia. Foi ao contrário, tendo eles querido desferir os golpes mais mortais contra Sócrates e os socialistas precisamente a partir da sua posição de superioridade mediática. Toda a operação “Face Oculta”, a qual estará ligada à “Inventona das Escutas” por algo mais do que o calendário, tinha como pressuposto essa mesma vantagem, com a exploração mediática e política de conversas privadas – onde um primeiro-ministro foi espiado ilegalmente por instituições do Estado – a ter começado em cima do período pré-eleitoral e tendo em vista conseguir-se abrir um processo judicial com base na invasão da privacidade de Sócrates e de quem fosse visto como seu próximo. O negócio da PT e da TVI, que nunca existiu, e que a existir poderia gerar algo perfeitamente legítimo a todos os níveis ou até inúmeros problemas ao PS, serviu como combustível inesgotável das estratégias de difamação e calúnia começadas logo em 2008 pelo próprio Cavaco em tandem com a subida de Ferreira Leite à presidência do PSD. A moral oligárquica desta história é a seguinte: os déspotas são déspotas porque não se impõem limites para destruir os adversários políticos.

Hoje, com o relato patético do Lima a respeito de homens com óculos escuros oficiais e jornais brasileiros no sovaco para disfarçar que o estariam a espiar, já sabemos a que “técnicas dos serviços secretos” o Pacheco se referia na sua fase alucinada. Fase onde conseguiu usar o seu estatuto de deputado para se meter numa saleta da Assembleia da República e enfiar os cornos até aos calcanhares na privacidade de Sócrates e Vara. Saiu de lá a gritar que tinha encontrado provas de manigâncias “avassaladoras” sem ter nomeado alguma ou feito qualquer coisa a respeito nos dias, meses e anos que se seguiram. Ao seu lado, João Oliveira, deputado comunista que não tinha qualquer razão para poupar Sócrates ou o PS fosse do mínimo que fosse, declarou que esses mesmos documentos enviados de Aveiro que o Pacheco tinha enchido de baba e ranho não tinham nada de politicamente relevante. Esta radical antinomia é que foi o único dado avassalador do episódio.

Por acaso, dado que este blogue foi visado nos escritos caluniosos do Pacheco, estou em condições de medir com exactidão o grau e amplitude das suas mentiras. Ironicamente, em 2013 um tal de Fernando Moreira de Sá viria contar os segredos das campanhas negras na Internet organizadas pelo PSD de Passos e Relvas. Tão orgulhoso dos seus méritos e confiante no seu talento se mostrou que fez dessa sua experiência uma tese de mestrado. Ou seja, a malta que via assessores de Sócrates, espiões de Sócrates e arregimentados de Sócrates em tudo o que mexesse numa direcção contrária aos seus interesses limitava-se, portanto, a projectar nos outros, os de fora, o que via entre os seus ou o que praticava. Eis uma das mais velhas profissões do mundo.

No Verão de 2009, a 5 semanas de eleições legislativas, o Presidente da República lança, ou aprova que se lance, uma golpada mediática contra o Governo em exercício e o partido que o representa. Ao ser exposto esse plano e essa inaudita, gravíssima e grotesca violação constitucional, a poucos dias de se ir a votos, tanto o autor da golpada como o Pacheco continuavam a disparar publicamente contra Sócrates, contra o Governo e contra o PS. Nunca nenhum pediu desculpa do que fez, antes se agarraram ao ódio e continuaram a tentar usufruir ao máximo das benesses que a República e a indústria da calúnia lhes conferia e confere. O mais provável é que, até ao fim das suas vidas, se mantenham vilmente cobardes e irresponsáveis.

Desta sombra não te escapas, Pacheco.

22 thoughts on “Na sombra do Pacheco”

  1. Exactissimamente, Valupi
    Dessa má e vil sombra negra de viúva puta-fina nenhuma quadratura, nenhuma atitude de vira-casaca política, nenhum apoio ao governo Costa ou gesto manso para com a geringonça ou o PS, nenhuma retórica bem efabulada enchida à base de passado ou opinião de quibanda sobre o futuro, te redimirá de seres politicamente um dos maiores chouriços mal cheirosos da política portuguesa.
    Esta personagem, ainda hoje, sempre que fala de qualquer caso de Sócrates, mesmo dando razão nesse caso à pessoa, consegue atirar as culpas dos factos à mesma pessoa aduzindo um rol de papel histórico como argumento para justificar todo e qualquer processo acerca da dita pessoa, Sócrates.
    Esta miséria de personagem política da nossa sociedade tão de “olhão” que vê a mão de Sócrates em tudo que houve-há de maldade no nosso país nunca sentiu um dedinho ou viu uma pequena nódoa sequer de sujidade e porcaria em duarte lima de quem foi ajudante e serventuário próximo ou cavaco e todo o imenso charco de esterco que foi a escola do cavaquismo.
    Pelo contrário, ele próprio pacheco, foi serventuário do cavaquismo mais reles como ideólogo propagandista.
    E agora este patife político que contribuiu fortemente para a desgraça em que está metido Portugal e os portugueses quer dar lições de moral e ciência política aos cidadãos.
    O amigo barroso, o tal da cimeira dos Açores e da guerra do Iraque, tinha-lhe reservado o lugar de embaixador na OCDE em troca do apoio a essa mesma guerra onde, também pacheco, sendo de “olhão” viu logo, tal como nas gravações das escutas, as armas de destruição maciça e necessidade de invadir aquele país.
    Pois, a tal personagem política de opereta bufa, restará esperar que o referido amigo barroso lhe arranje um lugar de imediato no goldman sach. Ficava-lhe a matar.

  2. O olhar de pânico do homem na última Quadratura enquanto dizia qualquer coisa assim “mas e então aqueles indícios sólidos que justificaram a prisão não servem para acusar”? “Acusam de qualquer coisa agora e deixem o resto para investigar depois senão …”
    Senão … as pessoas inteligentes vão perceber que desde o princípio deste “processo” andaram a reinar com elas …
    E enquanto isto o Xavier ajudava à missa e dizia “para mim tudo o que já veio a público chega-me perfeitamente para uma condenação … mas os tribunais têm outras exigências …é assim …”, enquanto fazia aquela cara de “que PENA” !
    E o Jorge Coelho com olhos de peixe-morto.

  3. e quantidade de blogues direitolos que havia e ainda proliferam? as perseguições e investigações que limas e quejandos fizeram e ainda fazem na blogoesfera a tudo que não alinha pela cartilha oficial da direita são bom exemplo freitomazista da asma democrática da noeconice delirante.

  4. O que mais me divertiu no livro do Fernando Lima foram os seus protestos de que a Presidência da República — durante uma campanha eleitoral em que a máquina mediática do PSD e a sua patética candidata enchiam o espaço público de alertas estridentes às alegadas «escutas a Belém», num tam-tam em crescendo histérico em que o próprio presidente se dirigiu pessoalmente à nação simplesmente para lhe comunicar que os seus computadores estavam a sofrer assaltos diários — nunca tinha usado a palavra «escuta» e sim «vigilância»!

    Fez-me lembrar aquela atitude do miúdo na idade parva que, instado a não pronunciar uma palavra feia, se limita a pronunciar as suas primeiras sílabas e faz parar o jantar, para depois fica a protestar que não disse a palavra feia…

    E uma coisa, pelo menos, fica bem esclarecida: segundo este agente secreto de Belém com ordem para aldrabar, a famosa Ordem veio directamente do presidôncio!

    Q.E.D., poderia acrescentar o português mais escutado e investigado (de verdade: são ziliões e ziliões de ficheiros!) da história…

    O resto é espionite meio alucinada, bem divertida por sinal, mais até na linha do famoso Maxwell Smart, agente 89, cheia de olhos misteriosos a espreitar por buracos em jornais, do que do não menos famoso capitão de fragata James Bond. Até porque a única morte definitiva a registar foi a da reputação presidencial.

    Sic transit gloria mundi.

  5. Quanto ao Pacheco, acho que quem anda á procura de algum vestígio de marcha atrás em matéria do free-for-all da calúnia em que o nosso pandita mediático número um participou com denodo, bem pode tirar o cavalhinho da chuva.

    Será preciso lembrar as Armas de Destruição Maciça do «novo Hitler» Saddam, que passaram, para o nosso analista e comentador, no decurso de uma escassa década, de certezas inabaláveis e ataques à ingenuidade dos milhões de loucos incrédulos que se manifestavam nas ruas, a aparências enganosas que «nessa altura» tinham convencido e induzido toda a gente sem excepção, praticamente toda a população informada do globo?…

    O Pacheco pode andar de lado como o caranguejo e confundir alguns optimistas, mas nunca faz marcha atrás.

  6. Leia-se «tinham convencido e induzido toda a gente sem excepção, praticamente toda a população informada do globo, <em erro». Faltou o que agora pus em negrito, o resto são as habituais pequenas gralhas sem importância.

  7. Bom dia, Valupi. Finalmente reune aqui os textos principais do Pacheco Pereira que ilustram bem o modo como este “ilustre intelectual/historiador (?)”, se comportou SEMPRE ATÉ TER DADO A VOLTA CONTRA O PSD (DE PASSOS COELHO)…. Uma guerra aberta em que todos os meios serviram (et comment!) para levar à derrota o PS de Sócrates!

    … Sobretudo, a declaração que P.P. fez sobre a necessidade de divulgar o conteúdo das célebres cassetes da “Face Oculta”!

    Agora vem com a sua análise “independente” sobre as “ameaças” que a UE faz a este governo….!

    Estarei sempre desconfiada sobre os seus verdadeiros motivos….

  8. O soberbo intelectualóide Pacheco Pereira, lamento sinceramente dizê-lo, é hoje apenas mais uma molécula de MERDA, apodrecendo no lodaçal infecto dos últimos oito anos da pulhítica à brutoguesa. E inteligente como é – ao contrário da multitude de tansos que a cumenicassão çussial conseguiu ludibriar de Norte a Sul do País -, só se pode queixar de si próprio.

    Desde há anos, passámos todos a cagar, com gosto, também para ele…

  9. Exactissimamente.
    São memórias como estas, muito bem escritas, que me fazem sentir bem e apreciar tomar Aspirina B.

    O inchado de ódio p.p. já incomodou mais.
    Rápido vai desdizer-se e passar a bola que jogou atá agora a alguém.
    Fazia melhor usando a cabecinha para se tornar o historiador de memórias que gostava de ser e, poderia ser.

    Empertigou-se demais no ódio a José Sócrates e na defesa clubística irracional do partido que parece só ser seu quando as figuras são cínicas e secretas podendo usar propaganda demagógica e lançar ódio sobre opositores superiores.
    A linguagem hoje usada pelo mãnhas, as técnicas de calúnia e assassinato de personalidade foram lançadas por p.p. no tempo em que levava cavaco e ferreira leite às costas com truques usados nas muitas tribunas a que tinha e tem livre acesso.

    Quem tem memória dos actos, expressões, esgares, e maquiavelismo, nem ao jovem do pcp envolvido no inquérito sobre o “asssalto” aos media que, todos sabíamos nas mãos da direita mais reaccionária, lhes perdoa.
    Foi até agora, a mais a vergonhosa acção dirigida por uma direita sem moral e sem ética na casa da República.

    Quando oiço e vejo comentadores com adão e silva, clara f. alves, daniel oliveira, pedro m.lopes e outros com deveres deontológicos e éticos insistirem no estribilho da moral no fim de comentário (pack-shot/slogan) subscrevendo o labelo acusatório usado por um ministério público em roda livre e o dito juiz de direitos e garantias dos cidadãos sobre o Ex. P.M. José Sócrates :
    – fico à espera do dia que a praga lhes caia em casa como merecem. .

    Será mais fácil para p.p. por longa experiência em tirar o cavalo da chuva.
    Analisará com o tal olhar turvo o que o levou descompor-se.
    Saberemos então o porquê da engorda, arroxear e assanhar no ódio ao Ex.PM José Sócrates.

    Vai ficando tudo mais claro :
    – na praça matas
    – praça morres.

  10. A contínua condenação de Sócrates visa precisamente conciliar o golpe perpetrado pela maior quadrilha que jamais existiu a oeste de Pecos.
    E o Lee Oswald da democracia portuguesa. ‘Tava tudo montado, bastava colocar o “pato” no local do crime. A primeira tentativa falhou(escutas), a segunda não podia falhar(PecIV). O PPereira falhou na primeira e guardou eterno ressentimento tanto pelo alvo como pelo bem sucedido sucessor. Ninguém gosta que lhe demonstrem a sua própria mediocridade. O PPereira e um caso estudo e a demonstração, quase cientifica, de que a cultura e/ou inteligência não são as maiores virtudes humanas. Sem a sombra de um forte caracter facilmente ficam refens da mesquinhez e da oca ambiçãoe ao serviço da canalhice.

    A cena da apresentação do livro pelo Passos demonstra até que ponto a esquerda exibe uma confrangedora submissão psicologica perante a direita. Em vez de o deixarem errar, avisaram-no para o erro. Se não existe aqui uma inconfessável atracção pelo gajo vou ali já venho. Auto-boicote? …Por outro lado compreende-se que numa análise simplista seja muito mais fácil lidar tendo um cadaver na oposição do que qualquer outro gajo vivo. Mas este não é um caadaver poollitico normal, e o gajo que mais infelicidade e miséria criou depois do 25 A. Moralismos imorais.

  11. … sobre «os textos principais», dedicado especialmente ao Corvo Negro, ao Manuel de Castro Nunes Nogueira de Carvalho Freitas Guimarães por extenso, Poeta do Orpheu Passadista e Nada e perdoem-me se me escapa alguém importante.

    http://catalogo.bnportugal.pt/ipac20/ipac.jsp?session=1F74475F8255F.7212&profile=bn&source=~!bnp&view=subscriptionsummary&uri=full=3100024~!616353~!0&ri=5&aspect=basic_search&menu=search&ipp=20&spp=20&staffonly=&term=Neves,+Jos%C3%83%C2%A9+das&index=AUTHOR&uindex=&aspect=basic_search&menu=search&ri=5

  12. MacPresident (Movimento de Apoio Conan à Presidência)

    “Donald Trump has pledged to create 25 million new jobs. All of them in the profession of fact-checking.”

  13. Últimas na capa do «i»: «Braço direito de Lula é peça-chave da operação Marquês (…) Investigação do i e do jornal “Estado de S. Paulo” revela que irmão de Dirceu se prepara para contar tudo o que sabe».

    Esgotadas pois as provas em Portugal, misteriosamente desconsolidadas por um UFO que passou por cima do DCIAP e destruiu através de um poderoso campo magnético os zilliões de quintiliões de trilipitões de bytes de consolidações, eis que o MP português resolve atravessar o oceano para procurar mais consolidações no Eldorado da delação premiada perante a qual não há crime que resista!

    Estarão as preces do juiz das liberdades e garantias e grande virtuose da prisão preventiva espectacular a ser ouvidas pelos seus homólogos de além-Atlântico? O futuro dirá. Não perca os próximos episódios da enésima temporada da saga!

  14. Sublinhando o óbvio, no caso Lula, para benefício dos leitores apressados:

    «Delcídio, que assinou um acordo de delação premiada com a Justiça, apontava Lula como o comandante do esquema de corrupção na Petrobras — uma suspeita com a qual os investigadores sempre trabalharam, mas que ainda não haviam colhido evidências capazes de sustentar uma acusação. O site do jornal O Globo informou hoje que o ex-senador formalizou a denúncia contra Lula».

  15. Já há juízos de valores e processos de intenção para todos os gostos. E à medida que o tempo passa e os indícios fortíssimos não produzem nada resta o quê? Eu como não sou muito dado a juízos de moral duvidosa vou voltar-me a repetir.

    Sobre a desfaçatez das câmaras de televisão no aeroporto, que só por si explicaram logo tudo. Nenhum Estado de Direito que se preze utiliza câmaras de televisão numa detenção. Nenhum Estado de Direito vai ao aeroporto deter alguém que acabou de entrar no país, salvo claro razões muito especiais conhecidas de todos. Que se saiba Sócrates não andava fugido a nenhuma Justiça. De flagrante delito também nunca ouvimos falar. Muito menos de algum assalto planeado para o dia a seguir. Muito menos o último PM, facilmente intimado para prestar qualquer tipo de declarações. Com muito menos prejuízo para o país. A não ser claro o tempo de comentário na RTP. Onde finalmente decidiu voltar à arena pública. Para realizar o seu ajuste de contas público com Cavaco e ao mesmo tempo, o único espaço de verdadeira oposição ao Governo que o sucedeu. Até hoje, a interrupção dos comentários é a única razão que se destaca como a verdadeira razão da detenção.

    Indícios fortíssimos – quando até hoje – nem a detenção e subsequente prisão preventiva conseguem justificar? Com matéria de facto ninguém incorria nem ninguém necessitava de tanto show-off. A maior evidência do apelidado processo Marquês é que passados dois anos continuamos sem nada que justifique a detenção ou a prisão preventiva de um ex-PM. Pelo menos num Estado de Direito Democrático. Já os juízos de valor e os processos de intenção nunca precisam de justificação. Cada um faz os que quer. Como a presunção e a água-benta.

    P.S. Do outro lado do Oceano a mesma pouca-vergonha judicial.

  16. Ainda bem que a pretexto de PP trouxe à memória uma coisa que me interessa, em tempos eu disse que Cavaco tinha “interferido” nas eleições de 2009 e prejudicado Manuela F. Leite por ter dito que não tinha fundamento o caso do microfone, depois tive que recrificar porque não foi bem assim, mas ressalvei que tinha sido qualquer coisa que ele tinha dito, eu tinha uma forte ideia que ele tinha de certo modo prejudicado MF Leite e cá está então a questão, foi demissão do assessor de imprensa, anunciada antes das eleições.
    O assessor e o caso do microfone estavam intimamente ligados .

    “””Setembro 2009

    O Presidente da República tem certamente coisas graves para dizer ao país e entendeu que se as dissesse interferia no acto eleitoral. Muito bem, compreende-se que o faça, embora também se interfira na campanha por omissão. Mas o Presidente rompeu o seu próprio silêncio e “falou” através da demissão do seu assessor de imprensa e, sendo assim, interferiu de facto na campanha eleitoral. Mais valia agora que dissesse tudo para não acordarmos no dia 28 sabendo coisas que mais valia que fossem conhecidas já. Para contarem para a decisão de voto dos portugueses, com cujo resultado final ele já está inevitavelmente comprometido.”””

    Quanto ao resto, PP foi, na verdade, execrável enquanto actor do cavaquismo e lider parlamentar do PPD, mas mudou, e já dizia o outro, o que meteu o socialismo na gaveta “só os burros é que não mudam”, corrupção existiu e existirá sempre, existiu porque senão, não teria sido nomeado Costa Brás como Alto-Comissário Contra a Corrupção ( foi nomeado pelo governo em funções em 1975/1976, função em que viria a ser depois confirmado por eleição da Assembleia da República, tendo exercido o cargo entre 1983 e 1993 ) . Basta ver quem estava no poder nessa altura e o que Costa Brás disse e deixou escrito como recomendações.
    Que não existiu grande ou até nenhum empenho contra a luta contra a corrupção durante e decorrente do cavaquismo ( fundos comunitários ) é verdade, mas agradeça ao que meteu o socialismo na gaveta, porque na altura então já PR, e Cavaco como PM, num conciliábulo com o então Procurador Geral Cunha Rodrigues, intimidou-o e desencorajou-o com a seguinte punhalada florentina “mas vocês querem uma república de juízes? “ . Estava-mos no epílogo das operações mãos limpas em Itália que pelo meio envolveram assassinatos de juízes, e culminaram na descoberta dos escândalos Andreotti e Betino Craxi – que aliás foi condenado em tribunal e visitado no exilio na Tunisia .
    E isto é tudo verdade . É o que interessa .

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.