Na república dos cidadões iguais

O discurso de Sua Excelência o Presidente da República, na 41ª Sessão Solene Comemorativa do 25 de Abril, foi interrompido por vários aplausos dos deputados do PSD e CDS. Eis as passagens que eles saudaram:

– Aplausos para a descrição positiva da economia nacional

– Aplausos para o apelo ao regresso dos jovens emigrados

– Aplausos para o apelo ao consenso em nome do interesse nacional

– Aplausos para o combate à corrupção + 1 + 1

– Aplausos para o mérito como critério de recrutamento na administração pública

– Aplausos para a qualidade dos serviços públicos como factor da qualidade da democracia + 1

– Aplausos para a defesa do SNS

– Aplausos para a elevação do debate, acabando com as difamações e calúnias

– Aplausos para a celebração dos compromissos de Abril

– Aplausos finais, de pé

Duvido muito que os deputados do PSD e do CDS sejam hipócritas. Não creio nessa hipótese porque é sabido que a gente séria e os filhos-família só escolhem esses dois partidos para exercerem a sua actividade política, desde sempre e para sempre. É também do conhecimento público que o PS selecciona os seus deputados, dirigentes, militantes e até os simpatizantes de acordo com atestados médicos onde se diagnostique baixeza moral e a pulsão para a violação da Lei na primeira oportunidade.

Não se tratando de hipocrisia, portanto, os aplausos exibiram as convicções e práticas da Maioria. Revelaram estar de acordo com o empobrecimento dos portugueses para além do que o Memorando impunha, revelaram estar contra os convites para que os portugueses abandonassem a chamada “zona de conforto”, revelaram abominar a pressa em ir ao pote e com isso afundar-se o País num resgate de emergência, revelaram que a luta contra a corrupção é o combate das suas vidas, revelaram estar muito chateados com as políticas do Governo de recrutamento de quadros para o Estado através do cartão partidário, revelaram que tudo têm feito para melhorarem os serviços públicos, revelaram que estão felizes e contentes com o que se passa no SNS, revelaram serem alérgicos à chicana, à difamação e à calúnia, revelaram que se inspiram no exemplo da Assembleia Constituinte e seu espírito de compromisso, e, finalmente, revelaram que Aníbal António Cavaco Silva é o seu grande líder, o modelo supremo das qualidades e virtudes da direita portuguesa.

Do que mais gostei, e em sintonia com a tripla de aplausos, foi do entusiasmo com que os deputados do PSD e CDS mostraram estar com o Presidente da República nesse pleito homérico contra a corrupção. Se há pessoas em Portugal que consigam ter mão nesse flagelo – que de tão ubíquo nem precisa de números, só de títulos na imprensa especializada – são os deputados do PSD e do CDS, guiados pela presciência e coragem do actual Presidente de todos os portugueses.

[clap!clap!clap!]

4 thoughts on “Na república dos cidadões iguais”

  1. clap! clap! clap! para ti valupi, que mostras tão bem o tipo de homens? que nos governam.

    Só espero que o povo abra os olhos, pois a campanha de desinformação já começou…

  2. Um bem urdido “suponhamos”.
    Este discurso manhoso e de traição da verdade, naquele dia e naquele lugar soou tão falso quanto o vermelhão dos cravos em duas fileiras compactas e grossas a fazerem lembrar, não a Revolução dos Cravos, mas os lábios pintados/esborratados de uma puta velha. Naquele dia e naquela hora, a casa da democracia estava transformada num bordel rasca. Nem sei o que faziam ali e como puderam aguentar discurso e aplausos, os deputados honestos, que também os havia lá.

  3. Hum, estes dois aí de cima são de facto o exemplo da democracia que não se quer. Podiam perfeitamente sentar-se à mesa com o Sr. Presidente. Tal como este, aqueles também não sabem…comer.

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