Milagres de S. Caetano

Que as dificuldades económicas de Portugal, com décadas ou séculos de lastro estrutural e cultural, serão resolvidas pelo PSD em poucos anos interrompendo as obras públicas, acabando com serviços públicos e baixando os impostos das pequenas e médias empresas.

Que o PSD, ganhando as legislativas em Setembro, começaria logo a trabalhar para a crise grega de que só haveria conhecimento no mercado em Janeiro e consequências para Portugal em Maio.

Que os eleitores estão condenados a levar o PSD para o Governo nas próximas eleições mesmo sem conhecerem as suas propostas, como se o Poder lhes tivesse sido usurpado pelo PS e não existissem soluções alternativas para formar um Executivo sem sociais-democratas.

Que Sócrates, em simultâneo, tudo faz para se agarrar ao Poder e para fugir dele.

12 thoughts on “Milagres de S. Caetano”

  1. Gostei, e destaco a última frase. De facto, é o que se tem ouvido por essas televisões fora nestes dias, onde o PSD assentou definitivamente arraiais. Que Sócrates não está interessado em negociar, porque o que quer mesmo é ir-se embora, dizem uns, e que está tão agarrado ao poder que é capaz das piruetas todas para não o largar, dizem uns também.

  2. E basta uma simples pesquisa no google para descobrir a oração que anda na boca de tanta gente:

    “Glorioso Protector nosso São Caetano, que tanto vos distinguistes na virtude da esperança, que evitaste os meios humanos que vos ofereciam os poderosos da terra para o sustento do nosso partido esperando tudo da Providencia;
    Alcançai-nos que vivamos com a inquebrantável esperança de que Sócrates nos concederá pelos erros do seu Governo a maioria eterna junto com os meios para consegui-la, e que nossa confiança de alcançar os bens temporais não se veja jamais confundida. Amém.”

  3. (Também há uma oração a São Bento mas essa parece-me estranha porque mistura futebol e política e a isso nem um santo se atreveria…

    “A Cruz sagrada seja minha Luz
    Não seja o Dragão meu guia
    Retira-te Satanás
    Nunca me aconselhes coisas vãs
    É mal o que tu me ofereces
    Bebe tu mesmo do teu veneno

    Rogai por nós bem aventurado São Bento
    Para que sejamos dignos das promessas de Sócrates ” )

  4. «Amen Jesus mija o Zé», Teresa. A minha avó pronunciava tão mal e tão depressa a piedosa jaculatória, que era aquilo mesmo que eu percebia. Na verdade, ela estava a rezar o «Amen, Jesus, Maria e José» da Sagrada Familia, com direito a 150 dias de indulgência.

  5. Bem, já que se começou a tergiversar posso contar duas histórias.

    Os meus avós maternos viviam na Covilhã e nós no litoral portanto cada vez que eles faziam anos o ritual era sempre o mesmo – a minha mãe chamava-nos a todos à sala do telefone, o telefone sempre esteve na sala de visitas, não sei bem porquê, punha-nos em fila e eu e os meus irmãos dávamos os parabéns à vez dizendo sempre a mesma coisa ” Parabéns com desconto”, que era o mesmo que eles nos diziam a nós. Isto nunca fez qualquer sentido para mim mas como as falas da Covilhã eram estranhas eu dizia o que tinha a dizer não fossem levar a mal. Já era bem crescidinha, mais de 16 anos, quando finalmente percebi que afinal a fórmula certa era “parabéns, muitos conte”.

    As minhas filhas, pouco frequentadoras de missas, só ouviam a Avé- Maria quando na varanda da avó viam passar as procissões e durante muito tempo repetiram exactamente o que ouviam o padre dizer “Avé Maria cheiraça”

  6. Atenção porque o Coelho tem um plano b. Bendito seja, porque todos temos e já existiam dúvidas de estarmos em presença de uma anormalidade. A não ser que a Merckel lhe tenha segredado ao ouvido, “borrifa-te para o défice, aí até 18, 20%. Depois logo se vê” nunca saberemos qual era o plano. Isso já nem interessa nada. O meu plano b? Votem em mim e logo o ficam a conhecer.

  7. A morte de Sócrates
    Não, não estou a falar das sondagens. Estou a falar do “caso Vítor Baptista” e do “caso Ana Paula Vitorino/Mário Lino”. São gravíssimos, mas já ninguém liga. Sócrates está morto, mas levou consigo a nossa dignidade pública.

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    I. No início do mês, um braço direito de Sócrates (André Figueiredo) foi acusado de tráfico de influências por um deputado do PS. Vítor Baptista, o dito deputado, disse que foi aliciado com um cargo numa empresa pública (eis a grande utilidade “social” do Estado) a troco da sua não-recandidatura ao PS de Coimbra. Se não me engano, André Figueiredo vai processar Vítor Baptista, invocando a ladainha do costume: “Ai o meu bom nome”. Mas o ponto aqui é outro: o Ministério Público já abriu um inquérito a este caso? Está aqui em causa um possível crise de tráfico de influências. Um crime público, portanto. Mas, até agora, ainda não vimos nenhuma actividade do MP. Está tudo a dormir na rua da Politécnica? Ou será que as guerras civis entre procuradores ocupam toda a energia dos ditos procuradores? E o pior é que tudo isto se passa perante a passividade do país, em geral, e das elites, em particular. Já ninguém liga. Os anos Sócrates mataram aquilo que restava da nossa moral pública.

    II. Entretanto, rebentou um dos casos mais graves de sempre: pela primeira vez, uma ex-governante, Ana Paula Vitorino, disse claramente que foi pressionada por um ministro, Mário Lino, no sentido de beneficiar x e y . Isto é de uma gravidade absoluta. Porque Ana Paula Vitorino quebrou, e ainda bem, a Omerta socialista. Mas – lá está – já ninguém liga. E porquê? Será por causa do debate sobre o orçamento? Com certeza, o debate sobre o orçamento consumiu o oxigénio mediático. Mas, mesmo sem orçamento para discutir, este caso não teria o impacto que devia ter. Porque já ninguém liga. O regime funciona apenas de forma mecânica. Não tem vitalidade moral.

    III. Estes dois casos constituem a estocada final em Sócrates. Mas o pior é que Sócrates leva consigo a nossa dignidade enquanto comunidade política, enquanto espaço público. E, neste ponto, convém frisar o seguinte: todo o espaço público está ligado à máquina, mas há um actor que se destaca pelo ar particularmente cadavérico – o PS. O que dizer do PS? O PS aguentou Sócrates mesmo quando este se envolveu nos escândalos e casos que todos conhecemos. O PS aguentou “socráticos” inenarráveis como o senhor dos gravadores. É triste, mas a verdade é esta: o PS, meus amigos, só começará a expulsar Sócrates quando as sondagens indicarem a morte política do primeiro-ministro. Ora, tendo em conta os últimos sinais , os anjos bons do PS vão começar finalmente a aparecer. Que bravura.

  8. Quem reelegeu o Pinocchio trafulha em 2009 que pague os desmandos e a irresponsabilidade do sujeito!
    Entre mentiras, caixas de robalos, pequenos-almoços pagos a peso de ouro, PPPs e saques fiscais, foi calma e impunemente empurrando Portugal para o buraco.

    O trafulha pode furtar-se ao julgamento da nossa (in)justiça. Pode até tentar furtar-se ao julgamento político. Mas jamais conseguirá furtar-se ao julgamento da história. A primeira década do séc. XXI português foi uma década tenebrosa.
    E a essa tragédia ficarão colados o PS e o seu chefe mais MENTIROSO, VIGARISTA E ALDRABÃO de sempre.

    PS – Fiquei comovido ao ver o tiranete Chavez a prometer ajuda a Portugal, para gáudio do Pinocchio: é que Portugal, a Grécia e… a Venezuela, serão os três países do Mundo(!) que menos crescerão nos próximos cinco anos!

  9. Deixem lá Trafulha e Tanga, que ainda nos resta a dignidade de Cavaco e o seu amigo Dias Loureiro, mais o buraco não de tostões ou pressões e impressões (para já só na boca dos mesmo magistrados que inventaram um Atentado Contra o Estado de Direito) mas de biliões no BPN. Sabem quem tem o dinheiro? Alguns vão aparecendo: 40 milhões, cem milhões acolá…E são amigos de quem, se o BPN era dos laranjas? Quantos ministros e outros governantes do PM Cavaco por lá andaram? Isto não interessa nem aos magistrados que sopram investigações «a fazer» que vão dar tanto como o Freeport, nem a toda a comunicação social, virada toda para o mesmo lado. E a vocês, Trafulha e Tanga, interessa? Naaaaão! que estão lá os nossos amigos!

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