Mais vale ser um bêbado conhecido do que um alcoólico anónimo

Eduardo Pitta verteu lucidez na febre paranóica que faz de um opositor político o testa-de-ferro de um bando de inimigos, ou que se recusa a aceitar um pseudónimo como valor igual, ou maior, ao do nome que aparece no BI. Em relação ao puro anonimato, em que não há qualquer sinal que permita identificar o indivíduo nessa condição, importa recordar que tal escolha é um direito fundamental em variadas circunstâncias, o qual se consagra nas constituições democráticas como garante de liberdade. É o que faz com que o voto seja secreto, por exemplo, o que implica reconhecer que o poder político se legitima pelo anonimato. É por isso abstruso, para além de parolo, vir exigir na Internet – o meio onde o anonimato pode até ser uma atitude de mero bom senso – que os utilizadores veiculem informações que os identifiquem para além do que decidem expor para comunicar e interagir. Ainda para mais quando o que está em causa é só matéria de opinião, o que faz do protesto contra o anonimato algo suspeito de encobrir uma latente tentação persecutória ou a manifestação de um erro de cálculo. Que pode alguém saber de quem assine os seus textos ou comentários com António Silva, Maria Santos, Manuel Costa ou Paula Sousa? Repetindo a pergunta do Eduardo, chapar com um Evaristo Valsassina acaba com a vexata quaestio das identidades na Internet? Só para os que conheçam o Evaristo; esses, e só esses, poderão aferir se há concordância, ou escândalo, com o outro que conhecem ao vivo e a cores.

A minha identidade para além do pseudónimo Valupi não é secreta, é discreta. Nunca a escondi nem o virei a fazer, e sou responsável por tudo o que escrevo com pseudónimo, seja moral ou legalmente. Como as pessoas que me rodeiam, inclusive profissionalmente, conhecem essa propriedade, estamos perante um uso equivalente ao da alcunha. Quanto aos outros que reclamam contra a minha liberdade, esses que também nada mais ficariam a conhecer de mim caso assinasse com nomes e apelidos convencionais, têm bom remédio: apresentem-se.

23 thoughts on “Mais vale ser um bêbado conhecido do que um alcoólico anónimo”

  1. Boa Val.
    Mas, se me permite, uma sugestão : passe a assinar Evaristo Valsassina para ver se os inqusidores passam a discutir a substância dos seus textos.
    Cumprimentos

  2. bem , eu vivo bem com o teu nome blogosférico . se fosses o antónio correa de sampaio lupi …vivia bem também com o teu corpo e simpatia , no real. mas já sei que não se pode ter tudo.
    nesta cena tens ( eu já sei que não me gramas porque não gosto nada do teu mais que tudo ) todo o meu apoio.

  3. Se bem conheço o fenomeno afiliativo português ontem a caixa de correio do Duarte foi a que obteve o maior trafego web, maior que a caixa de reclamações do arquitecto Saraiva, da Zon e da Meo em conjunto. Por isso a questão da tua identidade (como de outros) é simplesmente um falso argumento porque na realidade o seu conhecimento não depende exclusivamente de ti.O resto são reminiscências pidescas de que a nossa direita tanto gosta.

  4. Amigo Val, a tentativa de descobrir da tua identidade está a transformar-se na demanda do Santo Graal da blogosfera. Deves gozar á força toda com este Carnaval gerado á volta de três letrinhas apenas. Vou pedir á D. Rosa para te tricotar um agasalho para te ofertar no Natal com as letrinhas bordadas. E olha qu’ela borda bem, posso-te eu assegurar.
    Um abraço.

  5. O meu parecer:
    Não sei se vai haver uma nova reincarnação. Caso aja, deixo desde já, não sei se vou ser reincarnado, em que data, se vou ser o primeiro. Por isso deixo a solução de em lugar do nome José Tantos se começar com o número um e por aí sucessivamente. Com isto não podia haver números anónimos éramos todos conhecidos quando opinássemos.
    Desde já faço uma declaração de interesses. Aceito qualquer número menos o sessenta e nove.

  6. luis eme, escapou-te que estou a comentar um texto do Eduardo Pitta, e que não fui eu a levantar a questão. Tirando isso, que é tudo, tens razão.

  7. O Duarte corajoso lá continua com o post em que te chama cobarde, apesar de teres tido a pachorra de o ir conhecer pessoalmente mais os seus amigos.

    Insultos públicos, desculpas privadas.

    É nestas coisas que te revelas imensamente superior a esta gente.

    Continua VAL.

  8. o conteudo, o fundo, a boa escrita e o que da prestixio o blogue, não o nome seja o que for, ou sejam quem forem. chame-se x,y, z ou & ( saudos galegos). adiante Val.

  9. Edie, o Duarte faz bem em manter esse texto, visto estar publicado e fazer parte do acontecimento, fazer parte da história. Durante o encontro ninguém pediu desculpa a ninguém, pois todos tinham as suas legítimas razões e, na verdade, não existia qualquer ofensa.

    A blogosfera é como um recreio de escola, para etiquetas e seriedades não faltam ocasiões e lugares outros.
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    Vasco Polido, acho que não.
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    reis, muito obrigado pela tua simpatia. Viva a Galiza!
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    jv, nem mais. Há muitas vantagens em podermos usar máscaras, incluindo essas de assim se permitir uma mais fiel expressão pessoal.
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    António P., os inquisidores nunca largam, seja lá qual for o pretexto. É uma lei tão válida no passado como no presente.
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    MF, está muito enganada: eu gosto que sejas livre. Portanto, gosto que não gostes do mais que tudo e mais alguma coisa.
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    Primo, tão simples que confunde os básicos.
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    aires bustorff, grande abraço para ti e para a tua liberdade.
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    K, é provável, imaginas muito bem. Mas talvez numa intensidade de tráfego um bocadinho mais reduzida.
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    &, é.
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    jafonso, daqui mando os meus mais calorosos e respeitosos cumprimentos, seguidos de agradecimentos, para a Senhora D. Rosa.
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    Manuel Pacheco, podes ficar descansado que o 69 já não deve estar disponível. Há muita procura.

  10. He, he,he. O caso da identidade do Valupi está a ganhar uma dimensão e contornos tais, que o colocam lado a lado com o Senhor Palomar, o outro grande mistério da blogosfera.

  11. De forma Geral concordo contigo e com o Ppita, eu próprio faço uso de uma alcunha, embora pouco!

    Aliás, este assunto é mais ou menos recorrente e o facto de vires a terreiro falar do assunto é sintomático.

    Nós (os que passamos por aqui) temos-te pelo o “nosso” Ricardo Reis!

    No entanto, como um nome em concreto identifica uma posição e define a independência das opiniões, compreenderás nada é mais falso do que esconder um Pacheco Pereira ou Santos Silva atrás de um “vrenheque”.
    Dizes que a malta lá gabinete sabe que tu és, o mesmo se passa comigo, no entanto, não te esqueças que não estás escrever no jornal lá da secção, isso faz toda a diferença.

    Sabes também que o fenómeno Astroturfer é tão antigo como a Internet, sim pré mosaic.

    Basicamente quem ler um post teu tem alguns dilemas e pode levá-los ou não a sério! Pode interrogar-se: Este tipo é pago para escrever isto ou não? Este gajo é um assessor do Sócrates ou não? E por aí fora

    Continua! Não nos tires os momentos do bom humor, é nessa secção do meu RSS reader que os tenho catalogados!

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