Louçã nas muralhas da cidade

«Conclusão, o que correu mal nos prazos ainda pode correr pior. Mas se o resultado for que um caso de corrupção é julgado vinte anos depois do início da investigação, trata-se então de um fracasso irremediável.

Depois, foram os truques. E, desta vez, foram todos à uma: a prisão preventiva sem suficiente justificação processual, na base de suspeitas que foram entretanto abandonadas e substituídas por outras, ou a insistente divulgação de peças em segredo de justiça, incluindo gravações áudio e vídeo de interrogatórios em jornais preferencialmente especializados nesta indústria, seguindo a estratégia de mobilizar a opinião pública para um julgamento prévio. Pela insistência nestas técnicas, já não se pode acreditar que quem usa este método no MP, os funcionários ou eventualmente algum advogado que promova este crime de violação do segredo acreditem ou respeitem o valor da justiça, antes preferindo um ganho circunstancial num causa particular, mesmo que a cidade arda toda. Se me parece fundamental evitar o abuso da prisão preventiva, já a consequência da persistente revelação seleccionada e criminosa de peças da investigação só tem como único remédio possível a abolição radical do segredo de justiça, ou a violação de direitos dos cidadãos. O que os corruptos agradecerão, dificilmente será possível investigá-los.»


O que tinha que ter sido diferente no processo Marquês

10 thoughts on “Louçã nas muralhas da cidade”

  1. O que tinha de ser diferente no despacho do Dr Ivo Rosa para a direita ter um orgasmo múltiplo era não ter desmoronado a acusação do MP………

  2. O Louçã foi mais uma das “vítimas” do animal feroz por isso, continua a instilar
    algum veneno e, como muitos outros, alinha nas narrativas da dupla Calex +
    Rosex na sua tarefa de justiceiros de meia tijela, na “operação Marquês” uma
    acção montada para neutralizar José Sócrates na vida política!
    O Juiz Ivo Rosa foi claro ao afirmar que apesar de prescritas as acusações não
    tinha qualquer suporte de prova pois, tudo era meras suposições por vezes
    incoerentes e sem vestígio de lógica isto no que concerne à dita corrupção cu-
    jos, indícios diziam ser muito fortes para justificar uma prisão preventiva!
    No meu entender o Juiz foi muito benevolente para com o M.Público se for
    tido em consideração o efeito negativo para a forma como o país passou a ser
    visto pelos potenciais investidores estrangeiros que, nos passaram a ver como
    uma república dos corruptos aliás, o mesmo se aplica para as virgens da trans-
    parência que, passam e ganham a vida, falando da corrupção sem provas!
    Depois, temos os éticos que já esqueceram as prebendas que foram recebendo
    mesmo no exercício de funções políticas tais como; Férias e viagens pagas, se-
    jam em hoteis de 7 estrelas (2000 euros noite) ou em iates etc. etc. não esque-
    cer aquele que, dizia ter não amigos que lhe emprestassem dinheiro veio a saber-
    -se que até usou empréstimo de dinheiro vindo da corrupção de um procurador
    amigo já julgado!!!

  3. Mas no meio disto tudo existe uma franja da sociedade Portuguesa que foi e é impoluta, houve BPN, BPP, Sociedade Lusa de Negocios(acções), Ferrostal (submarinos), O caso do desbaste de sobreiros(última noite de um governo) depois ainda há muitas coisas que faltam explicações como CTT, EDP, REN, GRUNDEFORCE etc, etc que a Diva da Justiça muito elogiada pela tal franja da sociedade(Joana Marques Vidal) nunca entendeu investigar.

  4. Depois de, pelo menos, sete anos, terá ela, esta Operação Marquês, chegado, não ao fim, mas ao princípio do fim? Não é certo, é mesmo duvidoso. Anteontem dia 9 de abril de 2021, foi lida, não a decisão instrutória de 6700 páginas, mas um seu resumo, e fê-lo quem a decidiu e escreveu, o juiz Ivo Rosa. Uma decisão sobre 28 arguidos, entre os quais, José Sócrates, Ricardo Salgado, Santos Silva, Armando Vara, acusados de vários crimes. Deles, dos arguidos, o “cabeça de cartaz”, é Sócrates, dos crimes. o mais grave, é o de corrupção. É sobre eles que me fixo. Por prescrição ou falta de provas o juiz ilibou-os da acusação de corrupção, a todos, justificando a sua decisão face às incongruências e incoerências. fantasias e desatenções, das investigações e pareceres do Ministério Público. o que, aliás, digo eu, já há muito, muitos pensavam e alguns, muito poucos, denunciavam. Particularmente importante, penso eu, o facto do ex-primeiro ministro José Sócrates ter sido ilibado de corrupção, enquanto efectivo primeiro ministro, dos casos apontados: Parque escolar, TGV, Vale de Lobo, Grupo Lena, Venezuela, além da OPA da Sonae. Sim, importante, porque se tratava do primeiro ministro do país. Quanto às suas relações com o seu amigo Santos Silva, aos empréstimos, que tenho eu, que temos nós a ver com isso? É da sua vida particular. É feio? É bonito? É ético, ou não é? Encobre alguma irregularidade? Se sim, descubra-se, prove-se e condene-se, mas com legalidade, com seriedade, com decência, o que nem sempre se tem verificado nesta operação, durante todos esses 7 anos. A decisão do juiz Ivo Rosa, apresentada bem explicitamente, baseada em factos concretos, não em suposições, concorde-se ou não, é uma decisão corajosa, de consciência, que não se deixou influenciar, nem intimidar, por avisos ou pareceres contrários, que desafia a generalidade da opinião pública. É uma banhada à maioria dos comentadores e seguidores da Operação Marquês, em particular aos anti-socráticos: os Tavares, os Pachecos, os Ferreiras, os Fernandes, os Carvalhos, os Costas, as Joanas, as Cabritas e muitos outros e outras, não esquecendo, naturalmente, a Vidal, o Rosário e o Alexandre. Sabem a quem me refiro. É me estranha a raiva, o ódio, a José Sócrates. Sinceramente, desconheço que motivos, que razões poderá haver, mesmo relembrando alguns dos seus mais polémicos actos governativos, como a intervenção nas férias judiciais e nas benesses aos juízes, na avaliação dos professores, nas mordomias dos detentores de cargos públicos e deputados. Mas uma coisa é certa, essa raiva, esse ódio, vão manter.se entranhados em muita da nossa sociedade desmiolada, até aumentar, mesmo que já ninguém saiba bem o porquê de tais sentimentos.

  5. É um desfile de homens invejosos e mulheres desprezadas. São motivações privadas.
    Quanto ao Vara, até chifres de alguém há metidos na raiva.
    É estranho assistirmos a isso, as pessoas não se controlam e expõem-se de uma forma que dá vergonha alheia.

  6. Para além da pessoa de José Sócrates e de todas as múltiplas questões ligadas a este mega-processo judicial, que ficará para a História como o mais importante de todo o Portugal democrático, o que mais se destaca neste deplorável assunto é a comprovada FALÊNCIA ÉTICA da Sociedade portuguesa actual, em que uma população inteira se deixa manipular mentalmente pelos grandes senhores da tagarelice social de massas, a ponto de cegar perante a EVIDENTE MONSTRUOSIDADE da condução deste processo judicial falhado, que com base em “acusações vagas, inconsistentes, com omissões e incongruências” arrastou irremediavelmente para a lama um Político discutível, sim, mas que certos sectores poderosos da nossa Sociedade decidiram punir a qualquer preço apenas, ou acima de tudo, por ter logrado a proeza de obter uma maioria absoluta para o seu Partido, caso único na História de Portugal. Inqualificável!

    E perante a patente demolição dessa monstruosidade abjecta, levada a cabo por um Juiz e um Homem que dignifica a Justiça portuguesa e a própria Civilidade social, a opinião pública, independentemente de se poder pronunciar livremente sobre o caso, em vez de condenar a conduta de quem assim desprestigiou vergonhosamente a Justiça e vilipendiou o Povo que lhe confere o exercício do seu poder, decide revoltar-se, raivosamente, contra quem exerceu com brio e dignidade as suas elevadas e meritíssimas funções, unicamente por o seu veredicto nesta fase do processo NÃO PERMITIR CONFIRMAR o julgamento sumário já consumado há muitos anos na praça pública, num espectáculo degradante e repulsivo para qualquer Cidadão decente, com princípios éticos e respeito pelas regras da convivência social.

    Tenho de confessar que NUNCA COMO AGORA SENTI TAMANHA VERGONHA DE HAVER NASCIDO PORTUGUÊS!

  7. Exactissimamente, Marçal Alves.
    Já dizia o Eça, ‘A civilização custa-nos caríssima, com os direitos de alfândega: e é tudo em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas’.

  8. Grande abraço, meu caro Ângelo!
    Bem me parecia que deverias também andar por aqui…

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