Let the nightmare begin

"Abe, because of your reckless decision to take part in an unwinnable war, this knife will not only slaughter Kenji, but will also carry on and cause carnage wherever your people are found," the man says. "So let the nightmare for Japan begin."

Assassino, algures na Síria

A maior parte dos actos de violência, se não forem todos, nasce de uma incapacidade para sentir o sofrimento alheio. A empatia está ausente naquele que reduz o outro aos limites alucinados da sua animalidade. É por isso – por ser no nosso interesse e para nossa defesa – que devemos ser empáticos com aqueles que cometem crimes. Quão maiores e mais horríveis os crimes, mais empáticos precisamos de ser na procura de uma resolução ou prevenção para a destruição em causa. O exemplo supremo será o do nazismo, dada a grandiosidade inumana e complexidade organizada dos horrores cometidos e dada a tipologia cultural da sociedade onde aconteceu. Com os assassinos do “Estado Islâmico” estamos no mesmo território de uma demência que se auto-justifica racionalmente.

É inevitável ter de sorrir ao ver as peças de propaganda do EI. O estilo é copiado dos códigos ocidentais usados na publicidade e no jornalismo. E o propósito de obter a atenção mediática mundial, que as decapitações têm garantido, serve também para acenar com um ideal romântico: ainda é possível um homem pegar numa arma, matar dragões a céu aberto e ser um herói invencível. Para alguém se deixar influenciar por esta retórica primária é necessário que vários elementos estejam reunidos, bastando alguns: nexo identitário, alienação cultural, fragilidade social, perturbação psicótica, pulsão violentadora, desejo suicidário. O que não existe neste grupo é um qualquer projecto político, por isso eles nada pretendem negociar e só lhes resta irem aproveitando o tempo para cometerem mais um excitante crime antes de morrerem na inevitável operação de aniquilamento do EI que está em preparação.

Atente-se neste discurso acima citado. Um taralhouco, cobarde, ameaça 130 milhões de pessoas cujo passado é de tradição guerreira e indescritível sofrimento militar. A menos que tenha sido contratado para representar esse papel, o mais certo é que ele – nesse momento em que tem uma faca e a vida de um inocente na mão – se julgue imortal, protegido por um favor divino que o levará a conseguir assassinar o resto da população mundial. Obviamente, quem assim se apresenta está a pedir para ser abatido sem misericórdia, para alívio universal – embora o melhor para nós, vítimas, fosse o seu estudo ainda vivo e devidamente incapaz de cometer novos crimes.

Atente-se no assassinato de Moaz al-Kasasbeh, encenado para ser um espectáculo grotesco capaz de voltar a garantir novo sucesso mediático. Qual pode ser a única consequência lógica de tal opção? Uma resposta militar implacável de cada vez mais e mais poderosas forças internacionais. É como se o EI estivesse a anunciar que precisa de ser varrido da face da Terra com maior urgência do que aquela até agora mostrada. Para além de ser um marco histórico em termos de violência terrorista, estamos perante um trágico hino à estupidez de quem recusa ser parte da Humanidade.

Pretender assustar ocidentais, ou japoneses, através de assassinatos é de uma ingenuidade infantil. Quase que apetece abraçar estes gajos e oferecer-lhes ajuda, porque estamos perante meninos com gravíssimas carências cognitivas. Não o podendo fazer, que desapareçam do mapa o mais rapidamente possível.

10 thoughts on “Let the nightmare begin”

  1. Val,
    Kobane mostrou o caminho. Só com uma coragem do mesmo tamanho da sua loucura e cobardia a Besta será travada. Com isso e sem os rodriguinhos do Ocidente com as Turquias e as Arábias Sauditas, mais o ódio insanável à Russia, onde fermentou. De outro modo, a pouco e pouco, isto vai tudo pr’ó galheiro.

  2. «Pretender assustar ocidentais, ou japoneses, através de assassinatos é de uma ingenuidade infantil». Pois é nisso que reside a CRUELDADE daquele concreto tipo de DEMO – que consome. Não precisam da ajuda de ninguém, já que tudo lhes sai naturalmente e com resultado.

  3. “É por isso – por ser no nosso interesse e para nossa defesa – que devemos ser empáticos com aqueles que cometem crimes. Quão maiores e mais horríveis os crimes, mais empáticos precisamos de ser na procura de uma resolução ou prevenção para a destruição em causa.”

    “… que desapareçam do mapa o mais rapidamente possível.”

  4. que bela análise. não deixa de ser intrigante como o horror pode gerar beleza e levar-nos até por caminhos românticos em ciclo de sofrimento. e enquanto uns sofrem por psicose e provocam sofrimento, outros apenas deixam definitivamente e involuntariamente de sofrer. esta é uma injustiça a ser travada – porque no extremo da impossibilidade de prevenção.

  5. Propaganda! que é ampliada cinquenta vezes pela forma maciça como é divulgada nos media ocidentais.

    Na prática o ocidente utiliza estes filmes publicitários para fazer a sua própria propaganda, que consiste em preparar a opinião pública para uma intervenção armada de “pacificação”.

    Mas as intervenções armadas custam muito dinheiro, quem as paga são os povos “libertos”. Pagam sob a forma de negócios futuros de venda das suas riquezas naturais a preços de amigo… Mas o preço do petróleo baixou muito nos últimos meses. É natural que não seja rentável fazer esta guerra enquanto não se souber com mais precisão o que acontecerá à cotação do ouro negro. Uma questão orçamental…

    Se este estado de coisas tivesse algo a ver com os sentimentos de solidariedade para com as vítimas de decapitação, teríamos observado de há um ano para cá, com a mesma intensidade, imagens dos horrores que ocorreram na Nigéria, por exemplo. Não devem faltar por lá exemplos de pessoas ocidentais mortas à catanada…

  6. ó let stupidity continue, oube, bamus fazerre um charlie hebdo? qué ca tu axas? cum imagens de massamá e monte abraão?

  7. Estou contigo, Manolo.
    Mas podes tirar o cavalicóque da chuva se esperas que o pessoal raspe a ramela que lhes cola as pestanas. Dá trabalho pensar fora das balizas e, depois, chamam-nos teóricos da conspiração, ou seja: maluquinhos’.
    Por isso, mais vale aventar umas teorias idiotas e estapafúrdias sobre umas entidades maléficas que têm uma agenda geoestratégica que (só por acaso, claro!) se enquadra com as ambições de alguns países poderosos (estou a incluir Israel) e legitima a perseguição e genocídio dos muçulmanos que estamos a assistir, assim como a destruição total das suas infra estruturas e roubo descarado dos recursos.
    E viva a liberdade de expressão!
    Ah, desculpem, é que eu estava a falar do Dieudonné.

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