Lapidar

«Há uns anos, num interessante episódio porventura já esquecido, o inspetor de finanças que liderava a investigação afirmava que uma certa notícia só poderia ter tido origem nele próprio, no procurador ou no juiz. Nenhuma consequência. Agora a nova operação desenrola-se com o mesmo inspetor, o mesmo procurador, o mesmo juiz e, de novo, nada acontece. A cumplicidade do sistema judiciário com estas práticas começa a ser absolutamente escandalosa. Não é apenas abuso de poder, mas a obscena exibição pública de um poder ilegítimo que acabará por corroer a confiança nas instituições de investigação. O que estamos a ver é um Estado a ajoelhar perante agentes que, em seu nome e por via de regra, violam a lei.»


José Sócrates

12 thoughts on “Lapidar”

  1. já conhecia este desabafo, era mais ou menos parecido na sua essência, antes de agora . e só não chorei porque, ao mesmo tempo, estava a ler outro livro que me fazia tanto rir como sorrir.

  2. Quando ouvi, nas primeiras notícias sobre a “investigação” no Porto, os nomes do procurador e juiz intervenientes, e nem sequer sabia ainda da participação do inspector de finanças, pensei exactamente o mesmo: com artistas destes, isto será provavelmente uma mão-cheia de nada, uma cabazada de elucubrações sem pés nem cabeça que irá desaguar, inevitavelmente, numa cabazada de merda. Felizmente que ainda temos o sacana do “animal feroz”, que teima em não baixar a bola. Não baixa a bola e não morre, caralho! Bendito seja!

  3. De uma lapidação também é merecedor o “autor” da frase “À política o que é da política e à Justiça o que é da Justiça” que segundo o próprio pretende sublinhar a separação de poderes. O seu governo acaba com duas pastas nas mãos de uma representante da magistratura do Ministério Público: Justiça e Segurança do Estado. Não é um mero simbolismo, é mesmo a negação da separação de poderes e a abdicação do civilismo em favor do poder corporativo por mera cobardia.
    Perante o que Sócrates expõe e acusa se alguém pensar que a luta de Sócrates é a mesma de Costa só pode estar imbuído do cinismo gargalhante do mais belo e querido líder do universo.

  4. Meus e minhas, só agora estou a ver o ‘Jornal da Noite’ de ontem, da SIC. Confrangedor, absolutamente sick, o ‘último’ (?) acto da megapeça ‘Tiro ao Cabrita’, protagonizada pelos canastrões Mano Costa e outro de que nunca lembro o nome mas em que as veementes torções de ‘indignação’ a que sujeita a beiçola, quando fala, reflectem certamente as torções intestinais que lhe moldam a alma. O desespero implícito, a quase raiva de quem se sente à beira, beirinha, de ser privado de munições para continuar a alimentar o frete merdoso que faz ao patrão real e aos patronos espirituais! A desorientação de quem, quando se aproxima a batalha crucial, percebe que vai ser privado de pretextos para a guerrilha de merda que há muito leva a cabo e a que abusivamente chama jornalismo. Para exprimir o que me vai na alma, resta-me o americano erudito: PHODA-SE! Em mandarim: REPHODA-SE! Em cantonês: REPHOPHODA-SE!

  5. Numa coisa que se chama Nascer do Sol o 1o parágrafo da peça de jornalismo informativo onde se transcrevem as transações indevidas entre a Direção do FCP e agentes de futebol,
    construtores e agentes imobiliários informava sobre negócios que ainda não tinham sido feitos mas que MP desconfia que estavam a ser preparados. Eu estou absolutamente certa que o dinheiro que ali correu fugiu a tudo o que caracterizada transacções limpas mas, não vejo como , num documento deste teor , se pode falar em supostos ilícitos que iriam ser concretizados. Iriam nem sequer se diz iam.

  6. «A cumplicidade do sistema judiciário com estas práticas começa a ser absolutamente escandalosa. »

    A cumplicidade com tais práticas não compreende apenas estes agentes judiciais e o jornalimo de pasquim made “cm”, aliás, quase integral no país.
    Há na Sociedade política portuguesa uma oportunística e miserável cumplicidade oculta em manter Sócrates em estado de “morto” sob o peso do medo de que o dito se reabilite e desmonte e acuse com provas e a dedo o faschisnorato e sua falsa narrativa de mentiras que conseguiu manipular a opinião no fito de afastar o povo do melhor político da nossa democracia.
    Da esquerda anti-democrática à direita anti-democrática a todos serve, e por tal se conluiaram, a morte política de um invejável visionário animal feroz por meio de não política, por meio tortuoso do uso de difamação do carácter e honestidade pessoal da persona.
    É um atentado à nossa inteligência assistir que de todos que lidaram de perto com o destractado nenhum ainda teve a hombridade de sequer dizer, nas ventas dos acusadores, que não entendem tais acusações dado que em vários anos de ligações e trabalho político comuns jamais deram por um mínimo sinal de corrupção tal como agora o acusam.
    Tal como fez Rio é preciso avisar as bases porque das “elites” partidárias interesseiras, carreiristas e incompetentes já não há nada a esperar; estão instalados e intrincheirados de tal modo que é de seu especial interesse não fazer ondas e manter tudo como foi e está.
    Sócrates vive isolado mesmo assim luta contra muralhas de moinhos que ainda vão moendo ao sabor do vento contra a história mas, espero que, como Quixote, um dia os ventos mudem e a história também.

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