José Lello

Nunca falei com ele. Creio que nem sequer trocámos vogais e consoantes numa caixa de comentários, ao contrário do que aconteceu com João Pinto e Castro, falecido a 13 de Junho de 2013 com 62 anos, e Osvaldo de Castro, falecido a 20 de Junho de 2013 com 66 anos, duas pessoas com quem se estabeleceu, embora de diferente modo, um convívio blogosférico feito de simpatia, empatia e admiração.

A ligar as três personalidades nestas palavras está a morte prematura de quem viveu apaixonadamente a política, a cidade e a comunidade. É só isso que conheço deles na distância do nosso convívio. E seria facílimo destacar as diferenças de percurso biográfico, contributo intelectual e tipologia de intervenção cívica. Nada disso importa na comoção do mistério da sua finitude, a nossa.

José Lello deixou como última publicação no Twitter uma ligação para um texto que escrevi em Março deste ano. Isso, para além da mera coincidência, significa que ele não dava, ou já não dava, importância ao canal embora o continuasse a usar para dialogar com outros utilizadores. E significa também que isto de teclarmos sem qualquer preocupação outra que não seja o prazer de pensar e de falar, de pensar ao falar, de falar ao escrever, pode ter os resultados mais imprevistos.*

Adeus, José Lello

__

* O ignatz alertou-me para o erro, nascido de um resultado num browser que não tem qualquer relação com o que aparece noutro computador. É um alívio descobrir ter sido enganado por algo cuja explicação, assim que a encontrar, publicarei.

** Está explicado o fenómeno: há dois perfis José Lello no Twitter, e aquele que vi primeiro, pensando que era o único, tem o meu artigo como última publicação. Este bizarro erro não teria acontecido se eu percebesse alguma coisa de como funciona o Twitter, mas não é o caso.

4 thoughts on “José Lello”

  1. De facto. Há uma certa poesia transversal no que sobra destas interacções no éter. Trágica, inevitavelmente.

  2. RIP

    Se algum dia houver uma lei que estabeleça as causas do odio de estimação na net, merece o nome. É para além de qualquer direito à satira ou liberdade de expressão a falta de decência de alguns comentarios. Quando alguém já não se pode defender, mesmo que antes nunca tenha exercido o direito de defesa, acaba o jogo.

    https://mobile.twitter.com/lello_jose?p=s

  3. ia perguntar pela hiperligação mas já cá está a imortalidade. :-( desrisca, por favor, o último parágrafo – sabe bem lê-lo com olhos embalados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.