Jornalismo laranja

De informal, o Conselho de Ministros extraordinário de ontem só terá tido mesmo a falta de gravatas e a roupa casual dos participantes. Porque os temas em discussão não poderiam ser mais formais e decisivos para o futuro do País: depois da fase um, em que o Governo praticamente se limitou a aplicar as medidas do memorando assinado com a troika e a preparar em contra-relógio o Orçamento do Estado para 2012 e as medidas de austeridade que este implica para o próximo ano e para os seguintes, entra-se agora na fase dois, com as grandes reformas estruturais e a reestruturação da economia nacional.

Editorial do DN

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Os editoriais do DN caminham a Passos largos para se aproximarem desse ponto de não retorno atingido pelos editoriais do José António Saraiva. Neste exemplo, diz-se aos leitores que o Governo se tem limitado a aplicar as medidas que a Troika impõe. Noutros exemplos, o acordo com a Troika é mau por culpa do Governo que o negociou. Ainda noutros exemplos, o acordo com a Troika era necessário apenas porque o anterior Governo levou o País à bancarrota.

Desconfio que o “Povo Livre” não apresenta um índice tão alto de fanatismo.

9 thoughts on “Jornalismo laranja”

  1. Pior que jornalismo laranja, trata-se de jornalismo de sabujice, de lambe-botismo, de jornalismo de gp (garotas de programa, eufemismo para putas finas). Parece-me que os donos do jornal perceberam que os ventos mudaram para laranja e rapidamente ajustaram o cata-vento para as migalhas típicas dos troca-tintas e servis.

    Quanto à famosa fase 2, “… com as grandes reformas estruturais e a reestruturação da economia nacional”, desconfio que é mais um passo que este governo, enquanto comissão liquidatária, vai dar para esvaziar o país de pessoas, convidando-as a emigrar e distribuindo o conteúdo do pote pelos amigos e compadres laranja…

  2. Caro Val,
    segundo fontes geralmente bem informadas o PM esteve reunido com os seus ministros para decidir sobre a compra de presentes para as respetivas famílias e fez recomendações que só deveriam ser dadas prendas a filhos menores de seis anos ou sobrinhos.
    Depois de acesa discussão decidiu-se que também estariam incluídos no pacote uma prenda a cada um dos estarolas da troika desde que tal prenda não ultrapasse o montante de uma caneta Bic laranja de escrita normal.

  3. Cá para mim, o que o Conselho de Ministros esteve (infomalmente, sem gravata, de pijama, sei lá) a discutir foi o abandono de Quioto pelo Canadá. Ao que consta, ao terem-nos enviado o Álvaro, os Canadianos ultrapassaram a quota de emissões poluentes e, em pânico com as pesadíssimas multas aplicáveis, resolveram abandonar Quioto

  4. não houve declarações, tã pouco comunicado e ninguém sabe o que foi discutido, portantes aquilo foi uma espécie de reunião secreta com conhecimento público.

  5. Segundo a TVI, “O ministro-Adjunto dos Assuntos Parlamentares definiu também os quatro principais pilares das reformas estruturais a realizar em 2012, que passam pelo reforço da concorrência e da competitividade, articulação entre Estado e economia, valorização do capital humano e confiança.”

    Bem… passarem onze horas para produzir isto é confrangedor mas a gente dá de barato. Agora, contar quatro pilares neste parágrafo é que é mais complicado. Alguém tem que ir aprender a fazer contas. Pelos dedos, não é com calculadora, está bem?

  6. pena não teres (?) escrito editoriais , teríamos agora o bic laranja / bic rosa : uma escrita fina à vossa escolha , qual delas a vencedora do óscar povo livre fanático ?

  7. Segundo o salomónico Medina Carreira, hoje no «Olhos nos Olhos» da TVI-24, o «Sócrates sem qualidade» só se pode comparar ao malvado Goebbels (sim, o sábio número um das pequenas pantalhas também gosta de usar o seu clichézito de vez em quando), enquanto que o único defeito do Coelho cheio de qualidades é o mau domínio da propaganda, i.e. até o defeito é no fundo aquela qualidade de carácter que se costuma designar por «amor à verdade» (como presumivelmente se pode deduzir do empenho em chumbar PECs excessivos e cumprir promessas eleitorais).

    É o que se chama «objectividade desapaixonada» no mundo de Bizarro em que os rios mediáticos correm da foz para a nascente e os bons salomões carregados de sabedoria desovam nas televisões e se tornam estrelas de Hollywood. Ou Bollywood. Ou Belemwood, ou o mais que ainda havemos de ver.

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