Jogos no Olimpo

Na fauna dos publicistas oficiais — esses que frequentam jornais, rádios e TV, trocando opiniões por dinheiro e/ou fama — há uns que se prestam com genuíno entusiasmo ao ridículo gabarola. São todos aqueles que botam faladura sobre política internacional. Dividem-se em dois grupos, e dois grupos apenas: os omniscientes e os lorpas. Os primeiros transmitem a ideia de estarem melhor informados do que os próprios agentes da situação em análise e conseguem antecipar o desfecho de qualquer berbicacho que lhes apareça à frente. Se discorrerem sobre o actual conflito na Geórgia, por exemplo, ficamos a acreditar que os EUA e a Rússia andam ali aos papéis e à espera do seu urgente conselho. Para o mesmo caso, os lorpas preferem citar enciclopédias e concluir pela impossibilidade da conclusão através de conclusões múltiplas. Ambos os grupos comungam de uma atitude nefelibata, condescendendo em lançar migalhas de superior intelecção para cima das audiências pasmadas.

Não tem mal, aborrece.

18 thoughts on “Jogos no Olimpo”

  1. É por estas e por outras, Valupi, que eu não tenho tv, nem tenciono comprar uma. Tenho um leitor dvd que me permite ver o que eu quero e basta.
    Este fim-de-semana, fui a casa da minha mãe. Estava a passar o noticiário e fiquei absolutamente enojada, pois o jornalista da Sic ou TVI estava a anunciar o afundamento de um navio georgiano pelos russos como quem anuncia a vitória do FCP num jogo decisivo. Fiquei a pensar para com os meus botões: “Mas ele tem noção daquilo que anda a dizer? E se ele estivesse nesse mesmo navio, falaria com tanto entusiasmo acerca do facto?”.
    A tv é uma grande badalhoquice. Sem contar que à hora do jantar, decidiram meter uma reportagem sobre um toxicodependente em altos transes por falta de droga e um gajo a apalpar-lhe as partes genitais, perguntando-lhe se já tinha tentado injectar-se no local. Compreenderia uma reportagem destas lá para as 23h, agora às 21h!!! Hora em que muita gente está à mesa, ainda a comer.
    A tv é lixo. Façam como eu: não tenham nenhuma.

  2. Os meus pêsames. Gastei uma fortunaça num leitor sony, mas NUNCA, NUNCA gastaria numa tv. É só caca. As pessoas chateiam-me o juízo para comprar tv – pois consideram uma anormalidade eu não ter tv – e recuso-me, recuso-me peremptoriamente a gastar MONEY nisso.

  3. Adoro fundamentalistas. Sobretudo os da TV. Aqueles que nunca a ligam, não vêem nada mas apanham sempre por acaso esta ou aquela reportagem, este ou aquele programa. E até são capazes de contar pormenores do sacrificio.

  4. Escuta aqui. Não sou fundamentalista, nem tudo é mau na tv. Na tv, eu só veria filmes ou reportagens interessantes, portanto basta-me um leitor que dá tudo ao mesmo, entendes?
    Quanto ao sacrifício, calhou eu estar em casa da minha mãe e como não sou surda, nem cega, dei com o que estava a passar naquele momento na tv… o que só me convenceu ainda mais da minha razão em mandar as tv’s às favas.

  5. “A tv é uma grande badalhoquice”
    “nem tudo é mau na tv”

    Conclusão: nem toda a badalhoquice é má. Devem existir badalhoquices até muito interessantes.

  6. A tv é um antro de caca com objectivo a chamar as audiências, nem que seja pelo nível mais baixo. De vez em quando, lá surgirá talvez algo efectivamente interessante – e o interessante é diferente de pessoa para pessoa.
    Saci, dou-te um conselho: vai ver tv e deixa-me em paz :-) Estou a ser tua amiguinha :-) Vês como penso em ti?

  7. O Rogeiro é um palermita convencido, mas o Carlos Gaspar e o Vasco Rato não lhe ficam nada atrás, salvo seja. O Rogeiro tem sobre eles a vantagem de não trabalhar para a C.I.A., pelo menos aos fins de semana não. O Luís Delgado e o César das Neves deliciam-me pelo cabotinismo presunçoso. Pena não me lembrar de mais nomes de comentadores cretinos. Ajudem-me!

  8. Bettencourt Resendes, António Vitorino, António José Teixeira, Rúben de Carvalho, Fernando Rosas.
    Não estão só na Direita os tais cabotinos, cara Lily…

  9. Saci, se estávamos a argumentar sobre prós e contras da tv, eu não sei de onde veio a noção descabida de fundamentalista. Quando as pessoas extrapolam do campo para atacar as pessoas em vez de argumentarem sobre o tema em questão, saio do jogo. Ou se joga ou não se joga. Quando a luta começa a doer, Saci, a tendência é sempre para golpes baixos, batotas. Cada um sabe de si. Quanto a mim, quando começam com golpes descabidos, acaba o jogo, querida.

    Transcrevo:

    Adoro fundamentalistas. Sobretudo os da TV. Aqueles que nunca a ligam, não vêem nada mas apanham sempre por acaso esta ou aquela reportagem, este ou aquele programa. E até são capazes de contar pormenores do sacrificio.

    (gosto sempre quando alguém começa uma frase com “escuta aqui”)

    Eu deveria ter desconfiado.
    Uma conversa que começa com “escuta aqui” só poderia acabar assim.

    Creio a tua defesa sobre os benefícios da tv valerem pelos teus argumentos: nada.

  10. Muito bem visto.

    Aborrece e muito!

    Há alguns dias tive a “sorte” de ouvir (atenção, e até foi na TSF!) um tal intitulado (pelo locutor) “especialista em petróleos” pronunciar a seguinte e douta opinião sobre o actual momento que os mercados atravessam: «O preço final dos combustíveis líquidos é um somatório em que entram vários factores e, por isso, depreende-se (…) ser muito provável que, estando o preço do petróleo a descer no mercado internacional, a gasolina e o gasóleo possam também tornar-se mais baratos, em Portugal, mais cedo ou mais tarde…»

    JURO que não me lembro do nome deste douto especialista (mas sei que não era lá muito comum, era até algo arrevesado, mas enfim, quase todos os nossos comentadeiros e comentatrizes têm geralmente nomes e, sobretudo, apelidos bastante arrevesados, como Rogeiro, por exemplo…)!

  11. Bem sei que estamos em 2010 e os comentários que vejo são de 2008, mas tenho necessidade de escrever, espero que ainda alguém visite esta página.
    Nunca escrevi nada nestes sítios pela internet, faço-o agora apenas para expressar a minha opinião em relação ao comentário da Cláudia com a qual não poderia estar em maior desacordo. A Cláudia mostrou-se muito chateada por ter apanhado uma reportagem sobre toxicodependência à hora do jantar. Ando ao tempo à procura de uma reportagem sobre o assunto que vi em tempos, a altas horas da noite e da qual nem me lembro do nome (foi assim que cheguei a este site) e digo sinceramente: quem me dera conseguir hoje ver uma reportagem sobre toxicodependentes ao jantar. Claudia, as imagens chocaram-na demasiado? Por isso deseja que a reportagem passe a horas em que ninguém possa ver?! Tenho pena é que isso aconteça, reportagens sobre toxicodependência e outros assuntos graves, que só passam na tv às tantas da noite e muitos jovens como não vêem e não tomam conhecimento dos problemas causados pelas mesmas, depois acabam por se meter nesses caminhos e terem de desobrir muitas vezes das piores formas.
    A televisão tem muitos defeitos, mas esse não é um deles. Passarem telenovelas à hora do jantar em vez de passarem documentários importantes e pertinentes nos dias de hoje, esse sim, é um defeito.
    E não venham com a conversa do “é muito chocante para as crianças e pode levá-las a ter determinados comportamentos” porque isso aí cabe aos seus educadores terem responsabilidades perante as mesmas e impedi-las de verem determinadas cenas na tv, como este género de reportagens pode revelar. Agora que é necessário que se mostrem estas realidades na tv, isso é. Caso contrário as pessoas só enchem a cabeça com porcarias e fantasias de novelas e filmes e nunca chegam a perceber o que se passa no mundo real! não digo que não vejam filmes e não tenham entertenimento, eu também vejo, mas não se fiquem só por aí, nem queiram ignorar a realidade só porque é demasiado chocante ou enjoativa.
    Já agora, se por acaso ainda ler isto, pode dizer-me o nome dessa reportagem ou o canal em que deu, alguma informação que me faça chegar a ela? Ficaria agradecida.

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