Joana Marques Vidal, a corruptora

Quem é a individualidade, ou a entidade, que sabe mais (isto é, que tem a mais extensa, precisa e actualizada informação) acerca da corrupção em Portugal? Será quem exerça, à vez, o cargo de procurador-geral da República? Será quem exerça, enquanto durar, o cargo de ministro da Justiça? Será algum académico, ou punhado de académicos, que se dedique à matéria? Será a Cofina como grupo ou alguém a solo no Observador? Será o Ventura? Será o João Miguel Tavares?

Tentar responder à questão levanta acto contínuo outras questões conexas e paralelas, pois ao Ministério Público falta o tratamento epistémico (multi e interdisciplinar) dos casos tratados, às universidades falta o detalhe concreto e sigiloso recolhido na experiência directa com corruptores e corrompidos num presente sempre em mutação, e aos jornalistas falta o acesso a conjuntos largos de dados e ainda o aparato teórico e metodológico para os tratar de forma a que se transformem em conhecimento. Assim, se perguntarmos seja a quem for, à maior celebridade política ou da Justiça, ao mais apagado anónimo, é certo que ninguém será capaz de ultrapassar o nível de uma banalidade isenta de inteligência e honestidade intelectual se resolver nomear um sabichão-mor do estado da corrupção em Portugal.

Porém, contudo, todavia, mergulharemos num oceano de unanimidade caso perguntemos se Joana Marques Vidal é uma das pessoas que mais e melhor sabe a respeito do fenómeno da corrupção na Grei. Sim, claro que sim, foda-se oh se sim, é a imediata resposta em coro. Esta figura não só conhece como investigadora judicial centenas ou milhares de casos de corrupção, não só tem formação jurídica de especialista para conceptualizar, identificar e avaliar o que seja isso da corrupção, como ainda acumula com uma intervenção pública onde espalha um certo ponto de vista político acerca da corrupção. Para adensar esta última dimensão política, ela não repudia, bem pelo contrário, ver-se usada como heroína de uma cruzada contra um tipo de corrupção sui generis – um tipo específico e especialíssimo: aquele que terá sido cometido, e que estará neste momento a ser cometido, e que será cometido sem parar a toda a extensão do futuro, por pessoas pertencentes ao Partido Socialista e seus cúmplices. Estas pessoas corruptas porque pertencentes ao Partido Socialista, assim corre a tese, têm o mau hábito de ganharem mais eleições do que a gente séria e a gente de bem. Resulta deste desvario cósmico que as tais pessoas do Partido Socialista passam mais tempo no Governo e ocupam a presidência de mais e maiores autarquias. E é por isso, e só por isso, que a corrupção é um flagelo, uma calamidade, a desgraça da Pátria, a qual tem de ser combatida pelos raríssimos exemplares da raça lusitana que conseguem resistir à sedução diabólica das pessoas do Partido Socialista; como é o milagroso caso de Joana Marques Vidal.

Esta senhora teve um ex-presidente da República, um ex-primeiro-ministro, inúmeros barões e tenentes da direita e todos os impérios de comunicação social a fazerem campanha por si aquando do fim do seu mandato. O Chega, o mais recente partido português a entrar no Parlamento e que aparece como terceira força política nas sondagens, fez-lhe um altar. Que se passa, portanto? Donde vem a sua importância para a arena política? Como é que ela se tornou tão valiosa para uma direita ressabiada, rancorosa e que trata como inimigos, que sonha em ver na prisão ou com o nome na lama, os tais fulanos do Partido Socialista? Assistir a este programa – Quem Trava a Corrupção? – dá-nos uma diáfana visão do que está em causa.

Podemos saltar logo para o minuto 28 em ordem a encontrarmos uma matriz que condiciona o espaço público, e, em simultâneo, oculta as agendas estritamente políticas (mas também financeiras, em variado grau) de múltiplos agentes sociais. É a altura em que Tiago Fernandes interrompe Joana Marques Vidal. A ex-PGR estava a dizer que o povinho, quando fala de corrupção, mistura um sem-número de outras ilegalidades no conceito, as quais não são técnica e penalmente corrupção, daí vindo a alta “percepção da corrupção” que aparece em sondagens e estudos. O professor de Ciência Política sentiu então uma pulsão indomável para lhe dizer o seguinte: “Não é só a população. Muitas vezes, responsáveis políticos institucionais, não só do mundo político mas também do mundo cívico, que têm responsabilidades, misturam tudo isso num mesmo fenómeno. Não é só a população. Queria só dizer isso.

De um lado, um cientista social que vinha de fazer uma intervenção onde argumentou ser muito importante distinguir a corrupção de outros crimes com ela associados, seja realmente na estatística ou na percepção comum que os cola por ignorância. Do outro, uma figura que transcende a sua função profissional como magistrada do Ministério Público com um carreira brilhante, incensada como parte do sagrado trio de almas (com Rosário Teixeira e Carlos Alexandre) sem medo dos “poderosos”, desde 2012 captada e/ou cooptada para a luta política, que sentiu o remoque do cientista social e lhe responde expondo a lógica que ela promove, que ali em estúdio de imediato promoveu, isso de lhe interessar que haja essa misturada conceptual, um vero nevoeiro de guerra, quando se fala da corrupção ao mais alto nível judicial e político. E chegados aqui, o nosso papel passa a ser o de nos armarmos em curiosos. Quem é que ganha, e o que ganha, quando se alimenta intencionalmente a falsa imagem de estarmos infestados de corruptos, cercados por corruptos, ameaçados diária e horariamente por corruptos que metem no bolso milhões e milhões sem ninguém os conseguir parar?

Se eu criar uma associação anticorrupção, e quiser manter-me com financiamento e na ribalta, dá-me jeito haver corruptos em barda para denunciar. Se eu quiser viver de despachar textos para jornais e ir à televisão dizer coisas, o maná não se irá esgotar se me posicionar como caçador dos “corruptos” que os meus patrões não gramem (mas só desses). Se eu perceber que os otários que lêem o Correio da Manhã estão no ponto de rebuçado para festejarem a chegada ao Parlamento de um racista-xenófobo que persegue os pedófilos, os corruptos, os pedófilos-corruptos e os corruptos-pedófilos, é óbvio que serei o primeiro a agradecer estar num país tão propício ao nascimento desses cretinos. Quem espalha o alarme agitando a corrupção, o qual nos intoxica cognitivamente dado despertar automatismos de protecção, está a repetir o ancestral mecanismo da diabolização, da caça às bruxas, da estigmatização motivada – o qual foi, invariavelmente ao longo da História, a execução de projectos políticos com vista a poder exercer as mais eficazes violências contra certos adversários (ou para adquirir bens) à margem da moral, da decência, do Estado de direito.

Joana Marques Vidal sabe o mesmo que Tiago Fernandes, quando este apresenta o que é possível dizer-se a respeito da corrupção caso o plano seja respeitar os factos e, a partir deles, tirar ilações (minuto 56 em diante). Só que prefere deslocar o foco para a intangibilidade de uma “cultura de integridade”, reservando-se o direito de ser ela a definir o que devemos aceitar sob essa designação. Se a integridade de que fala for a mesma que exibe risonha ao falar da “estratégia” holística que foi usada na Operação Marquês para construir um megaprocesso, compreende-se na perfeição como esses monumentos à integridade que dão pelos nomes Cavaco Silva e Passos Coelho a escolheram e queriam que ela continuasse o excelente trabalho vitaliciamente. Quem consegue corromper a própria corrupção tem um valor precioso para quem faz da política a luta do poder pelo poder.

37 thoughts on “Joana Marques Vidal, a corruptora”

  1. Ela não esta a falar de uma mistura de tipos ilicitos com comportamentos anodinos, esta apenas a dizer, o que é banal e inevitavel, que as pessoas têm tendência para associar à corrupção crimes (portanto ilicitos penais) que implicam também abuso de funções publicas ou desvio de poderes publicos em beneficio proprio. Isto acontece em Portugal, nos EUA, ou na Conchinchina. Acontece certamente por aqui e não ha de ser dificil encontrar posts teus que cometem a mesma “confusão”.

    O teu arrazoado é tão ridiculo como seria uma pessoa que se indignasse assim : “as pessoas confundem tudo, furto, furto qualificado, abuso de confiança, burla e roubo, e designam os autores desses crimes todos como “ladrões”, onde é que ja se viu, as pessoas não têm a menor ideia do que é proibido e do que é licito.”

    Devias poupar os teus leitores a esta justificações de trazer por casa, e começar logo pela raiva cega que te causa a Joana Marques Vidal. Assim, fazias menos figura de parvo, e os teus leitores ganhavam tempo.

    Boas

  2. o brochista do ministério público fica histérico quando criticam a santa joana do ofício. deve haver por aí escutas dos telefonemas dela com o possolo, espero que sejam apresentadas pela defesa se houver julgamento. nesse dia o broas suicida-se no metro de paris e antes deixa uma etiqueta no atacador da patilha a dizer: foi o socras que me empurrou.

  3. Na corrupção não há que distinguir entre grande e pequena. uma vez” que cesteiro que faz um cesto faz um cento só precisa trabalho e tempo”. Não é corrupto o tipo que faz a permuta de uma vivenda mijuruca por outra bem maior em condominio fechado, sem qualquer encargo fiscal, beneficiando da complacência dos funcionários do fisco? Não é corrupto alguém que aceita vender fora de bolsa ações não cotadas com mais valias escandalosas de um banco em estado comatoso beneficiando da amizade do administrador que lhas comprou em nome do banco?
    Tanto se é corrupto por um milhão ou um tostão.

  4. a meu ver há três tipos de corrupção:

    . a corrupção boa, praticada por pessoas de bem, um direito aceite e tolerado pelo poder económico dominante ao qual o investigador faz vista grossa ou remete para prescrição

    . a corrupção assim-assim ou de conveniência, praticada por espertos “é proibido, mas pode-se fazer”, tolerada ou não conforme vontade do inquisidor e o valor pago pelo “parecer”

    . a corrupção má, praticada por socialistas que querem roubar o povo, razão da existência do sistema judicial como explica manuel soares: “O COMBATE DEVE COMEÇAR NO PRIMEIRO-MINISTRO E IR ATÉ À PESSOA MENOS RELEVANTE”

    https://tvi24.iol.pt/sociedade/manuel-ramos-soares/corrupcao-o-combate-deve-comecar-no-primeiro-ministro-e-ir-ate-a-pessoa-menos-relevante

  5. É comum verificarmos nas pessoas que debitam opinião acerca da gravidade da corrupção em Portugal a convicção de poderem extrapolar, a partir do conhecido, a dimensão do que está oculto no fenómeno.
    Em vez da reserva prudente de um conhecimento incompleto construído sobre estimativas e percepções, esses sábios dão-nos, em alternativa, a falsa certeza desejada pelo crédulo concordante.
    Agem eles como se pudessem conhecer o volume total do iceberg da corrupção, aplicando-lhe a ciência de leis análogas às da Hidrostática.

  6. chamaram? filmes aquáticos das nalgas hidrostáticas é comigo.
    “oferecer algo para obter vantagem” é corrupção e não existe comércio sem oferta, procura e vantagem. portantes corrupção ” é proibido mas pode-se fazer” desde que ninguém saiba e se liquidem os impostos atribuídos à transacção, o que é um absurdo. talvez o camarada de la police possa explicar, que eu é mais escafandros & calypsos de morango.

  7. Esta crónica sobre corrupção e a percepção da mesma e um honesto trabalho jornalístico. Está tudo numa fervura a 100oC de a espera da avalanche de gelo que vão atingir a nossa sociedade mais ou menos informada na sexta-feira. Gelados vão ficar os que há muito condenaram Sócrates, gelados ficarão os que desejam que a montanha tenha parido um rato. Mas andam numa aflição tal os 1os a tentar provar o que há anos defendem nos respectivos órgãos de comunicação social que alguém já lhes soprou aí ouvido que dali não foi exactamente sair o que esperam.

  8. O programa começou com fogo de artifício, atirando-se para o ar os 18 mil milhões que a “corrupção” alegadamente “desvia do bem comum”, por ano, em Portugal, soma que suplantaria o orçamento anual da saúde e da justiça. A fonte da “estimativa” era um “estudo”. Pois não houve uma alminha entre aqueles “especialistas” que perguntasse como essa cifra foi calculada ou por quem. Era chato perguntar isso, até porque poderia dar a entender que não se tinha lido o “estudo”.
    Claro que ninguém ali leu o estudo, nem ali nem em parte nenhuma em Portugal, com raríssimas excepções. E pouco mais se fica a saber do “estudo” nos restantes merdia portugueses, para além do presumível roubo dos 18 mil milhões (e duzentos e tal mil milhões em Itália). Que conceito de corrupção é usado? A que correspondem esses números astronómicos? Como é que se causou esse alegado prejuízo aos Estados? Como é que se fizeram semelhantes estimativas? Não se sabe nem se diz: é “corrupção” e muito grande, por isso não é preciso saber mais.
    A corrupção será certamente um problema em todos os países democráticos — já que nos outros países está simplesmente excluída do léxico oficial e quem falar dela vai preso ou é morto.
    Mas não menor problema, particularmente em Portugal, é a atitude crédula, pasmada, provinciana e acrítica de quem aceita estas e muitas outras “notícias” e “estudos” sem fazer a mais mínima pergunta. Foi o que aconteceu neste programa, em que toda a gente engoliu os 18 mil milhões sem pestanejar. Nem se voltou a abordar o assunto!
    Esse número tem sido citado por dúzias de pessoas e entidades ultimamente. Posso garantir que nenhuma delas conhece o estudo que o pariu. Se o conhecessem, duvido que o citassem, excepto por conveniência política, para desinformação.
    O estudo é de 2016, já tem cinco anos (!) e, como eu suspeitava, é altamente especulativo.
    Para quem quiser lê-lo, é aqui: https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/STUD/2016/579319/EPRS_STU%282016%29579319_EN.pdf

  9. Oh, sublime Asmodeu, rei de Sodoma,
    deus tricéfalo fulminante no hálito de fogo,
    falo taurino que sacia a luxúria de Lilith,
    aceita dos humanos como primícias do teu culto
    a doce corrupção das suas almas !

  10. Esperem lá!
    Acho que me estou a lembrar de algo que se passou no tempo do Cavacoiso (ou Cherne Barroso, não tenho a certeza) de uma negociata na bolsa (?), um investimento qualquer, em que foram comidos e o Estado Português ficou a arder com 18.000.000.000.
    Será que se estão a referir a esta verba?
    Agora a sério, vou investigar a ver se descubro.
    Também posso estar a fazer confusão com o Astrolábio falso que o Santana comprou para a XVII exposição, mas isso foram só uns milhares de contos.
    Vou ver…

  11. Os 18.000.000.000 foram à vida no tempo do Tavares Moreira, ministro da Economia do PPD. Foi,salvo erro,um investimento em bonds “over night” ou lá como raio se chamam. Esse o motivo que apresentaram como justificação.
    Mas toda a gente se salvou, só os 18.000.000.000 de contos(!) não !!!
    Que corja,que príncipes da finança!

  12. Os dois últimos estão a confundir os 18 milhões de contos em ouro que o Tavares Moreira perdeu com os 18 mil milhões de euros que os estudiosos “estimam”, no estudo de 2016, que são anualmente subtraídos à economia nacional.

  13. Corja e príncipes da finança são os semitas que me sujeitaram a mil tormentos.
    Acreditem que falo por experiência própria: são profanadores de hóstias que nos deixam sem uma pinga de sangue.

  14. O estudo é de 2016 então qual o período em estudo para o dito estudo. E que o PS chegou ao Governo em Outubro de 2015 logo é impossível que passados meia dúzia de meses os piores corruptos “do regime” já tivessem abichado os tais 18 milhões.

  15. Quem tiver pachorra para ler o tal “estudo” de 2016 que acima linkei, encontrará várias coisas muito interessantes. Por exemplo, esta:

    «Our findings, based on new analysis, suggest that corruption costs the EU between €179bn and €990bn in GDP terms on an annual basis.»

    Ou seja, eles “estimam” que os custos da corrupção, em termos de PIB, montam anualmente, no conjunto da UE, a uma verba entre 179 e 990 mil milhões de euros. Só este intervalo astronómico já bastava para descredibilizar totalmente o “estudo”.
    – Quanto é?
    – Olhe, qualquer coisa entre 179 e 990!

    Um estudo anterior (de 2014), que os autores deste estudo citam, ficava-se pelos 120 mil milhões, mas estes explicam que o tal estudo só contabilizava perdas de receitas para o Estado e quebras de investimento externo. O estudo deles (de 2016) contabiliza outros custos indirectos da corrupção, como quebras do crescimento económico e outros.

    Ou seja, a maneira como aqui em Portugal se fala dos tais 18 mil milhões, insinuando que é uma quebra de receita fiscal e dizendo que é uma verba muito superior ao orçamento da saúde, da justiça, etc., é altamente enganosa e manipuladora. Isto independentemente do número estimado, que também ele é controverso.

    É um escândalo que naquele programa ninguém tenha querido saber do número que foi atirado para o ar como justificação da “gravidade” do problema da corrupção em Portugal. Aquele(a)s fulano(a)s saberão talvez alguma coisinha, pouca, de leis, de ciência política ou de comunicação social, mas são completamente analfabetos em matéria de números ou de economia. Mas não é só o programa, é toda a comunicação social portuguesa, incluindo a “de referência”, a padecer de iliteracia económica. Dá-lhes jeito, em todo o caso, divulgar mentiras e notícias manipuladoras para darem a ideia que estamos numa verdadeira pandemia de corrupção. Não por acaso, durante o programa da RTP falou-se da corrupção como de um vírus.

  16. Mjp, o “estudo”, que foi publicado em 2016 (e já foi em Portugal noticiado pelo Público em 2018) não diz que ninguém “abichou” 18 mil milhões. Diz que a economia portuguesa perde anualmente essa quantia em quebra de crescimento do PIB, em quebra de investimentos externos, em receitas perdidas pelo Estado, etc,, etc. Eles estão convencidos que um país europeu considerado corrupto atrai menos investimento externo e cresce menos do que países como a Finlândia, onde a corrupção é alegadamente a mais baixa da Europa. Todo o estudo é altamente especulativo e baseado em meras conjecturas como esta e muitas outras. Aquilo não serve rigorosamente para nada!!!

  17. Obrigada pelo esclarecimento. Não tendo visto o programa nem lido o estudo pensei que o mesmo tinha sido apresentado como demonstração de práticas de corrupção. Mas não portanto fazer especulações e dizer que um valor estimado prova o nível da nossa corrupção reflectido no PIB , no investimento externo e nas receitas fiscais é utilizar dados impossíveis de obter se não souberem onde decorre a mesma . O sistema fiscal parece-me o mais adequado para o fazer porque não e o sistema jurídico que tem meios para detectar onde ela está a decorrer.

  18. Estudo que é estudo não precisa de autor !
    Quem escreveu a Bíblia, as sagas Nórdicas ?
    A verdade onde está,reina !~
    Vítor Gaspar, desce por momentos do trono a que subiste e explica aqui à ralé como é!
    E olé !!!

  19. Mjp, não me leve a mal este comentário, mas a maneira como v. primeiro reagiu à galga dos 18 mil milhões “desviados do bem comum” (sic) é, para mim, muito esclarecedora do efeito que têm sobre a generalidade do público estas pretensas notícias baseadas em alegados estudos que são, na realidade, altamente duvidosos e controversos, quando não consumadas aldrabices. De facto, lendo ou ouvindo as notícias desse tipo que quase todos os dias nos chegam, a primeira reação do público incauto, ou que não tem tempo nem disposição para aprofundar, é exactamente essa: – Quem é que “abichou” os 18 mil milhões que foram “desviados”?
    É triste, mas, em geral, também não vejo na comunicação social portuguesa, nem entre muitos dos costumados especialistas que são chamados a opinar, capacidade de discernimento suficiente para se ir além das carapetas que nos servem como verdades científicas. Há também em Portugal um temor reverencial perante os “estudos”, sobretudo quando são estrangeiros, que quase ninguém ousa questionar.

  20. como dizia o Vasco Pulido Valente, que nunca o foi :
    – Quem abichou,abichou. Quem não abichou, abichasse !

  21. Não levo a mal não. Percebo quais são as intenções. Haja quem as ponha a nu. Os jornalistas fazendo jornalismo e servindo menos os políticos já não era mau.

  22. Quem invoca obras de autor desconhecido ignora as que têm a marca do autor!
    Temamos a chegada do dia em que Vítor Gaspar descerá do seu alto trono de burocrata da Nova Ordem Mundial !
    Quando isso acontecer, significará que é chegada a hora do salazarinho de Manteigas cumprir os seus desígnios de reptiliano e vir-nos bramar com língua de serpente a litania mortal do Necronomicon!!!

  23. Sinceramente não lí o poste supra em cima porque é costume serem textos enviesados e pese embora passíveis de desmontagem dá muito mais trabalho consertar do que fazer logo tudo certinho de origem .
    Não posso, com tudo, deixar de manifestar o meu mais forte repúdio pelo suez ataque a uma corretora – de nome Roldana Marques e Tal, até puseram o nome da pessoa – do banco dirigido pelo Tavares Monteira, também conhecido por Casa-da-Mãe-Joana, e que levou à perda de 18 bilhões pelo Ierário, pessoa que ficou lesada . Isto foi tudo o que pude concluir pela leitura dos vários comentários, acima, coisa com que aliás me diverti imenso .
    Grato e profusas saudações.

  24. Pronto, o Julio descobriu a polvora. Deu-se conta de que os dados que temos sobre a corrupção são, necessariamente como acontece para qualquer tipo de crime, indirectos e especulativos. Bemvindo à realidade. Ja abriste um manual de criminologia ? Talvez valesse a pena.

    A medição da corrupção e dos seus custos directos e indirectos, tem sido objecto de inumeros estudos de ha pelo menos 25 anos a esta parte. Estudos da ONU, da OCDE, do Conselho de Europa, da UE, etc. e também de associações privadas. Transparency International tem feito mais ou menos autoridade na matéria. Não vou defendê-la aqui e calculo que venham imediatamente arranjar provas de que ela esta feita com a direita portuguesa (para esse tipo de vaticinios, por aqui, ja ninguém costuma ter duvidas epistemologicas). Ainda que não aceitem a TI, ha outros estudos, inumeros, é procurar um bocadinho.

    Mas enfim, parece que estamos a falar de um fenomeno inventado, ou artificilamente exagerado para nos tramar a todos. Verdadeiro custo para a sociedade portuguesa é o habito de cuspir para o chão.

    Não ha paciência.

    Boas

  25. realmente , como não se consegue “medir ” a criminalidade oculta , ela não existe… ou seja , por exemplo, sou assaltada , com arma e tudo , mas como é um frete ir à policia não faço queixa , logo , esse crime não existe. ou , enveneno um tipo qualquer que me chateia , aos poucos , ninguém dá por nada , o legista escreve na certidão : covid , portanto foi o covid , tudo legitimo , não há assassina . ::)

  26. “Verdadeiro custo para a sociedade portuguesa é o habito de cuspir para o chão.”

    É precisamente esse o teu hábito aqui nesta caixa.

    Não falei, nos meus comentários, da Transparência Internacional nem do seu índice da corrupção, que considero bastante válido. É um índice de percepção, assim designado no próprio nome, pelo que não pretendem enganar ninguém.

    Do que eu falei foi do carácter especulativo dos números apresentados no estudo e, sobretudo, da maneira como a comunicação social (nomeadamente a jornalista da RTP do programa em causa), comentadores e alguns políticos têm apresentado essas estimativas especulativas, como se fossem um rombo da receita pública, verbas “desviadas” do fisco e obrigações fiscais não satisfeitas, que, se o fossem, dariam para pagar, dizem eles, toda a despesa da saúde, justiça, etc. Isso é completamente falso e gostaria que me dissesses onde é que este esclarecimento foi feito antes de eu “descobrir a pólvora”. Mas contigo é ocioso discutir seja o que for e eu já tinha prometido a mim mesmo deixar de te responder, não só porque, apesar de não seres burro, és extremamente presunçoso e tendencioso, mas também porque insultas aqui regularmente as pessoas com quem não estás de acordo. Vai isto como excepção à regra que me impus, sem exemplo.

  27. Julio,

    1. Estou disposto a pedir-te desculpa se te insultei. Diz me onde, que eu retiro ja.

    2. A minha critica é clara : embandeiras em arco com o que afirmas ser um exagero cometido num estudo citado (e correctamente citado, tu proprio o admites) a pretexto que os jornalistas se teriam esquecido de mencionar que o custo indicado se baseia num raciocinio altamente especulativo. Isto é necessairamente assim, é-o em todos os estudos sobre a corrupção e sobre os seus custos (que variam numa grande escala consoante estamos apenas a falar em custos directos ou se também incluimos os custos indirectos) e, de uma forma geral, sobre todos os estudos sobre criminalidade. Ha estimativas inflacionadas, mais ainda do que a que tu referes. Alarmismo gratuito ? Não me parece. Julgo que não ha grandes duvidas que o custo da corrupção é enorme, em Portugal e não so, e que justifica que se faça da luta contra a corrupção uma prioridade. E’ o que diz a TI, com que agora dizes concordar.

    3. Ha no entanto exageros contraproducentes e ninguém serve o combate contra a corrupção ocultando ou adluterando os numeros. Por isso ha que repôr algum rigor. OK. Tudo bem. Faz um post sobre o verdadeiro custo da corrupção em Portugal, argumentado com base nos dados que podemos conhecer e nos diversos estudos que circulam por ai. Força. Podes contar com o meu aplauso. Nesta matéria julgo que todos agradecem informação rigorosa e ponderada.

    4. Foi o que procurei dizer no meu comentario. Se foi, OK, mas não me parece, desculpa la…

    Boas

  28. O que aqui se tem opinado sobre a corrupção enferma dum erro fundamental, objecto de alerta noutro espaço deste blogue, graças à intervenção corajosa do Barruel, que saúdo.
    Refiro-me, como devia ser evidente para todos, ao papel decisivo do sionismo mundial na alta corrupção. Quem não queira ver a corrosão sofrida pela identidade nacional, nestes tempos em que impera o cosmopolitismo da globalização, escolhe, na sua voluntária cegueira, viver de joelhos, como lacaio dos Rotschild, dos Cohen, dos Rubin, dos Sachs ou dos Lehman.

  29. corrompeu o ministério múblico que era um órgão constitucional com competência para exercer a ação penal, participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania, representar o estado e defender a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar (artigo 219.º/1, crp).

    tinha de estatuto próprio, o mp estava organizado como uma magistratura processualmente autónoma, em dois sentidos: no da não interferência de outros poderes na sua atuação, e no da sua conceção como magistratura distinta, orientada por um princípio de separação e paralelismo relativamente à magistratura judicial (artigos 219.º/2, crp; 2.º, 96.º/1, estatuto do ministério público/emp). essa autonomia definia-se pela vinculação a critérios de legalidade e objetividade e pela exclusiva sujeição dos seus magistrados às diretivas, ordens e instruções previstas no emp (artigo 3.º/2 emp).

    em resumo: misturou política com justiça, interferiu na autonomia, instalou a bandalheira e a incompetência traduzidos no fiasco da acusação mega-processo sócrates, que o juiz rosa revelou em directo na data que prometeu.

    “chega”-te ou queres com mais molho?

  30. Acho piada como andam todos a bater com a mãozinha no peito a gritar “Corrupção!” por um gajo andar a movimentar quantias em espécie.
    É que, à falta de melhor, tiveram que se agarrar a isto com unhas e dentes.
    Ainda agora estive a falar com um advogado que me disse que é comum os colegas pedirem os pagamentos em dinheiro vivo. Diz que é para não se pagar IVA. Lóle!
    Até o Pedro Adão e Silva está chocado pelo facto do mafarrico Sócras receber dinheiro do amigo para gastar em luxos. Isso é que é corrupção?
    Que desilusão. Bem sei que ele quer que lhe permitam continuar a fazer comentário nos mérdia, mas um bocadinho de (verdadeira) decência exige-se.
    Sem que tenha havido irregularidades de maior, um gajo deu contactos e meteu umas cunhinhas para resolver pagamentos em atraso ao amigo e este, depois, ofereceu-lhe guita em sinal de agradecimento.
    Não fez transferências para que os opositores políticos -através do polvo que têm montado- não tivessem forma de o atacar. Dãã!
    E quero lá saber dos luxos, acho isso parolo mas o problema é dele. Isto é apenas ser Português.
    O Santos Silva também lhe podia ter dado um cargo não executivo na empresa (ou promovê-lo a professor numa faculdade) para lhe pagar o que quisesse .
    Pelo menos é o a direita faz e talvez tivesse sido melhor porque, até agora, ninguém se escandalizou com os casos conhecidos.
    Não me digam que não passaram pelas barbas do mistério público casos bem mais evidentes e que tenham causado verdadeiro prejuízo ao herário público ou mesmo à economia em geral. Acabaram arquivados sem grande visibilidade, não foi?
    Cada vez fico mais convencido que esta treta toda tem mãozinha escondida atrás do arbusto

  31. . o portas saiu do governo e foi para a mota-engil porque é especialista em assentar tijolos.
    . a marilú foi directa para arrow porque é especialista nos tupperwares que lhes andou a vender.
    . o badocha amaral foi para administrador da ponte que mandou construir com o dinheiro da malta.
    . a velha leiteira saiu do ministério das finanças para o santander depois de resolver umas polémicas fiscais dos espanhóis e lhes ter economizado uns trocados.

    o que mais há são exemplos de empregos fictícios para recebimento de comissões ou financiamento partidários que não poderiam ser recebidos no desempenho de funções governamentais. não são cargos de longa duração, sómente o tempo necessário para regularização das contas. não são investigados, prescrevem ou não vão a julgamento quando se trata de pessoal da cor política dos actuais indignados e vítimas do sócras.

  32. “corrompeu o ministério múblico que era um órgão constitucional com competência para exercer a ação penal, “

    em parte . extrapolou os poderes, no sentido de que invadiu a área política, por ter passado a investigar crimes cometidos por titulares de cargos públicos. devia era ter-se limitado a perseguir pilha-galinhas e ladrões de latas de atum . era sim, esse o papel tradicional defenido pelos orgãos de soberania .

    “participar na execução da política criminal definida pelos órgãos de soberania,”

    já respondi acima . mas se queres com mais molho, fez o papel dela, ( recebendo o salário mensal, independentemente do sucesso ou do insucesso ) tal como os órgãos de soberania ( governo, alguns deputados, alguns advogados pervertidos e gente do direito nas universidades, uns e outros plenos de vicios taras e manias, e alguns outros poderes fácticos ) definem, e poem na lei . as instituições funcionam normalmente ( porque nada sucede e a impunidade reina,) portanto nao vejo que nada tenha mudado .

    “representar o estado e defender a legalidade democrática e os interesses que a lei determinar (artigo 219.º/1, crp).”

    poe um gajo a tocar violino para ver se pega melhor. O teatro, ou se preferes, o circo, está montado, mas é triste e reles espectáculo. No caso do caires rosa, até foi opereta . Ópera bufa.

    O resto das transcrições, sem aspas e texto com partes truncadas, é mais do mesmo, vê se fazes o serviço bem feito. não dá para comentar .

    “em resumo: misturou política com justiça, interferiu na autonomia, instalou a bandalheira e a incompetência traduzidos no fiasco da acusação mega-processo sócrates, que o juiz rosa revelou em directo na data que prometeu.”

    engano, quem instalou a bandalheira e mostrou incompetências foi o ( juiz ou escrivão? ) rosa. quem misturou politica com justiça foi a Vanduna, que interferiu na indigitação de um magistrado para um cargo europeu, quem interferiu na autonomia foi o socras que aquando das inundações na Madeira, fructo de cagadas de empreitadas e obras mal feitas, mandou para lá paletes de dinheiro para tapar os buracos das obras públicas dos socialedemocratas regionais que segundo diz Albuquerque, nas campanhas eleitorais, não vão permitir que esses senhores do Ps, ganhem aqui na madeira e venham desgraçar o nosso povo, por isso, o caires rosa, – na linha dos deputados regionais que votam no contenente, não por critérios jurídico-partidários, mas sim segundo orientações do jardim, – é também ele, um produto da semi-normalidade insular . em suma, um juiz “autónomo” um “tipo diferente”, que entende o direito ao contrário da esmagadora maioria dos colegas, até mesmo dos juizes do constituicional, e que se prestou a um serviço que vos agradou .
    um incompetente que desconhece as regras basicas do direito e ignora a ordem pela qual o juiz toma conhecimento e aprecia e prossegue antes de tomar uma decisão, e assim sendo, dá o triste espectáculo de afirmar que, está prescrito, mas mesmo que assim não fosse, não existiam provas, quer dizer, aprecia e colocando a substância à frente da forma, ignorando a extemporaneidade e a rejeição liminar, entre outras calinadas . Já nem falo no facto de considerar incrementos patrimoniais ilícitos insuscetíveis de serem considerados tributáveis, quando a lei geral tributaria no art.° 10.° expressamente afirma o contrário, e diz como se faz, nos artigos oitenta e tal a noventa e tal do código, o mesmo sucedendo no codigo do irs . e vai mais longe dizendo que declarando incrementos patrimoniais ilicitos, o corrupto se está a auto-incriminar, e que não vislumbra em que categoria eles poderiam ser declarados. A LGT conjugada com o CIRS é clara e diz que é no anexo G .
    em suma, um juiz impreparado e inculto, que faz triste figura de parvo ao apregoar a todos como se deve prevericar, e não cumprir a lei . Um juiz anti-juiz .
    Termino receando que este meu comentário siga o destino de um outro, que se perdeu na censura prévia e não foi publicado, pode ter sido “juliado” .
    Tudo visto e somado não apontas uma única pessoa que a senhora tenha corrompido .
    E quanto a instituições, já o Valupi demonstrou em posts idos, que é impossivel que tal suceda, dada a quantidade de órgãos de soberania . Foi a propósito da impossibilidade do desvairio socratiano, dada a quantidade de instituições a cujo escrutínio estava sujeito .

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