Isto é simples

A situação política nacional caracteriza-se por uma desconcertante simplicidade; ao contrário do que dizem os comentadores, para quem a resolução dos problemas corresponderia ao fim da mama. A simplicidade consiste nisto de a oposição estar muito agastada por ser oposição, coisa tramada que qualquer um entende. Como não pode aceitar que a causa de tão desgraçada condição resida nela, numa eventual falta de propostas ou porcaria das mesmas, hipótese que provocaria um curto-circuito de consequências imprevisíveis se tivesse de ser pensada, a oposição responsabiliza o Governo e o PS pelos danos sofridos em resultado de não estar no Poder. Isto é simples.

É por isso que os deputados da oposição estão sempre zangados. Eles sentem-se roubados, sabem que o Governo lhes devia ser entregue sem necessidade de passar pelas eleições, pois são eles que têm as melhores ideias, e as melhores pessoas, para mandar no País e pôr isto tudo nos eixos. Resultado? Comissões parlamentares para tudo, visto estar tudo mal, tudo errado. Neste reino de Pacheco é a suspeita que dá sentido à realidade. Como confiar em governantes que apenas estão no poleiro por causa de votos, e que, ainda por cima, nem sequer têm a decência de adoptar os programas da oposição, os quais são muito superiores à merda do programa do Governo?

A era das comissões parlamentares tem dado azo a revelações que vão moldando a História, desde a recordação do que foi a asfixia democrática no tempo de Santana e Sarmento até à denúncia de existirem provas do Freeport escondidas na TVI, passando pela picaresca imagem do Crespo a dormir agarrado à camisola. Agora, finda a audição com Mário Lino nesta segunda-feira, e constatando a miséria factual e argumentativa com que foi confrontado, podemos reconhecer a importância do Canal Parlamento e suas sessões contínuas. Quem quiser contemplar a simplicidade com que se faz política em Portugal só tem de ouvir os básicos da oposição a debitarem sentenças. Ainda os trabalhos se estão a iniciar e eles já chegaram a conclusões, processo sumário cujo desfecho é lavrado pelos seus actos.

Isto é simples.

4 thoughts on “Isto é simples”

  1. Eeu que ouvi dizer que na comissão de inquerito não havia suterfugios e que toda a gente era obrigada para o apuramento dos factos a revelar todas as fontes afinal não foi o que eu vi hoje.continuamos a julgar por ouvir dizer. vão bardacócó.

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