Injustiça sem segredo

O comunicado do DCIAP sobre a investigação a Luís Filipe Vieira termina assim: “O inquérito encontra-se em segredo de justiça.” A data é de 7 de Julho. Passaram 8 dias. Quantos crimes de violação do segredo de justiça os magistrados responsáveis pelo processo já cometeram, entretanto? É ir ver as capas do esgoto a céu aberto, e só para começo da contagem.

A ida de Magalhães e Silva à TVI, apresentando uma versão factual das suspeitas que pesam sobre Vieira, foi como desatar à vassourada num vespeiro. Porque de imediato, no dia seguinte, as escutas cortadas à maneira já estavam à solta e o arguido via a sua sentença condenatória a ser despachada em vulgado. Igualmente, os sindicatos dos procuradores e dos juízes soltaram os cães e iniciaram a caçada. Este Magalhães está feito, não se toca no santo Rosário. É que o advogado não se limitou a dizer que os reizinhos da nossa Justiça vão nus, igualmente aludiu à emporcalhada realidade de exalarem um odor fétido por não saberem o que é um banho de decência há anos e anos.

O Ministério Público vive em guerra civil contra a Constituição. A facção do sindicato é cúmplice dos crimes cometidos por agentes da Justiça, já chegou ao ponto de caluniar um tal de Sócrates, e está em guerra aberta com Lucília Gago, querem ser eles a mandar na casa. Acima e antes de tudo, a prática de crimes com este à-vontade, esta siderante impunidade, por parte de quem detém superpoderes num Estado de direito democrático para precisamente combater todo e qualquer crime, configura a mais grave ameaça à segurança interna e ao regular funcionamento das instituições que temos neste momento na República.

Para os papalvos, há sucateiros, soalhos de uma casa em Paris e ministros da Defesa socialistas amigos da bandidagem com fartura. Há detenções em horário nobre e cobertura completa, prisões para os alvos contarem as horas até poderem prestar declarações, a certeza de as vítimas terem a sua privacidade devassada e nunca mais conseguirem reparar os danos à reputação e à integridade da imagem pública.

A indústria da calúnia e seus caluniadores profissionais não se limitam a encher os bolsos, andam também cheios de adrenalina a alinhar nas cruzadas e nos linchamentos por se imaginarem com as costas quentes. Estão fascinados pelo espectáculo da violência sobre os mais fracos, salivam caudalosamente enquanto mostram as favolas na televisão. E riem-se soberbos porque o seu futuro está garantido com tanto gatuno por apanhar e castigar.

7 thoughts on “Injustiça sem segredo”

  1. o primo bronco foi ao dciap prestar declarações para enterrar o primo esperto e esqueceu-se que falava com o procurador que investigou o caso dos submarinos que o chefe alexandre mandou arquivar. quando este salgadinho abre a boca os sismógrafos da direita entram em delirium tremens. encontrei isto no twitter e não resisti ao copypasta:

    Rosário Teixeira: “Mas não tem nada que diga que isso tem a ver com informações relacionadas com…”
    Ricciardi interrompeu o procurador e avançou: “Vou dar dar-vos outra informação que vi por acaso. Lembram-se daquela crise em que o dr. Portas disse que tinha tomado uma decisão irrevogável que ia fazer cair o governo? (Julho de 2013). Nesse próprio dia ou no dia seguinte, eu estava na Comissão Executiva do BES, que era às quartas-feiras (…), que se arrastavam durante muito tempo. Eram para aí umas 7h30 e eu tinha que me ir embora e eu levantei-me e dirigi-me aos elevadores – a reunião ainda continuou. Vejo então a secretária do dr. Salgado muito nervosa a perguntar se já tinha acabado a reunião e eu disse-lhe que não, que tinha de sair mais cedo e ele disse-me que era uma maçada”, contou Ricciardi acabando por chegar ao fim do enredo. “De repente, abriu-se a porta do elevador e sai de lá o dr. Paulo Portas”.
    Durante este fase de depoimento no DCIAP, Ricciardi ainda sorriu bastante (o advogado amigo também) antes de lançar a última questão: “Eu pergunto-me o que é que o dr. Portas, em plena crise, foi lá fazer ao banco?!” E conclui logo de seguida: “(…) Isso tenho s certeza do que o dr. Passos Coelho me disse”. Fez-se silêncio. E Rosário Teixeira interrompeu a inquirição dizendo que o “essencial estava visto”.

    teve muita sorte ao sair do dciap não ter se ter cruzado no elevador com o portas, deve ter sido por segundos.

  2. Rosário Teixeira e Carlos Alexandre:
    Fazem-me lembrar caçadores que vão à caça e como não caçam nada e para mostrar a sua perícia compram uns coelhos domésticos, matam-nos, e chegam à terreola com eles dependurados à cintura.
    Só que quando o povo constata vê que não é caça. São coelhos domésticos.

  3. Sei lá, mas meter o Novo Banco ao barulho, prender o Centeno e meter todo o Governo e todos os Socialistas sob suspeita será o real ojectivo disto tudo?
    Meninos para isso são…..Cuidado com estes. A Direita caga para o Direito!

  4. É angustiante ver o estado da “justiça” e em particular do MP. Estado só comparável ao da chamada “comunicação social”.
    “Justiça” tablóide. E os seus autores são os heróis do momento.

  5. Ó Rolando, se bem entendi o magalhoes na tvi 24, ele disse que o vieira disse aos tipos do novo banco que sob a garantia do empréstimo havia um terreno na barra da mijoca que valia um balurdio . e acrescentou que o novo banco decidiu não actuar ( presumo que dava trabalho e tutti-quanti ) e optou por dar dar o débito de vieira como incobravel, enfiou-o num pacote a que chamou de nata ou nafta sei lá e vendeu-o ao desbarato por 6 milhões e apresentou o restante como prejuízo ao fundo de resolução, para este pagar a fractura ( é a mesma coisa que dizer para pagarmos todos nós porque o fundo de resolução não tem dinheiro para mandar cantar um cego, – ou não quer ) .
    então acrescentou magalhoes, o vieira, disse ao amigo dos frangos, a troco de algum, -palavras dele -, que estava ali um excelente negócio e que o frango comprou o terreno .
    só não disse como é que o vieira soube que o novo banco tinha feito aquela opção. talvez tenha sabido por quem tem informação privilegiada, o tal administrador que já vinha das equipas santos ferreira/armando vara, que estava no novo banco, e que está nomeado para o novo banco de fermento . não sabemos .
    portanto se há alguém que está a empurrar para o novo banco, esse alguém é o magalhoes . o magalhoes agora é de direita ?
    a unica coisa interessante disto tudo, é que vejo mais perto a possibilidade de vir a sentar no banco do tribunal, o rabo do ramalho, no meu entender, um trafulha do ( rima ) .
    cumprimentos

  6. confusões claras
    Pois, entendeu mal…vá lá ouvir com atenção o que disse o advogado…o valor não era o terreno, mas sim o negócio imobiliário que estava subjacente.
    Já agora, que percebem procuradores de gestão bancaria? Há alguma cadeira de gestão bancaria no CEJ?
    O Novo Banco vendeu a carteira de activos como? Numa reunião nums loja maçónica? Murmurando ao ouvido dis investidores? Ou essas coisas são públicas?
    Cumprimentos

  7. ó rolando então agora o magalhoes é procurador do cej ?
    os magistrados, sejam eles juizes de tribunal stictu sensu, ou magistrados do ministério publico, não percebem patavina de edonomia e finanças.
    por isso socorrem-se de peritos, seja, economistas, auditores, etc.
    que por sua vez, podem também perceber pouco da matéria.
    é só ver as cagadas das auditoras mundialmente reputadas, e dos erros que cometem, das agencias de rating, etc .
    depois pergunta-me você coisas que manifestamente sou incapaz de responder, e coisas a despopósito, tais como, se o novo banco vendeu a carteira de activos numa loja macarrónica ( e eu não trabalho na milaneza ) murmurando aos ouvidos dos investidores ( só conheço os murmúrios do vento, que sopra aqui, sopra alí, sopra acolá, e ninguém sabe de onde ele vem nem para onde ele vai ) e se essas coisas são públicas.
    eu acho que são publico-ó-privadas, uns sabem e sopram ( em privado, claro ) a outros .
    publicado nos jornais ou anunciado no telejornal, nunca vi.
    só tomei conhecimento, e sempre retroactivamente, quando o resultado das cagadas sobrou para mim e para todos nós, pagarmos .

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