Impressionar no desemprego, brilhar na falência, seduzir na miséria

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3 thoughts on “Impressionar no desemprego, brilhar na falência, seduzir na miséria”

  1. Para mim, é mais: seduzir no emprego, brilhar na miséria, impressionar na falência – acho que fica feito o retrato da classe média deste país. Não vejo hora desta classezita desprezivel sumir-se…

  2. em português actual: geração xiiiii…

    o nojo como o Adão que se recusa a aceitar que é animal. Não gosto;

    o diabo não é nada disso, desdenha efemeridades – isso é coisa de deusinho vaidoso e carente;

    é mais ou menos como os pássaros de cativeiro – não é à toa que as banheira têm espelho e que se estiverem sem par, morrem;

    que interessa se já fez ou não? interessa é o que acontece;

    ah, agora dá para perceber de onde vêm os mentirosos – vêm da coça e dos castigos;

    dominar, dominar, dominar;

    os homens e as mulheres andam a foder a alma do mundo, é o que é;

    a maior luta é a de manter o equilíbrio face ao desemprego, à falência e à miséria. mas não é nada fácil.

    :-)

  3. Triste vida:
    O que nos veio a acontecer. Quem como eu que nasceu depois de acabar a 2ª. Grande Guerra Mundial, de passar por todas atribulações, filho de um casal pobre, pai serralheiro civil, mãe doméstica. Nesse tempo depois dos afazeres domésticos que à altura consistia no arrumo da casa, que dada as dimensões, que eram poucas, o ir levar a roupa a tanques públicos ou particulares, por especial favor, o outro tempo era aproveitado para o trabalho a dias. Fosse na arrumação da casa, no trabalhar dos quintais, na lavoura no tempo das sementeiras – ia-se pelo comer e o adquirir de umas hortaliças – no acarretar à cabeça de cestos de terra e pedras para a construção de casas, tudo era aproveitado para tentar equilibrar as despesas quinzenais, nesse tempo recebia-se à quinzena e o livro de fiados era pago de quinze em quinze dias.
    Ainda me lembro da minha mãe depois de somar todas as parcelas no livro de fiados dizer-me: revê a soma a ver se bate certo com a que fiz – um género de prova dos nove. Corrigia. Andava na escola e em aritmética, como se dizia na altura, tinha boa aplicação e a minha conta batia certa com a da minha mãe. Depois de lhe dizer que batia certo, ela dizia-me: ao pedir para corrigires, a minha intenção, era se me tinha enganado a favor do merceeiro, uma vez que assim não tenho dinheiro para pagar os débitos de quinze dias.
    Eu sei o que ia na alma da minha mãe. Era uma pessoa que gostava de cumprir os compromissos. Sentia-se envergonhada. Custava-lhe pedir um adiamento do dinheiro em falta mas tinha de ser. Quem fazia as compras eram as mulheres e regra geral eram elas que tinham de pôr a cara. Os filhos, que nessa altura já éramos uns poucos, tinham necessidade de comer. O merceeiro de onde gastava era uma pessoa compreensível com as dificuldades por que passavam os seus clientes e tinha de proceder assim para fazer face à vida. Concordava com o adiamento. Recebia o que era possível. Se os clientes estavam mal eles não estavam melhor. Nessa altura como hoje quem fosse sério não enriquecia, conseguia levar uma vida modesta, era o que acontecia com o merceeiro de onde os meus pais gastavam.
    Os filhos foram crescendo. Acabada a instrução primária começaram a trabalhar e o seu pecúlio quinzenal ajudava a fazer face à vida. Assim conseguiam pagar as suas dívidas e começar a ter uma certa independência, porque quem deve é sempre um dependente. Não pode regatear preços e tem de gastar sempre dali. Como disse era uma mercearia séria. Com outras, ouvia-se dizer, que aumentavam mais alguma coisa no livro de fiados deles. No acto do pagamento o cliente não podiam protestar porque senão era-lhe cortado o crédito e com a agravante de não conseguir que outros fiassem. Quando assim acontecia a palavra passava de boca em boca e os merceeiros usavam a solidariedade entre eles.
    Com os anos a passar e as melhorias que o País vinha conseguindo a vida sorria. Já se comprava um rádio a pilhas, a maioria das casas não possuíam electricidade, recheava-se melhor a dispensa, não se podia comprar frescos porque não existia frigoríficos a pilhas. A sardinha que dava para três passou a ser só para um. A ida ao café que era só aos fins-de-semana passou a ser diária. O comércio passou a vender mais derivado à independência das pessoas.
    Com o 25 de Abril a independência foi total. Os ordenados cresceram. Vieram as férias e subsídios de férias e de Natal. Os portugueses de menos posses aproveitaram estas regalias para melhorar o seu sistema de vida: alguns aventuram-se a fazer ou comprar casa. Com isto a construção civil cresceu, o dinheiro que os bancos pagavam pelos juros não compensava, era melhor investir na compra de terrenos, carro, remodelar a mobília e assim sucessivamente. Saímos da cepa torta. O filho do trabalhador já podia frequentar o Liceu e a Universidade.
    Os governos começaram a prometer-nos o oásis. Os bancos o céu. A maioria dos portugueses acreditou e fizeram sempre a vida não se lembrando do amanhã. Os empregos eram estáveis. Não faltava trabalho. A entrada na União Europeia foi-nos vendida com um conto de fadas. Acabou-se com a agricultura e pescas. O dinheiro vinha a rodos e nunca houve um alerta que um dia se tinha pagar isto tudo.
    Passados estes anos todos vemo-nos confrontados com essa triste realidade. O que almejávamos para os nossos filhos e netos tudo se desmoronou. Chego à triste realidade que aos meus netos e aos filhos deles venha a acontecer o mesmo que aconteceu a mim na minha meninice. Triste realidade.
    O que mais me indigna é ver os chicos-espertos que nunca tiveram vergonha a enriquecer sem que ninguém saiba de onde vem esse dinheiro. Falcatrua atrás de falcatrua. O governo para as corrigir vem tirar as regalias e o dinheiro a quem tem menos. Os funcionários públicos, quando era miúdo, eram vistos como trabalhadores sérios e cumpridores. Hoje são o bode expiatório e a ralé da sociedade para este governo. É forte com os fracos e fraco com os fortes.
    Espero que os filhos não comecem a dar uma manta e uma broa de pão e levar os pais a um monte e ali os deixar à sorte como se fazia antigamente. Este governo desde que tomou posse é esse o seu desejo.

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