Good food for good thought

Faced with pandemics, security crises, threats of global terrorism and crime, climate change and many other looming threats, new approaches to global governance are required. This does not mean that nation-state governance will become less relevant, but rather that effective governance is required at both the national and global level. The stakes for getting global governance right have never been so high.

The omens, however, are not good. If past decades are any guide, new problems will be thrown at old and outdated institutions. Finance is the best equipped and most institutionally developed of the global governance regimes, yet the Bretton Woods, Central Banks and many other financial institutions failed to predict, prevent, or understand the endemic systemic risks in the system. Moreover, these institutions have yet to elicit the structural changes needed to proactively manage future systemic risks. Systemic risks ultimately require systemic responses. However, the pace of technological innovation may be expected to continue to outpace regulation, and even the best-equipped institutions will struggle to adapt to the rapidly evolving complexity of systemic risks.

On Systemic Risk

16 thoughts on “Good food for good thought”

  1. Hum, não concordo muito com o artigo, acho que o autor está a descobrir a pólvora outra vez, só que mais rápida. “risco sistémico” existe desde que domesticamos os cavalos e pudemos ligar as várias comunidades através da transmissão de informação. Somos uma sociedade complexa há muitos séculos, nada disto me parece muito novo. A crise financeira como exemplo de “novos riscos”? Também houve a grande depressão de 1929, muito antes da economia global como a concebemos hoje. A primeira grande guerra começou com um tipo a disparar uma pistola em Sarajevo que fez desabar um gigantesco castelo de cartas. Para “risco sistémico” e consequências globais de “actos de uns poucos” também não está mal. Portanto quando o autor abre com What is new is the nature of interdependence and complexity, as more integration among an increased number of people, combined with new technology, has led to greater fragility and the creation of a global risk society.. O que é novo é a velocidade de transmissão da informação, mas apenas isso. O resto são os problemas de sempre. A fragilidade sempre existiu, é um dos pontos fortes da nossa sociedade.

  2. Sim, claro, mas estás a optar por usar os conceitos na sua generalização máxima, enquanto o autor os está a usar especificamente. Cavalos? Mas muito antes dos cavalos estarem domesticados já existia esse ser que introduzia complexidade nunca antes vista em todos os sistemas ecológicos por onde passava. E em cada fatia da pré-história podes entrar e não voltar a sair até ao fim da vida se a meta for tratar cientificamente das manifestações e interacções do que se considere ser a complexidade humana nas suas múltiplas dimensões.

    A tese do artigo é antes relativa àquilo que parece lógico face aos novos desafios que a inovação tecnológica e as alterações ambientais trazem, mesmo que muito improvável: termos um Governo mundial. E a questão não é despicienda, posto que se é verdade que “a fragilidade sempre existiu”, como lembras, não menos verdadeira é a noção de que nem sempre existimos e que dependemos de certas, muito precisas, condições para existir. À escala planetária, somos uma aberração acabada de nascer. E quanto à civilização, ela é essa constante procura de soluções para novos problemas, nunca antes enfrentados. Por exemplo, andar a cavalo.

  3. Os meninos fizeram-me recuar a um livro que, não sendo nenhuma “bíblia”, guardei na memória desde que o li há muiiiitos anos [acho que em 1977): O macroscópio (para uma visão global), de Joël de Rosnay, ed. arcádia. É que falava destas coisas e, ainda para mais, tinha “bonecos”. O que, para mim, não é despiciendo … :)))))))

  4. Os bonecos sempre foram um dos meios mais eficazes para lidar com as agruras da complexidade… E basta ir a Foz Côa para o comprovar!

  5. mdsol: o livro (e os bonecos) estão disponíveis online. Vou dar uma vista de olhos na diagonal, e depois, armado com um novo e temível conhecimento, resultado de um profundo estudo dos bonecos, já cá venho responder ao Valupi.

  6. Vega, que queridooooooo. Acho o máximo ver o livro on-line. E, como se vê, tem imensos bonecos, cuja pinta (estilo, vá lá) não anda muito longe dos de Foz Côa.

    :))))

  7. Val, vamos ver se não me espalho muito, isto não me é território familiar, e limito-me a pensar um pouco sobre a tua “good food”, mas quanto mais leio o artigo mais objecções tenho.
    E não concordo com duas coisas: em primeiro lugar, com um certo tom apocalíptico que lhe detecto, como se os desafios colocados pelo avançar da tecnologia e a progressiva quantidade e velocidade de informação existissem por si só, aparecessem do nada. Repara nesta frase:

    (…)more integration among an increased number of people, combined with new technology, has led to greater fragility and the creation of a global risk society.

    Como é que o autor chega à conclusão de maior integração leva uma “maior fragilidade” é para mim um mistério. Porque se esquece de referir que os mares de informação e interdependência, ao mesmo tempo que criam maior risco de falhas, também têm um potencial imenso e intrínseco para as suas resoluções. Ou seja, parece-me, e posso estar enganado, que há aqui um factor ausente da tese: os sistemas, quanto mais complexos, têm também mais redundância, são mais resistentes, porque não aparecem do nada, são o resultado de um processo de conhecimento e informação que os levou até ali. Pegando no exemplo da crise financeira: ao nível que foi, e com o nível de interdependência que existe entre instituições financeiras nos quatro cantos do globo, tinha o potencial de ser várias vezes mais devastadora que a grande depressão. Mas não foi. Dolorosa como está a ser, não vês as consequências trágicas que viste antes nos países civilizados. Hoovertowns? Não. Desemprego em grande escala (tipo 25%)? Não. Hiperinflação? Não. Fome tipo “vinhas da ira”? Não. O sistema tornou-se bastante mais complexo do que em 1929, mas também mais redundante, evitando o colapso. Não vejo onde é que possa ser usado o argumento do “mais frágil”. “mais rápido e maior” pode ser usado, mas bolhas especulativas que rebentam sempre existiram no mundo moderno, basta ver a crise das tulipas na Holanda em 1637 (a primeira de que há registo, creio eu). Velhos problemas, nada dos “novos riscos” que o autor me quer vender como se fossem consequências da globalização. Sociedades complexas têm riscos complexos. Caramba, até as formigas têm falhas sistémicas. São é demasiado estúpidas para as resolverem, ao contrário de nós. E mesmo assim andam cá há mais tempo.

    (Quanto ao “governo mundial”, a segunda coisa, depois já lá vou)

  8. mdsol, os bonecos são muito giros. Temo pela popularidade de Foz Côa.
    __

    Vega9000, maior integração não leva a maior fragilidade, se bem leio o texto, leva é a maiores riscos. Por exemplo, o crescente, maciço, tráfego aéreo civil traz benefícios económicos e sociais – e também riscos de pandemias. As soluções antigas, pensadas para a esfera local, não servem para evitar ou diminuir esse risco, tem de se descobrir novas. O mesmo para todas as áreas que constituem o processo da globalização.

    No teu argumento estás a ignorar os factores críticos que sustêm o modelo actual, o qual pressupõe um crescimento imparável. Por exemplo, o aumento da população implica o aumento da produção de alimentos a uma escala nunca antes vista na História. Para que o sistema funcione, um conjunto de subsistemas – do cultivo ao transporte, da conservação à distribuição – têm de funcionar sem falhas. Se algo falhar (e basta um acidente meteorológico para tal), de imediato os efeitos de farão sentir drasticamente. Não há forma de alimentar a população mundial actual sem termos todo o ciclo produtivo a funcionar sem mácula – não vês aqui um risco de uma gravidade nunca antes enfrentada?

    O aceno pseudo-apocalíptico, no contexto em que o autor o coloca, decorre do mero bom senso. Ele não defende que só agora ficámos “sistémicos”, diz é que a complexidade actual não é equivalente à passada. Se achares que isto não passa de uma banalidade, estarei completamente de acordo contigo. Não creio é que desmereça o esforço do artigo.

  9. Nem por isso Penélope, embora se calhar essa expressão seja mais correcta que “resistentes”. Estava mais a pensar em sistemas complexos mas descentralizados, logo redundantes, logo resilientes. Que é a razão pela qual desconfio de “governos mundiais”, ou seja, achar que os problemas resultantes da evolução para sistemas integrados e interdependentes se resolvem criando um nódulo central capaz de ditar regras para todos os outros. Não é assim que funciona hoje em dia (se é que alguma vez funcionou).

    Agora, se já acho que o autor não tem razão em relação às causas da crise financeira, muito menos acho nos restantes exemplos. Pandemias? Onde? Quais? As que surgiram (gripes) foram imediatamente atacadas pelas organizações existentes, com uma eficiência e rapidez nunca vista antes. Espalharam-se mais depressa (vivam os aviões!), mas foram combatidas mais depressa, logo causaram muito menos estragos do que pandemias comparáveis antes da globalização. Ou seja, a informação espalha-se mais depressa pelo sistema, mas é exactamente isso que torna a resolução de problemas mais eficaz. Mais uma vez, não vejo onde esteja a “maior fragilidade”.

    E, sinceramente, vejo a acontecer a mesma coisa em relação ao problema das mudanças climáticas. É um assunto debatido, estudado, pensado precisamente através dos mesmos sistemas que causaram o problema – a evolução tecnológica e as sociedades complexas. Significa que as várias soluções, propostas, pressões e muita, muita informação estão a ser criadas pela própria rede de informação. Num sistema descentralizado e global.
    Agora, diz o autor que estes novos (?) problemas têm de ser resolvidos a outro nível porque os estados nação são importantes mas(lá está o “mas” outra vez) já não chegam. Mais uma vez, como é que ele chega a esta conclusão é um mistério. O que ele propõe, como o Val diz, é talvez um “governo mundial” que resolveria os problemas de maneira centralizada. Portanto, introduzir no sistema um nódulo central, mais importante que os outros. Uma “mainframe”. Que boa ideia. Como dizem os americanos, what could go wrong?.
    Para além disso, e volto à carga, esse governo mundial já está a acontecer, mas de maneira descentralizada. Que é a razão pela qual há em Portugal manifestações contra o apedrejamento de uma mulher a 7000 kms de distância, num país diferente, com uma cultura diferente. Ou conferências climáticas, cientificas, culturais, etc etc, inimagináveis há uns anos, precisamente debatendo o estado do mundo, quando antes as “feiras mundiais” eram um espanto. Hoje há todos os dias, 24 sobre 24. Governo mundial para quê, exactamente, se as pessoas estão cada vez mais próximas? O conceito de “deviam-se juntar todos e pensar na melhor solução” é para o Fórum TSF, não para o mundo de hoje. Eu prefiro as soluções desenvolvidas como sempre fizemos: aos berros uns com os outros, cada vez mais.

  10. ah, estávamos a escrever ao mesmo tempo, só agora vi o teu comentário. Por acaso, acho que respondo a algumas coisas mesmo sem ter lido, mas depois já vejo com mais atenção. Agora, ao trabalho…

  11. olha O Macroscópio! O último que li do Rosnay foi este:

    ROSNAY, J., 1995. L’Homme Symbiotique. Éditions du Seuil. Paris.

    E tudo começou com A origem da vida.

  12. Por governo mundial (no sentido de políticas com esse cariz) ele está a referir-se à homogeneidade crescente por via do desenvolvimento económico de países até há pouco tempo miseráveis e pobres, uns, subdesenvolvidos muitos outros. Isso leva à necessidade de reformulação das regras e de novos ordenamentos internacionais para salvaguardar o sistema financeiro. Mas também está a remeter para a questão climática, onde nem sequer há consenso científico sobre as causas, muito menos acção política que seja eficaz (e o que seria a eficácia, se não se conhece o fenómeno suficientemente?).

    A questão das pandemias não se resolve com essa passividade retrospectiva. Os cientistas dão como certas as pandemias de imparável expansão e com grande número de mortos, é uma questão de tempo. Mas o mesmo poderíamos dizer do terrorismo: ainda não ter acontecido um ataque biológico ou nuclear devastador ao ponto de destruir uma grande cidade não quer dizer que não venha a acontecer, obviamente. O que podemos dizer com absoluta certeza é que antes de existir a tecnologia nuclear esses ataques não eram possíveis.

    Seja como for, tudo o que dizes também faz sentido, claro. Só que também é lógico admitir uma crescente uniformização política e o nascimento de uma concreta cidadania planetária.

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