Galamba Fan Club

Antes do debate radiofónico entre Passos e Costa, o Público revelou uma carta que nada acrescentava à discussão da responsabilidade sobre a vinda da Troika. Nessa carta, o Pedro comunicava a Sócrates que o PSD se juntaria ao Governo e ao PS para que o resgate se consumasse com apoio político maioritário. Ora, não é nessa dimensão institucional após o chumbo do PEC que a questão releva para as eleições de 2015. Contudo, os direitolas ficaram à beira de um ataque de nervos, tendo de imediato atacado o jornal por ter publicado algo que lhes aparecia como negativo para a imagem de Passos. Este o contexto para o debate João Galamba e Nuno Magalhães frente-a-frente onde, mais uma vez, se vê a direita e a comunicação social aliadas num apagamento feroz acerca do que levou à necessidade do Memorando.

Começando pelo Augusto Madureira, observe-se como ele interrompe o João, logo ao princípio quando este estava a listar as declarações de Passos na celebração efusiva do Memorando, para dizer isto: “Mas não era primeiro-ministro…“. Foi o que lhe ocorreu, e é mentira. Já como primeiro-ministro, Passos voltou a fazer uma colagem completa entre o programa do PSD e o Memorando, entre o empobrecimento que a Troika impunha e a violência que ele se propunha cumprir indo até mais longe, custasse o que custasse. Donde, como explicar esta rasteira, a qual baralhou o Galamba ao ponto de ele não ter desmentido o Madureira? Quem lhe pediu a defesa do actual primeiro-ministro, ainda para mais recorrendo a uma mentira para proteger um mentiroso?

Minutos depois, o Nuno Magalhães repetia o filme “Apocalipse Bancarrota” e acrescentava novas cenas: para além de não haver dinheiro para pagar salários e pensões, também estávamos a duas semanas de não termos vintém nos multibancos, garantiu. Foi aqui que o Madureira resolveu dar o seu contributo, não fosse o Magalhães ainda dizer que estivemos a poucos dias de levar com um asteróide em cima, dizendo “É a imagem da Grécia, não é?“, recebendo como resposta do Magalhães uma pergunta exaltada: “Claro que é a imagem da Grécia, mas… mas… mas tem dúvidas?!…” Resposta solícita e servil do jornalista: “Não, estou só a sublinhar…” Estava a sublinhar, o bacano, não fosse alguém lá em casa não estar a perceber.

O Galamba, como sempre, tratou de dar nome aos bois. À sua frente tinha um jornalista com opiniões pessoais interessantes sobre a política nacional, e mesmo sobre a História de Portugal, abraçado a um político satisfeitinho da vida por fazer o enésimo número de vendedor de atoalhados na Feira da Malveira. Desta praga de sonsos e hipócritas, pelo menos, não podemos acusar a Troika nem carecemos de investigar quem os chamou. Já cá estavam há séculos e séculos e vamos ter de levar com eles até ao fim dos tempos.

6 thoughts on “Galamba Fan Club”

  1. Será que as galambices do PS vão no sentido de aumentar a votação?
    Eu acho que não e parece, olhando para as sondagens, que muitos mais portugueses, também acham. A direção do PS continua a apostar em siryzdas, mas talvez faça mal. Ja estamos perto de ver o resultado!

  2. antonio cristovao, nesse caso podes ficar descansado. Vai tudo correr bem para os teus interesses. Relaxa, vê um filme, lê um livro ou respira um pouco de ar puro.

  3. Sonsos, hipócritas e cornos mansos.
    São principalmente estes últimos que sempre cá estiveram ruminando e fazendo-se notados apenas pela sua maior quantidade, com quem não se pode contar para quase nada.
    Não acho que o Augusto Madureira seja sonso nem hipócrita:
    esse moço faz parte da geração de parvos e parvinhas que estão na SIC desde o Emídio Rangel, escondidos/as é verdade, mas que se revelaram agora. Maria João Ruela, uma parvinha que é a partenaire semanal da propaganda laranja em tamanho liliputiano; Augusto Madureira que veio da mesma cepa, mas com calções.

  4. O que é isso de bancarrota? Será que os Partidos à Frente (do Pátio das Cantigas) querem dizer incumprimento?! Mas, nem a Grécia — quanto mais Portugal — chegou a entrar formalmente em incumprimento. Aguentou seis meses em situação financeira bem pior do que Portugal estava, em 2011, e nem assim entrou em incumprimento. Porquê?

    Como é óbvio, os estados credores não querem que um estado devedor entre formalmente em bancarrota, pois são fiadores dos resgates; após um incumprimento formal, os fundos que gerem os resgates teriam que aprovisionar capital para cobrir o prejuízo, sob pena de também entrarem em incumprimento, junto dos seus credores (banca privada). O avultado buraco ira parar aos défices dos países credores (incluindo Portugal). O tratado orçamental forçá-los-ia a implementar medidas de austeridade, para pôr a dívida pública nos eixos. Mas… acham mesmo que a Alemanha aceitaria uma coisa dessas?!

    Obviamente, não! Virava o disco para o lado B e punha o BCE a absorver os activos tóxicos dos fundos de resgate, tal como foi feito nos Estados Unidos para salvar Wall Street da “bancarrota”. É claro que poderiam ter feito logo isso em 2010, absorvendo a fracção do crédito aos países periféricos tornado incobrável pela pela crise financeira de 2008 e pela deficiente arquitectura da Zona Euro. E agora?

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