Freitas perguntou, Louçã calou

Freitas perguntou, Louçã calou*. Ou seja, Louçã não aceita o desafio e aproveita o ensejo para fazer propaganda eleitoral. O que se lê é, exactamente, o que tem vindo a ser repetido até hoje. O BE depende da indefinição ideológica, ou da sua ocultação. Muitos votantes neste partido não fazem a menor ideia do que estão a fazer com o seu voto, nem se preocupam pois apenas querem protestar. Este diagnóstico está batido, é uma evidência repetida por muitos.

Contudo, há um fragmento que vale por um Bloco. Consiste nesta frase:

O Governo Sócrates insulta as professoras.

As professoras. As professoras? As professoras?! É que não é gralha tipográfica ou sintáctica, Louçã estava mesmo a pensar nas professoras quando pretendia falar dos professores.

Acontece que o Ensino está cheio de mulheres. Facto. E que elas foram manipuladas para se manterem numa registo emocional, furibundo, neurótico. Facto. As manifestações exibiram o grau de violência afectiva a que se chegou, muitas declarações orais ou escritas não foram coisa diferente de testemunhos psicóticos. Os organizadores do combate nas escolas tinham as professoras no ponto de ebulição, bacantes preparadas para desmembrar a ministra sinistra e o pinóquio.

Os populistas e demagogos repetem velhas receitas. Porque resultam.

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* Muito obrigado tra.quinas

18 thoughts on “Freitas perguntou, Louçã calou”

  1. A professora Adelina
    Foi minha professora na quarta classe, vínhamos habituados ao professor Valente, andei da primeira à terceira classe com ele. Alunos mais antigos diziam que ela era muito má, não fiquei com essa impressão, pelo contrário. Era de estatura baixa, tinha fibra, tanto para ensinar como para nos disciplinar. Sentia a escola, tinha gosto em ser professora. Há tempos numa reportagem que um canal de televisão transmitiu viu-se a indisciplina. Alunos andavam por cima das carteiras e mesas, veio-me logo à memória a professora Adelina, não admitia aquilo. Se fosse hoje não a via como vejo uma grande parte de professores a usar impropérios para com os seus governantes. Só se interessava em ensinar-nos e dar-nos bons conselhos. Nos dias em que as coisas não corriam bem – lembro-me de fazermos um ditado sobre uma província Portuguesa, com nomes bastantes exóticos, colegas meus deram vinte e trinta erros, levei três. O que ela nos disse com as lágrimas nos olhos. A maioria dos seus alunos passara de ano. A maior parte foi trabalhar – três ou quatro foram estudar – lembro-me de ela me perguntar se ia trabalhar ao que respondi, que sim. Dizendo ela que… país.

  2. “O BE depende da indefinição , ou da sua ocultação. Muitos votantes neste partido não fazem a menor ideia do que estão a fazer com o seu voto, nem se preocupam pois apenas querem protestar. Este diagnóstico está batido, é uma evidência repetida por muitos.”

    100 páginas de programa eleitoral não lhe chegam? É de um rótulo que precisa? Porquê? Sem rótulo não sabe avaliar? Os tais muitos votantes a quem indirectamente chama estúpidos, çleram o programa e querem votar. Acaso leu o programa? O que é que nele o incomoda?

  3. As 100 páginas, lá está, não respondem às perguntas de Freitas. E a questão dos rótulos é muito importante, para não confundirmos remédios e venenos.

    No programa incomoda-me uma visão da economia e da sociedade que é centralista, estatizante e extremista.

  4. Valupi: que te incomode o programa do Bloco, por ser centralista, estatizante e extremista, tudo bem, é teu direito. Que as pessoas votem no partido A ou B para quererem protestar é direito delas. Não se pode obrigar as pessoas a ler os programas.

  5. nesta questão concreta não é de mais lembrar a crise educativa de 91/92 e a, amplamente comentada na net nos últimos dias, mordaça colocada por Couto dos Santos a TODOS os funcionários da ministério da educação: só podiam falar à comunicação social com autorização expressa superior.

    o ministério da Manuela Ferreira Leite que se lhe seguiu, continuou a mesma “regra democrática” e nem os candidatos a eleições podiam visitar escolas.

    não se trata de um insulto a um género de uma classe, longe disso, é uma piquena suspensão da democracia que só Guterres revogou.

    o BE tornou-se especialista em potenciar descontentamento transformando-o em votos. são os novíssimos ghostbusters da nossa política.

  6. Ora bem, chegou onde eu queria. Vamos a rótulos e ao que valem: : Sócrates declara-se incansansavelmente socialista e comporta-se como um neo-liberal incansável. Veja-se (mencionando apenas as mais fáceis de resumir neste espaço) como há 4 anos passou a campanha eleitoral a prometer repor no Cód Trababalho o principio do tratamento mais favorável aos trabalhadores e referendar o Tratado de Lisboa para depois de eleito aprovar um cód trab ainda pior do que anterior e assinar o tratado sem o referendar. E veja-se tb como apoiou para a presidência um neo-liberal radical, apoiante de Bush, sabendo que as iniciativas legislativas que partirão desta presidência serão todas de cariz furiosamente neo-liberal. Ora o que interessa não são os rótulos, são as políticas concretas que se preconizam e as que se aplicam quando se tem oportunidade para tal. Com o PS já todos sabem como é, promete esquerda e aplica direita. O Bloco promete esquerda e as pessoas só têm a ganhar se lhe derem a oportunidade de mostar o que aplica de facto.

    Quanto ao que o incomoda no programa do Bloco é exactacmente aquilo que incomoda a direita. Não admira pois que incomode quem apoia Sócrates. É que realmente trata-se de um programa de esquerda. Assim fica tudo clarificado.

    Quanto a Freitas, se usarmos a mesma demagogia básica que ele usou no seu artigo, também podemos perguntar-lhe: E o sr. é fascista? É que eu ainda me lembro … enfim, desisto, não consigo descer ao mesmo nível.

  7. De um lado estavam as senhoras professoras e os organizadores do combate, na sua maioria homens, mas do outro encontraram uma ministra também ela Mulher (assim mesmo com M grande) e as mães dos alunos. Pois, a maior parte dos encarregados de educação também são mulheres, e estiveram sempre do lado da ministra. Talvez por isso, e apesar de tanto histerismo por parte das professoras, a estratégia para derrubar a ministra desta vez não resultou.

  8. Estou cansado e enojado de receber “mails” ABJECTOS por parte de Professor@s a enxovalharem Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates.

    Até Primas minhas e suas respectivas senhoras Mães (minhas adoráveis Tias) já me levaram aos arames com este comportamento revoltante!

    Claro que esta loucura toda só poderia ter o resultado que está à vista: afinal de contas, o Ensino não está assim tão mal como dizem…

    SALAZAR, SALAZAR, COMO ESTAVAS TÃO ENGANADO ÀCERCA DOS PORTUGUESES!

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