Francisco Teixeira da Mota sai em defesa de Sócrates

«A forma como conseguiram condenar Sá Fernandes, nomeadamente, alterando os factos dados como provados pelo tribunal de primeira instância, apesar do empresário não ter recorrido quanto aos mesmos, figurará em lugar destacado numa futura antologia nacional das perversões jurídico-processuais no capítulo "Acarinhar os Corruptos."

Esta sinistra decisão da Justiça portuguesa foi agora arrasada, de alto a baixo, pelo TEDH, que considerou ter Portugal violado, em três vertentes, o artº 6 da Convenção que determina que: "Qualquer pessoa tem direito a que a sua causa seja examinada, equitativa e publicamente, num prazo razoável por um tribunal independente e imparcial..."»

Até quando terão os portugueses de se deslocar a Estrasburgo para encontrar justiça e decência?

*_*

Descodificando a ironia, o Chico Mota está neste texto citado em registo triunfante e modo triunfal, exibindo-se como aquele que conseguiu “arrasar” (sick) a Justiça portuguesa à pala de um cliente seu. Ora, o motivo para o êxtase é bondoso, pois a intuição leiga em matérias jurídicas dá razão moral a Ricardo Sá Fernandes. É um caso de ambiguidade nula numa situação onde vemos uma potencial acção judicialmente meritória a ser castigada num tribunal superior por razões que carecem de explicitação técnica, e traduzida para as diferentes iliteracias da comunidade. E que mesmo após, eventualmente, se ter assimilado a lógica do argumentário o mesmo poderá ser criticado – tanto quanto aos princípios invocados como à sua aplicação. O Direito não é uma matemática nem uma física, é (mais) uma tentativa de humanização das sociedades e dos indivíduos. Bom desfecho para a vítima do que parece um erro judicial e para o seu advogado, pois.

O único problema neste texto publicado no pasquim da Sonae é o próprio texto e a respectiva assinatura. O Chico Mota é um caluniador profissional, explora o populismo justicialista e contribui para a corrosão e emporcalhamento da República e do espaço público. Claro, ele concebe-se como um paladino da “Verdade”, usando as suas milhentas informações e percepções como advogado para acordar e adormecer com a certeza absoluta de isto estar tudo nas mãos da malandragem. E partilha connosco esse seu mundo, um mundo onde a tal Justiça portuguesa que ele acaba de arrasar é exactamente a mesma que coloca num altar quando se trata de usá-la, ou de aplaudir o seu uso, para cometer violências de Estado e um linchamento político no pelourinho dos tribunais contra um alvo da sua predilecção assassina:

O direito ao erro dos jornalistas é a certeza de termos direito à informação

2 thoughts on “Francisco Teixeira da Mota sai em defesa de Sócrates”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.