Fitna – II

O nosso amigo Carmo da Rosa pregou uma inteligente, e clássica, partida a propósito da publicação do vídeo Fitna. Os resultados estão à disposição dos interessados; e valem, para mim e principalmente, por esta evidência: o problema do terrorismo islamita, mais as melindrosas e desvairadas questões conexas, não se resolve com o silêncio das vítimas, muito menos com silenciamentos. O facto de ser uma ameaça potenciadora, ou geradora, de desequilíbrios psíquicos (vide exemplo nos comentários), e de posições confusas (vide exemplo nos comentários), e de contradições obscenas (vide exemplo nos comentários), mais urgente e meritório torna o diálogo com os apavorados, os medrosos e os preconceituosos. Até com os imbecis.

E o Fitna? As centenas de milhões de crentes muçulmanos não pareceram muito preocupadas com as peculiaridades da política holandesa, e as manifestações foram raras e sem entusiasmo. A reacção mais violenta, e ironia das ironias, ainda é a de Kurt Westergaard, o qual protestou por aparecer o seu famoso boneco à má-fila, sem o terem sequer avisado. Para os distraídos, fica claro quais são os limites da liberdade de expressão: os direitos de autor. Qualquer outro limite, e excluindo a legislação aplicável, é inadmissível e deve ser denunciado como ofensa à Civilização.

Por cá, jornalistas e blogues preferiram ignorar a surpreendente peça de Geert Wilders. Não me pagam para explicar o fenómeno, mas como observador aponto para um aspecto notável do Fitna: em nenhum passo se promove a violência contra pessoas, etnias ou credos. Aliás, desconfio que o registo baralhou por completo os axónios a muito boa gente, contribuindo para explicar a mudez geral. O que fica da narrativa é uma comunhão com o sentimento de perplexidade perante a aberração de actos e intenções. A mensagem poderia — e deveria! — ter vindo de um crente islâmico, pois o mal faz vítimas entre todos os que procuram viver em paz.

Entretanto, um palonço saudita, de seu nome Raed Al Saeed, deu que falar com o vídeo Schism. O filme é completamente idiota, risível de tão tonto, mas assinala a possibilidade de diálogo com a nova geração de muçulmanos cosmopolitas. Basta que eles consigam entender que a religião cristã já foi derrotada faz tempo, muito tempo. O cristianismo não passou de um momento da cultura ocidental, o que veio a seguir é uma divindade muito mais poderosa: a liberdade.

10 thoughts on “Fitna – II”

  1. concordo: muito engraçado o estratagema do carmo da rosa. se bem percebi, no entanto, os resultados não mostraram estarem os participantes embotados pela crença errónea sobre a proveniência dos conteúdos.
    o filme fitna também a mim surpreendeu pela brandura. do schism ouço falar agora, o que significa que quando se toca na religião cristã o sururu não tem nada a ver. e há um detalhe importante: não foi possível encontrar para a sua produção exemplos de fenómenos de massas envolvendo o ódio a todo um conjunto populacional por razões religiosas. o mais longe que chega é àquela senhora loura; sendo sinistro o que se vê, e triste por envolver crianças, não chega a ser alarmante, porque circunscrito a um pequeno grupo. nem se fala em matar po motivos religiosos, apenas em lutar, sem explicitar com que armas…
    o mais revoltante é a cena com os soldados, mas essa as nossas “massas” condenam em massa, o que diz muito. e o mais chocante é a guerra. nem uma nem outra destas situações convoca a religião para seu fundamento. será mais o poder.
    agora estou à espera que os católicos venham reclamar da ofensa com o mesmo fervor com que defenderam a suposta ofensa dos muçulmanos.

  2. viram aquela coisa de que se podia matar tudo menos as raparigas virgens?

    sempre a paranóia da propriedade dos genes, da propriedade em geral, a paranóia da falta de água e terra arável deu nisso

  3. Acho que sim, que a ameaça do terrorismo ISLAMISTA (não ISLAMITA) merece toda a atenção. E medidas de prevenção, que são as mais eficazes – especialmente quando o mal ainda é remoto, como aqui em Portugal. As autoridades devem estar muito VIGILANTES em relação a GAMBOZINOS, sejam eles islamistas ou fascistas. Como oficialmente ainda só temos 15 mil muçulmanos no país (devem ser o triplo) escusamos de importar mais. Se um em cada quinhentos muçulmanos for islamista, já são demais. Eu não preciso é do cabotino do Wilders para saber isso.

    A tese socialdarwinista do z sobre os árabes é cómica, mas isto aqui é um café, não é a Royal Society.

  4. Acontece que estou a fumar um cigarro na Sociedade de Geographia, meu caro, sentado nesse sofá de couro no outro extremo da sala, e caso não tenha reparado estou agora entretido a olhar displicentemente os reflexos dos diamantes do anel, enquanto que lhe recordo que a frase está na Biblia e não no Corão

  5. susana, o Shism é apenas uma peça pop, um típico fenómeno YouTube.
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    z, tens razão, a economia explica muito da religião, como apontou o amigo Marx (e tantos outros).
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    Nik, o Wilders também não precisa de ti para nada, a menos que venhas a votar na Holanda.

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