Filipe Santos Costa, jornalista

Assim começa uma inaudita confissão a lembrar os tempos heróicos dos dissidentes soviéticos. Não é que faça revelações incríveis, sequer provoque desmaiada surpresa, pois a cultura do Expresso está à vista, bastando ver a montra para adivinhar as misérias no armazém. O que causa espanto é o acto de fala onde Filipe Santos Costa parte a loiça toda com precisão cirúrgica. Neste momento, e até à eventualidade de o mano Costa lançar como resposta e vingança um qualquer assassinato de carácter contra o ex-empregado do Grupo Impresa, a credibilidade jornalística e deontológica do Expresso, mais a dos seus directores passados e presentes, não existe.

Repare-se: não estamos perante uma situação em que temos de escolher entre duas versões concorrentes e contraditórias – dado que o seu discurso é assumido como um testemunho pessoal complemento da realidade objectiva, material, incontornável de ser o Expresso aquilo que nós registamos que é – ficamos é na posse da novidade de se poder confirmar através de uma visão interna, vinda de um ex-operacional da casa, a encardida decadência deste tipo de pseudojornalismo agora denunciado com uma frontalidade absolutamente sem antecedentes a este nível de notoriedade, para mais envolvendo uma vaca sagrada cheia de vedetas assanhadíssimas.

Não se trata de um ataque ressentido ao jornal e seus responsáveis, contudo. Provavelmente, este mesmo jornalista não se envergonha do que fez no Expresso, onde vestiu a camisola e tentou ser um bom soldado. E, às tantas, poderá ter alimentado a ambição de chegar a director para, vamos acreditar optimistas e ingénuos, alterar a cultura editorial no sentido que agora anuncia querer seguir profissionalmente. As suas declarações parecem circunscrever aos dois últimos anos, que coincidem com a queda do Pedro Santos Guerreiro e a entrada do David Dinis e subida do João Vieira Pereira, o crescimento da sua insatisfação, por um lado, e servem também para promover a sua marca e oferecer-se ao mercado, pelo outro. Tenho a vantagem de nada de nadinha de nada saber a seu respeito para além da embirração que lhe tinha quando era um serviçal do sectarismo mediático, daí poder especular sem travão.

Seja lá qual for a história secreta do episódio, que até pode não haver alguma e ser só tal como anunciado, era lindo que desta coragem inspiradora viesse a nascer jornalismo jornalismo.

Votos de felicidades e boa sorte

11 thoughts on “Filipe Santos Costa, jornalista”

  1. .traduzindo : eu tenho sido um jornalixeiro , mas a culpa não é da minha falta de talento , é do patrão que não me deixa ser um jornalista bom . daqueles que informam as pessoas como era suposto ser.
    a declaração do filipe liga com as teorias da senhora do post abaixo…

  2. O jornalismo ficou mais pobre. Não pelo abandono do Filipe Santos Costa, que deixou o Expresso, mas pela morte de Vicente Jorge Silva. Também ele passou pelo Expresso, mas cedo se apercebeu que aquela não era a sua praia. Saiu e fundou o Público, jornal de referência até ao momento, em que o merceeiro achou que o jornal passaria a defender os seus interesses, e serviria para ajustes de contas
    com os que se lhe opunham ou não serviam os seus interesses políticos e financeiros.

  3. “até ao momento em que o merceeiro achou que o jornal passaria a defender os seus interesses”.
    É a isto que, presentemente, a imprensa está reduzida neste País: jornais e televisões que defendem SÓ E EXCLUSIVAMENTE os interesses dos merceeiros seus proprietários. Por essa razão deixei há muito de os comprar. Quanto aos canais televisivos, o que vejo e vou analisando, breve , breve me leva a fazer zaping, É por isto e tão só que a imprensa em Portugal e, digamos, por muito desse mundo fora, entrou num enorme desprestigio e começou a agonizar. Só que é uma pena não podermos ter informação digna desse nome.
    Há uns anos atrás, quando comprava imensos jornais, diários e semanários, esperava ansiosamente pelo expresso, pois sabia que dalí vinha muita informação que achava honesta. Depois, a pouco e pouco, caiu naquilo que é agora: um pasquim de merceeiro que há muito deixei de comprar mas do qual vou sabendo aquilo que hoje é, e que é uma vergonha. Os jornalistas são os principais culpados. pois, por um prato de lentilhas, venderam a sua honestidade.

  4. Deixar de os comprar, aos jornais, e deixar de os ver, aos canais televisivos, por muito, e com razão, nos desagradem, não parece ser a melhor solução, pois impede-nos de os criticar e denunciar, como o devemos fazer, de todas as maneiras que pudermos, além de que ainda vale pena lermos alguns escritos, embora poucos, e ouvir algumas vozes, embora poucas, que ainda vão surgindo.

  5. O pidesco prossegue as investigações e no caso publicita um gajo que diz mal da antiga entidade patronal .
    Mais um caso de actividade pidesca e um incentivo à bufaria.

  6. o fiscal das finanças reformado, com ligação às artes, que aprendeu a plantar raízes quadradas em vasos redondos, anda há mais de 10 anos a vasculhar os arquivos do aspirinas para ver se descobre a identidade do dono do blogue, acha este poste “Mais um caso de actividade pidesca e um incentivo à bufaria”.

  7. onde é que nos meus comentários está escrito que eu sou das finanças reformado ?
    só pode estar a mandar bitaites, ou então, tem acesso aos endereços dos computadores dos comentadores, e tem a pulhice e a descarada lata de se esconder no anonimato, mas andar a divulgar publicamente dados que deveriam ser do domínio do anonimato.
    E é tão burro ( ou burra ) que nem encara sequer a hipótese de os comentadores terem mudado de computador e de domínio electrónico.
    Tinha-me esquecido do abanão chibo olé e do neves quase falido, coisa que os pariu, também!
    e eu é que sou o pidesco, hein ?

  8. Eh, eh, eh….!
    Mas que anda aí à uma data de anos, lá isso anda.
    Como dizia o outro na tv, “o algodão não engana”.

  9. Três tristes conclusões:
    1. Toda a gente sabe disto há décadas, mas não se comenta.
    2. Apesar deste testemunho, ninguém quer saber e muito menos discutir isto.
    3. A comunicação social vai continuar a degradar-se (se é que isso é possível, tendo em consideração que aparentemente já bateu no fundo) perante a indiferença geral.

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