Festina lente, Costa

António Costa começou o discurso no Pavilhão Rosa Mota, neste domingo, acelerado. Acelerado continuou. E ainda mais acelerado terminou. É preciso que alguém lhe diga para se acalmar se a ideia for a de acelerar o eleitorado.

Há características psicológicas em Costa que prejudicam a sua afirmação como líder e, muito provavelmente, estão também na origem da surpreendente inépcia estratégica que tem revelado. Por exemplo, no primeiro debate com Seguro a sua prestação foi comedida, tendo procurado passar uma imagem conciliadora, quiçá amistosa, no trato público com o então secretário-geral. Após o debate, todos os comentadores de direita aproveitaram a oportunidade para fingirem que Costa tinha perdido o páreo, que nem sequer se teria preparado. Tudo conversa da treta face à inanidade de Seguro, mas treta permitida pelo amadorismo ou sobranceria de Costa. O segundo debate levou-o para um urgente exercício de intensa pressão sobre Seguro, não deixando dúvidas quanto à percepção geral produzida. E o terceiro foi um misto dos dois anteriores, tendo esse debate acabado por ficar marcado pelo descontrolo emocional de Seguro. O ponto que realço é este: Costa mostra-se desconfortável em situações de antagonismo, parecendo não saber qual é a medida certa para a sua agressividade. Esta hipótese também radica na por si mesmo admitida imagem de ser alguém dado a provocar, ou a não impedir, explosões de violência emocional para com os seus subordinados. Exemplos vários poderiam ser dados, inclusive o modo ambíguo e passivo como lidou com a prisão de Sócrates, e ainda antes na forma como se exibia perante os ataques de carácter a Sócrates por parte do Pacheco e Lobo Xavier na Quadratura – marcas de um desequilíbrio entre dois extremos, a afirmação e a abstenção.

Referir estes aspectos da sua pessoa pública não pretende ser uma avaliação da sua capacidade como político. Costa é Costa é Costa, e assim será. Os factores que estão a prejudicá-lo são parte de um todo onde têm uma função que não pode ser desligada dos factores que lhe têm dado o sucesso político que obteve até agora, a sua reputação incluída. Todavia, algo poderá ser melhorado. E pode ser algo tão simples, aparentemente, como a alteração do quadro psicológico associado às suas intervenções tribunícias. Porque, como o exemplo da “Festa da Democracia” revela, ter um líder afectado pela ansiedade não é benéfico para si, para os seus e para a cidade.

Conselhos:

– Não querer imitar Fulano, Beltrano ou Sicrano.
– Começar devagar.
– Não gritar por convenção, gritar só por paixão.
– Falar para alguém, não falar para ninguém.
– Quando há algo para dizer a Passos, Portas ou Jerónimo, imaginar que Jerónimo, Portas e Passos estão ali, mesmo em frente, e dizer o que há para dizer como se.
– Nunca, mas nunca, gritar “PS, PS, PS” ao ritmo de uma metralhadora.

E prontos. Por hoje é tudo.

20 thoughts on “Festina lente, Costa”

  1. gritar por paixão. fiquei-me presa a esta. porque no fundo, que deve ser à superfície, tem tudo que ver com rendinhas e alhos. :-)

    (Costa é Costa é Costa está poético, não mudes)

  2. subscrevo na integra este poste.quem tem qualidades,não as pode desperdiçar em comícios! somos exigentes por que tivemos sempre bons oradores.mario soares,guterres, jorge sampaio e socrates.

  3. acrescento.o ps não pode deixar o pcp sem criticas.este partido faz do ps o seu inimigo principal.nós não lhe damos essa importãncia,mas não devemos permitir vergonhosos ataques, que só contribuem para o reforço da direita.

  4. e prontes. tá servida a ração para os direitôlhos, que de tão contentinhos não sabem se engolir ou deitar fora.

  5. eu não entendo como uma frase pode identificar o comentador.não devia ser permitido a presença destes “anónimos”. isto é nome: favor ler as instruçoes no fundo do penico. pf assumam.

  6. deveria ser obrigatório uma fotografia tipo bécula, número de contribuinte, atestado de existência passado pela junta de freguesia e óspois o valupe sorteava um aude para incentivar ao comentário.

  7. E se a aceleração, ansiedade e discurso histriónico fossem apenas a necessidade de camuflar e desviar as atenções do óbvio: o tipo não tinha nem tem ideias substantivas e realistas para o Pais. Depois do Bluff e facada nas costas ao Seguro, tal é a sede ao Pote da oligarquia socrátista e soarista, que o gajo anda mesmo à rasca e guinchar histérico como o Mestre 44 nos seus tempos de animal feroz?

  8. Sempre podes mandar – lhe uma carta em papel perfumado a rosas com as instruções e algumas ideias próprias e originais. Dois ou três encantamentos milagreiros e o pai natal como speaker nos comícios, também lhe fazem falta …

  9. Cegueta basico aka gustavo lima, realmente não consegues esconder o racista que és.
    Já não é a primeira vez que não te consegues conter e explanas aqui no blogue toda a xenofobia que te ensinaram em casa. És muito pequenino.

  10. Ó LIÃOE da Estrela, oube, tu fazes falta nos comícios xuxas, pá, mas podes aparecer com as provas de penico do IGNORATZ mor nos dentes, tás a bere? dá logo ótra core àquilo., sempre que abrires a bocarra e expressares. oqueie.

  11. Ó LIÃO eu meço 1 e oitenta. tens problemas cum isso? hum? Óbe, tou a pensar arranjar uma jaula para gajos como tu. oqueie. BIBA SALAZAR.

  12. oh, Val, andas muito esquisito e miudinho. bebe uma vinhaça quisso passa.
    , entretantus, os burros (do caralho) já começaram a relinchar.

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