11 thoughts on “Exactissimamente”

  1. O Jerónimo, o Lopes e até a Rato. Remata com o Cavaco. Quanto aos rapazes do Portas que saíram diretamente da universidade para a política (presumo que tenham a profissão de juristas), nada. O melhor exemplo ainda é o Santana, que Sá Carneiro foi buscar à universidade onde era o Ventura daquela época, e fez secretárii de estado. Político sempre, todavia jurista. Os jovens Jamila e Pinto, que só fizeram política, que profissão declaram? Mas isso agora não interessa nada.

  2. essas pessoas limitam-se a escrever que o que são em teoria, a licenciatura que compraram, para dar ideia que têm um bocadinho de esperto na cabeça. muita gente , que não a tem, ainda acha que tirar uma licenciatura é sinal de inteligência . o facto é que ignoram até que jurista é um tipo que não conseguiu passar no exame da ordem dos advogados.
    o que são na prática é mulas na manjedoura parlamentar , pata pagamento de serviços prestados aos chefes eternos do partido.

  3. Um bom artigo da Fernanda Câncio.

    Compreende-se que os políticos comunistas indiquem como profissão a profissão de origem (operário, técnico ou outra coisa qualquer) porque, para eles, os políticos profissionais são os políticos “burgueses”. Faz parte da mitologia da casa. Aliás, com alguns sindicalistas passa-se o mesmo. Veja-se o Manel Carvalho da Silva, 25 anos líder da CGTP, que até já era doutorado e continuava a indicar a profissão de técnico electricista…

    Mas político será realmente uma profissão? Tenho dúvidas. Isso dava uma boa discussão.

  4. “Mas político será realmente uma profissão? Tenho dúvidas. Isso dava uma boa discussão.”

    Obvio que não é. Nem é desejavel que seja considerada como tal, ou então teriamos de renunciar a eleições e passar a organizar concursos publicos para engenheiros em ciência politica. Visão tecnocratica perfeitamente absurda e perigosa.

    Eis porque o texto da F. Câncio é profundamente contraditorio. Posso entender a queixa de termos muitos responsaveis que fazem da politica uma autêntica “profissão”. Mas se é criticavel, é precisamente porque isso os leva a encarar o exercicio de responsabilidades como um ganha-pão mais do que como um serviço de interesse geral. Por isso mesmo não tem qualquer sentido criticar os que mencionam como “profissão” a ocupação profissional que tinham antes de se dedicarem à coisa publica. E o facto de se prevalecerem de serem, ou terem sido, operarios, num mundo dominado por doutores e engenheiros, também não me parece ser uma boa razão de os criticar, antes pelo contrario.

    Boas

  5. ò viegas! actor, encenador, realizador, dramaturgo, argumentista e produtor são profissões ou é necessária inscrição na ordens dos engenheiros e advogados para serem considerados profissionais? fazes lá ideia o que é ser profissional, pra ti é tudo ipss e escuteiros a trabalhar à borliú na gestão do condomínio nacional.

  6. Viegas, a expressão serviço de interesse geral ou serviço da comunidade não evoca só a (boa) política, isto é, aquela que é útil à colectividade, como pareces querer dizer. Evoca também muitas profissões que são tanto ou mais indispensáveis à mesma colectividade.
    Um médico ou um artesão também pode dizer que encara menos a sua profissão como um ganha-pão do que como um serviço à comunidade. Por aí não vais a lado nenhum.
    A discussão sobre se político é uma profissão não tem nada de ‘óbvio’, como defendes. Basta googlares o assunto e vais encontrar muitas posições, teorias e debates sobre o tema, que não é consensual.
    Há políticos, ditos de carreira ou profissionais, que não fazem mais nada toda a sua vida do que política. E é claro que o seu ganha-pão principal também é esse, a não ser que sejam ricos. Ou ladrões, o que é outra profissão.
    Um profissional qualquer que na sua vida apenas cumpriu um mandato na sua freguesia ou mesmo no parlamento não será um ‘político’, mas se alguém se dedicou a isso a maior parte do tempo, porque não haveria de poder considerar-se uma político profissional, isto é, uma pessoa com a profissão de político?

  7. Julio,

    Peço perdão, mas quem esta redondamente enganado és tu. Desde a invenção da democracia na Grécia antiga que é liquido para toda a gente, tirando talvez um ou outro marginal na Internet onde se vê de tudo, que o exercicio de cargos publicos não deve ser encarado como um modo de vida mas como um serviço extra prestado à comunidade (e lembro que em Atenas, os titulares eram tirados à sorte). Nada a ver com o exercicio de uma profissão de interesse publico (médico, etc), ou com uma carreira de funcionario publico. Estes ultimos alias, como saliento no meu comentario, não são eleitos, mas escolhidos por concurso em função, principalmente, das suas competências técnicas, o que os diferencia totalmente dos politicos.

    Podes procurar à vontade na Internet. Se encontrares quem defenda que é bom e desejavel que a actividade politica seja encarada como uma profissão qualquer (de interesse publico), sem ao mesmo tempo defender uma visão tecnocratica, em que os cargos publicos passariam a ser ocupados, não por pessoas eleitas com base num programa, mas por peritos que deram provas de saberem gerir a coisa publica, avisa…

    Por isso mesmo é que existem regras obrigando as entidades publicas (e por vezes também as privadas) a aceitarem destacar os seus funcionarios eleitos para cargos publicos, e reintegra-los a seguir. O facto de os politicos serem indemnizados quando ocupam um cargo a tempo inteiro (o que nem sempre é o caso, lembro), não invalida o que digo.

    Mas, muito mais simplesmente, a propria finalidade do artigo, que visa criticar a funcionarização da politica e os politicos que se dedicam à coisa como se fosse uma profissão qualquer, confirma o que digo. Isto, como é obvio, é contraditorio com a critica dirigida aos deputados que lembram qual era a sua profissão antes de serem eleitos. Existe uma parte da critica da F. Câncio exposta no artigo que não caiba na simples consideração de que alguns politicos ocupam cargos publicos demasiado tempo, o que não é são ? Não. Logo, qual o interesse da boca sobre os curriculos ? Nenhum…

    Boas

  8. Viegas, não vou agora discutir o artigo da FC, que acho que tem mérito, apesar de certas questões que levanta e a que não responde.
    Os teus outros argumentos é que não me convencem. Discordo, entre outras coisas, da oposição rígida que fazes entre ‘modo de vida’ e ‘serviço prestado à comunidade’. Que um político – que o seja toda a vida ou a maior parte do tempo – ache que presta um serviço à comunidade, isso é lá com ele e com a sua subjectividade. Sobre o seu alegado ‘serviço’ eu posso até achar que é um desserviço (acontece frequentemente). E, se temos de nos ater à realidade comezinha, constatamos que muitos políticos que por aí há estão na política não para servir a comunidade, mas por ambição de poder ou de ganho, independentemente do que possam dizer ou pensar. Não me interessa aqui saber o que a política deveria ser, interessa-me sim o que ela é.
    Na realidade, o ‘modo de vida’ ou ‘ganha-pão’ dos políticos – falo daqueles que o são toda a vida ou a maior parte do tempo – é a política, é ser político, independentemente das suas boas ou más motivações pessoais, da sua ideologia e do êxito ou fiasco do seu alegado serviço. A política é um trabalho e os políticos são pagos por ele. Um trabalho, que também exige conhecimentos e habilitações específicas. Muitas vezes sucede que esse trabalho alterna com outros na vida de alguém, mas não deixa de ser um trabalho.
    O político será um trabalhador sui generis, dirás, porque precisa de votos para chegar aos cargos e não é ‘tecnocraticamente’ escolhido pelas suas habilitações (técnicas). Pois não, mas o trabalhador político é democraticamente avaliado, julgado e escolhido pelas suas competências políticas e até técnicas. O que diverge é, apenas ou sobretudo, o modo de selecção.

  9. Julio,

    De facto, os meus comentarios são sobre a forma como concebemos as coisas (ou se quiseres, como as idealizamos). Que, na pratica, ha quem viva da politica como se vive duma “profissão” (no sentido de oficio, emprego, mister), é claro que ha. Não tenho qualquer dificuldade em admiti-lo. O que eu quis dizer é que isto é geralmente censurado, e esta censura parece-me também estar, pelo menos implicita, na peça da F. Câncio.

    Quanto ao que dizes a seguir, acho que estas a confundir duas coisas. Que os custos e sacrificios feitos por quem ocupa um cargo politico sejam compensados, e mesmo compensados de forma relativamente generosa, não me choca de maneira nenhuma. Não fosse assim, e teriamos um sistema em que apenas uma infima parte da população poderia ocupar cargos desses, o que seria incompativel com a democracia tal como a entendemos. Agora isto não significa que pagamos a “profissionais” que escolheram desenvolver competências especializadas e que nos vendem a sua competência. Pagamos ao cidadão que aceita pôr entre parêntesis a sua vida privada para se dedicar, por uns tempos, à gestão da coisa publica, de acordo com um programa que foi submetido ao voto de todos. Esse cidadão não é um técnico. De resto, é precisamente porque ele não é um técinco, que se prevê que ele se socorra de assessores e de funcionarios cuja função consiste precisamente em dar-lhe apoio técnico.

    Portanto não vejo qualquer vantagem em apresentar a politica como uma “profissão”. Julgo que as nossas instituições (não apenas em Portugal) são claramente concebidas para que os eleitos mudem regularmente. Isto acontece porque não os escolhemos em função das suas competências (caso contrario, deveriamos querer que eles permaneçam o mais possivel em funções, para adquirir experiência), mas antes em razão do programa politico que defendem. Como é obvio, isto não significa que eles não tenham qualidades proprias. Apenas que essas qualidades não dizem respeito a uma arte ou um oficio especializado, mas antes a caracteristicas que se aprendem em todos os oficios, e também fora da vida “profissional”, de modo que um arquitecto não esta mais, nem menos, preparado para a politica do que um sapateiro.

    Boas

  10. a proposta do PCP é a ideal : uma pessoa ganhou uma média de 1000 euros /mês nos empregos nos últimos 3 anos , passa para deputado a ganhar 1000 euros ( mais umas ajuditas quando houver despesas ) ; um tipo ganha em média 10 mil euros/mês no emprego nos últimos 3 anos , passa para deputado a ganhar 10 mil euros. ponto, ninguém deixa de ir para a politica por ganhar pouco nela, simples fácil e poupa milhões em inúteis.

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