Exactissimamente

Os governos não ganham greves por 3-0

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Nota

Quando ouvi as declarações de Costa, antes de ler o Paulo Pedroso a respeito, senti o mesmo desconchavo misturado numa resignação. Costa é, também, aquilo. E aquilo é o potencial para gerar erros de palmatória no plano da comunicação política pois expressa um triunfalismo que não tem defesa. Se foi intencional, cônscio, é a antítese do que se espera de um governante, especial e agravadamente de um primeiro-ministro, já com vexame pelo lado em que é socialista. Se foi acidental, incônscio, expõe uma displicência em que já tropeçámos noutras ocasiões, logo desde a sua campanha contra Seguro. Displicência que não poderá ser consequência de um amadorismo, pois estamos perante um dos melhores políticos profissionais, de sempre, da nossa democracia. Seria então uma displicência endógena a pedir divã ou biografia.

A metáfora a usar para ilustração do que estava em causa não era a do futebol, imprópria para o discurso por ser agonística e superficial, vulgar e tribal. Melhor seria ter usado a mais clássica das metáforas que simbolizam o Estado: o navio, a viagem no mar a carecer de um prudente e sábio capitão, e a necessidade de pecar por excesso de zelo pois a tormenta era ameaçadora e podíamos ter ido ao fundo caso não nos tivéssemos unido coordenando esforços e competências.

Qual a importância do episódio? Nenhuma, escusado será dizer. Costa não tem rivais. As suas imperfeições expositivas igualmente atestam da sua autenticidade que espalha confiança. Não se concebe uma mudança de timoneiro. Para completar o quadro paradisíaco, a concorrência é composta por uma direita decadente e por uma esquerda que está a sair da infância e só agora a entrar na puberdade.

26 thoughts on “Exactissimamente”

  1. Certo, Valupi ! Costa largou uma boutade e nos agradecimentos tb não esteve bem. Mas insistir na ideia de que o papel do Governo num conflito laboral se pode equiparar ( ainda que apenas por analogia ) ao de um árbitro de futebol, como faz o PP, também não é boutade menor.

  2. Ó Val o governo é árbitro quando o jogo é lícito. Quando uma das equipas joga sem regras queres que o árbitro faça o quê? Fique a olhar?
    É engraçado é que os treinadores de bancada só aparecem no fim do jogo para dizer as táticas.
    Só que os espectadores querem ver é um bom espectáculo e não têm prazer nenhum em que as equipas desatem todas à porrada ou que o árbitro acabe o jogo e não recuperem o dinheiro que gastaram no bilhete.
    Ó Val tem dó…

  3. Desculpa lá mais uma analogia, Val, mais pareces a minha tia Milú à mesa a dizer sempre mal da comida. Esta remata sempre as refeições com a frase:
    – Estava tuuuudo uma piiiiiiiiiilha de saaaal!

  4. Vamos lá saber:
    As negociações entre motoristas e patrões têm a mediação ou a arbitragem do governo?
    Mediação e arbitragem não têm o mesmo significado, certo?

  5. Mas qual é a dúvida em relação ao estilo do A.C. à maneira como ele olha para os seus concidadãos, incluindo os seus companheiros de partido? O Seguro que o diga. Para o A.C. os motoristas são meras marionetas instrumentais no jogo político que ocorre num patamar superior.
    Quando o vejo sorrir lembro-me da expressão das hienas quando se abeiram de uma vítima. O verbo não lhe bate com a fácies.

  6. Ó Val se até aqui há papagaios sem ideias para nicks que têm de imitar o dos outros como queres que a oposição tenha ideias.
    E agora em relação ao link e continuando na tua metáfora, não achas que no jogo dos motoristas o árbitro tinha de recorrer ao video-árbitro.
    E foi ou não foi graças ao video-árbitro que o jogo acabou bem. Então temos de agradecer primeiro ao video-árbitro, não?

  7. “Mas qual é a dúvida em relação ao estilo do A.C. à maneira como ele olha para os seus concidadãos, incluindo os seus companheiros de partido.”

    preferias o parolo de boliqueime ou o xico esperto de massamá, gozavam com os reformados e mandavam emigrar os novos. já os companheiros de partido tinham mais sorte, iam todos gamar para o bpn ou para lugares que dessem imunidade política.

    “O Seguro que o diga.”

    o seguro não diz nada de jeito, pergunta antes ao lóreiro, oliveira e casca, careca-mata-velhas, relvas, fantasias, pintelhos da edp & companhia ilimitada.

    “Para o A.C. os motoristas são meras marionetas instrumentais no jogo político que ocorre num patamar superior.”

    desta vez as marionetas vão levar aumento, nas greves de 2008 e 2011 fizeram greve pelos patrões e até tiveram um treinador sindical indicado pelo psd.

    “Quando o vejo sorrir lembro-me da expressão das hienas quando se abeiram de uma vítima.”

    eu quando o vejo sorrir é porque a direita perdeu uma quantidade significativa de votos.

    “O verbo não lhe bate com a fácies.”

    aqui já não chego, se calhar querias dizer “fáceis”. deve ter sido o corrector a (sa)botar opinião.

  8. Oh das 18:56, que reacção excessiva!
    Não é boa ideia olhar para o mundo procurando apenas o contraste branco/ preto. Existem muitas outras cores.
    Se estamos a falar das declarações de A.C. relativas a um certo contexto o que é que “o parolo de boliqueime ou o xico esperto de massamá” ou os “lóreiro, oliveira e casca, careca-mata-velhas, relvas” têm a ver com o assunto? Relaxa.
    É mesmo “fácies”.

  9. Escreve Paulo Pedroso que “o governo (…) era árbitro e não equipa no terreno”. Erro de base: ainda que vestido de árbitro, o governo comportou-se sempre, desde muito antes do início do jogo, como membro de uma das equipas no terreno, não se preocupando sequer em disfarçar. Começado o jogo, o árbitro não poupou nos cartões amarelos e vermelhos contra a equipa do seu desafecto, para garantir a vitória da equipa preferida. Assim, o comportamento parcial do governo é que devia deixar-lhe a “alma de esquerda dorida” e não a inabilidade arrogante a esconder o facto.

    Entende-se o entusiasmo do Valupi com o lamento de Paulo Pedroso, já que a sintonia é perfeita. Porventura ficará a alma de esquerda do Valupi também um pouco dorida com os “erros de palmatória no plano da comunicação política”, mas temos de ser pragmáticos. Tradução: que se foda a fazedura de direita, o que importa é a comunicadura de esquerda, para manter o rebanho a ruminar tranquilamente a pastagem.

    “A viagem no mar a carecer de um prudente e sábio capitão, e a necessidade de pecar por excesso de zelo pois a tormenta era ameaçadora.” Pois… O que dizer do “sábio capitão” que manobra propositadamente o navio em direcção à tormenta, só para poder exibir as suas capacidades ao leme? Para mim, de ‘sábio’ tem nada e de ‘prudente’ tem ponta de corno. Mas isso sou eu, que cheguei agora de Marte.

    “Para completar o quadro paradisíaco, a concorrência é composta por uma direita decadente e por uma esquerda que está a sair da infância e só agora a entrar na puberdade.” Tradução: deixem-se de infantilidades, esquerda adulta é a que se comporta como direita, o resto é paisagem.

  10. Essa metáfora do navio faz-me lembrar a do “homem do leme”, muito ppd há uns anos atrás. O querido ignatz explica-te.

  11. MRocha, desculpa não te ter respondido no outro post. Aqui vai agora:

    O chumbo do PEC IV não foi um exercício de lucidez, foi um exercício de estupidez. Estupidez sectária e oportunista, que nos despejou no colo a quadrilha passista. Mas se agora o Louçã declara que é branco o cavalo branco de Napoleão, só um burro sectário irá contestá-lo e fazer figura de sectário burro.

    Quanto ao “cenário que serviu de argumento ao governo para agir como o fez “, a análise que faço (obviamente subjectiva), em resultado da cuidada e preocupada atenção que dei ao caso, leva-me a crer que esse cenário foi encorajado, modelado, construído, implementado, inevitabilizado pelo próprio governo em estreita colaboração (ainda que informal) com a Antram, porque acreditava que a greve lhe dava jeito, como aliás deu e porventura dará em Outubro.

    Quanto ao problema real dos motoristas, a saber, a merda que ganham e a vontade de ganhar um pouco mais, fica por saber o que pode ainda o sindicato das matérias perigosas fazer para devolver algum equilíbrio à negociação e conseguir um pouco mais do que o “conseguido” pelos amarelos e rachados da Fectrans. As aspas devem-se ao facto de que mesmo o pouco que a Antram deu a estes últimos resultou, disso não tenhas dúvidas, da luta dos outros, do sacrifício dos execrados e proscritos.

    Dito isto, admito que o dito sindicato deu o flanco e cometeu erros. Poderia talvez ter desenvolvido uma estratégia mais progressiva, que desgastasse o patronato mais lentamente e com mais eficácia, mas o que sei eu? Eles é que estão no terreno, não vou pôr-me aqui a falar de cátedra e a mijar de cima da burra.

  12. Acabei de ver a entrevista do porta voz do sindicato na rtp3 e há uma situação que me deixa muito desconfortável com os jornalista , inclusive um tal Andrade do JN ( diretor ?).
    O porta voz do Sindicado afirmou várias vezes que os motoristas querem receber as horas extras que trabalham e “não são pagas” – repetiu várias vezes. Ora eu gostaria de saber aquilo que pelos vistos não preocupa os jornalistas: COMO SÃO DISFARÇADAS NA FOLHA DE PAGAMENTO DOS MOTORISTAS ESSAS HORAS EXTRAORDINÁRIAS ? AJUDAS DE CUSTO ? ISENÇÃO DE HORÁRIO ?
    Porque eu não acredito que esse tempo NAO SEJA PAGO. Poderá é garantir uma maior renumeração se processados como horas extras. e isso tornará justa a revindicação. Mas isso não significa que não seja pago…. Mas pelos vistos não há nenhum cabeça de lagosta de jornalista que queira ou lhe interesse saber. para desmontar uma mentira várias vezes repetida. Nem sequer acham estranham uma situação que provavelmente também os atinge e duramente. Para eles acharão normal .Querem é saber os impactes políticos da greve.
    Informação estupida !

  13. Desconfio que a metáfora do navio vai dar jeito no futuro. Vou só registar na minha agenda.

    Até agora o PS tratou o poder como um jogo de futebol, não vejo o porquê dessa indignação.

    O Costa já vai tarde para ganhar a medalha de estadista. No fim será mais um no esquema compraVotos/patricinaFinanciadores/beneficiaAfamiliaPolitica/****opaís. Quando muito será um Tiririca que navegou a onda da Troica + ciclo econômico + caixa de Pandora BCE.

  14. É evidente que uma greve não é um jogo de futebol e também é evidente que um mediador não é um árbitro.
    O árbitro decide a falta de uma parte ou da outra, segundo a sua interpretação das regras no momento, e o mediador não marca faltas a nenhuma das partes e tem de reger-se segundo a Lei, um emaranhado de leis da República, e não segundo regulamentos ou regras simples para poderem ser interpretadas no instante.
    É sabido do futebolismo que os árbitros são, normalmente sempre, acusados de parcialidade por quem perde e no caso, levado e mal para a analogia com o futebol, está-se dando o mesmo fenómeno; os defensores do sindicato, e o próprio, acusam o governo de parcialidade porque não ganharam ou ainda não ganharam porque o jogo ainda não acabou.
    E quem pode ser bom mediador numa contenda quando uma das partes parte sempre à cabeça com uma ameaça de greve? No 1º round com uma greve ilimitada que paralisaria a vida dos portugueses todos e por fim levaria o país ao caos. Agora para o 2º round suspenderam a greve mas já prepararam, anunciaram e ameaçaram com nova greve.
    No 1º caso o Pardal anunciou lançar uma bomba atómica sobre o seu próprio país o que é revelador
    de uma racionalidade perigosa.
    Agora volta a cometer, à partida, nova ameaça de greve e os novos moldes de luta dessa greve.
    Não parece boa intenção parar-se uma greve para encetar negociações quando já antes se tem uma nova greve planeada e decidida.
    Mais uma vez o PS fica entalado entre os extremos do espectro político português e, estranhíssimo, desta vez também com todo o direitista jornalismo português a tecer simpatias pelas greves.
    Parece, contudo, que o povão que é quem mais carrega com os efeitos da greve não concorda e o Costa também já demonstrou que não se pode subestimar.

  15. José Neves: “E quem pode ser bom mediador numa contenda quando uma das partes parte sempre à cabeça com uma ameaça de greve?”

    Afinal, qual é o teu problema com “uma ameaça de greve”? Já paraste dois segundos para pensar e concluir que toda e qualquer greve, para ser legal, é obrigada a um pré-aviso? Que um pré-aviso, por ser prévio, é sempre uma pressão, ou seja, uma ameaça? Preferias uma greve sem pré-aviso, sem ameaça prévia, ou seja, uma greve de surpresa, uma greve ilegal? E depois o quê? Acusavas toda a gente de sabotagem? Ou terrorismo, já agora? Ia tudo preso? Haverá vagas suficientes em Guantánamo?

    José Neves: “Agora volta a COMETER, à partida, nova ameaça de greve e os novos moldes de luta dessa greve.”

    Aí está: CRIME, DISSE ELE! A porra dos lapsus linguae é uma coisa phodida: “COMETER (…) nova ameaça de greve”. Pode “cometer-se” um crime, pode “cometer-se” um pecado, por exemplo, mas nunca vi “cometer” uma ameaça. Já vi e ouvi “fazer” ameaças, eu próprio já “fazi” e porventura “fazerei” de novo uma, duas ou uma dúzia de ameaças, mas não me passa pela cabeça “cometer” tal coisa. Pelos vistos, no teu subconsciente, greve é crime. Fico à espera do abaixo-assinado que promoverás em seguida a propor a sua ilegalização.

  16. Camacho,

    A defesa que fazes do direito à greve não me causa nenhum engulho quando a leio no plano dos principios.
    Mas a greve concreta em questão eu não sei se pode ser debatida apenas nesse âmbito. Da mesma forma que tive imensas dúvidas quanto aos reais contornos da “greve preventiva”dos magistrados, também me causa uma certa confusão constactar que esta greve parece ter tido por móbil questões salariais para 2021! Então trata-se de mais uma greve preventiva ? E, se sim, qual foi a pressa de a fazer agora ? Se juntarmos a isso declarações dos sindicatos envolvidos que não se inibiram de referir que a intensão inicial teria sido a de marcar a dita greve para vésperas de eleições, não te parece legitimo questionar se não haverá aqui motivações politicas a sobrepor-se às laborais ? Afinal, quem é a entidade patronal ? A Antran ou o Governo do PS ? Responderás que os sindicatos terão contado com a pressão do governo sobre o patronato, dada a inoportunidade da greve. Ok! Mas qual o argumento que utilizarias para demonstrar que o governo deveria té-lo feito em detrimento do dever de salvaguarda do normal funcionamento do pais que lhe compete ? Penso que é neste ponto que a tua posição toca a do Louçã no chumbo do pec iv.

  17. Sílvia
    20 de Agosto de 2019 às 20:15

    Essa metáfora do navio faz-me lembrar a do “homem do leme”, muito ppd há uns anos atrás. O querido ignatz explica-te.

    XXX
    20 de Agosto de 2019 às 21:58

    «O querido ignatz explica-te.», olha a bófia Valupi! Abre alas para a brigada dos bons costumes com as suas luvas de silicone para levar também a Silvinha, consulta de ginecologia.

    https://pbs.twimg.com/media/ECcWLDaXkAkAo_l?format=jpg&name=small

  18. Joaquim Camacho, quem comete um erro de linguagem és tu quando confundes “pré-aviso” com uma intenção já determinada de greve pois o “pré-aviso” para obter validação devia, para ganhar crédito, ser apresentado pós falência das negociações e não antes.
    Tu próprio consideras que o pré-aviso não é mais que uma pré-ameaça. E se se considerar-mos que uma pré-ameaça pode também significar uma pré-consciência de falta de outros argumentos?
    Outro erro teu de linguagem é fazer a palavra “cometer” sinónimo de “crime” pois cometer pode referir-se tanto a crime como a heroísmo e no caso refiro-me somente a uma ameaça no sentido, na minha perspectiva, de erro como é fácil perceber pelo texto completo.
    O que não percebeste foi quando, dada a analogia de PP com o futebol, falei do futebolismo e de que à boa maneira dos portugueses já quase toda a gente trata a greve como se fora um jogo de futebol entre o seu clube e o do rival.
    E tu, Camacho, torces fundamentalisticamente pelo teu clube.
    E como nos clubes acerca dos quais quase todos os dias saltam notícias na praça pública de negócios escuros também os portugueses têm toda a legitimidade de desconfiar de greves como ultimamente têm surgido e como surgem. MRocha já lembrou a greve dos magistrados e poderia ainda citar as greves dos sindicatos “independentes” dos médicos e enfermeiros.
    O Louçã é um político medíocre que empurrou o país para as mãos da troika e Passos e agora, de novo aliado à extrema direita, inventou uma teoria da conspiração do Costa maquiavélico, com a qual
    também alinhas.
    Contudo, essa defesa da greve como um valor sagrado, independentemente de os próprios grevistas lhe terem chamado uma “bomba atómica” sobre o país e os portugueses, não é mais que um desejo de ver o Costa e o governo caído na rua.
    É, no fundo, a velha reminiscência lusitana do tempo dos romanos; nem governam nem deixam governar.
    Mesmo quando o governo é do melhor que já tivemos.
    Com Sócrates aproveitaram da santa vingança cavaquista-justicialista e agora andam à procura de um pretexto e tudo serve como tentativa.
    Mas continuo a afirmar que é erro subestimar Costa.

  19. MRocha, comparar a greve dos motoristas com a dos magistrados não lembra ao Diabo, e olha que o Grão-Tinhoso não tem falta de imaginação! Também essa indignada e minuciosamente cultivada espantação (por papagaios merdiáticos sem espinha nem cérebro) com os escalonamentos para 2021, 2022, etc., não passa de areia para os olhos de distraídos e ingénuos, já que está longe de ser a primeira vez que acontece em negociações sindicais, e não só. Com um ligeiro esforço, recordarás certamente as exigências quanto à evolução futura, anual, do salário mínimo feitas pela CGTP e pela UGT, bem como a evolução igualmente escalonada em termos anuais de subsídios de vários tipos acordada, ou pelo menos discutida, no seio da geringonça. É uma espantação sem motivo, artificial, plastificada, que visa poluir a discussão pública do mesmo moto que palhinhas e cotonetes poluem os oceanos.

    Quanto à confessada (em plenário dos motoristas) intenção de aproveitar a aproximação de eleições, na esperança de isso encorajar o governo a pressionar um pouco mais os patrões a um compromisso, não tem nada de inédito e é absolutamente legítima. Oportunista, sim, mas legítima, legal e nem sequer remotamente original. Se alguma coisa tem de política é apenas no sentido em que quase todas as acções de corpos coletivos, em sociedade, têm sempre uma vertente política, mas não com o sentido conspirativo, partidário, em panelinha secreta com sabe-se lá quem mas sabe-se bem quem, que lhe dás. Perguntas tu: “Mas qual o argumento que utilizarias para demonstrar que o governo deveria tê-lo feito em detrimento do dever de salvaguarda do normal funcionamento do país que lhe compete?” Exactamente esse: o “dever de salvaguarda do normal funcionamento do país que lhe compete”. Para isso devia ter sido inequivocamente equidistante entre as partes, pressionando os dois lados a um compromisso, em vez de tomar abertamente partido pelos patrões, com tanta ferocidade como a do moleque mercenário que têm como porta-voz. Foi isso que nos conduziu aonde estamos e é isso que continua a empurrar-nos para onde vamos estar dentro de poucas semanas. E se o governo não o entender rapidamente e passar a agir com equidistância, de modo a que o moleque palavroso e seus representados engulam a arrogância e procurem um compromisso, a coisa vai dar merda e os benefícios eleitorais que o Costa pensa ter conseguido desvanecem-se enquanto o Diabo dá metade de um peido.

  20. José Neves: “E tu, Camacho, torces fundamentalisticamente pelo teu clube.”

    Meu, tens de me dizer que clube é esse, que eu pensava que não tinha clube nenhum! Em puto, torcia pelo Benfica. Agora, das poucas vezes em que vejo uns minutos de futebol, a coisa ‘vareia’. Por exemplo: torço, em princípio, pela Selecção Nacional, mas se a Selecção Nacional começa a fazer jogo sujo, a rasteirar e a dar sarrafada para contrabalançar incapacidades, meu caro, passo imediata e “fundamentalisticamente” a torcer pela equipa adversária, seja ela qual for, a não ser que o comportamento desta seja igual. Com a política, a minha ‘flutuação’ é igual. Não tenho clube, não frequento capelinhas, não apadrinho panelinhas, sou um homem livre. Detesto politiquice, mas interesso-me por política, tanto nacional como internacional, e, como não gosto que me comam as papas na cabeça, encho os cantis em variadíssimas fontes e tento manter-me informado. Porque, como uma vez disse o Vasco Gonçalves, a quem os cretinos chamavam maluco mas, apesar de alguns erros, era um homem honesto e bom, a política não tem necessariamente de ser uma coisa suja e pouco clara, pode ser transparente, honesta e nobre.

    José Neves: “quase todos os dias saltam notícias na praça pública de negócios escuros também os portugueses têm toda a legitimidade de desconfiar de greves como ultimamente têm surgido e como surgem.”

    Pois, de dedos apontados a conspirações inconfessáveis atrás de cada arbusto estou eu farto, meu! Para isso basta-me o correio da manha, o rebeubéu Teixeira e o super-não-sei-quantos.

    José Neves: “Contudo, essa defesa da greve como um valor sagrado, independentemente de os próprios grevistas lhe terem chamado uma “bomba atómica” sobre o país e os portugueses, não é mais que um desejo de ver o Costa e o governo caído na rua.”

    A táctica de, à falta de argumentos, atribuir ao interlocutor, para o inibir, posições ou opiniões que se sabe perfeitamente não terem nada a ver com o que ele defende é velha como o cagar, mas tão desonesta hoje como da primeira vez que foi usada pelo demagogo que a pariu. A coisa que eu menos desejo é “ver o Costa e o governo caído na rua”. Um dos meus desejos para o futuro (além do Euromilhões) é que das próximas eleições resulte um governo parecido com o actual, com António Costa e tudo. Há aqui no Aspirina comentários meus, ainda antes das últimas eleições, manifestando hesitações entre o voto no Bloco ou no PS. Acabei por me decidir pelo PS, o que também deixei aqui expresso antes das eleições. Igualmente antes das eleições, e neste mesmo fórum, advoguei uma solução como a que acabou por se verificar com a depois chamada ‘geringonça’. Do que de ti conheço, seria desonestidade da minha parte atribuir-te a maquiavélica intenção que me atribuis a mim, donde se infere que, lamentavelmente, és tu que resvalas para a desonestidade quando o fazes.

  21. Esta coisa da Estralinética é uma maravalha! Fui vasculhar o arquivo do Aspirina e, num post da Penélope de 5 de Outubro de 2015, às 13.15 (“Opinando sobre o PS”), com 75 comentários, copy pastei este, da minha ilustre lavra:

    “Joaquim Camacho
    6 DE OUTUBRO DE 2015 ÀS 2:48
    Jasmim em “A situação é esta”:

    “A esquerda “verdadeira e pura” que apunhalou o PS durante toda a campanha eleitoral merece ficar a falar sozinha, e o povo português merece levar com o governo de direita porque foi aquilo que escolheu.”

    “Que apunhalou”? “Que apunhalou”? “QUE APUNHALOU”????!!!! Mas tu estás boa da cabeça? Então os tipos, concordes ou não com eles, têm obrigação de obedecer às tácticas e estratégia de um partido que com eles concorre eleitoralmente? Podes e deves criticá-los, mas essa linguagem, e o pensamento subjacente, é de doidos!

    E “o povo português merece levar com o governo de direita porque foi aquilo que escolheu”? Estás com BSE? Alzheimer? Apanhaste uma irritante camada de chatos? Chegaste agorinha do Planeta Vermelho e não reparaste que mais de 60% do povo português votou activamente contra a direita que o vai governar?

    Ainda não percebeste que, neste momento, o BE da Catarina Martins é, para a maioria dos eleitores que votaram nele, uma espécie de ala esquerda do PS? Ainda não percebeste que muitos votaram no BE porque as ambiguidades do Costa não lhes inspiram confiança? Precisas de um desenho para entender que foi o Costa, na estúpida ilusão de ir buscar votos ao centro, que alienou uma grande parte do eleitorado potencial do PS? E que o seu comportamento em relação ao Sócrates, como a Maria Abril explica às 22.35, enojou e afastou mais outra fatia importante de potenciais votantes? E que o Bloco, que sempre guerreou o Sócrates e se está nas tintas para ele, não teve qualquer responsabilidade na esperteza saloia de renegar o leproso a que o Costa se entregou? Custa assim tanto entender que o PS perdeu por única e exclusiva responsabilidade da incompetência do António Costa? E da competência da quadrilha do Pote à Frente, que ele foi incapaz de combater com um mínimo de eficácia?

    Ó Jasmim, vai-te lixar!”

    Ó José Neves, embrulha e vai-te catar!

  22. Tomas lá mais uma, ò Neves:

    “Joaquim Camacho
    6 DE OUTUBRO DE 2015 ÀS 0:40
    Jasmim Silva: “Repito. Eu no lugar do PS gozava-os a todos, à Direita e à Esquerda.”

    Assim tão orgulhosamente só (vade retro!), só falta, já de seguida, começares a gritar: “Para Angola, rapidamente em força”, ou “Rádio Moscovo não fala verdade”, ou uma outra qualquer pérola arqueológica. Ou então, com uma costela sectária tão bem afinada, talvez fosse de ires a correr, amanhã bem cedinho, à agremiação do Jerómico para pedir uma ficha de inscrição.

    Se um acordo entre o PS e o BE é assim tão estapafúrdio, porque andou então o Costa a papaguear os acordos e consensos que tinha feito na CML, como exemplo do que poderia ser a sua actuação política pós-eleitoral? E, se acaso viste o debate Costa-Catarina, não achas que esse acordo não foi de modo nenhum inviabilizado?

    Jasmim, eu, que votei no Costa, sinto-me derrotado. Mas também me sinto satisfeito com a votação no BE da Catarina, principalmente por ter deixado o Jerómico para trás. E custa-me a aceitar que o Costa me tenha aldrabado o tempo todo como “homem dos consensos” para agora fazer marcha atrás e se preparar para dar luz verde à quadrilha do Pote à Frente para me (nos) continuar a roubar.

    Essa de “o PS é um partido de poder” deixa-me quase com vontade de te dar um conselho sobre o que podias fazer com o dito poder. Não vou fazê-lo, por respeito, mas olha que essa patética arrogância obrigou-me a um esforço grande.”

  23. E outra:

    “Joaquim Camacho
    6 DE OUTUBRO DE 2015 ÀS 3:24
    Ó Pacheco, com os votos até agora contados, os 85 do PS e os 19 do BE somam 104. Ora 104 é precisamente o que os do Pote à Frente têm. Se adicionares os 17 da CDU, dá 121, mais de metade do Parlamento. Há muitos pontos em que os três partidos de esquerda não terão dificuldade em chegar a acordo, como o fundo de desemprego, o ordenado mínimo, as pensões mínimas, a reposição das pensões, a reposição da situação anterior na questão do aborto, a TAP e muitas mais.

    O BE não terá dificuldade em entender que esta é uma ocasião única para concretizar parte das suas bandeiras, desde que, e friso o DESDE QUE, se disponha a pôr outras em standby. Aliás, a Catarina já o fez em relação à questão da saída do euro, por exemplo. O BE está numa aparente posição de força, mas a oportunidade única que se lhe depara coloca-o, paradoxalmente, também numa posição de fraqueza táctica. Se não aproveitar a ocasião, para isso tendo de fazer concessões, ficará com grande parte do ónus das sacanices que a quadrilha do pote prepara e, em consequência, o próximo quadro eleitoral ser-lhe-á, provavelmente, mais desfavorável.

    O PS tem obrigação de se aperceber de todos estes factores e de jogar com eles. Sem esticar muito a corda, poderá deixar o ónus do eventual falhanço de um acordo sobre o BE e o PCP.

    O PCP, por motivos ligeiramente diferentes, e ainda que com mais dificuldade, acabará por ajudar o barco a continuar a velejar. Também eles não gostariam que se lhes assacasse a responsabilidade por mais quatro anos de ladroagem.

    Poderá haver algum excesso de optimismo da minha parte, mas não custa nada tentar.”

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