Estamos a viver o mais belo momento da civilização desde sempre

Nunca se tinha visto, sem origem bélica, os mais ricos países do mundo moderno, científico e tecnológico a interromperem súbita e drasticamente a sua vida social e económica. A causa é uma doença que se estima ter à volta de 2 a 3% de mortalidade, talvez menos no final das contas. Uma doença que para a enorme maioria se tratará como uma vulgar gripe ou até nem chegará a causar sintomas debilitantes.

Ou seja, 97% não são mais importantes do que 3%. Os novos não são mais importantes do que os velhos. Os mais fortes, mais saudáveis, são menos valiosos do que os mais fracos, os mais doentes.

É economicamente catastrófico, claro. E é lindo.

17 thoughts on “Estamos a viver o mais belo momento da civilização desde sempre”

  1. não é bem assim: na Itália , e agora na Espanha , fazem triagem de doentes a quem tratar nos cuidados intensivos , na Itália por idades , na Espanha por hipóteses de sobrevivência.

  2. O problema é que nenhum país tem um Sistema de Saúde que comporte ao mesmo tempo os cuidados de saúde necessários aos 15% de infectados que a práctica tem dito virem a necessitar. Senão partíamos todos para a imunidade de grupo e tínhamos a pandemia resolvida em tempo recorde. O cerne do combate civilizado é não deixar entrar os Sistemas de Saúde em colapso. Para todos termos a certeza, que vivos ou mortos, tivemos todos direitos a cuidados de saúde. De que ninguém morreu por falta de auxilio médico. Chama-se Civilização. A que muitos populistas não ligam pute.

  3. Quem tem poder é, em média mais velho, veja-se o caso do banqueiro que foi o segundo em PT. E quantos dos líderes políticos a tomar medidas têm menos de 65 anos?

  4. Essas percentagens não são relevantes. Os mais de 95% que teem medo, esses sim são relevantes. E não serão bem um indicador de civilização.

  5. É lindo?
    3% com os sistemas de saúde a funcionar em pleno no início da epidemia. Esperemos pelos números com o sistema em sobrecarga durante várias semanas. 7% é o número em Itála e Espanha vai em 5% e não estamos nesses países sequer perto do pico. Lembro que a taxa de mortalidade da gripe de 1918 foi de cerca de 2,5%, portanto mesmo se ficarmos nos 3% aliado à velocidade extrema de contágio deste vírus será catastrófico.
    Eu não prevejo coisa nenhuma, não faço previsões, o futuro está totalmente em aberto.
    Os cenários de que alguns falam cheios de certezas como se fossem uns videntes, são um vulgar sintoma da mais profunda ignorância e bestialidade humanas.
    Os números falam por si, entendam-nos.

  6. É certamente um momento civilizacional bonito e, muito especialmente, quando tal se dá poucos anos após em Portugal altos dirigentes políticos terem feito a apologia de “culpa” sobre a “peste grisalha” pela miséria económica e financeira a que os ditos apólogos conduziram o país.
    Esse foi um momento miserável da espécie humana; uma ideia reflexo do primitivo bárbaro ou melhor, do civilizado bárbaro pois, segundo historiadores na pré-historia os mais velhos eram considerados os mais sábios e respeitados.
    Agora a humanidade parece querer redimir-se da tese desumana acerca da “peste grisalha”. Tudo indica que desta vez o primado da vida prevaleceu sobre o primado da morte ou, pelo menos, tenta-se globalmente que novos e velhos estejam em igualdade perante o perigo de morte.
    Na prática a desigualdade entre velhos e novos perante o virus é imposta pela própria natureza que biológicamente atribui mais resistência e imunidade à virilidade. E sabemos também, e a actualidade já o confirma, que perante a sobrevivência entre um idoso e um jovem prevalecerá a ideia de salvar um jovem.
    Mas é, talvez, ao contrário do que se poderia pensar neste momento um sinal de mudança de pensamento quanto ao nosso estilo de vida baseado na ideia de um progresso-infinito a que o homem acrescenta a bomba-relógio duma desigualdade imparável. Andamos todos a inventar armas ultra-destruidoras para mostrarmos uns aos outros quem é mais forte e poderoso e. de repente, um ser microscópico surgido sem se saber como e donde inesperadamente nos coloca a todos num rasteiro plano de igualdade perante a sobrevivência.
    Tudo isto se se não tratar de mais uma resposta, face à loucura do plano humano de dominar e manipular a natureza duma forma total e brutal, do mesmo sinal que são os fenómenos devidos às alterações climáticas.
    A natureza é de tal modo grandiosa e poderosa que vê e trata, todos que maltratam a sua ordem e organização necessária ao seu equilíbrio cósmico, pela mesma medida e igualdade implacavelmente quer pela via da catástrofe micro como macroscósmica.

  7. Eu creio que belo não aparece no sentido literal do termo mas no sentido figurado do contexto de que nunca tantos fizeram por tão poucos. No sentido restrito de elevação da humanidade na pandemia. Julgo que o Valupi não está a dizer que adorava viver sempre em pandemia. Característica de tempos extremos que também valeu a famosa frase de Churchill, até no sentido inverso, de que “Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”. E julgo que Churchill também não desejava viver outro horror como a batalha de Inglaterra.

  8. Colado com cuspo,
    Se se pudesse dizer ao Trump que essa gripe de 1918 foi uma gripe americana. Ainda que denominada aqui “espanhola” e na Alemanha chamada “francesa”, na verdade veio dos EUA no corpo de um pequeno grupo de soldados oriundos de uma localidade do interior daquele país.

  9. Sem origem bélica?
    Espero que tenham razão e as minhas suspeitas não se confirmem.
    Um conhecido jornalista português, chamado José Goulão, dá-nos uma perspectiva diferente acerca das movimentações geo estratégicas das grandes potências e outros actores globais. Uma espécie de “Big picture” alternativa.
    Pode-se achar que são “teorias da constipação” (….da pneumonia, neste caso), mas como não acredito no Pai Natal…
    O site chama-se: “O lado oculto”, tem artigos interessantes se desenvolvem fora da caixa do “mainstream ” merdiático. Acho que merece a pena verificar algumas análises e depois cada um ata as pontas soltas como bem quiser.
    É assim, tipo: tomar a pílula vermelha ou a azul :)

  10. Os novos não são mais importantes do que os velhos.

    Exatamente. É mesmo assim, e isso parece-me extremamente preocupante.

    As crianças e os jovens estão a ser muito prejudicados com a paragem das aulas. Eles estão a ser sacrificados por uma epidemia que, em larga medida, não lhes diz respeito e não os afeta. Isso é justo?

    Entretanto, as fábricas continuam a funcionar. Fábricas de materiais de construção, por exemplo, continuam a laborar como se nada se passasse (sei do que falo). É justo que os jovens tenham que deixar de ter aulas, mas os seus pais continuem a trabalhar normalmente em ambientes cheios de gente?

  11. É porque , como explicou a Maria , as medidas são tomadas maioritariamente por seniores , e por homens.. são conhecidas as anedotas de como os homens se comportam perante a doença e também são conhecidos factos como a perda de contacto dos divorciados com os filhos ou como se divorciam quando mulher adoece com cancro. Era muito bom para as crianças e jovens , numa altura destas , que o poder fosse feminino, porque jamais poriam em risco o futuro de filhos e netos. Chamar isto de guerra é ofender profundamente quem deu a vida para salvar as suas famílias.

  12. Luis Lavoura, folgamos todos em saber que v. sabe do que fala. Porque não experimenta também procurar saber do que fala o post ?

    Boas

  13. José Neves,

    Também já pensei nesta pandemia mas até poderia ser outra qualquer como um travão a uma série de dados que todos conhecemos e todos absolutamente insustentáveis. Ou o que nós andamos a fazer na terra sobretudo nos últimos 40 anos. Consumir, consumir, consumir. A Terra precisou de 100 mil anos para atingir 1 000 Milhões de habitantes. E depois só precisou de mais 100 anos para duplicar a população e chegar aos 2 000 Milhões. E depois mais 50 anos para atingir os 4 000 Milhões. Por altura do 25 de Abril em Portugal só éramos 4 000 Milhões no planeta Terra. Actualmente e independentemente da realidade demográfica em Portugal já somos praticamente 8 000 Milhões. E daqui a 40 anos poderemos ser 16 000 milhões ou mesmo 32 000 Milhões a lutar pela sobrevivência e a fracassar.

    Já não há nenhum problema mundial que não esteja relacionado com o excesso da população e todos os consumos que esse excesso implica. Do aquecimento global a crises de todas as espécies e feitios. O Planeta regista até à data cinco grandes extinções e senão fizermos nada… E de uma coisa tenho a certeza se nós não fizermos nada e muito depressa a natureza como sempre se encarregará. A natureza pode ter precisado da mão humana para o mundo completamente insustentável em que vivemos hoje mas nunca precisou de espécie nenhuma para se voltar a equilibrar.

    E pensar que ainda há pouco tempo tínhamos um sobretudo e uma gabardina para passar o Inverno. E tínhamos, que é como quem diz, alguns nas grandes urbes. Hoje entre parkas, kispos, casacos e gabardines que temos no roupeiro ou pulôvers que duravam 5 anos e agora não passam de uma estação… Em qualquer tempo da nossa vida acumulamos mais vestuário que a geração anterior numa vida inteira. Estando os têxteis entre as indústrias que mais poluem. Da parte alimentar então nem é bom falar. Com os telemóveis que nem existiam basta apitarem a moda nova e é vê-los a correr como carneiros. E não estou a falar de mim em particular mas na grande generalidade da população. Se este modo de vida, per si, já não seria sustentável, com a população mundial a duplicar a cada 50 anos…

    Como é que não havíamos de ser escravos? Como é que o trabalho à jorna não havia de ter regressado mascarado das mais diversas formas? Se somos nós que o incentivamos ou pelo menos aceitamos, consciente ou inconscientemente. Como é que não havíamos de ser escravos se somos nós mesmo que nos escravizamos mais a cada dia que passa? Além da academia e da ciência em Portugal, só recordo sempre uma voz há muito tempo a alertar para o perigo da escravidão das novas catedrais de consumo. José Saramago.

  14. Já agora, a propósito da interrupção da vida social e económica por causa de 2 a 3% da população, o John Pilger fala acerca isso:

    “A pandemic has been declared, but not for the 24,600 who die every day from unnecessary starvation, and not for 3,000 children who die every day from preventable malaria, and not for the 10,000 people who die every day because they are denied publicly-funded healthcare, and not for the hundreds of Venezuelans and Iranians who die every day because America’s blockade denies them life-saving medicines, and not for the hundreds of mostly children bombed or starved to death every day in Yemen, in a war supplied and kept going, profitably, by America and Britain. Before you panic, consider them,”

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