Estado de guerra, 4 meses depois

“The coronavirus pandemic pits all of humanity against the virus. The damage to health, wealth, and well-being has already been enormous. This is like a world war, except in this case we’re all on the same side.”


Bill Gates

A chegar aos 4 meses após o aparecimento dos primeiros casos de infecção pelo coronavírus em Portugal, que aprendemos entretanto?

Por exemplo:

– que a ciência não tem balas de prata contra o papão, antes parece ter pés de chumbo (mas sendo esse peso a dar equilíbrio e segurança ao conhecimento produzido)

– que os políticos têm de cometer erros, caso contrário não nos estariam a ajudar (limitar-se a apontar supostos erros aos governantes adentro de uma calamidade inaudita é a glória dos inúteis)

– que os números registados em cada país, região ou cidade para as infecções pelo vírus não são retratos da realidade, são tão-só esboços para um capítulo de um livro com imprevisível número de capítulos (o qual só começará a ser escrito depois da pandemia passar)

– que tudo somado e subtraído, o único aspecto decisivo no fluxo dos números é relativo à capacidade hospitalar em Portugal para dar a cada doente todas as condições para o seu melhor tratamento (podendo até se ver como boa notícia o aumento das infecções pela simples razão de corresponder a um processo imparável que, se não matar, nos torna mais fortes)

– que a natureza humana é a natureza humana é a natureza humana, pelo que a necessidade de proximidade física em contextos de dinâmica social ou psicológica é indomável (o que implica aceitar que os contágios irão sempre ocorrer até chegarmos à imunidade de grupo, sejam lá quais forem as medidas tomadas pelas autoridades)

– que as potências mundiais talvez venham a ter de criar uma nova ordem económica nascida directamente do impacto económico e social da actual crise (o que, a acontecer, não seria a primeira vez, tudo concorrendo para que se reconheça termos de avançar para uma nova fase do capitalismo onde a segurança na saúde e na ecologia sejam prioridades vitais à escala internacional)

– que a alergia ideológica à metáfora da guerra, vendo nela apenas o militarismo da sociedade e um ataque aos direitos individuais, ignora noções básicas do que seja a segurança nacional e a protecção da população em cenários de crise extrema (como se vê nos EUA e Brasil, o problema não é o do uso dessa metáfora, o problema é o da negação da sua adequação à situação global e local)

– que o tópico “Final Eight da Champions” se tornou um pântano de parolismo e catastrofismo onde até os mais sensatos e avisados comentadores se enterram de cabeça (o Mundo em guerra caga d’alto nesse evento, e ainda mais no que calharem ser os números diários das infecções em Lisboa nesse período, tudo a desaparecer instantaneamente na voragem da actualidade que, aposto os 10 euros no bolso, vai ter bem mais e melhor onde gastar a sua atenção do que com pontapés na bola num jardim à beira-mar desconfinado)

15 thoughts on “Estado de guerra, 4 meses depois”

  1. Também aprendemos que o uso da máscara elimina a gripe. Este ano não tivemos um único caso de gripe.

  2. A Natureza global, cósmica, gerou o homem e dotou-o de uma natureza humana que é uma natureza humana que é uma natureza humana.
    Aquela precede esta e será a força bruta perante a fraqueza humana.
    Contudo o “anão” bicho homem armado de razão e vontade nunca deixou de combater, lutar ou travar guerra contra o “pai” cósmico.
    Penso que pela 1ª vez na história da humanidade o bicho-homem enfrenta o pai pandémico como se de uma guerra real se tratasse que põe em risco a natureza humana.
    Sempre a comunidade humana privilegiou e salvaguardou a economia perante a peste ou epidemia ao contrário do que está fazendo agora, não obstante, a força da tradição ainda ser fortemente activa com os Trumps e Bolsonaros à cabeça.
    Pela 1ª. vez estamos combatendo uma pandemia com estratégias mais ou menos científicas colocando as vidas humanas à frente do capital de custos, tentando vencer o darwinismo do mais apto.
    O combate é desconhecido e arriscado, a táctica faz-se tacteando, e os erros são inevitáveis mas serão uma lição inestimável para futuro.
    Não estaremos perante um salto civilizacional?

  3. “– que os políticos têm de cometer erros, caso contrário não nos estariam a ajudar (limitar-se a apontar supostos erros aos governantes adentro de uma calamidade inaudita é a glória dos inúteis)”

    Aplica-se isso apenas aos bem-intencionados, ou a todos ?
    É que se aplica a todos, então estão também abrangidos pela solemne indulgência plena o Trump, o Bolsonaro, e o Rodrigo Duterte que deu mesmo ordens à polícia para disparar a matar sobre quem não respeitasse o confinamento e saísse de casa, mesmo que fosse para procurar comida .
    Todas essas bestas acima citadas colocaram a suposta defesa da economia como prioridade, desvalorizando o valor supremo, que é a vida, e relegando-a para um lugar secundário.

    Quanto ao resto, não sei que ordem ou desordem sairá desta pandemia .
    O tom já foi dado nos States e os despedidos da crise, segundo o correspondente da SIC em Washington, foram na maioria dos casos readmitidos, mas com salários mais baixos . O resto do Mundo costuma imitar .
    Muito provavelmente vai ser rebobinada a velha cassete do primeiro é preciso produzir riqueza para depois a distribuir, e que depois é preciso accionar o parágrafo único que diz que a riqueza gerada tem que ser retida pelo empreendedor para assim poder gerar mais riqueza, isto é, mais empreendimentos e mais postos de trabalho, in the end, tanta riqueza, não vai ser redistribuída, vai mas é acabar no cofre do tio patinhas, portanto esquece a recuperação económica, ou muito me engano, ou vai beneficiar sobretudo os finórios do costume .

    Quanto ao demais, achei deselegante a designação anglo-saxónica de imunidade de grupo, em inglês, herd immunity . Imunidade de manada .
    Acho que só estaremos relativamente seguros quando surgir uma vacina .
    Entendo como péssima a ideia de abrir corredores de importação da doença, seja a lastimável candidatura à bola ( que pelo risco associado, ninguém quis acolher, mesmo a Alemanha, que querendo dar a parecer que queria, no fundo não queria ) seja a treta da web summit em Dezembro deste ano, e mesmo os corredores turísticos para os descuidados britânicos .

    Quanto ao mais importante, aprendí a admirar e a respeitar a Ciência e a Humanidade .
    Sejam as mulheres e os homens que nos hospitais cuidam dos doentes, sejam todas aquelas e aqueles que por pequenos gestos, seja a simples oferta de uma máscara, seja a desapercebida e desinteressada atitude de cuidar dos outros, propiciam uma réstea de esperança quanto ao futuro . Há pessoas extraordinárias.

  4. Primeira lei fundamental da estupidez humana:
    – Cada um subestima sempre inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos que existem no mundo.
    O covid só veio revelar que são mesmo muitos, muitos.
    Será que já ninguém pensa pela própria cabeça?
    Será que vamos continuar a dar crédito a informações baseadas em falácias?
    Uma máscara que no início da pandemia pouca ou nenhuma utilidade tinha, segundo a responsável pela DGS, tem neste momento carácter obrigatório?
    Que raio de vírus é este que agora ataca as minorias etnicas que vivem em bairros sociais?
    Fizeram por acaso alguns testes aos assintomaticos do vírus da gripe do ano passado, para terem algum termo de comparação?
    Por favor, parem um bocado, utilizem a cabeça, o ano passado morreram mais de três mil pessoas, este ano são cerca de mil e seiscentos.
    Lembrem-se da gripe das aves, tínhamos de chamar a guarda se víssemos algum pássaro morto. Ou quando foi do Antrax qualquer vestígio de farinha era logo caso de policia.
    Causar o pânico social, alarmar as pessoas, são as situações que temos de combater, se quisermos preservar a nossa sanidade mental.

  5. não deixa de ser engraçado como aprendemos coisas tão diferentes desta pindericamia
    aprendi que organismos internacionais são conjuntos de idiotas
    que há muito poucas pessoas com bom senso
    que a ciência , em emergências , vale o mesmo que caldos de galinha ; e que os cientistas , efectivamente , ocuparam o lugar do clero junto do poder .
    que os meios de comunicação não querem informar , querem provocar emoções
    que as pessoas são tão , mas tão , mas tão manipuláveis que mete medo. não consigo perceber.
    que os políticos erram para contentar populações manipuladas pelas emoções que os merdia lhes vendem.
    aprendi mais coisas , mas o rol já é suficiente.

  6. os políticos têm de cometer erros

    !!! Eu diria que seria desejável que não os cometessem.

    Parece-me ser esta uma forma canhestra de valupi tentar desculpar os gritantes erros cometidos pelo governo na gestão da epidemia.

  7. Luís Lavoura, conheces algum Governo, nalguma parte do Mundo, que não cometa erros? Podes escolher tempos sem pandemias para te orientares na resposta.

  8. aprendi mais uma coisa cool: que existe uma correlação positiva forte entre a velocidade e o à vontade com que se enfiam os pais no lar e a pena que se tem dos velhinhos (suponho que tem a ver com calar o grilo falante da consciência) .

  9. Aconteceram tantas coisas nestes quatro meses que no princípio quem morria de covid tinha outras doenças associadas, mas agora quem morrer de outras doenças leva com o covid associado.

  10. Luis Lavoura,
    Claro que é desejável que os políticos não cometam erros .
    Os únicos beneficiários dos erros dos políticos são os assessores, em especial os do spin, os chamados spin doctor que vêm aumentada a sua importância, na razão directa dos erros cometidos .
    E talvez a ração.
    Como sabe todos os politicos atuais governam apoiados em assessores, sejam jornalistas, sejam spin doctors, sejam “ gestores de imagem “ sejam processadores de sondagens e a par dessa fauna existem também os politologos que são uma espécie de ave pairante .
    O spin doctor pode ser simultaneamente, um jornalista e um spin doctor .
    Existem três tipos de assessores : os que o são e assumem o que são ; os que o são e dizem que não são ; e os que não são e sem saberem acabam por involuntariamente ser .
    Eu, por exemplo, não sou assessor, mas fiz uma brincadeira aqui com factos e fatos e deparo com um twiter de Rui Rio que usa o tema . Ou ele viu, ou alguém lhe disse . Ou é coincidência.
    Das duas, três.

  11. Olá Ignatz/Valupi, há que tempos não te via .
    Como sacha ?
    Então agora já defendes também o “bluff” do Rui Rio ?
    Dasse, agora defendes tudo, até o Mexia e o Manso .
    Olha, espalhaste-te mesmo onde eu queria .
    Por falar em conas, tenho aqui para ti um vídeo jeitoso é de um limguista

    https://youtu.be/MND0XT0WVJ4

  12. Nota,
    o “31 da sarrafada” fez como o gato que se escondeu com o rabo de fora. Montou o discurso para o destruir pelo jocoso e no final deixou o aplauso real, instantâneo e forte da assistência.
    tal revela que o conteúdo do discurso foi muito para além do fraco inglês, aliás reconhecido pelo próprio, do qual a frase “bad english”, leit-motif da montagem, faz parte da introdução para alertar a assistência disso mesmo.
    De facto, a revelação do video é a incompetência do próprio “sarrafadas”. A conclusão é que quer o autor do vídeo quer o Milagros não é o fedorento-mor que costuma disfarçar melhor pela intermediação de algumas meias verdades .

  13. Da-se õ Neves, como consegues identificar o sexo através do computador ?
    São os parênteses que são mais arredondados?
    São as pernas das letras que não têm pelos ?
    Pô, para um tipo que dizia que não percebia nada de computadores sabes muito !
    Eu cá para mim andas a ver muitos filmes marotos …
    Parece impossível um homem da tua idade !

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