Estadistas ou eleitoralistas, é escolher

Rui Rio está a usar o caso de Tancos para uma exploração eleitoralista, demagógica e irresponsável que lhe retira qualquer vestígio de sentido de Estado que ainda tivesse esquecido nalgum bolso. A haver justiça cívica e patriótica a 6 de Outubro, o PSD ficaria de fora da Assembleia da República na próxima legislatura.

Assunção Cristas faz ainda pior, mergulhando na chungaria mais torpe e desmiolada a que a direita decadente está reduzida desde 2008.

Entretanto, quão mais se sabe do caso mais saliente é a gravidade do mesmo mas não por causa de Azeredo Lopes, o alvo político de todos os oportunismos e culpabilidades; um ministro da Defesa – tutelando uma área ministerial sui generis, a qual responde directamente ao Comandante Supremo das Forças Armadas – apanhado naquela que é, sem dúvida, a crise mais complexa e obscena do putrefacto Exército português depois do 25 de Novembro.

Uma crise onde o Ministério Público decidiu punir e humilhar institucionalmente o pilar militar do regime como resposta à ameaça que a PJM representa pela intenção e ilegalidade das suas acções. Uma crise que vai pedir, fatalmente, um Conselho de Estado e nova legislação.

9 thoughts on “Estadistas ou eleitoralistas, é escolher”

  1. Rui Rio revelou-se um fraco que, assustado com as perspetivas de mau resultado, agarra, como um náufrago, a qualquer boia. Só que, num ápice, desdisse tudo o que proclamou contra o funcionamento da Justiça. Pedro Marques Lopes, que é seu apoiante, foi o primeiro a estranhar publicamente o timing do Ministério Público, a colocar o processo em plena campanha eleitoral. Que tristeza!

  2. Já coloquei o meu voto em Rio na caixa do correio. Mas este oportunismo saloio faz-me ficar repeso. Rio está a fazer pouco da inteligência do eleitorado, cansado de manipulações mediático-judiciais infantis. Ainda não reparou que exploração mediática e política da operação Marquês, até à exaustão, coincide com o declínio eleitoral da direita. Tiro no pés.

  3. «irresponsável exibição de abuso de poder do MP.»

    Se se trata do que transcrevo acima, segundo o que afirma Vital Moreira no “Causa Nossa” a questão mais importante, ainda do que questionar o crime de violação do segredo de justiça que conduz premeditada e intencionalmente ao referido ilegítimo abuso de poder do MP, é questionar o que pretende, no fundo, o MP?
    Quer, de um golpe só, decapitar o país do PM e PR, a cúpula do Estado, sem provas concludentes nem uma acusação formal para condenar mas sim pelo processo manhoso do lançamento de insinuações nos tablóides desprezando a obrigatoriedade da Lei para mais quem, precisamente, está sujeito e obrigado à Lei?
    Mas se quer fazer cair o Estado continua a questão em aberto de saber porquê e para quê, qual a intencionalidade, que mudança quer promover assim de golpe em plena campanha eleitoral?
    Quererá mostrar aos portugueses que, tal como o Rei-Sol, a Lei é o MP?

  4. Pergunto :

    Costa está a ser politicamente perseguido por um motivo incómodo, ou a ser incomodamente perseguido por um motivo político ?

    Quanto a Cristas, concedo, tem razão, agarra-se a tudo, até às golas em polyester, faz-me lembrar a frase do saudoso Raul Semedo, “ estas flores artificiais em poliester são tão bonitas que até parecem de plástico “, – frase com referência à Guida, que noutro lado, defende que Costa tem que ser mais agressivo, tipo serial killer : )

  5. A grande questão é esta: se os filhos da puta querem decapitar o Governo e o Presidente, alguém que pense rapidamente em decapitar estes filhos da puta.

    O Hitler também quis decapitar o Churchill e o Estaline — e quase o conseguiu.

  6. No limite Tancos nunca existiu: depois de deixar de se discutir o roubo deixou de se discutir o “achamento” e agora vai deixar de se discutir o facto (segundo a acusação do MP) de que o Ministro da Defesa sabia que a PJM violou a Lei. O verdadeiramente importante é discutir a atuação do MP.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.