E la nave va

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Quase 10 anos depois, uma acusação. O caso é paradigmático, um exemplo escolar de como se faz corrupção ao mais alto nível estatal e governamental. Não espanta que a populaça se cale perante as raras notícias deste desporto tão difícil: acusar políticos e/ou gestores públicos de corrupção. O povo que foge aos impostos é o mesmo que foge à democracia, não perde tempo com histórias sem final feliz, que obriguem a pensar. O povo não sabe nem quer saber do que seja a cidadania, não se importa de comer restos. E está bem assim, porque eles não sabem o que fazem já há muito tempo. A sua responsabilidade política só dá para aplaudir as fanfarronadas decadentes de Santana no circo, não vai mais longe.

Já quanto ao António Vitorino, guarda pretoriano do Poder, a sua culpa não morre solteira, nem desconhecendo os melífluos sabores e odores do pecado. Este político de elite sabe que o dinheiro comido pelos comparsas, seis milhões de euros para os bolsos e 25 milhões de prejuízo para o Estado, tem um preço moral. Daria para fazer muito pela populaça, fosse o que fosse. Mas a tal populaça inveja os corruptos. Não irá chatear o Vitorino. Não lhe irá perguntar pela sua responsabilidade, uma qualquer que ele descobrisse em si, ou lá perto. E assim, por ser assim, e por assim ser, exactamente assim, ele nada dirá, nem uma palavra.

É isto. Todos sabemos que os animais não falam.

11 thoughts on “E la nave va”

  1. Bom tiro Valupi, uma coisa que devia estar esclarecida um ano depois foi multiplicada por dez. Uma ordem de grandeza, a ordem de grandeza da democorruptela.

    Os fortes de Damão e Diu são do caraças pá, de basalto, colados com uma argamassa de argila e cal que é uma maravilha.

  2. Damão e Diu, pois z, e eu a mandar-te para Goa. Em Macau emocionei-me com as ruínas da igreja de S. Paulo. Vinha com duas semanas de China no bucho, o que intensificou a descoberta de haver ali, tão longe e tão diferente e tão distante!, algo “meu”. A mesma, mas outra, experiência de reencontro com a minha identidade deu-se na leitura dos Lusíadas, também da Peregrinação. Que gente essa que chegou tão longe com tão pouco, falando português. Que pensavam ao estar na Índia? Que contavam ao voltar?…

    Bom, mas adentro do mais genuíno da tradição pátria, em Macau o ponto altíssimo foi poder voltar a comer um bife com batatas fritas, depois de duas semanas de comida chinesa cada vez mais insuportável. E nisso, estava toda uma civilização.

  3. …de S. Paulo, não foi Valupi?
    Mas és um somítico. Um choramingas. Por uns milhõezinhos entre tantos milhões. Não houve um juiz que absolveu uns ladrões de dinheiros públicos, porque aquilo era pouco relativamente ao total do orçamento? Queres ser mais justo que um juiz da nossa praça?

  4. Acertaste, Daniel. Fugiu-me o dedo para o gatilho e deu-se um caso de comentário precoce.

    Sim, concordo. Que atire a primeira pedra quem nunca sonhou em dar um golpe nos dinheiros públicos.

  5. … ora pois essa do bife, lá não há. Vim a deitar caril pelas orelhas. E entretanto aconteceu-me uma coisa com vacas que não sei se vai haver mais bife, não… Mas em presunto já me desforrei.

  6. O que é que terá acontecido ao z com vacas que agora não quer voltar a comer bife? E vacas em que sentido? Antigamente os magalas de Lisboa chamavam vacas às gajas. Imagino que por causa das tetas.

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