É a imagem do ano

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E diga-se que, muito provavelmente, o rosto cerrado da Michelle não se explica pelo entusiasmo radiante da valquíria, antes pelo simbolismo niilista de se estar numa cerimónia fúnebre tão embriagado de narcisismo que nem o decoro inerente ao estatuto institucional dos foliões e da ocasião foi suficiente para impedir a fruição pulsional.

27 thoughts on “É a imagem do ano”

  1. qual decoro, qual caralho! não deves ter reparado que a pretalhada fez uma ganda festa daquilo e os únicos parvos que deram atenção à merda da “selfie” foram os preconceituosos que lêem tablóides e os cavacos que foram lá entulhar para ver se algum gajo importante tropeçava neles e eram fotografados no momento em que o obama lhes pedia deculpa pelo encontrão. o triste do senhor silva, como é conhecido o cavaco na za, teve a sorte de ninguém o confundir com um bush e lhe ter mijado em cima, fartou-se de ver homólogos e saiu anónimo.

  2. já fui procurar e já estou informada. :-)

    mas não percebo porquê chamar valquíria à macaca alegre: as valquírias são de carácter e tez e alma morena, ficas a saber.

  3. O comentário do fotógrafo:

    Anyway, suddenly this woman pulled out her mobile phone and took a photo of herself smiling with Cameron and the U.S. president. I captured the scene reflexively. All around me in the stadium, South Africans were dancing, singing and laughing to honor their departed leader. It was more like a carnival atmosphere, not at all morbid. The ceremony had already gone on for two hours and would last another two. The atmosphere was totally relaxed – I didn’t see anything shocking in my viewfinder, president of the U.S. or not. We are in Africa.

    I later read on social media that Michelle Obama seemed to be rather peeved on seeing the Danish prime minister take the picture. But photos can lie. In reality, just a few seconds earlier the first lady was herself joking with those around her, Cameron and Schmidt included. Her stern look was captured by chance.

    I took these photos totally spontaneously, without thinking about what impact they might have. At the time, I thought the world leaders were simply acting like human beings, like me and you. I doubt anyone could have remained totally stony faced for the duration of the ceremony, while tens of thousands of people were celebrating in the stadium. For me, the behavior of these leaders in snapping a selfie seems perfectly natural. I see nothing to complain about, and probably would have done the same in their place. The AFP team worked hard to display the reaction that South African people had for the passing of someone they consider as a father. We moved about 500 pictures, trying to portray their true feelings, and this seemingly trivial image seems to have eclipsed much of this collective work.

    Aqui: http://thelede.blogs.nytimes.com/2013/12/11/selfie-of-obama-was-misinterpreted-photographer-says/?smid=tw-thelede&seid=auto

  4. CGR, obrigado por esse texto, o qual explica completamente o contexto. E esta frase resume na perfeição o caso:

    At the time, I thought the world leaders were simply acting like human beings, like me and you. I doubt anyone could have remained totally stony faced for the duration of the ceremony, while tens of thousands of people were celebrating in the stadium.

    O fotógrafo está a justificar o acto recorrendo a um nivelamento daquelas figuras por associação com o espectáculo circundante. Mas o que ele não desenvolve, por estar interessado em anular explorações moralistas, é a diferença entre aqueles que ali estavam a representar os seus países, não a representarem-se a si próprios. E o que ele ainda menos desenvolve, mas que é o mais interessante, é o tema do reflexo narcísico como autocelebração de indivíduos que são das maiores celebridades mundiais.

    Como é óbvio, se a imagem tivesse consistido num Obama, Cameron e Helle Thorning-Schmidt a dançarem, assim se unindo ao simbolismo das danças fúnebres (sim, não eram danças de sábado à noite para abanar o capacete), dessa forma mostrando que queriam ser parte dos rituais de um povo e de uma terra onde estavam como convidados num momento solene, então o significado desse acto teria sido rigorosamente o oposto daquele que esta imagem mostra.

  5. isto sim, é que é decoro.
    1 – fase proboscídia
    2 – cadê o silva?
    3 – silva ensaia sorriso
    4 – silva na descontra
    5 – silva mama uma bica por conta do defunto
    7 – chalana entra em jogo
    9 – silva ri-se para o marido da fadista
    10 – silva engata 2 morenas e faz sorriso tipo bolo-rei
    11 – silva faz biquinho prá louraça
    12 – silva em pose lambe-bothas & engraxa sapatos
    13 – silva exerce magistratura de influência
    http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=79916

  6. Este post está baril. Sucinto, curto, mortal. Faz-nos meditar sobre a “feira de vaidades” em que foi transformado o funeral de Madiba. Quanto a Obama e ao Cameron, penso que ficaram deliciados com a presença da loira, aquela a quem o Val, poeticamente, chamou de valquíria. Um mimo. Michelle está ausente. Só falta ali o nosso Cavaco, para a cena ser ainda mais macabra.

  7. Mandela quiz os brancos na sua terra, embora um ou outro Madeirense de porta aberta ao povo vá desta para melhor.

    Nas colónias portuguesas, brancos e quem tenha uma pinta de mestiço, vieram ou vão vindo quase todos para a linha de Sintra, Algarve, Almada e Brasil.

    Nem ao menos um caboverdeano resisitiu por lá.

    Só nos sairam Mugabes, nem um Mandela, para amostra.

    Galo do caraças!

  8. Tu ó linda, sim sou retornado, e isto é uma vantagem para a vida.

    Como civilizado que sou, não estou magoado, estou apenas decepcionado e não é só por mim.

    Se sou branco não sei, é que muitos dos tugas julgamo-nos brancos, mas só já somos brancos dos dentes, já nem conhecmos os nossos avós.

    E a respeito de colónias, ainda não reparas-te , que a verdadeira colónia de passar férias foi sempre esta choldra!

    Isto é que foi sempre, desde Álvares Cabral, uma colónia com capital no Rio e depois em Luanda.

  9. Pois é lindona, eram aquelas farras! só quem teve o previlégio é que sabe.

    E parece-me que se tu não farraste lá, farraste cá, ou alguem te contou como foi.

  10. Ganha-se muito, ou pouco, depende da mastigação, mas em boa verdade ganha-se apenas durante um intervalo de tempo limitado…

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