Dominguice

Não existe ninguém, neste planeta, que tenha uma visão holística da actual produção de conhecimento ao dispor da humanidade. Ser presidente dos EUA não garante tal, ser a pessoa mais rica do Mundo não garante tal, ter dois ou vinte prémios Nobel não garantiria tal. Começa logo por ser impossível porque parte do conhecimento mais profundo, complexo e avançado obtém-se sob modelos de segredo estatal e empresarial. Mas mesmo imaginando que haveria pleno acesso a essas fontes, um único indivíduo não conseguiria assimilar a quantidade de dados disponível. E se levarmos a hipótese para o seu grau delirante, em que essa fabulosa cachimónia tinha a capacidade de enfiar na memória o total da informação científica e tecnológica existente, nada tornava certo que ela depois conseguisse organizar os conteúdos para produzir algum tipo de conhecimento partilhável, entendível e útil.

Assim, o nosso fatal estado de ignorância não é uma carência nem uma falha. É uma luz que aponta para nós.

20 thoughts on “Dominguice”

  1. Reflexões impertinentes sobre o tema deste domingo.

    O conhecimento é uma vaca com um número infinito de tetas, na qual cada um mama o que pode e lhe convém, esperando mamar o bastante para si. O que nem sempre acontece, diga-se.

    A analogia da vaca é má, porque ela dá sempre o mesmo leite. O conhecimento, pelo contrário, é altamente diferenciado e cada vez mais especializado.

    Os presidentes e os mais ricos não precisam de saber tudo, nem sequer muito, porque têm saberes especializados ao seu serviço. Quando precisam de saber alguma coisa, carregam num botão e ficam a saber, mas só o que precisam. Têm de ter uma visão de conjunto da área e do mundo em que mexem, mas também há especialistas para isso. Os experts da visão holística são muito bons nisso, embora não saibam estrelar um ovo.

    Omnisciente é Deus, mas. como é patente, não consegue gerir aquela massa infinita de informação. Eu julgo que Ele se diverte a multiplicá-la para nos tornar a vida mais difícil. Tornou-se cínico e sádico, mas é o que costuma acontecer quando se sabe demais. Deus não escapa à regra porque foi Ele que a fez.

    A nossa ignorância pode-nos ser pontualmente prejudicial, mas em geral é-nos preciosa, porque se soubéssemos tudo não conseguiríamos mexer uma palha, porque ficaríamos paralisados, não saberíamos por onde começar e tudo se tornaria abstracto, caótico e indiferente. Esse é um dos grandes problemas em que Deus se meteu. Perdeu a noção do concreto, do presente, do finito, do irrepetível. Ou nunca a teve?

    Precisamos da ignorância para podermos errar e, com isso, conseguir aprender. A propósito, como é que Deus sabe tudo sem nunca ter errado? Se Ele nos fez à sua imagem, há aqui qualquer coisa que não bate certo.

  2. O debate foi mau dos dois lados. Mas a Catarina Martins foi pior. Sobre a corrupção que nem sequer chegaram a falar porque não falaram de justiça, a Catarina Martins não soube responder porque votou contra as propostas do Chega. Foi também mau porque levou o assunto para um tema ao lado, os vistos gold que pertence à economia.

  3. Classificas os teus textos humildemente ao chama-los de dominguices como se fossem simplesmente alegretes ou suaves delírios. São muito bons

  4. As dominguices do Valupi são geralmente boas, mas desta vez as “reflexões impertinentes” do Júlio levam a Palma de Ouro. Nesta desgraçada era de Faecesbook, ToEatYou, ToCheatYou & ToShitYou e fábricas afins de inanidades acéfalas, há poucos excêntricos a perder tempo com essa extravagância de ociosos que se chama reflectir. Dizia ontem o Valupi que “é um mistério o que nos leva a gastar o nosso precioso e exaurível tempo neste pardieiro”. Não é mistério nenhum. No desinfeliz panorama de pandemia de acefalia umbiguista que se apoderou do éter tuga, este pardieiro é talvez um de poucos sítios onde ainda aparece gente que se dedica a (e gosta de) reflectir, oferecendo ainda de bónus uma meia dúzia de “gauleses” impertinentes que não têm qualquer problema em mijar fora do penico “romano”. Aliás, quando o usam é para cagar. Salut les copains! Salut les Gaulois! Pelo caminho que as coisas levam, também poderia ser “Ave, Caeser, morituri te salutant!”, mas eu prefiro “Vai-te foder, César, só se não puder é que não te fodo os cornos antes de morrer!”

  5. o que eu suei, ontem, à espera da dominguice. depois tive de dormir. e agora acordo com o melhor conceito do mundo transformado em luz, começar a semana de trabalho com uma espécie de Valupi e Olinda limitada. :-) adoro, adoro, adoro até ao infinito inalcançável.

  6. No dia 30, tenciono esfregar na cara da Catarina Martins a cagada que fez na votação do Orçamento, arriscando, por motivos egoístas e oportunistas, entregar-nos de novo à quadrilha de Massamá e arredores. Mas não posso negar-lhe um aplauso pelo modo como conseguiu conter-se, no debate com o jagunço Ventura, resistindo com olímpica calma a quase meia hora de provocações constantes de um ordinário e malcriadão sem vergonha na cara, negando-se a contribuir para o deboche em que ele se julga rei e reduzindo a pó, desse modo, a subtileza de elefante da estratégia do desbocado. Não faltam por aí pitonisas de vão de escada adivinhando que o Chega subirá de um para cinco ou seis deputados, e rebeubéu pardais ao ninho, zumba zumba na caneca, zaca zaca foxtrot, mas tudo isso tresanda a wishful thinking. Um ordinarão como aquele poderá com o seu bullying de jagunço dar grande tesão aos descabeçados e descabeçadas que desde sempre o apoiaram, mas duvido que isso o ajude a ganhar votos. O povo é sereno, meus e minhas, e aquele malcriadão do caralho mexe com os nervos da serenidade tuga.

  7. a actual produção de conhecimento científico e tecnológico não interessa para nada , não tem pingo de sabedoria e não contribui para nada para o bem estar psicologico , e logo , fisico , da humanidade. todo conhecimento está virado para o lucro e para fazer dinheiro , e não para coisas realmente importantes.

    por outro lado , o meu cérebro executa tarefas em 2º plano , sério. já dei por isso. na volta há por aí algum autista sobretodado capaz de decorar resmas de tralha moderna.

  8. “Cavalo de Sonho”, filmezinho de baixo orçamento. Para quem tem Meo, canal 55, TV Cine Top, transmitido na terça-feira, 28-12-2021, quem estiver interessado ainda pode ver nas gravações automáticas, hoje e talvez amanhã. Relembrou-me porque é que gosto dos britânicos, aos molhinhos.

  9. Estás enganado Val. Todos nós temos uma visão holística de tudo.
    Repara, se nós só falarmos daquilo que sabemos passamos a vida calados.
    Olha agora por exemplo, toda a gente percebe de vírus e de epidemias, até o esperto do camacho critica aqueles que não concordam com ele, como se ele fosse um entendido na matéria ou percebesse alguma coisa daquilo que está a dizer.

  10. Eh pá, ó Mais do mesmo, se o estúpido do camacho criticasse aqueles que concordam com ele é que era um achado, passava a ser tão esperto como tu. E o universo não aguenta tanta esperteza junta, havia para aí um Big Crunch e odespois tínhamos de esperar pelo próximo Big Bang, que ninguém saberia quando vinha, pôcera! Queres inseminar toda a Criação, espertalhão?

  11. O estúpido do camacho podia era estar calado, e é que com a boca fechada não entram tantos ómicrões.

  12. Também acho, tal como o Camacho, que este texto está relacionado com o último. Mas gostava que explicasses melhor o que género de conhecimento “obtém-se sob modelos de segredo estatal e empresarial”. Por exemplo, as grandes marcas de carros convencem as sociedades que a tecnologia de motores derivados de petróleo (combustão) está obsoleta, e isso não é verdade. O petróleo ainda poderia vir a ser uma excelente fonte de energia mais limpa, com tudo o que teria para dar. Se não se apostasse (para já) nos carros elétricos poderíamos ter carros a consumir 1 ou 2 litros aos 100km, com motores a gasolina ou gasóleo bastante mais desenvolvidos. No entanto, todas as marcas estão a apostar nos carros elétricos de forma bastante suspeita. Às vezes ter todo o conhecimento ” complexo e profundo” é só mais uma forma de aparência que serve para enganar as pessoas.

  13. Ó Ricardo ninguém está a enganar ninguém. Com os conhecimentos que temos sobre baterias e sobre o seu funcionamento, só mesmo um anjinho é que acredita que a bateria de um automóvel não vicia, não polui e o seu carregamento é mais barato.
    É apenas o funcionamento dum lóbi no seu expoente máximo.

  14. Eu não estou a falar de teorias da conspiração. Estou só a dizer q mesmo com tanto conhecimento as pessoas, mesmo as mais sábias e poderosas, são burras

  15. Os idiotas eu mesmo e yo ruminam até à exaustão a velha lenga-lenga do catastrofismo anti-ciência. Estes dois militantes da liga dos amigos do Covid são exemplares de um espécime que congelou no Pleistoceno e descongelou nos dias de hoje, só para nos mostrar que o seu nível de raciocínio é bem anterior à invenção da roda.

  16. Ó constipado, tu deves perceber disso à brava. Tens sorte porque o Costa já comprou a quarta dose, porque se vê mesmo que estás a precisar.
    Mas é melhor apanhares uma quinta dose porque parece que vem aí uma variante que é muito mais perigosa que o ómicrão, só de um gajo falar nela fica logo infectado.

  17. O espécime descongelado “eu mesmo” voltou a deglutir o que expeliu sob a forma de excremento. Na circularidade do seu fechamento cognitivo, a deglutição e a excreção do “eu mesmo” tornaram-se indistinguíveis. Extraordinária criatura!

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