Dom Pardal Henriques, desde 2017 a sacrificar-se por nós

«Em resposta às críticas de que se terá aproveitado da "causa dos motoristas" para se "autopromover, Pardal Henriques diz defender esta causa "desde 2017" e que nunca foi sua intenção "iniciar uma carreira política". Acrescenta ter a intenção de continuar "a exercer a advocacia e a defender todas as causas" em que acredita, "e em especial o novo Sindicalismo Independente", através de "uma voz ativa contra a hipocrisia e a corrupção" na Assembleia da República.»


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Esta noite tive dificuldades em adormecer. Fechava os olhos e de imediato era assolado por imagens da noite do próximo 6 de Outubro. Imagens tenebrosas, terríveis, onde se rasgava o coração perante a notícia de Pardal Henriques não ter sido eleito deputado. Ao abrir a pestana para fugir dessa visão cruenta ficava entregue aos monstros que se escondem nas trevas dos quartos das pessoas sérias como eu, esses corruptos que perseguem o bom povo para o enganar e roubar. Foi dilacerante.

Caso não haja um toque a rebate em nome do tanto que o senhor já fez pela melhoria da nossa vida colectiva, corremos o sério risco de não ver o Dr. Pardal a chegar de Maserati à Assembleia da República, a sair com o seu lendário blusão de penas (ou sem penas, ficará como mistério) e a subir as escadarias em passo de corrida perseguido pela multidão de jornalistas arcadas adentro. Chegado ao hemiciclo, seria épico vê-lo a continuar a “exercer a advocacia e a defender todas as causas” bastando acreditar nelas com o poder e autoridade da sua cachimónia, ó singela e inaudita transparência. Nada menos do que maravilhoso, homérico, escutar a “voz activa contra a hipocrisia e a corrupção” saída da garganta d’ouro de um herói do “novo sindicalismo independente” ali chegado ao antro da corrupção precisamente por nunca, mas nunca nunca, ter sentido a tentação de “iniciar uma carreira política”. É bem sabido como a hipocrisia e a corrupção se apavoram ao verem avançar contra elas esta estirpe de rectos lavados com água de malvas e purificados de qualquer contacto com a porca da política.

Espero que a noite de insónia e pesadelo não passe disso. Portugal precisa do sacrifício destas pessoas honestas, corajosas, patriotas que vêem corruptos exactamente onde eles estão: em todo o lado onde existem representantes do voto popular e funcionários do Estado. Está na altura de acabar com os abusos da democracia e os excessos da liberdade.

18 thoughts on “Dom Pardal Henriques, desde 2017 a sacrificar-se por nós”

  1. Ele, eles, só se tornam verdadeiramente perigosos se a seita atrás do arbusto, e ele está lá sempre, os topa e neles investe, defendendo-os, incitando-os, abrindo-lhes o caminho. Onde fui eu buscar esta ideia?

  2. Agora a sério, não se riram com esta do «nunca foi sua intenção “iniciar uma carreira política”.» ?
    Aldrabão é o anão MM e não aldraba assim.

  3. O teu partido é o do sectarismo cegueta, a tua táctica é a de, à falta de argumentos, grudar ao herege pecados inconfessáveis que o levem a, receando excomunhão, arrepiar caminho e regressar, de cabeça baixa, ao redil da carneirada castrada e bem-comportada. Meu, tenho novidades para ti: mesmo que te cause estranheza, ainda há homens livres neste calhau, quem escolha o seu próprio caminho na pradaria, sem esperar que o cão-pastor lhe morda as canelas para saber para onde ir, quem despreze capelinhas, quem cague em bullies iluminados, aldrabões e outros cabrões. O meu partido é e será sempre o dos roubados, ofendidos, humilhados e bullyados, os que rejeitam iluminações alheias a indicar-lhes o caminho, os que escolhem por si o rumo a tomar, que causas defender, que sacanices rejeitar, que sacanas desprezar. Continua a portar-te bem… e vai-te catar!

  4. Camacho,

    Vejo que tendes a dividir o mundo entre ricos e pobres. O meu avó , que foi pobre toda a vida, também padecia desse desvio maniquesita, digamos assim. Mas ele formulava-o noutros termos. Em lugar de dividir o mundo entre ricos e pobres, dizia que ele se divia entre” os que são ricos e os que querem ser ricos”. Vá-se lá perceber porquê … :)

  5. Joaquim andas desvairado, se esse é o teu caminho bom proveito, já que o pardal também trilhou o dele à custa de uma reivindicação justa, de resto dispenso respostas à troglodita.

    cuida-te.

  6. Insistes na mesma táctica, variação em ré menor, e eu continuo na minha. O meu partido é o dos que correm livremente pela praia, recusando o conforto húmido da pocilga do pensamento único. O meu partido não aceitará nunca o triunfo dos porcos.

  7. Camacho,

    Assino por debaixo do que acabas de escrever. O meu problema é que por vezes tenho dificuldade em distinguir os porcos da restante gadaria. Coisas de urbano inveterado, digo eu…

  8. E tudo isto por um Pardal que anseia ser deputado para se juntar aos que lutam contra o triunfo dos porcos. É isto não é, ou estou enganado?

  9. E contigo também, camarada Camacho! E aproveitemos este raro momento de concórdia celeste para recordar o que nos trouxe a esta enternecedora troca de mimos, pois ela nada teve a ver com a pardalada do Manojas, mas com uma questão legitima e honesta que te coloquei, a saber : de que caralho de informação previlegiada dispunhas tu, Camacho, para preferir a narrativa sindical à do governo.
    Ora já estou esclarecido: não tinhas nenhuma. Optaste pela narrativa sindical por fé num principio que te coloca sempre num dos lados da barricada. Respeito isso. O que me parece, contudo, no entanto, porém, é que te deixaste ultrapassar pela história. O mundo do trabalho já não é o de 1973. Apesar dos “Soares dos Santos” que ainda há por aí, os patrões já não são só latifundiários nem os trabalhadores apenas camponeses. Boa parte do tecido empresarial pt está recheado de pequenas e médias empresas cujos “patrões” trabalham mais para os empregados que o contrário. E boa parte dos trabalhadores por conta de outrem são burguesinhos mais empenhados em cuidar das suas vidinhas que com os resultados do seu mister. Ora entre a minha cunhada que é prof de História e está há um ano de baixa pq torceu um pé, e um patrão de matérias perigosas que foje ao fisco, confesso que não lhes consigo distinguir a imundice, Se tu consegues, que bom para ti! E por aqui me fico.

  10. ODE A OSGAS E OJAS

    Pardalito avoa avoa
    a caminho de Lisboa
    e os pobres órfãos à toa
    agora que o pardal já foi
    agarram-se, apardalados
    à quinta perna do boi.

  11. A opção foi então por uma narrativa sindical, mas aquela narrada pelo Pardal. Não foi? Então, toda a controvérsia foi mesmo por um Pardal e a sua ambição. Que carisma.

  12. Era inevitável. Eis uma entrevista no Expresso a Pedro Pardal Henriques, o tal. Retenho os dizeres: “Não tenho dúvida que serei eleito”, “Se calhar irei sentar-me entre o PS e os outros da esquerda”, “Tive convites de vários partidos”, “Acho que já fui contactado por mais de 15 sindicatos”. Não se precavenham, não, ou muito me engano ou a seita atrás do arbusto já anda de olho nele.

  13. Pôcera, Manu! Das subtilezas da ironia humana pescas menos que uma tábua de engomar! Entendeste completamente ao contrário a minha ode de 23 DE AGOSTO DE 2019 ÀS 21:21 e obrigas-me a fazer um desenho: o alvo eram os que, como tu, usam o Pardal como manobra de diversão e varrem para debaixo da mesa os problemas reais dos motoristas. Com o homem de fora, ficam sem bode expiatório e terão de lidar com a realidade, tão simples como isso.

  14. Manojas e não Manu, certo? Concretamente, que problemas reais dos motoristas de matérias perigosas foram resolvidos por acção do Pardal? Não terão sido a arrogância e as tiradas inconvenientes. provocatórias e ameaçadoras do Pardal que provocaram muita da repulsa pela greve e uma reacção mais prevenida do governo? E ele foi fora porquê? Eu não pescava, mas agora já pesco, foi devido às “subtilezas da ironia humana”. “Bode expiatório”? Olha quem!

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